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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O homem deve ou não pagar a conta?

O mundo é feito de polêmicas. Essa talvez seja uma das grandes verdades da vida. Recentemente li uma reportagem sobre um ator famoso que afirmou sempre dividir a conta com a mulher com quem ele estiver no momento.

Achei curiosa a celeuma que se deu em cima desta declaração. Algumas pessoas defendiam, outras atacavam a opinião deste ator. O fato aqui é que tamanha discussão não levou a lugar algum. As pessoas são livres para pensarem e agirem como bem entenderem, correto?

Bom, a coisa aparentemente não é tão bem correta assim. A forma como nós pensamos é moldada por uma serie de fatores. Todos eles externos e que vão desde a educação que recebemos, bem como todas as interações humanas que tivemos com os outros, passando pelo ambiente e pelo período em que vivemos.

Dito isso, a declaração do ator, na minha opinião, nada mais é do que o retrato dos tempos modernos em que vivemos.

Sobre minha opinião? Digamos que não discordo dele, mas devo admitir que em toda minha vida tomei decisões diametralmente divergentes a dele.

Para instigarmos esta discussão gostaria de começar com uma pergunta bem simples mas que pode vir a ter uma difícil resposta: 

O que é ser homem?

Homem Raiz

O conceito de homem foi estático durante muito tempo, mas atualmente tornou-se flexível, maleável, algo menos, com o perdão do trocadilho, "rígido". Este talvez seja o motivo pelo qual encontramos hoje em dia, garotos de quarenta anos de idade que querem curtir apenas sem se envolverem com nada, com relacionamentos superficiais, ligeiros e sem intensidade. Vendo por esta ótica, de fato não faz sentido pagar a totalidade da conta. Melhor rachar.

Contudo, e voltando a questão do que é ser homem, me parece que a melhor maneira de se responder a esta pergunta não é observarmos o comportamento destes novos - ou as vezes nem tanto - garotos, mas sim o comportamento dos considerados velhos machos e principalmente o que as mulheres em geral esperam de um homem.

Muitos talvez estejam pensando neste momento: "Olha aí mais um homem feministo!". O que posso dizer é que estou longe destes neologismos e radicalismos, contudo, acredito que como seres sociais nos moldamos através de conceitos e relacionamentos.

Entendo que é senso comum que uma mulher queira um homem viril e que a deixe sem fôlego, mas este comportamento ela provavelmente espera dentro de quatro paredes. Fora do quarto ela com toda certeza quer se sentir protegida por este homem. Ela quer sentir que dentre os bilhões de mulheres que existem na face da terra aquele homem escolheu cuidar dela e tão somente dela.

Este desejo feminino sempre foi ao encontro de como a sociedade, de uma forma geral, ditou a maneira como um homem deveria ser. O homem deveria ser o provedor da família. Ele deveria ser o protetor. Aquele que resolve os problemas. É exatamente por isso que a ele era atribuído o título de chefe da família. Os entes sentiam-se seguros em saber que sempre haveria alguém para solucionar o não solucionável.

Eu vim desta velha escola. Apesar de não ser de dar flores, sempre paguei a conta. Era algo que de certa forma trazia para mim uma carga de masculinidade, de proteção, de cuidado, e de educação.

Homem Moderno

Na minha concepção, ser homem é ser cordial, polido e cavalheiro, ainda que o encontro não tenha sido lá essas coisas. Ainda que a mulher não tenha proporcionado momentos sublimes e intensos, ou ainda que a conversa e a companhia daquela mulher não tenha sido simplesmente boa. Ser homem, por todas estas coisas é ser o melhor macho, não apenas no sentido sexual da coisa mas em muitos sentidos diversos.

Atualmente - e aqui percebo que estou ficando velho - ocorre um descolamento entre o sexual e prazeroso e as demais qualidades masculinas. A satisfação momentânea e por diversas e diversas vezes - e se possível com diversas e diversas mulheres - dita o que é ser homem. Neste sentido reafirmo aqui. Melhor dividir a conta mesmo.

A luz no fim do túnel é saber que a vida cursa em ciclos e eque estamos vivendo mais um. Longe das discussões acaloradas tudo vai seguindo. Quem sabe num futuro a briga seja para que a mulher pague toda a conta... Vamos tocando o barco. 


terça-feira, 4 de agosto de 2020

Sobre profissionais, sobre amadores e sobre aproveitadores



A um pouco mais de dois anos minha vida mudou um bocado. Comprei um apartamento e passei a morar sozinho. Queria estar mais perto do trabalho e mudar um pouco a vida que estava assim meio mais ou menos, apesar disso não ser algo necessariamente ruim.
O fato é que o ato de querer ter e manter um lar vem se mostrando um caminho tortuoso e espinhoso ao menos para mim, não pela escolha que fiz em si, mas pelas pessoas que dependemos para realizar esse querer.
Tais pessoas classifico em três tipos: os profissionais, que são poucos e raros, os amadores e os aproveitadores.
A história toda começa pela pesquisa para a compra do apartamento. Existem corretores que só conversam pelo whatsapp com você. Existem corretores que tem um texto pronto referente ao imóvel. Existem corretores que se você não tiver o dinheiro da entrada, ainda que tenha um fundo de garantia considerável (meu caso) simplesmente encerram a negociação ali mesmo.
De todos os corretores que conversei, e foram muitos, apenas um de fato conhecia o imóvel que estava vendendo e sentou comigo para explicar taxas, documentos e formas de financiamento. Uma pena não ter gostado do imóvel. Hoje sei que teria sido melhor atendido por ele do que fui pelo corretor com quem fechei o negócio. Este último me apresentou o imóvel que moro hoje. Foi amor a primeira vista. Gostei do acabamento e do lugar, mas queria o andar mais alto. O corretor havia me dito que já estavam todos vendidos. Resolvi fechar o negócio e pedi para ele me avisar acaso alguém desistisse do apartamento mais alto. As obras estavam aceleradas e o prédio seria entregue em cinco meses. Ligava constantemente peguntando se havia surgido uma oportunidade de eu mudar minha compra mas a resposta era sempre a mesma. Não.
Eis que chegou o dia de assinar a papelada do financiamento e receber as chaves. fui avisado com uma semana de antecedência. Resolvi tentar mais uma vez mas a resposta foi outra negativa. Assinei o contrato. Estava feliz com a aquisição até o momento que o construtor me informou que tinhas quatro unidades nos andares superiores a venda ainda. Em resumo, por preguiça ou sabe-se lá o por quê o corretor não correu atrás para fazer uma venda melhor para mim.
Resolvi então mobiliar. Queria tudo planejado. Encontrei uma marcenaria perto de casa. Os materiais que eles usavam pareciam ter uma boa qualidade e o preço era bom. Fiz o projeto e para mim estava tudo perfeito, porém, a marcenaria tinha pego serviço demais. A montagem dos meus móveis atrasou. Discuti várias vezes com o dono da marcenaria que sempre dava novos prazos e não os cumpria. Ele resolveu então contratar marceneiros freelancers. A equipe que veio fazer a montagem chegou com as madeiras todas cortadas nas medidas do projeto, contudo, o projeto havia sido feito todo errado. A cozinha estava errada, o quarto de casal estava errado e o rack da sala também estava errado. O pessoal que veio montar conseguiu fazer ajustes no quarto e na sala, mas na cozinha não teve jeito. Fui brigar de novo com o dono da marcenaria, que foi brigar com o projetista que descobri se recém contratado e que na verdade sequer projetista era. Tratava-se de um ajudante de marceneiro que ganhou um notebook com o software de projeto do trabalho anterior e fuçando aprendeu a desenhar um pouco. Foi o bastante para se vender como projetista no mercado de trabalho. Moral da história, os móveis demoraram demais para ficarem prontos e eu passei muita raiva.
A pedra da pia foi encomendada em uma marmoraria indicada pelo suposto projetista da marcenaria. O instalador da pedra veio com um ajudante. Ambos de bermuda e chinelo nos pés. Sei que um livro não se deve julgar pela capa, mas aqueles dois se mostraram ser a exceção da regra. A pedra da pia foi instalada mas eu pedi para não instalarem o rodapé porque o senhor que viria instalar a tubulação de gás do cooktop e do forno usaria a parte de baixo dos móveis. Assim que ele instalasse, agendaria um novo dia para virem instalar o rodapé. O instalador começou a reclamar que ganhava pouco e que se fosse para vir em outra data eu teria que pagar a parte para ele. Tive que ligar para o dono da marmoraria para resolver esse assunto. A instalação ocorreu como eu pedi em outra data. Até hoje não entendi o que esse instalador quis com esse assunto de pedir dinheiro para retornar. Eu não o contratei, eu contratei a empresa para a qual ele trabalhava.
Comprei as torneiras da pia da cozinha e do banheiro bem como os sifões e metais do banheiro. Minha vizinha do apartamento da frente indicou um encanador. Liguei para ele e pedi para vir instalar. Ele não me passou preço porque disse que precisaria avaliar no local o serviço que teria que ser feito.
Ele chegou de bicicleta. De novo, repito que um livro não deve ser julgado pela capa, mas mais uma vez consegui encontrar uma exceção a regra. Ele olhou os materiais e de pronto disse: "seiscentos reais". O encanador argumentou que seiscentos reais era o seu dia de trabalho. Achei um absurdo aquilo. Disse que achei muito caro e que procuraria outro. Ele então fez uma contraproposta no valor de quinhentos reais. Achei um absurdo de novo, peguei a calculadora do celular e fiz uma conta básica. Seiscentos reais vezes vinte e dois dias trabalhados em um mês daria um salário de treze mil e duzentos reais. Eu com duas graduações na universidade e trabalhando em uma multinacional não ganhava nem metade disso. Com um salário desses era para ele vir instalar torneiras de Ferrari e não de bicicleta. O encanador aparentemente entendeu o absurdo do preço que ele pediu e instalou tudo por cento e vinte reais. Não sei em que mundo ele estava ao pedir esse valor.
Recentemente, pedi para instalar internet aqui em casa. A operadora enviou três equipes para tentar passar o cabo mas não conseguiram, os conduítes estavam entupidos. Estou a mais de vinte dias aguardando o técnico que a construtora vai mandar e até agora nada. Ligo, cobro, passo mensagem e simplesmente não vem ninguém aqui. Nesse ínterim, resolvi ligar para uma outra construtora que faz reformas. De repente mandavam alguém aqui mais rápido. Pegaria a nota fiscal e faria a construtora daqui me ressarcir. Agendei a visita de um engenheiro para hoje a tarde, mas como azar para mim é besteira, esse engenheiro não veio e não ligou para dizer o motivo.
Para finalizar esse breve relato, vi que há uma outra marcenaria ainda mais perto da minha casa. Como estou trabalhando de casa e uso a mesa da cozinha como escritório, resolvi fazer no quarto de solteiro uma mesa para computador. Fui nesta marcenaria. O atendimento foi bom. O dono anotou meu contato e informou que mandaria mensagem para agendar a visita e medição do local para o projeto da mesa. Faz cinco dias isso e até agora nenhum contato.
Pelo relato parece que sou azarado ou que não sei escolher profissionais para fazer serviços para mim, mas não se trata de nem uma, nem outra coisa. Trata-se de pessoas que inventam de serem empreendedoras sem terem compromisso nenhum com cliente, com qualidade, com prazo ou com expectativa. São no melhor dos casos amadores e no pior aproveitadores. O mais triste é que os bons profissionais são minoria. Trabalhar com prazo, ter satisfação com o que se faz, zelar pelo próprio nome da sua empresa ou ter funcionários que zelam por ele é cada vez mais raro. Minha experiência nesses últimos dois anos vem me mostrando o quanto o jeitinho brasileiro estragou a sociedade como um todo. O reflexo está aí, maus profissionais descomprometidos, enganadores, oportunistas e sem respeito. Aqui é a selva onde o cliente não tem razão. Somente paga e passa raiva. 


quarta-feira, 18 de março de 2020

Lágrimas


Por vezes as lágrimas apenas vêm. Sem pedir licença e tampouco se importando se é o momento e o lugar certo.
Elas transbordam quando não há mais o que se fazer. É o recurso final da alma quando esta se cansa de tanto lutar.
São como palavras tristes que carregam toda uma dor para a qual não se tem solução.
É a forma de se gritar para o mundo o quanto tudo está errado e ainda assim fluído.
Por vezes as lágrimas apenas vêm. Chegam de uma maneira incontrolável, entre soluços e olhos cerrados, pensamentos reincidentes e constantes.
Estragam a maquiagem, avermelham os olhos e enruga todo o rosto.
Geram empatia e pena àqueles que por perto estão, as indiferença a quem por tantas vezes já perdeu em tantas noites de choro.
São o ápice de algo que precisa ser posto para fora mas não sai.
Lágrimas são o que são. Pequenas gotas de grandes sentimentos por vezes sem sentido, por vezes dolorosos mas tão vivos dentro de nós.
Venha e transborde. Derrame e deforme mas acima de tudo faça ir embora a dor.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Insomnia Est



Descalço sinto o chão gelado sob meus pés.
Por entre cômodos vazios percorro minha procissão.
Absorto e envolto em pensamento...
Perco as horas em minha rotina perene.

A madrugada é companheira silenciosa.
Como quem já cansou de ouvir lamúrias.
Está ela lá, altiva, mas jamais ingerente...
Onipresente ela apenas vê e mais nada...

As noites por vezes parecem sem fim.
E sem fim são os anseios.
Sem fim são minhas considerações.
Que se derramam por sobre meu pesar.

É estar acordado e ainda sim entorpecido.
É a letargia de viver mais horas que um normal.
É desejar o que se parece inalcançável.
É querer dormir e simplesmente não conseguir...




terça-feira, 2 de maio de 2017

Quando um homem tem um probleminha


Acho que todo garoto em algum momento na vida quis crescer logo. Acredito que todo menino um dia se perguntou como seria ter barba ou como seria falar grosso igual seu pai ou seu avô. Muitos jovenzinhos sonharam estar dirigindo um carro e para aqueles um pouco mais crescidos, ter uma namorada.
O fato é que todo garoto, sem exceção é ansioso. Ansioso por se tornar um homem, afinal de contas o que há de melhor na vida? Poder conquistar tudo. Poder viver a vida. Ser alguém que faz a diferença.
Na maioria das brincadeira, os meninos são soldados, astronautas, atletas e por aí vai. São estimulados a superar limites. E assim vão passando os dias de uma rápida infância.
Eis que então, e finalmente ,chega a vida adulta e como jovem adulto, barba falhada, voz de taquara o mundo se apresenta em toda a sua glória e por vezes decepção.
Não ha mais brincadeiras. Há trabalho. Não há mais tempo livre. Há necessidade de estudar ainda mais. Não há mais férias no meio e no final do ano. Não mais. Mas existem as contas a serem pagas. As cobranças dos outros e até daquela namorada que se queria muito ter.
Não inventaram um manual de como se tornar um homem, mas ali está ele, ansioso, cheio de sonhos mas amarrado pelos pés e pelas mãos.
Ser homem não é fácil. Ninguém nunca disse que seria, mas ninguém nunca definiu direito o que é ser de fato um homem. 
Alguns dizem que homem não chora. Outros que o homem deve honrar suas calças. Alguns dizem também que o homem não deve levar desaforo para casa. Muitos pensam que ser homem é beber até cair ou pegar todas.
O mito criado ao redor do ato de ser homem por vezes confunde aquele garoto que só queria crescer. Tudo isso é ser homem? A resposta é sim... e não ao mesmo tempo. Você não pode chorar e por isso guarda dentro de si aquele sentimento por vezes ruim. Você tem que horar suas calças apesar de não serem sagradas. Este adereço místico do vestuário masculino ganhou um empoderamento tão grande que praticamente define a masculinidade de um ser mesmo sendo apenas um pedaço de tecido com algumas costuras que inclusive as mulheres usam também. O homem jamais deve levar desaforo para casa ainda que isso te custe a dignidade, uns dentes, hematomas e até mesmo a vida. Evoluímos de um estado tribal para uma sociedade avançada tecnologicamente mas o instinto animal de se resolver as coisas deve prevalecer e assim o prevalece quando para mostrarmos aos outros o quanto somos machos, bebemos até cair ou pegamos todas em qualquer lugar e a qualquer momento sem nos importarmos se aquela mulher é um ser humano ou um pedaço de carne a ser possuído.
Com tudo isso não é de se estranhar que a depressão é um dos males modernos e que talvez afete em uma intensidade maior homens do que mulheres, mas elas podem admitir que têm um problema e até chorar. Eles serão frouxos se assim o fizer. Os mais corajosos dizem que tem um probleminha, mas as vezes nem sabem como descrever o que sentem porque ser homem é também não entender direito sentimentos e sensações. É querer ser forte como uma rocha sempre, pouco se importando com a água que bate.

quinta-feira, 9 de março de 2017

E não viveram felizes para sempre



O amor tem dessas coisas...
Precisa ser sentido, precisa ser vivido...
Mas acima de tudo precisa ser confiado.
O amor desconfiado é um meio amor.
É um viver sem calor.
Uma lamentação sem fim,
É estar perturbado pela pior das dúvidas...
E se?

São noites de sono mal dormidas
Embrulhos no estômago
É querer estar dentro do outro
A vasculhar...
A querer encontrar aquele detalhe...
Por vezes avassalador
Devastador, usurpador...
É o torpor de toda uma dor...
Pujante, gritante e mesmo irritante.
Pois é. O amor não é tudo, mas...
A confiança assim o é.

Carente de fé,
Os ânimos se desanimam,
Os dentes se mostram, não num sorriso
E sim no ranger eufórico
Lascas de sentimentos se chocam...
E faíscas por vezes se faz ver
Sim. É ofensa, lambança
Falta de razão...
É um final infeliz...

terça-feira, 7 de março de 2017

Os anjos também caem



Ele era jovem. Devia ter o quê? Uns quinze? Talvez dezesseis anos. E ele sonhava. Era um ingenuo num mundo de espertos.
Sonhava sim. Com grandes feitos. Com uma vida melhor. Ele sabia que era capaz. Capaz de tudo. Capaz de transformar o mundo, mas ainda assim era um. Tão somente um.
Tinha boas intenções e um coração bom, mas ainda assim riam dele. Era sempre a aparência, o jeito tímido de não saber lidar com as brincadeiras de mal gosto. A dificuldade em saber lidar com um lugar novo e hostil.
Ele via as pessoas curtindo. Eram shows, viagens, paqueras. Tudo muito próximo dele mas ainda assim distante. Era um lugar impossível de entrar. Ser descolado para ele era complicado. Ser popular, algo inimaginável.
Sofria calado. Era motivo de chacota sempre. A noite na cama chorava em silêncio para que os pais e os irmãos não ouvissem. Em momentos assim, perguntava a Deus por que era tão diferente? E por que sofria tanto? Mas as respostas nunca vinham. O que vinha era um novo dia. Não um dia cheio de possibilidades mas um novo dia cheio de mais tristezas.
Era um rapaz simples. Sonhador, mas que de tristeza em tristeza, de trotes em trotes, de chacotas em chacotas passou a se tornar uma pessoa rancorosa, vingativa. Aquele mundo não o queria, ele também não o quereria mais.
Cresceu. Tornou-se um jovem homem. Passou a ter certa liberdade, contudo, os longos anos de tristezas e decepções haviam deixado suas marcas. A imaginação fértil se voltou para a mentira. Mentia para tudo e para todos. Fantasiava situações e em instantes havia uma história perfeita para corroborar viagens nunca feitas, amores nunca vividos, sensações nunca vividas.
O mundo era assim para ele. Tudo havia se tornado falso e para fazer parte daquilo ele tinha que ser o senhor da falsidade.
Ele de fato cresceu. Tudo que ele havia aprendido era desrespeito e o que ele retribuiu foi mais desrespeito ainda. Arranjava namoradas para logo em seguida as trair sem remorso algum. Uma pessoa outrora amorosa agora não passava de alguém para quem um sentimento pouco significado tinha. O mundo era assim e ele era o mundo agora.
Os anos se passaram e a vida desregrada cobrou seu preço. Lá estava ele. Vazio. Nem sequer lembrava de longe aquele garoto tão bom. Sozinho, viu todos ao seu redor prosperarem, mas ele continuou ali. Remoendo recordações ruins e culpando os outros pelo mal que fez a si e aos outros.
Criamos monstros o tempo todo. As vezes sem querer mas as vezes por diversão. Para não perder a piada. Fazemos anjos caírem com nossos atos errados e sequer damos conta.
Negamos a responsabilidade que temos e seguimos em frente. Até quando?

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ela sempre prevalecerá




Não há mentira que se sustente para sempre. Nunca haverá. Poderão passar anos, eras, mas um dia a verdade surgirá ainda que não para se fazer justiça, mas para se acalmar os ecos dos corações atormentados.
Algumas pessoas mentem bem. Elas realmente são boas nisso, mas sustentar uma mentira por anos a fio dispende grande esforço. Umas se cercam de cuidados e se tornam paranoicas. Passam a acreditar em suas invenções. Outras relaxam. Esquecem e deixam a vida fluir. O castigo da primeira é a loucura, o da segunda, ser exposta. Mas ambos em algum momento estarão nus. Despidos da segurança da história perfeita.
O silêncio é o predecessor da vergonha de ter sido apanhado e a vontade de reconciliar é o golpe baixo destes astutos.
Da mesma forma que existe a mentira e a verdade, o enganador e o enganado, existe o coração mole e o coração duro. Um sofre, perdoa e esquece, já o outro sofre, mas, não perdoa, não esquece e se vinga. Existem aqueles que abraçam a compaixão e outros que veem no ódio um anjo de braços abertos. Jamais se pode julgar ou entender a reação de alguém que foi enganado. Tão pessoal quanto o amor é a ira. Tão intenso quanto a criação é a destruição. São irmãos amarrados pelos pulso, digladiando entre si.
Mas indiferente do desfecho, o fato é que a verdade pode tardar, mas sempre prevalecerá. Ela se imporá ante as trevas da ignorância e da enganação. Ela será a luz para a salvação ou o fogo da danação.


sábado, 17 de setembro de 2016

Abraçar a eternidade...



Hoje eu morri... e renasci
Para depois me atormentar
Sem nexo, sem sentido
Sem gosto, sem gostar...

Cresci. Pouco, mas cresci
Longe dos olhares,
Mas ainda assim preocupado...
Com os olhos

No tempo me perdi...
Como quem perde vida
Como quem perde tudo
Vi perante meus olhos
O bater de asas de um sonho...

Triste e sozinho...
Abracei o amargor
Abracei a eternidade...
Do que poderia ter sido, 
Mas não foi...

Brilhante em outros sóis se foi
Escuro em uma penumbra ficou
Não mais existo e não mais existirá
Não este raio de sol...
Não este momento...

Nunca mais...



domingo, 14 de junho de 2015

Decepção


Talvez a decepção seja o mais triste dos sentimentos.
A dor de amor dói.
A dor da perda dói.
A dor da saudade dói.
A dor da distância dói...
Mas a decepção não. Ela não dói mas ainda assim pulsa.
Ela lateja e inequivocamente te desarma onde se pensava ser mais forte.
Ante tamanho descontentamento, que fazer? O que pensar?
Frustração que macula a alma e faz o mal surgir nos corações.
Ante tamanha imposturia como agir? A quem recorrer?
De todo o melhor que meus defeitos permitiram existir em mim, a confiança sempre se mostrou ser a mais insensata e ainda assim a melhor de todas as minhas qualidades.
Mas sofre-se assim, sofre-se mais uma vez, mas aprende-se e de dor em dor vão se superando os percalços. Ainda não se inventou uma maneira de evitarmos uma mentira, mas com toda a certeza, para toda mentira haverá uma verdade e esta gritará e aparecerá e por fim prevalecerá...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Êxodo - Deuses e Reis

O texto abaixo possui informações sobre o enredo do filme. Sendo assim prossiga com a leitura apenas se de fato tiver curiosidade sobre os eventos desta história.




Eu tinha uma escolha: Ou assistia ao Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos ou Êxodo - Deuses e Reis.
Por um motivo que não sei explicar direito escolhi o segundo filme. E que decepção. Ridley Scott anda errando a mão em seus filmes. Prometheus juntamente com Êxodo estão aí para provar isso.
Tinha em mente os trailers que havia visto. Pensei que ocorreriam batalhas épicas e reviravoltas no enredo mas nada disso.
Sim, é uma história batida. Sim, já refilmaram trocentas vezes. Sim, é baseado em uma história que todos conhecem, mas para uma produção que pregava inovação o resultado ficou muito aquém.
Eu resolvi listar pontos que achei ruins no filme, a começar com os egípcios. Por que são retratados como efeminados? Sei que vivemos tempos de inclusão e do politicamente correto, mas por que levar isso para um filme que pregava a guerra? Os mesmos egípcios eram calcasianos. Tive a impressão de ter visto uns dois com olhos azuis. Tudo isso no continente africano.
O filme começa num ritmo empolgante. O futuro sendo visto nas vísceras de um pássaro, uma profecia, uma batalha insana sobre bigas. Tudo muito legal, porém, o clima vai esfriando, esfriando, a ponto de no final do filme, quando as luzes se acenderam no cinema as pessoas estarem com a cara inchada de quem deu uma boa cochilada.
O Ramsés é um personagem bem construído até. Ele não é o mais apto a suceder seu pai. Ele sabe disso, o pai dele sabe disso. Essa sensação causa um clima de disputa com Moisés que foi criado por sua tia e até então não sabe que é hebreu. 
O interessante é que Ramsés é inseguro o tempo todo e Joel Edgerton soube dar o tom certo a essa insegurança. Tanto na fala quanto nos momentos em que o personagem explode. A cena em que ele pretende cortar o braço de Míria é o ponto alto desta característica. Sem dúvidas o melhor personagem do filme. Em contra partida o filme possui um coadjuvante de luxo: Ben Kingsley. Nas sinopses que li, ele era apontado como o mentor de Moisés. Teoricamente seria uma pessoa fundamental na trama. Bom, o que posso dizer? Ele aparece em umas duas cenas. Conta a verdade sobre o passado do protagonista e só. Nada de orientá-lo. Nada de mostrar-lhe um caminho. Fiz minha farte...fui. Outra coadjuvante de luxo é Sigourne Weaver no papel de mãe de Ramsés. Quanto disperdício. Seu mote é matar Moisés de qualquer forma pois ela teme que este se torne faraó no lugar do filme. mais uma personagem que tem duas ou três cenas pouco exploradas.
Apesar de ter o arbusto em chamas, surgiu o papel do menino deus falando com Moisés. Este está longe de ser deus de fato. É mimado. Usa Moisés o tempo todo e joga na cara dele que ele não serve para nada. Que é um mero enfeite.
Christian Bale como Moisés saiu um belo Batman. Aliás, depois do filem do homem morcego ele parece não conseguir fazer algo diferente do estilo homem revoltado e fodão. Infelizmente. Em psicopata americano e provou ser um grande ator. Pois bem, Moisés é diferente do bíblico. Fala bem, tem o carisma dos egípcios e é o preferido do faraó a sua sucessão, apesar ne não ser possível o sobrinho do faraó assumir o poder. Ele é banido. Vive por nove anos no deserto, se casa e volta ao Egito a pedido do menino deus. Ele usa de uma técnica terrorista de sabotagem e ataques furtivos. Na hora me lembre dos grupos terroristas islâmicos. Acho que aí houve uma crítica do diretor sobre a situação na faixa de Gaza, mas enfim, o fato é que algo que parecia querer seguir num sentido fantástico acaba por terminar sem uma conclusão quando o menino deus resolve, como dito antes jogar na casa ro protagonista que ele não serve para nada.
A história em si, difere da bíblia em muitos pontos. Até aí é aceitável afinal de contas a idéia era ser original. O problema é que o filme começa com um ar de guerra com um Moisés terrorista para no meio do filme voltar para o formato original das pragas e do arrependimento do faraó.
Para quem foi ao cinema buscando o novo houve uma frustração e para quem foi ao cinema buscando o tradicional a frustração foi grande também. O fato é que o filme não se decide por seguir o novo ou se manter no tradicional e este é o motivo pelo qual a frustração abrange todos os públicos possíveis do filme.
Fiz a escolha errada. deveria ter assistido ao Hobbit. Fica aí a lição. In Ridley Scott we don't trust anymore.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Tempo de incertezas, violência e tristezas




Estive pensando sobre o momento em que vivemos. Sobre os desafios do dia-a-dia, sobre a insegurança que sentimos todos os dias. Estive pensando sobre o aumento da criminalidade, sobre os bailes funk e sobre aquele vizinho chato que por estar dentro de sua casa acha que pode fazer tudo, inclusive ouvir a música que quiser no volume que entender ser razoável. Pensei na falta de cultura e na cultura do futebol, na inflação e no por quê de pagarmos três vezes mais o valor de qualquer bem. Estive pensando no jeitinho brasileiro, na esperteza dos "espertos" e ainda assim perdedores. Pensei nas mentiras do governo e nas falácias dos políticos, no ranger de dentes dos sindicalistas e nos uivos inquietos das ONG's, vorazes por verbas públicas. Pensei um pouco mais no policial que se corrompe, na enfermeira que fica discutindo com as colegas sobre o capítulo da novela enquanto o paciente agoniza. Estive pensando sobre a menina que tentou matar a própria mãe com chumbinho e aos risos informava que repetiria o ato assim que a oportunidade surgisse. Estive pensando em leis absurdas como a de acabar com a comemoração do dia dos pais e dia das mães na escola em detrimento dos filhos de pais e mães homossexuais. A criança nesta situação não teria dois pais ou duas mães? e este não seria um motivo para esta criança celebrar em dobro? Pensei nas mulheres que querem mostrar seus corpos voluptuosos com saias, shorts e decotes e ainda assim reclamam quando alguém as aborda de maneira mais incisiva assim por dizer. Sou absolutamente contra o estupro, mas aparentemente, a lei da ação e reação parece não se aplicar as esta mulheres. Pensei inclusive nas mães que acham bonito e incentivam suas filhas a andarem seminuas pelas ruas com a desculpa de que elas tem o direito de decidirem sobre seu corpo. Pobre meninas...
Pensei sobre as cadeias lotadas e sobre o poder paralelo que está se tornando o poder de fato e pensei também na perda de esperança das pessoas de bem.
Envolto em tantos pensamentos, como ter esperança de melhoras? A sociedade como conhecemos está ruindo enquanto o governo parece distanciar-se cada vez mais daqueles que deveriam representar. Paro, e penso uma vez mais que tipo de futuro teremos e o que visualizo é simplesmente o imprevisível, mesmo em um horizonte curto de tempo. Aguardemos então os novos tempos, de tristezas talvez...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Números



Números... lógicos, certeiros, exatos e frios. É número de identidade, de CPF. Número de celular, número da casa, do CEP, da placa do carro. Existem números para tudo... até para mim e para você...
Apenas mais um número é a que nossa existência se resume nos dias de hoje... lógico, certeiro, exato e frio que por sinal é medido em graus que por sua vez sobe e desce de acordo com os calores, de acordo com os humores... chato... mas ainda assim lógico, certeiro, exato e... triste como um dia frio.
1, 2, 3, 4...... primeiro contamos em anos e depois em décadas. O tempo, carrasco de todos não poderia ser expressado de outra maneira que não em números. É estar em um ciclo que gira 1, 2, 3, n vezes sem sair do lugar. O tempo é a moeda que se paga quando se é apenas mais um número... mas números não fazem a diferença ainda que de fato façam....
3, 2, 1 ........................... fim da linha.................... tão lógico, tão certeiro, tão exato e ainda assim tão frio.......que pena....

sábado, 26 de outubro de 2013

Os erros que cometemos querendo acertar




As vezes cometemos erros tentando acertar. Existem aqueles que se decepcionam com nossas tentativas e desistem de nós, porém, existem outros, que apesar do resultado desconfortável entendem que tentamos dar o nosso melhor e continuam ao nosso lado, nos tornando pessoas mais fortes e melhores.

Mas nem tudo é motivo de tristeza. As pessoas entram e saem de nossas vidas deixando um pouquinho delas em nós. A grande sacada é sabermos separar um pouquinho de bom aqui, um pouquinho de bom ali e quando menos esperarmos seremos sim melhores.
Que Deus abençoe aqueles que continuam conosco nesta caminhada e aqueles que desistiram de nós também. Que todo perdão seja um aprendizado e que toda a magoa se disperse com o tempo.

domingo, 13 de outubro de 2013

Perder para aprender a dar valor



Somos lentos para estes tempos modernos. Tudo é tão rápido, tão dinâmico que mal conseguimos saborear um momento de felicidade. É trabalho, é estudo, é hora de dormir, de acordar, de tomar banho e nisso se vão anos sem que se perceba o que se deixou de viver.
Deixamos escorrer por entre os dedos o que poderia ser nossa felicidade. Deixamos de lado as pessoas que nos amam para que curiosamente possamos dar o melhor para elas. Um presente, uma viagem, um jantar. Queremos dar tudo a elas e acabamos não dando o fundamental: atenção.
Tanto esforço e ainda assim tanta cobrança. É o que pensamos e por isso perdemos. Perdemos tempo, perdemos vida, e perdemos o amor, e é somente na perda que percebemos que lá se foi o melhor de nós.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Embargos infringentes e o distânciamento entre o governo e o povo que deveria representar


Sempre esperamos algo de alguém. Esperamos que os pais sejam homens e assumam os sustento de suas crianças. Esperamos que os motoristas de ônibus não atrasem a viagem. Esperamos que os pescadores consigam nos trazer peixes. Esperamos que aquela garota dos nossos sonhos nos diga sim e esperamos que o pai dela não seja bravo.
Vivemos esperando que aconteça sempre o melhor porque a despeito de alguns querer coisas boas é a ordem natural da vida.
Dito isso, esperamos até a pouco que a justiça vencesse. Esperávamos não de um simples juíz, mas de um ministro que por motivos midiáticos protelou sua decisão por uma semana, que não acatasse os tais embargos infringentes que, grosso modo, reiniciaria todo o processo de coleta de dados, avaliações, discussões ad infinitum.
Constrangedora a decisão do senhor Celso de Mello, tido como o mais "douto" de todos os ministros do supremo tribunal. O mais antigo a atuar dentro daquela casa, o mais experiente.
A estátua da justiça, aquela da dama cega com a balança na mão que por sinal se chama Dice aqui no Brasil aparenta não ser apenas cega, mas surda também.
Clamamos para que este magistrado ouvisse a ância de um povo que simplesmente queria ver a justiça acontecer. Um povo que queria deixar de ver tanto ladrão de galinha na cadeia e sim os figurões políticos e corruptos.
Mas ele não ouviu. Toda a sua experiência o afastou daquilo que ele deveria defender: a justiça para o povo.
A derrocada da república começa assim. Ao som de aplausos. Não daqueles que deveriam e mereciam receber a justiça, mas sim daqueles que deveriam estar condenados e encarcerados.
Rumamos lenta e calmamente para a bolivarização de nossas instituições públicas. Que o senado já era vendido, não era novidade para ninguém, mas matar a esperança daqueles que esperavam justiça foi triste, vergonhoso e desumano.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Aquela velha casa


Ela limpou a casa da melhor maneira que podia. A visita estava por chegar e tudo precisava estar arrumado. A casa não era bonita. Longe disso. As paredes estavam sujas e a muito não via tinta nova, o piso tinha aparência desgastada pelos passos daqueles muitos que por ali passaram mas ainda assim tratava-se de uma casa grande e imponente.
Feliz por ter terminado e ansiosa por matar a saudade, passou na frente daquele espelho colado na porta do guarda- roupas e por um instante fitou o reflexo de seu rosto. Os cabelos brancos, as rugas e alguns cravos denunciavam sua idade. Abaixou a cabeça, olhou para as pequenas mãos calejadas e percebeu que o tempo havia passado rápido, mas logo se recompôs, não havia lugar para este tipo de pensamento, o importante é que a casa estava limpa e ponto final.
O pouco estudo não a impediu tornar-se uma mulher prendada e como boa anfitriã, lembrou-se daquele bolo de milho que sua visita tanto gostava. Comprou os ingredientes e o fez com gosto. Ela sabia que ele iria ficar muito feliz com a surpresa.
Por ultimo, mas não menos importante, preparou a cama. O lençol recém lavado na véspera estava com aquele cheirinho bom de roupa seca ao sol. Ela puxava, esticava e contente com o resultado concluiu que todos os preparativos haviam sido feitos.
O telefone tocou. Seu coração bateu forte. Era a voz de um homem mas ela a ouvia como se fosse a de um menino. Seu sorriso se abriu quando ouviu duas palavrinhas mágicas, "estou chegando". Rapidamente ela olhou para a sala, correu no quarto e confirmou o estado da cama e já na cozinha viu que o bolo ainda fumegava de quente. Seria um dia feliz.
Ele chegou. Estivera longe por muitos e muitos anos. Era alto e bonito. Bem vestido. Ela olhou e meio que ao mesmo tempo abriu os braços e um sorriso. Ele se aproximou, olhou ao redor como que desconfiado e a abraçou também. O sorriso insistia em não sair do rosto dela, mas o rosto dele parecia não apresentar qualquer tipo de reação a não ser aquele educado risinho sínico de canto de boca.
- Por que demorou tanto para vir, perguntou ela sem desmanchar aquele sorriso.
- Estive ocupado demais com o trabalho e minhas coisas, respondeu ele com um tom de voz polido.
- Sente-se aqui, o sofá é novinho.
O homem sentou e tornou a olhar ao redor. Ela sentiu algo estanho nele pela primeira vez: - O que foi? Perguntou ela.
- Não foi nada, respondeu ele mais uma vez com aquele tom polido.
Ela o chamou para a cozinha e enquanto caminhavam até lá por aquele corredor comprido fez uma série de perguntas e todas prontamente respondidas.
Ao chegarem na cozinha ele olhou diretamente para aquela parede em que dois azulejos haviam caído. Ela percebeu e se envergonhou. Havia tido um trabalho danado para limpar todos os azulejos e torcia para que ele não reparasse aqueles dois faltando, mas ele reparou. Para tirar a atenção dele das paredes disse: - Vamos sentando, fiz aquele almoço com tudo o que você gosta e além disso a sobremesa é bolo de milho.
- Obrigado mas já almocei, respondeu ele rapidamente.
- Coma, está tudo fresquinho, acabei de fazer, respondeu ela ainda sorrindo.
- Não vou comer, estou cheio.
- Mas coma só um pouquinho, ao menos o bolo, pediu ela meio que murchando.
Sensibilizado com aqueles olhos pequenos mais ainda assim tão vivos ele pegou um pedaço pequeno daquela forma de bolo enorme e colocou na boca. Antes de pôr o café na xícara, olhou para o fundo dela. Bebeu e ficou calado.
Aquele sorriso no rosto dela havia sumido. Seu semblante ficou triste.
- O que aconteceu? por que você está tão estranho? Por que não comeu nada? Por que fica olhando para cada canto da casa e não olha para mim? Perguntou ela angustiada.
Pressionado, ele explodiu:
- É esta casa mãe! Está feia, caindo aos pedaços. Parece um barraco. Os móveis ainda são aqueles da época da minha infância, tudo está tão sujo, e a senhora? Olhe para a senhora? Está tão mal tratada. Fiquei tanto tempo longe e quando volto tudo parece ter piorado. Eu não dormiria aqui nunca, deve ter rato e barata.
Ela abaixou a cabeça e olhou para um lado. Trouxe as mãos ao rosto e sentiu uma lágrima se formar no canto de um olho. Ela não queria chorar. Aquele deveria ser um momento de alegria e não de vergonha e tristeza. Ela segurou como pôde mas as lágrimas em momentos assim parecem ter mais força do que podemos imaginar. Ela não aguentou tudo aquilo e chorou. Aquela não era mais a sua criança, era apenas um estranho. Bem vestido e com uma voz familiar mas ainda assim um estranho.
Ele, percebendo a barbaridade que acabara de fazer tentou acalmá-la. A abraçou. Pediu-lhe desculpas mas nada continha aqueles soluços. Tanta cultura, tanto estudo parece tê-lo deixado cego e arrogante. Não havia mais o que fazer. A dor havia sido causada.
Ele levantou-se e despediu-se. Ela andou pela casa. A cama estava lá. O lençol ainda esticado com tanto esmero permanecia intocado. Virou-se, fechou aquela velha porta com a pintura descascada e novas lágrimas preencheram-lhe a face. Na cozinha a comida ainda estava morna mas isso não importava mais. Nem mesmo o pequeno arranjo de flores em cima da mesa a consolava. Ela sentou na cadeira mais próxima e chorando adormeceu.

Moral da história

Uma xícara quebrada, ainda que se cole os pedaços, jamais voltará a ser a mesma e assim são as feridas impostas ao coração de uma mãe.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A difícil arte de ser feliz

Costumamos depositar nos outros a felicidade que desejamos para nós. Deve ser algum tipo de extinto ou de característica do comportamento humano.
Procuramos alguém que nos complete. A tampa da panela. A outra metade da laranja. Mas é interessante buscarmos este complemento se tecnicamente somos autônomos, não atoa, somos chamados de indivíduos.
Idealizamos nossa felicidade baseado em outra pessoa e esquecemos que ser feliz sozinho é possível e primordial.
Sim, primordial. Aquele que não aprende a viver sozinho, não aprende a se amar não tem condições emocionais de amar alguém, tampouco de depositar expectativas em outrem.
Quando não se está bem consigo, nos tornamos inseguros, possessivos e ciumentos. Desconfiamos, criticamos e ainda assim precisamos daquela pessoa, porque depositamos muito de nós nela.
Esta tentativa diária de recuperação dos depósitos desgasta qualquer relacionamento. São filhos que não conseguem atender as expectativas dos pais. Pais que acham que os filhos não se esforçam o suficiente ou que não aceitam as escolhas realizadas por seus rebentos. Maridos que não aceitam uma mulher independente e mulheres que acham que a cada esquina seus maridos têm uma amante lhes esperando.
Todos sofrem, todos perdem. A metáfora da duas metades da laranja é mais que verdadeira. Só é difícil prestar atenção e perceber duas laranjas inteiras duram mais na banca da feira do que uma partida ao meio.
Portanto, sejamos completos antes de desejarmos alguém ao nosso lado, antes de termos filhos e desenvolvermos amizades. Chegar como uma metade em um relacionamento achando que se tornará completo ao encontrar alguém talvez seja o maior erro que uma pessoa pode cometer. Seja feliz.


sábado, 4 de maio de 2013

Maioridade penal, degradação da sociedade e o estilo vidaloka de ser

Não é de hoje que a sociedade valoriza a discussão política apenas pela discussão em detrimento de ações reais e que de fato mudem a vida das pessoas. Observamos, meio que incrédulos, a banalização da cultura e a aceitação bovina por parte de todos. Estes todos que deveriam questionar e exigir mais do estado mas não o fazem, simplesmente aceitam. Discute-se sobre a maioridade penal, mas de que adianta tornar adulto indivíduos que não tem meios para melhorar como ser humano. 
Nos dias de hoje não é difícil encontrarmos  pessoas com 40 anos de idade ainda imaturas e passíveis de cometerem atrocidades, quem dirá um pseudo adulto de 16 anos? Entendo que colocar um indivíduo com esta idade atrás das grades sem dar a opção para ele melhorar é o mesmo que condenar toda uma sociedade. Tratamos os enjeitados como animais e depois reclamamos da reação deles para conosco. Reclamamos de sua animalidade e bestialidade quando cometem um crime.


Há de fato aqueles que gostam do estilo "vidaloka" de ser mas muitos são compelidos a ele. Advém daí a falta do estado. Pagamos muito e pagamos caro em todos os âmbitos por conta do desgoverno que temos neste país.

domingo, 24 de março de 2013

As mulheres abraçaram o machismo

Vi a alguns dias atrás um vídeo no facebook de uma menina com uns dez anos no máximo dançando funk. Ela rebolava, se requebrava e se contorcia com certa destreza assim por dizer. Tudo feito de maneira muito erotizada é claro.
Lamentável aquilo. Infelizmente existem pais, familiares e amigos por aí que acham bonito. Bonito ao ponto de expor a pobre menina, que ainda não sabe o que está fazendo.
Não sou moralista e muito menos efeminado, mas me causa certo constrangimento quando vejo uma garota dançando aquilo que chamam de funk.
Antigamente a mulher era instruída a se preservar. Seu corpo era seu maior patrimônio. Infelizmente, com esta questão dos tais direitos iguais, parece que muitas entenderam que tinham que se assemelhar a nós homens no que temos de pior.
Vejo mulheres quase nuas rebolando, colocando o dedinho na boca e se mostrando para os outros, como se isso fosse motivo de orgulho. E o que eu considero pior, gostando de fazer isso.
Ser "cachorrona" é status. Andar no meio da rua mostrando a bunda é status, usar maquiagem pesada como uma meretriz é status.
Um povo se torna melhor não quando os homens trabalham demais, mas sim quando suas mulheres se preservam e se instruem.
Começo a perceber que estou ficando velho quando penso em como estes adolescente e jovens adultos estão se destruindo sem perceber. Me sinto velho ao olhar para uma sociedade onde tudo é permitido.
O machismo finalmente venceu, e venceu por meio de uma pseudo música. Temos tudo o que sempre quisemos. Mulheres quase nuas, insinuantes e desejosas aos nossos pés. Mulheres que se sentem felizes e almejam mostrar seus atributos físicos assim