Mostrando postagens com marcador Alienação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alienação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O homem deve ou não pagar a conta?

O mundo é feito de polêmicas. Essa talvez seja uma das grandes verdades da vida. Recentemente li uma reportagem sobre um ator famoso que afirmou sempre dividir a conta com a mulher com quem ele estiver no momento.

Achei curiosa a celeuma que se deu em cima desta declaração. Algumas pessoas defendiam, outras atacavam a opinião deste ator. O fato aqui é que tamanha discussão não levou a lugar algum. As pessoas são livres para pensarem e agirem como bem entenderem, correto?

Bom, a coisa aparentemente não é tão bem correta assim. A forma como nós pensamos é moldada por uma serie de fatores. Todos eles externos e que vão desde a educação que recebemos, bem como todas as interações humanas que tivemos com os outros, passando pelo ambiente e pelo período em que vivemos.

Dito isso, a declaração do ator, na minha opinião, nada mais é do que o retrato dos tempos modernos em que vivemos.

Sobre minha opinião? Digamos que não discordo dele, mas devo admitir que em toda minha vida tomei decisões diametralmente divergentes a dele.

Para instigarmos esta discussão gostaria de começar com uma pergunta bem simples mas que pode vir a ter uma difícil resposta: 

O que é ser homem?

Homem Raiz

O conceito de homem foi estático durante muito tempo, mas atualmente tornou-se flexível, maleável, algo menos, com o perdão do trocadilho, "rígido". Este talvez seja o motivo pelo qual encontramos hoje em dia, garotos de quarenta anos de idade que querem curtir apenas sem se envolverem com nada, com relacionamentos superficiais, ligeiros e sem intensidade. Vendo por esta ótica, de fato não faz sentido pagar a totalidade da conta. Melhor rachar.

Contudo, e voltando a questão do que é ser homem, me parece que a melhor maneira de se responder a esta pergunta não é observarmos o comportamento destes novos - ou as vezes nem tanto - garotos, mas sim o comportamento dos considerados velhos machos e principalmente o que as mulheres em geral esperam de um homem.

Muitos talvez estejam pensando neste momento: "Olha aí mais um homem feministo!". O que posso dizer é que estou longe destes neologismos e radicalismos, contudo, acredito que como seres sociais nos moldamos através de conceitos e relacionamentos.

Entendo que é senso comum que uma mulher queira um homem viril e que a deixe sem fôlego, mas este comportamento ela provavelmente espera dentro de quatro paredes. Fora do quarto ela com toda certeza quer se sentir protegida por este homem. Ela quer sentir que dentre os bilhões de mulheres que existem na face da terra aquele homem escolheu cuidar dela e tão somente dela.

Este desejo feminino sempre foi ao encontro de como a sociedade, de uma forma geral, ditou a maneira como um homem deveria ser. O homem deveria ser o provedor da família. Ele deveria ser o protetor. Aquele que resolve os problemas. É exatamente por isso que a ele era atribuído o título de chefe da família. Os entes sentiam-se seguros em saber que sempre haveria alguém para solucionar o não solucionável.

Eu vim desta velha escola. Apesar de não ser de dar flores, sempre paguei a conta. Era algo que de certa forma trazia para mim uma carga de masculinidade, de proteção, de cuidado, e de educação.

Homem Moderno

Na minha concepção, ser homem é ser cordial, polido e cavalheiro, ainda que o encontro não tenha sido lá essas coisas. Ainda que a mulher não tenha proporcionado momentos sublimes e intensos, ou ainda que a conversa e a companhia daquela mulher não tenha sido simplesmente boa. Ser homem, por todas estas coisas é ser o melhor macho, não apenas no sentido sexual da coisa mas em muitos sentidos diversos.

Atualmente - e aqui percebo que estou ficando velho - ocorre um descolamento entre o sexual e prazeroso e as demais qualidades masculinas. A satisfação momentânea e por diversas e diversas vezes - e se possível com diversas e diversas mulheres - dita o que é ser homem. Neste sentido reafirmo aqui. Melhor dividir a conta mesmo.

A luz no fim do túnel é saber que a vida cursa em ciclos e eque estamos vivendo mais um. Longe das discussões acaloradas tudo vai seguindo. Quem sabe num futuro a briga seja para que a mulher pague toda a conta... Vamos tocando o barco. 


terça-feira, 2 de maio de 2017

Quando um homem tem um probleminha


Acho que todo garoto em algum momento na vida quis crescer logo. Acredito que todo menino um dia se perguntou como seria ter barba ou como seria falar grosso igual seu pai ou seu avô. Muitos jovenzinhos sonharam estar dirigindo um carro e para aqueles um pouco mais crescidos, ter uma namorada.
O fato é que todo garoto, sem exceção é ansioso. Ansioso por se tornar um homem, afinal de contas o que há de melhor na vida? Poder conquistar tudo. Poder viver a vida. Ser alguém que faz a diferença.
Na maioria das brincadeira, os meninos são soldados, astronautas, atletas e por aí vai. São estimulados a superar limites. E assim vão passando os dias de uma rápida infância.
Eis que então, e finalmente ,chega a vida adulta e como jovem adulto, barba falhada, voz de taquara o mundo se apresenta em toda a sua glória e por vezes decepção.
Não ha mais brincadeiras. Há trabalho. Não há mais tempo livre. Há necessidade de estudar ainda mais. Não há mais férias no meio e no final do ano. Não mais. Mas existem as contas a serem pagas. As cobranças dos outros e até daquela namorada que se queria muito ter.
Não inventaram um manual de como se tornar um homem, mas ali está ele, ansioso, cheio de sonhos mas amarrado pelos pés e pelas mãos.
Ser homem não é fácil. Ninguém nunca disse que seria, mas ninguém nunca definiu direito o que é ser de fato um homem. 
Alguns dizem que homem não chora. Outros que o homem deve honrar suas calças. Alguns dizem também que o homem não deve levar desaforo para casa. Muitos pensam que ser homem é beber até cair ou pegar todas.
O mito criado ao redor do ato de ser homem por vezes confunde aquele garoto que só queria crescer. Tudo isso é ser homem? A resposta é sim... e não ao mesmo tempo. Você não pode chorar e por isso guarda dentro de si aquele sentimento por vezes ruim. Você tem que horar suas calças apesar de não serem sagradas. Este adereço místico do vestuário masculino ganhou um empoderamento tão grande que praticamente define a masculinidade de um ser mesmo sendo apenas um pedaço de tecido com algumas costuras que inclusive as mulheres usam também. O homem jamais deve levar desaforo para casa ainda que isso te custe a dignidade, uns dentes, hematomas e até mesmo a vida. Evoluímos de um estado tribal para uma sociedade avançada tecnologicamente mas o instinto animal de se resolver as coisas deve prevalecer e assim o prevalece quando para mostrarmos aos outros o quanto somos machos, bebemos até cair ou pegamos todas em qualquer lugar e a qualquer momento sem nos importarmos se aquela mulher é um ser humano ou um pedaço de carne a ser possuído.
Com tudo isso não é de se estranhar que a depressão é um dos males modernos e que talvez afete em uma intensidade maior homens do que mulheres, mas elas podem admitir que têm um problema e até chorar. Eles serão frouxos se assim o fizer. Os mais corajosos dizem que tem um probleminha, mas as vezes nem sabem como descrever o que sentem porque ser homem é também não entender direito sentimentos e sensações. É querer ser forte como uma rocha sempre, pouco se importando com a água que bate.

quinta-feira, 9 de março de 2017

E não viveram felizes para sempre



O amor tem dessas coisas...
Precisa ser sentido, precisa ser vivido...
Mas acima de tudo precisa ser confiado.
O amor desconfiado é um meio amor.
É um viver sem calor.
Uma lamentação sem fim,
É estar perturbado pela pior das dúvidas...
E se?

São noites de sono mal dormidas
Embrulhos no estômago
É querer estar dentro do outro
A vasculhar...
A querer encontrar aquele detalhe...
Por vezes avassalador
Devastador, usurpador...
É o torpor de toda uma dor...
Pujante, gritante e mesmo irritante.
Pois é. O amor não é tudo, mas...
A confiança assim o é.

Carente de fé,
Os ânimos se desanimam,
Os dentes se mostram, não num sorriso
E sim no ranger eufórico
Lascas de sentimentos se chocam...
E faíscas por vezes se faz ver
Sim. É ofensa, lambança
Falta de razão...
É um final infeliz...

terça-feira, 7 de março de 2017

Os anjos também caem



Ele era jovem. Devia ter o quê? Uns quinze? Talvez dezesseis anos. E ele sonhava. Era um ingenuo num mundo de espertos.
Sonhava sim. Com grandes feitos. Com uma vida melhor. Ele sabia que era capaz. Capaz de tudo. Capaz de transformar o mundo, mas ainda assim era um. Tão somente um.
Tinha boas intenções e um coração bom, mas ainda assim riam dele. Era sempre a aparência, o jeito tímido de não saber lidar com as brincadeiras de mal gosto. A dificuldade em saber lidar com um lugar novo e hostil.
Ele via as pessoas curtindo. Eram shows, viagens, paqueras. Tudo muito próximo dele mas ainda assim distante. Era um lugar impossível de entrar. Ser descolado para ele era complicado. Ser popular, algo inimaginável.
Sofria calado. Era motivo de chacota sempre. A noite na cama chorava em silêncio para que os pais e os irmãos não ouvissem. Em momentos assim, perguntava a Deus por que era tão diferente? E por que sofria tanto? Mas as respostas nunca vinham. O que vinha era um novo dia. Não um dia cheio de possibilidades mas um novo dia cheio de mais tristezas.
Era um rapaz simples. Sonhador, mas que de tristeza em tristeza, de trotes em trotes, de chacotas em chacotas passou a se tornar uma pessoa rancorosa, vingativa. Aquele mundo não o queria, ele também não o quereria mais.
Cresceu. Tornou-se um jovem homem. Passou a ter certa liberdade, contudo, os longos anos de tristezas e decepções haviam deixado suas marcas. A imaginação fértil se voltou para a mentira. Mentia para tudo e para todos. Fantasiava situações e em instantes havia uma história perfeita para corroborar viagens nunca feitas, amores nunca vividos, sensações nunca vividas.
O mundo era assim para ele. Tudo havia se tornado falso e para fazer parte daquilo ele tinha que ser o senhor da falsidade.
Ele de fato cresceu. Tudo que ele havia aprendido era desrespeito e o que ele retribuiu foi mais desrespeito ainda. Arranjava namoradas para logo em seguida as trair sem remorso algum. Uma pessoa outrora amorosa agora não passava de alguém para quem um sentimento pouco significado tinha. O mundo era assim e ele era o mundo agora.
Os anos se passaram e a vida desregrada cobrou seu preço. Lá estava ele. Vazio. Nem sequer lembrava de longe aquele garoto tão bom. Sozinho, viu todos ao seu redor prosperarem, mas ele continuou ali. Remoendo recordações ruins e culpando os outros pelo mal que fez a si e aos outros.
Criamos monstros o tempo todo. As vezes sem querer mas as vezes por diversão. Para não perder a piada. Fazemos anjos caírem com nossos atos errados e sequer damos conta.
Negamos a responsabilidade que temos e seguimos em frente. Até quando?

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ela sempre prevalecerá




Não há mentira que se sustente para sempre. Nunca haverá. Poderão passar anos, eras, mas um dia a verdade surgirá ainda que não para se fazer justiça, mas para se acalmar os ecos dos corações atormentados.
Algumas pessoas mentem bem. Elas realmente são boas nisso, mas sustentar uma mentira por anos a fio dispende grande esforço. Umas se cercam de cuidados e se tornam paranoicas. Passam a acreditar em suas invenções. Outras relaxam. Esquecem e deixam a vida fluir. O castigo da primeira é a loucura, o da segunda, ser exposta. Mas ambos em algum momento estarão nus. Despidos da segurança da história perfeita.
O silêncio é o predecessor da vergonha de ter sido apanhado e a vontade de reconciliar é o golpe baixo destes astutos.
Da mesma forma que existe a mentira e a verdade, o enganador e o enganado, existe o coração mole e o coração duro. Um sofre, perdoa e esquece, já o outro sofre, mas, não perdoa, não esquece e se vinga. Existem aqueles que abraçam a compaixão e outros que veem no ódio um anjo de braços abertos. Jamais se pode julgar ou entender a reação de alguém que foi enganado. Tão pessoal quanto o amor é a ira. Tão intenso quanto a criação é a destruição. São irmãos amarrados pelos pulso, digladiando entre si.
Mas indiferente do desfecho, o fato é que a verdade pode tardar, mas sempre prevalecerá. Ela se imporá ante as trevas da ignorância e da enganação. Ela será a luz para a salvação ou o fogo da danação.


sábado, 17 de setembro de 2016

Abraçar a eternidade...



Hoje eu morri... e renasci
Para depois me atormentar
Sem nexo, sem sentido
Sem gosto, sem gostar...

Cresci. Pouco, mas cresci
Longe dos olhares,
Mas ainda assim preocupado...
Com os olhos

No tempo me perdi...
Como quem perde vida
Como quem perde tudo
Vi perante meus olhos
O bater de asas de um sonho...

Triste e sozinho...
Abracei o amargor
Abracei a eternidade...
Do que poderia ter sido, 
Mas não foi...

Brilhante em outros sóis se foi
Escuro em uma penumbra ficou
Não mais existo e não mais existirá
Não este raio de sol...
Não este momento...

Nunca mais...



domingo, 14 de junho de 2015

Decepção


Talvez a decepção seja o mais triste dos sentimentos.
A dor de amor dói.
A dor da perda dói.
A dor da saudade dói.
A dor da distância dói...
Mas a decepção não. Ela não dói mas ainda assim pulsa.
Ela lateja e inequivocamente te desarma onde se pensava ser mais forte.
Ante tamanho descontentamento, que fazer? O que pensar?
Frustração que macula a alma e faz o mal surgir nos corações.
Ante tamanha imposturia como agir? A quem recorrer?
De todo o melhor que meus defeitos permitiram existir em mim, a confiança sempre se mostrou ser a mais insensata e ainda assim a melhor de todas as minhas qualidades.
Mas sofre-se assim, sofre-se mais uma vez, mas aprende-se e de dor em dor vão se superando os percalços. Ainda não se inventou uma maneira de evitarmos uma mentira, mas com toda a certeza, para toda mentira haverá uma verdade e esta gritará e aparecerá e por fim prevalecerá...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Nada não



Nada tem gosto
Nada tem cheiro
Nada é um enrosco
Nada  é encrenqueiro

Nada é chiado
Nada magoado
Nada irritado
Nada é chapado

Nada desanda
Nada é turvo
Nada encanta
Nada tão curvo

Nada em mim
Nada em você
Nada é não
Nunca é nada
E por nada não
Perdi a parada



domingo, 24 de agosto de 2014

Essa não é a vida real



Twitter, Facebook, Instagram, Blogspot. Talvez nunca tenha sido tão fácil viver uma vida paralela quanto hoje em dia.
Fotos de viagens, roupas novas, carros bonitos. Homens e mulheres querendo ser mais, querendo ter mais. O que antes vivíamos apenas nas páginas de um livro ou num filme de cinema passou a ser externado de uma maneira mais dinâmica. Nossos sonhos e desejos passaram a se misturar com a realidade e essa mistura passou a nortear nossas vidas.
Não se trata de uma aversão a tecnologia, mas sim o uso que é dado a esta. E esse uso sim vem ditando tendências e comportamentos. Quem nunca viu aquela criança de outrora, agora adolescente "sensualizando" como gostam de dizer por aí, em fotos com a língua de fora. Parece uma enxurrada, uma verdadeira legião de pessoas com a língua de fora e por quê? Porque todos fazem, simples assim.
O ser humano, de acordo com a antropologia, se desenvolveu para viver em grupos e esses grupos de humanos se desenvolveu para relacionar-se uns com os outros, trocando experiências uns com os outros. Era assim com o homem das cavernas, é assim com o homem moderno. Esse comportamento inerente ao ser humano está no cerne do que veio a se popularizar como redes sociais.
Interação rápida, quase instantânea, somada a possibilidade da associação de fotos e geo-localização disseminou a ideia de que qualquer um poderia ser mais popular, mais atraente. A ideia de nos mostrarmos cada vez mais tornou-se algo popular de modo que o importante passou a ser a questão de termos ou não conteúdo para mostrarmos.
Até mesmo a mais reclusa das pessoas tem algo a dizer, algo a mostrar. Mas e aqueles tímidos? Aqueles excluídos? Muitos destes viram uma revolução acontecer em suas vidas. De cativos de uma sociedade excludente passaram a uma liberdade jamais pensada, mas a questão não é sobre os populares e não populares e sim sobre quem consegue gerar conteúdo para ser publicado o tempo todo?
Está aí a mãe de todas as questões nesta era de conteúdo digital. Se um jornal, uma revista ou grande portal carecem de uma equipe inteira para tocar a máquina e muita das vezes apenas conseguem replicar conteúdo gerado por terceiros, como uma única pessoa conseguiria manter-se com algo relevante? Como seria possível uma única pessoa manter o nível de "like" necessário?
A resposta é simples, com mentiras, meias verdades e manipulação da realidade. É a foto de uma garrafa de vodka, energéticos e narguile em cima de uma mesa com frases como "hoje a noite promete" ou "amigos e baladas" ainda que a noite tenha terminado com uma pessoa bêbada e sozinha. É a foto daquela garota com a língua de fora tentando mostrar que já tem seios ao estufar o peito e dizer num português incrivelmente ruim "eu sei qui tu goooosta". Ainda que seja tímida e que como muitos adolescentes sofra de um amor platônico, precisa a todo custo mostrar que é descolada e que pouco se importa com sentimentos. O importante é ser "rodada e vivida", ainda que não seja.
Não se pode ser sincero o tempo todo. Os psicólogos e psiquiatras estão aí para confirmarem isso. O problema é viver uma vida que não se tem. É se logar em um site e passar a ser uma pessoa que não é. Estamos cada vez mais cultuado o mito, a imagem, e nesse caminho estamos nos perdendo. Estamos nos tornando uma sociedade de faz de conta, tão artificial quanto os bits e bytes que passamos a cultuar.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Tempo de incertezas, violência e tristezas




Estive pensando sobre o momento em que vivemos. Sobre os desafios do dia-a-dia, sobre a insegurança que sentimos todos os dias. Estive pensando sobre o aumento da criminalidade, sobre os bailes funk e sobre aquele vizinho chato que por estar dentro de sua casa acha que pode fazer tudo, inclusive ouvir a música que quiser no volume que entender ser razoável. Pensei na falta de cultura e na cultura do futebol, na inflação e no por quê de pagarmos três vezes mais o valor de qualquer bem. Estive pensando no jeitinho brasileiro, na esperteza dos "espertos" e ainda assim perdedores. Pensei nas mentiras do governo e nas falácias dos políticos, no ranger de dentes dos sindicalistas e nos uivos inquietos das ONG's, vorazes por verbas públicas. Pensei um pouco mais no policial que se corrompe, na enfermeira que fica discutindo com as colegas sobre o capítulo da novela enquanto o paciente agoniza. Estive pensando sobre a menina que tentou matar a própria mãe com chumbinho e aos risos informava que repetiria o ato assim que a oportunidade surgisse. Estive pensando em leis absurdas como a de acabar com a comemoração do dia dos pais e dia das mães na escola em detrimento dos filhos de pais e mães homossexuais. A criança nesta situação não teria dois pais ou duas mães? e este não seria um motivo para esta criança celebrar em dobro? Pensei nas mulheres que querem mostrar seus corpos voluptuosos com saias, shorts e decotes e ainda assim reclamam quando alguém as aborda de maneira mais incisiva assim por dizer. Sou absolutamente contra o estupro, mas aparentemente, a lei da ação e reação parece não se aplicar as esta mulheres. Pensei inclusive nas mães que acham bonito e incentivam suas filhas a andarem seminuas pelas ruas com a desculpa de que elas tem o direito de decidirem sobre seu corpo. Pobre meninas...
Pensei sobre as cadeias lotadas e sobre o poder paralelo que está se tornando o poder de fato e pensei também na perda de esperança das pessoas de bem.
Envolto em tantos pensamentos, como ter esperança de melhoras? A sociedade como conhecemos está ruindo enquanto o governo parece distanciar-se cada vez mais daqueles que deveriam representar. Paro, e penso uma vez mais que tipo de futuro teremos e o que visualizo é simplesmente o imprevisível, mesmo em um horizonte curto de tempo. Aguardemos então os novos tempos, de tristezas talvez...

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Não existem cordeirinhos, todos são lobos

Li em diversos sites dias atrás a notícia de um jovem que foi preso nu a um poste no Rio de Janeiro. A história dele era triste. Proibido de voltar para sua casa por ter roubado uma furadeira na comunidade em que morava o jovem foi alvo de uma gangue de justiceiros enquanto perambulava pelas ruas da cidade.
Esta foi mais uma notícia triste de uma sociedade que pouco se preocupa com o futuro de seus jovens. Minha surpresa foi ter visto ontem uma nova notícia sobre este jovem, a de que ele, dias antes, havia juntamente com outros, espancado um outro adolescente em um abrigo. O motivo? Este jovem teria passado informações de uma milícia para a polícia.
Em uma semana algoz, noutra a caça. Irônico de fato mas a verdade é que a sociedade em que vivemos está desmoronando. O povo em geral, aqueles que trabalham e pagam impostos, diante de tanta falta do estado passou a fazer justiça com as próprias mãos. O rapaz citado foi atado a um poste por uma trava de bicicleta por um grupo que aparentemente o identificou como um dos assaltantes que assolavam a região. Chamaram a polícia? Não, claro que não. Pela lógica distorcida a qual somos obrigados a engolir o menor seria logo liberto ou encaminhado a uma instituição da qual ele fugiria ou novamente seria liberto.
O governo compeliu o cidadão comum ao estado de barbárie. Longe de ser uma situação regional, a violência se espalhou como um mal endêmico. Todas as cidades sofrem com roubos, tráfico, assassinatos. A população passou a fazer justiça com as próprias mãos.
A policia, desacreditada e desmotivada não vê o resultado de seu trabalho. Réu primário, com residência fixa e trabalho jamais fica preso. Reincidentes são presos mas por bom comportamento mal cumprem um terço da pena, isso quando não fogem nos diversos indultos que a lei permite. Novamente o governo estimula o crime ao não punir com rigor, a abrandar aquilo que deveria ser considerado hediondo e depois não sabe explicar o por quê do caos em que vivemos.
Justiça com as próprias mãos, ônibus e metrôs depredados, rolezinhos em shopping, facções criminosas se tornando um poder paralelo. Tudo isso é reflexo do desgoverno e da falta de cultura.
Por muito tempo fomos vistos mundo a fora como povo receptivo. Estamos as vésperas da copa do mundo e seremos vitrine de como um país pode se acabar quando aqueles que deveriam nos representar e cuidar de nossas necessidades nos viram as costas. Passaremos ainda mais vergonha.
Obras super faturadas, conchavos, conluios, jeitinhos e nada de infra estrutura, saúde, segurança e educação. São cabeças separadas de seus corpos em presídios enquanto a preocupação é o caviar e a lagosta do banquete.
São pessoas regozijando-se ao ver bandido morto ou humilhado preocupando-se pouco se isso é de fato justiça ou não.
Neste retalho de pais não existem mais cordeirinhos nem inocência, apenas lobos sedentos de sangue.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano novo, vida na mesma


Eis que começa 2014 e com ele novas esperanças se renovam. Novos planos são feitos, metas são traçadas e prometemos a nós mesmos que faremos tudo diferente.
Na teoria é tudo bonito, mas há que se lembrar que um ano sucede o outro e sendo assim, olhando friamente para a questão, o ano não é novo e sim uma sequência do anterior. Talvez este seja o motivo pelo quanto não tenhamos tanta facilidade para fazermos o novo e sim facilidade para darmos continuidade a exatamente o que fazíamos no ultimo dia do ano passado.
Renovar não requer exatamente uma data, nem um momento, nem um período, nem um acontecimento, apesar de todos serem geradores de mudança.
Desejo a todos que tenham a percepção do que é necessário mudar e que tenham a coragem e as condições para fazê-lo e sim, que seja em 2014 porque afinal de contas ainda não se inventou uma maneira de voltar no tempo. Feliz 2014.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Números



Números... lógicos, certeiros, exatos e frios. É número de identidade, de CPF. Número de celular, número da casa, do CEP, da placa do carro. Existem números para tudo... até para mim e para você...
Apenas mais um número é a que nossa existência se resume nos dias de hoje... lógico, certeiro, exato e frio que por sinal é medido em graus que por sua vez sobe e desce de acordo com os calores, de acordo com os humores... chato... mas ainda assim lógico, certeiro, exato e... triste como um dia frio.
1, 2, 3, 4...... primeiro contamos em anos e depois em décadas. O tempo, carrasco de todos não poderia ser expressado de outra maneira que não em números. É estar em um ciclo que gira 1, 2, 3, n vezes sem sair do lugar. O tempo é a moeda que se paga quando se é apenas mais um número... mas números não fazem a diferença ainda que de fato façam....
3, 2, 1 ........................... fim da linha.................... tão lógico, tão certeiro, tão exato e ainda assim tão frio.......que pena....

domingo, 10 de novembro de 2013

Sobre as definições do ser humano e sua lucidez


Ambiguidade talvez seja a palavra que melhor define o ser humano. Somos os geradores e definidores do conceito de razão, porém, e ainda assim, somos propensos as mais terríveis irracionalidades.
Desde uma discussão no trânsito à definição do rumo que uma nação deve tomar, temos um tipo de instinto, um tipo de tendência a agirmos contrariando tudo o que definimos como correto, como iluminado. Somos repetidamente desafiadores de nossa própria razão.
Conforto pode ser considerada também como uma das palavras que nos define. Este em conjunto com a busca pelo poder são os maiores geradores de discrepâncias. Curiosamente são os maiores geradores de conhecimento e lamentavelmente de atrocidades. Como não se espantar com os estudos sobre a atomística e seus benefícios nas áreas de saúde e geração de energia sem não nos envergonhar- mos com a bomba atômica?
Este é um ponto interessantíssimo e totalmente inerente ao ser humano: a elaboração e geração de conhecimento.
Desnecessário citar o trabalho hercúleo e de intelecto que é medir, quantificar, especificar entre outras tantas funções cientificas, contudo, e citando livremente Francisco de Goya, quando a razão dorme o caos se estabelece ironicamente pelo conhecimento.
Por fim, e não menos importante está a geração. Esta talvez seja a palavra que melhor define nosso desejo por criar cada vez mais e em todos os âmbitos. Gerar é um ato neutro em uma balança que tem como pendulo a razão, esta, definidora de bem e de mal.



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Embargos infringentes e o distânciamento entre o governo e o povo que deveria representar


Sempre esperamos algo de alguém. Esperamos que os pais sejam homens e assumam os sustento de suas crianças. Esperamos que os motoristas de ônibus não atrasem a viagem. Esperamos que os pescadores consigam nos trazer peixes. Esperamos que aquela garota dos nossos sonhos nos diga sim e esperamos que o pai dela não seja bravo.
Vivemos esperando que aconteça sempre o melhor porque a despeito de alguns querer coisas boas é a ordem natural da vida.
Dito isso, esperamos até a pouco que a justiça vencesse. Esperávamos não de um simples juíz, mas de um ministro que por motivos midiáticos protelou sua decisão por uma semana, que não acatasse os tais embargos infringentes que, grosso modo, reiniciaria todo o processo de coleta de dados, avaliações, discussões ad infinitum.
Constrangedora a decisão do senhor Celso de Mello, tido como o mais "douto" de todos os ministros do supremo tribunal. O mais antigo a atuar dentro daquela casa, o mais experiente.
A estátua da justiça, aquela da dama cega com a balança na mão que por sinal se chama Dice aqui no Brasil aparenta não ser apenas cega, mas surda também.
Clamamos para que este magistrado ouvisse a ância de um povo que simplesmente queria ver a justiça acontecer. Um povo que queria deixar de ver tanto ladrão de galinha na cadeia e sim os figurões políticos e corruptos.
Mas ele não ouviu. Toda a sua experiência o afastou daquilo que ele deveria defender: a justiça para o povo.
A derrocada da república começa assim. Ao som de aplausos. Não daqueles que deveriam e mereciam receber a justiça, mas sim daqueles que deveriam estar condenados e encarcerados.
Rumamos lenta e calmamente para a bolivarização de nossas instituições públicas. Que o senado já era vendido, não era novidade para ninguém, mas matar a esperança daqueles que esperavam justiça foi triste, vergonhoso e desumano.

sábado, 7 de setembro de 2013

Prenúncio de novos tempos


E o novo bate a nossa porta todos os dias. Vejo lutas com causas dignas e sem motivações algumas. Tempos atribulados de lágrimas e dúvidas, mas de esperança e confiança.
Olhares para o horizonte a tentar vislumbrar o melhor. O questionamento sobre o por quê de tudo isso corrobora a ideia de existência que por si só nada mais é que a pura e simples essência da filosofia.
Enxergo mudanças. Se boas ou ruins apenas os resultados dirão em um breve futuro, mas vejo o homem comum questionando este estado de letargia ruminante a que foi subjugado e aí sim vejo esperanças se renovarem e surgirem do caos.
A ordem natural das coisas sempre foi morrer para dar lugar ao novo. Novos tempos clamam por aparecer a luz da história e a presença de olhares espantados e ávidos pelo desconhecido. Que venham e que se provem válidos.

domingo, 28 de julho de 2013

A diferença entre obras públicas e obras privadas

É interessante quando nos damos conta do quanto o governo brasileiro é mau gestor de obras. Li a pouco na Folha de São Paulo duas matérias que exemplificam exatamente este problema: A construção do terminal 3 no aeroporto de Cumbica e as mães que dão a luz no Uruguai por falta de estrutura nas cidades de fronteira no Rio Grande do Sul.
Recentemente privatizado (em 2012) a GRU Airport pagou para gestionar o maior aeroporto do Brasil. Grande em tamanho e grande em problemas, o aeroporto opera atualmente sobrecarregado e isso ocorre a muito tempo. Me recordo, a época da privatização, o quanto os sindicatos e a INFRAERO foram contrários a esta concessão. Hoje vejo os benefícios práticos. A matéria do jornal foca apenas na expansão do aeroporto mas em um ano de gestão, a empresa privada já entregou um novo bloco de estacionamento muito moderno, que tem entre outras coisas, uma tecnologia simples mas útil de luzes que mostram onde há vagas livres, ou seja, nada de ficar andando nos corredores procurando um lugar para estacionar. Ao entrar no piso basta olhar para cima e ver onde tem vaga.
Vale lembrar que uma das metas estipuladas no edital de concessão é que a empresa que ganhasse entregaria o terminal 3 antes da copa do munto. Pelo que foi apurado, ele será entregue no prazo e com tecnologias de check-in, iluminação e logística inéditas no país. Tudo isso será entregue em dois anos. Quando a INFRAERO faria isso e ainda mais neste prazo? Nunca.
Deixar de fazer o que a população precisa parece ser a prerrogativa do governo. Se a locomoção é um problema sério a saúde é outro ainda mais grave. Em cidades fronteiriças no Rio Grande do Sul, mães dão a luz seus filhos no país vizinho, o Uruguai. O motivo é a falta de médicos e no caso de uma das cidades apontadas, a falta de maternidade. Se quiserem ter seus filhos nascidos em território brasileiro, as gestantes tem que ir para a maternidade mais próxima, distante setenta e cinco quilômetros dali.
Discute-se e muito o projeto mais médico que o governo federal quer implantar, mas de que adianta colocar um médico nesta cidadezinha se com ele não vier uma maternidade junto, com toda a sua infra estrutura e profissionais. Aliás, aqui está um ponto importante, sem enfermeiros os médicos não conseguirão tratar plenamente os pacientes. Estes profissionais serão importados também? De que adianta colocar um médico em condições quase que insalubres para trabalha. Voltaremos a época dos partos em casa? e no caso de alguma complicação, o que este médico fará sem a infra estrutura de uma maternidade? Medidas eleitoreiras desesperadas são identificadas desta forma. Pobre Brasil, tão rico e tão mal administrado.

* Imagem retirada do site do jornal Folha de São Paulo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mais médico e o império do Brasil



Li agora a pouco na Folha de São Paulo uma matéria sobre o rompimento da federação dos médicos com o governo. O motivo seria o tão falado Ato médico e principalmente o programa Mais médico que a grosso modo importará médicos de outros países para trabalharem em localidades distantes e com carência de profissionais da área da saúde.

Tenho uma opinião ambígua nesta questão. Sou contra a importação de médicos porque em se tratando de Brasil eles com certeza virão sem falar português, não terão tempo adequado para se adaptarem às práticas médicas brasileiras (existem procedimentos não adotados aqui no Brasil que são utilizados lá fora e vice e versa) e ainda não se sabe em quais condições tais profissionais virão trabalhar aqui (infra estrutura, salário, benefícios, etc).
Por outro lado, ainda que se trate de um remendo é fato que o povo precisa de saúde e precisa agora. A politicagem fez passar muito tempo e o povo não suporta mais esta espera. O fato é que algo deveria ser feito, só não escolheram a melhor solução.
Agora interessante foi a reação da federação dos médicos rompendo com o governo. Mais elitista que a casta dos médicos acredito que seja apenas a dos juízes. Me lembro de anos atrás quando a prefeitura de São Paulo inaugurou o hospital de Cidade Tiradentes. Nenhum médico quis trabalhar lá. O hospital teve sua inauguração protelada. Acho interessante os médicos querendo um plano de carreira igual ao dos juízes em uma época que tais benefícios para "classes especiais" estão sendo questionados nas ruas. O correto seria que tais mimos não existissem para qualquer classe que fosse.
Ao escolherem ser médicos, a priori, os indivíduos optaram por lidar com a dor. Entendo sim que um médico tem que ganhar muito, mas muito dinheiro porque estudam, porque se dedicam, porque dão o melhor de si (alguns), mas remuneração é diferente de um plano de carreira igual ao do judiciário ou do legislativo. Aliás, se já é vergonhoso o auxílio paletó que um deputado recebe o que se diria de um auxílio jaleco? Mais um agrado pago pelo dinheiro público.
Isso abriria precedente para os engenheiros, advogados, administradores, contadores, policiais, bombeiros, motoristas de ônibus, pedreiros e uma infinidade de profissionais pedirem um plano de carreira estilo judiciário.
Em termos acadêmicos é injusto comparar um médico a um pedreiro mas em termos de cidadania os dois são iguais e se o primeiro quer ter benefícios o segundo merece ter também.
Essa picuinha me faz lembrar do Brasil império é como se os médicos fossem os grandes barões querendo mais ouro e prestígio e dona Dilma fosse a imperatriz sem saber o que fazer com a plebe batendo aos portões de seu castelo.
No meu ponto de vista a solução para a saúde no Brasil está infelizmente no longo prazo. Não adianta o governo abrir uma universidade na zona leste de São Paulo, colocar o nome de USP e fornecer o curso de Ciências da natureza (apesar de ser necessário também) ao invés de um curso de medicina. Não adianta colocar uma universidade federal em Guarulhos oferecendo cursos diversos na área de humanas sem o curso de medicina. Antes que os esquerdistas de plantão digam que menosprezo os graduações citadas acima em detrimento do curso de medicina gostaria de dizer que sou formado em Letras e entendo da importância das ciências humanas. O fato é que se há deficiência na quantidade de médicos formados para atender a população, que se criem mais salas de aula de medicina. Que se isente de impostos as universidades pagas para que os cursos de medicina e os demais tenham seus preços reduzidos, afinal de contas se dá para isentar de impostos igreja que compra canal de televisão porque não as universidades que formam profissionais ao invés de religiosos fundamentalistas que dão até as cuecas nos cultos?
Porque não remunerar melhor o profissional médico que trabalha mais distante e em condições menos favoráveis? E por fim, por que abrir um monte de postos de saúde que não tem equipamentos suficientes nem infra para os profissionais de saúde trabalharem.
O problema do Brasil não é saúde, tampouco segurança, mas sim educação. Com ela, os outros dois problemas se não forem sanados ao menos serão reduzidos a níveis inexpressivos.
Não basta lordes brigarem com o sobreano por prestígio enquanto a população literalmente sofre na carne.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Aquela velha casa


Ela limpou a casa da melhor maneira que podia. A visita estava por chegar e tudo precisava estar arrumado. A casa não era bonita. Longe disso. As paredes estavam sujas e a muito não via tinta nova, o piso tinha aparência desgastada pelos passos daqueles muitos que por ali passaram mas ainda assim tratava-se de uma casa grande e imponente.
Feliz por ter terminado e ansiosa por matar a saudade, passou na frente daquele espelho colado na porta do guarda- roupas e por um instante fitou o reflexo de seu rosto. Os cabelos brancos, as rugas e alguns cravos denunciavam sua idade. Abaixou a cabeça, olhou para as pequenas mãos calejadas e percebeu que o tempo havia passado rápido, mas logo se recompôs, não havia lugar para este tipo de pensamento, o importante é que a casa estava limpa e ponto final.
O pouco estudo não a impediu tornar-se uma mulher prendada e como boa anfitriã, lembrou-se daquele bolo de milho que sua visita tanto gostava. Comprou os ingredientes e o fez com gosto. Ela sabia que ele iria ficar muito feliz com a surpresa.
Por ultimo, mas não menos importante, preparou a cama. O lençol recém lavado na véspera estava com aquele cheirinho bom de roupa seca ao sol. Ela puxava, esticava e contente com o resultado concluiu que todos os preparativos haviam sido feitos.
O telefone tocou. Seu coração bateu forte. Era a voz de um homem mas ela a ouvia como se fosse a de um menino. Seu sorriso se abriu quando ouviu duas palavrinhas mágicas, "estou chegando". Rapidamente ela olhou para a sala, correu no quarto e confirmou o estado da cama e já na cozinha viu que o bolo ainda fumegava de quente. Seria um dia feliz.
Ele chegou. Estivera longe por muitos e muitos anos. Era alto e bonito. Bem vestido. Ela olhou e meio que ao mesmo tempo abriu os braços e um sorriso. Ele se aproximou, olhou ao redor como que desconfiado e a abraçou também. O sorriso insistia em não sair do rosto dela, mas o rosto dele parecia não apresentar qualquer tipo de reação a não ser aquele educado risinho sínico de canto de boca.
- Por que demorou tanto para vir, perguntou ela sem desmanchar aquele sorriso.
- Estive ocupado demais com o trabalho e minhas coisas, respondeu ele com um tom de voz polido.
- Sente-se aqui, o sofá é novinho.
O homem sentou e tornou a olhar ao redor. Ela sentiu algo estanho nele pela primeira vez: - O que foi? Perguntou ela.
- Não foi nada, respondeu ele mais uma vez com aquele tom polido.
Ela o chamou para a cozinha e enquanto caminhavam até lá por aquele corredor comprido fez uma série de perguntas e todas prontamente respondidas.
Ao chegarem na cozinha ele olhou diretamente para aquela parede em que dois azulejos haviam caído. Ela percebeu e se envergonhou. Havia tido um trabalho danado para limpar todos os azulejos e torcia para que ele não reparasse aqueles dois faltando, mas ele reparou. Para tirar a atenção dele das paredes disse: - Vamos sentando, fiz aquele almoço com tudo o que você gosta e além disso a sobremesa é bolo de milho.
- Obrigado mas já almocei, respondeu ele rapidamente.
- Coma, está tudo fresquinho, acabei de fazer, respondeu ela ainda sorrindo.
- Não vou comer, estou cheio.
- Mas coma só um pouquinho, ao menos o bolo, pediu ela meio que murchando.
Sensibilizado com aqueles olhos pequenos mais ainda assim tão vivos ele pegou um pedaço pequeno daquela forma de bolo enorme e colocou na boca. Antes de pôr o café na xícara, olhou para o fundo dela. Bebeu e ficou calado.
Aquele sorriso no rosto dela havia sumido. Seu semblante ficou triste.
- O que aconteceu? por que você está tão estranho? Por que não comeu nada? Por que fica olhando para cada canto da casa e não olha para mim? Perguntou ela angustiada.
Pressionado, ele explodiu:
- É esta casa mãe! Está feia, caindo aos pedaços. Parece um barraco. Os móveis ainda são aqueles da época da minha infância, tudo está tão sujo, e a senhora? Olhe para a senhora? Está tão mal tratada. Fiquei tanto tempo longe e quando volto tudo parece ter piorado. Eu não dormiria aqui nunca, deve ter rato e barata.
Ela abaixou a cabeça e olhou para um lado. Trouxe as mãos ao rosto e sentiu uma lágrima se formar no canto de um olho. Ela não queria chorar. Aquele deveria ser um momento de alegria e não de vergonha e tristeza. Ela segurou como pôde mas as lágrimas em momentos assim parecem ter mais força do que podemos imaginar. Ela não aguentou tudo aquilo e chorou. Aquela não era mais a sua criança, era apenas um estranho. Bem vestido e com uma voz familiar mas ainda assim um estranho.
Ele, percebendo a barbaridade que acabara de fazer tentou acalmá-la. A abraçou. Pediu-lhe desculpas mas nada continha aqueles soluços. Tanta cultura, tanto estudo parece tê-lo deixado cego e arrogante. Não havia mais o que fazer. A dor havia sido causada.
Ele levantou-se e despediu-se. Ela andou pela casa. A cama estava lá. O lençol ainda esticado com tanto esmero permanecia intocado. Virou-se, fechou aquela velha porta com a pintura descascada e novas lágrimas preencheram-lhe a face. Na cozinha a comida ainda estava morna mas isso não importava mais. Nem mesmo o pequeno arranjo de flores em cima da mesa a consolava. Ela sentou na cadeira mais próxima e chorando adormeceu.

Moral da história

Uma xícara quebrada, ainda que se cole os pedaços, jamais voltará a ser a mesma e assim são as feridas impostas ao coração de uma mãe.

sábado, 4 de maio de 2013

Maioridade penal, degradação da sociedade e o estilo vidaloka de ser

Não é de hoje que a sociedade valoriza a discussão política apenas pela discussão em detrimento de ações reais e que de fato mudem a vida das pessoas. Observamos, meio que incrédulos, a banalização da cultura e a aceitação bovina por parte de todos. Estes todos que deveriam questionar e exigir mais do estado mas não o fazem, simplesmente aceitam. Discute-se sobre a maioridade penal, mas de que adianta tornar adulto indivíduos que não tem meios para melhorar como ser humano. 
Nos dias de hoje não é difícil encontrarmos  pessoas com 40 anos de idade ainda imaturas e passíveis de cometerem atrocidades, quem dirá um pseudo adulto de 16 anos? Entendo que colocar um indivíduo com esta idade atrás das grades sem dar a opção para ele melhorar é o mesmo que condenar toda uma sociedade. Tratamos os enjeitados como animais e depois reclamamos da reação deles para conosco. Reclamamos de sua animalidade e bestialidade quando cometem um crime.


Há de fato aqueles que gostam do estilo "vidaloka" de ser mas muitos são compelidos a ele. Advém daí a falta do estado. Pagamos muito e pagamos caro em todos os âmbitos por conta do desgoverno que temos neste país.