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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Regina


Por todo o tempo em que a eternidade existir...

E entre evoluções e revoluções...

Caminhos e descaminhos...

Alvoradas e crepúsculos...

O estado natural de todas as coisas em mim será sempre você...






quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O homem deve ou não pagar a conta?

O mundo é feito de polêmicas. Essa talvez seja uma das grandes verdades da vida. Recentemente li uma reportagem sobre um ator famoso que afirmou sempre dividir a conta com a mulher com quem ele estiver no momento.

Achei curiosa a celeuma que se deu em cima desta declaração. Algumas pessoas defendiam, outras atacavam a opinião deste ator. O fato aqui é que tamanha discussão não levou a lugar algum. As pessoas são livres para pensarem e agirem como bem entenderem, correto?

Bom, a coisa aparentemente não é tão bem correta assim. A forma como nós pensamos é moldada por uma serie de fatores. Todos eles externos e que vão desde a educação que recebemos, bem como todas as interações humanas que tivemos com os outros, passando pelo ambiente e pelo período em que vivemos.

Dito isso, a declaração do ator, na minha opinião, nada mais é do que o retrato dos tempos modernos em que vivemos.

Sobre minha opinião? Digamos que não discordo dele, mas devo admitir que em toda minha vida tomei decisões diametralmente divergentes a dele.

Para instigarmos esta discussão gostaria de começar com uma pergunta bem simples mas que pode vir a ter uma difícil resposta: 

O que é ser homem?

Homem Raiz

O conceito de homem foi estático durante muito tempo, mas atualmente tornou-se flexível, maleável, algo menos, com o perdão do trocadilho, "rígido". Este talvez seja o motivo pelo qual encontramos hoje em dia, garotos de quarenta anos de idade que querem curtir apenas sem se envolverem com nada, com relacionamentos superficiais, ligeiros e sem intensidade. Vendo por esta ótica, de fato não faz sentido pagar a totalidade da conta. Melhor rachar.

Contudo, e voltando a questão do que é ser homem, me parece que a melhor maneira de se responder a esta pergunta não é observarmos o comportamento destes novos - ou as vezes nem tanto - garotos, mas sim o comportamento dos considerados velhos machos e principalmente o que as mulheres em geral esperam de um homem.

Muitos talvez estejam pensando neste momento: "Olha aí mais um homem feministo!". O que posso dizer é que estou longe destes neologismos e radicalismos, contudo, acredito que como seres sociais nos moldamos através de conceitos e relacionamentos.

Entendo que é senso comum que uma mulher queira um homem viril e que a deixe sem fôlego, mas este comportamento ela provavelmente espera dentro de quatro paredes. Fora do quarto ela com toda certeza quer se sentir protegida por este homem. Ela quer sentir que dentre os bilhões de mulheres que existem na face da terra aquele homem escolheu cuidar dela e tão somente dela.

Este desejo feminino sempre foi ao encontro de como a sociedade, de uma forma geral, ditou a maneira como um homem deveria ser. O homem deveria ser o provedor da família. Ele deveria ser o protetor. Aquele que resolve os problemas. É exatamente por isso que a ele era atribuído o título de chefe da família. Os entes sentiam-se seguros em saber que sempre haveria alguém para solucionar o não solucionável.

Eu vim desta velha escola. Apesar de não ser de dar flores, sempre paguei a conta. Era algo que de certa forma trazia para mim uma carga de masculinidade, de proteção, de cuidado, e de educação.

Homem Moderno

Na minha concepção, ser homem é ser cordial, polido e cavalheiro, ainda que o encontro não tenha sido lá essas coisas. Ainda que a mulher não tenha proporcionado momentos sublimes e intensos, ou ainda que a conversa e a companhia daquela mulher não tenha sido simplesmente boa. Ser homem, por todas estas coisas é ser o melhor macho, não apenas no sentido sexual da coisa mas em muitos sentidos diversos.

Atualmente - e aqui percebo que estou ficando velho - ocorre um descolamento entre o sexual e prazeroso e as demais qualidades masculinas. A satisfação momentânea e por diversas e diversas vezes - e se possível com diversas e diversas mulheres - dita o que é ser homem. Neste sentido reafirmo aqui. Melhor dividir a conta mesmo.

A luz no fim do túnel é saber que a vida cursa em ciclos e eque estamos vivendo mais um. Longe das discussões acaloradas tudo vai seguindo. Quem sabe num futuro a briga seja para que a mulher pague toda a conta... Vamos tocando o barco. 


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Aqueles olhos azuis



Existe beleza na pequenas coisas e mais ainda nas pequenas coisas que passam pela cabeça de uma criança.
Já passava de seus oitenta anos. As dores no corpo e a memória um tanto falha denunciavam a longa jornada que havia trilhado até então.
Com tanto vivido e tão pouco a viver pela frente passara a apegar-se a lembranças de um passado distante e bom. O nascimento do primeiro filho. O dia de seu casamento. A primeira vez que foi a praia. Todas estas foram sensações únicas e ele sabia que muito do que era hoje havia dependido delas, mas algo o incomodava.
Ele meio que queria algo mais antigo. Algo que o remetesse aos tempos em que o tempo não fizia tanta diferença assim. Lembranças da infância com toda a certeza preencheriam essa lacuna, mas qual?
Sim. A idade havia chegado. E ele triste concluía o inevitável. Era um dos últimos de sua geração a estar vivo. Sua amada esposa se fora anos antes. Assim como seus irmãos mais velhos e seus amigos mais próximos. Refletia sozinho sobre a longevidade. A vida era boa, não tinha do que reclamar. Gozava de relativa boa saúde. Teve filhos ótimos e que te deram muito orgulho e netos encantadores. Todas grandes alegrias, mas aqueles que poderiam ajudá-lo a recordar de sua infância não estavam mais ali e isso o incomodava.
Levantou-se da poltrona com um pouco de custo e caminhou até a janela. A tarde estava bela com um sol não muito quente. Ele sentia aquele calor rejuvenescedor em seu rosto e por um instante lembrou-se dos olhos azuis. Mas o que aquilo significara?
Seus olhos eram negros como a noite. Como poderia ter a lembrança de ter tido olhos azuis? Coisa de velho talvez. A cabeça costuma pregar peças num octagenario e estava ali brincando com ele.
Cismado, viu o dia passar e quando a noite chegou, adormeceu.
Dia seguinte acordou cedo. Estava disposto a descobrir o segredo por trás daquele fragmento de memória. Puxou uma caixinha de dentro de uma gaveta. Ali estavam preciosidades. Um pequeno tesouro ao qual jamais abriria mão. Haviam fotos, uma correntinha de São Bento e muitas cartas das quais uma em especial, escrita por sua mãe. Ele parou por algum tempo. Fitava aquela carta com um carinho especial. Estava naquele pedaço de papel a única lembrança palpável de sua mãe. Ele olhava e dizia a si mesmo como ela tinha uma caligrafia bonita. Refletiu sobre aquele pedaço de papel um pouco e em seguida pensou no celular de nova geração que seu filho mais novo lhe deu e com o qual eles trocavam mensagens. Lhe ocorreu que jamais havia escrito uma carta a qualquer um de seus filhos e que portanto, aquela sensação de ternura e nostalgia morreria com ele.
Beijou a carta como se fosse seu bem mais precioso e começou a lê-la. Era uma carta direcionada a sua avó e que narrava o primeiro passeio a praia que a família havia feito com o carro novo.
Num ponto da leitura ele parou e sorriu. Sua mãe elucidara sua dúvida. Um turbilhão de lembranças passou por sua mente. Lembrou-se então do porquê dos olhos azuis.
Nostálgico e emocionado decidiu por escrever uma carta direcionada a seus filhos. Queria que eles tivessem a mesma sensação que ele ao reler a carta de sua mãe. Ela começava assim:
"Meus filhos. Sei que a ideia de que os anos estão terminando para mim me assombra, porém, nunca fui de lamentar e meu gênio por vezes ruim me impede de dar-me por vencido. Estava lendo uma carta de mamãe e percebi que apesar de ter feito muito por vocês jamais externei em palavras meus sentimentos ou minhas memórias e portanto decidi escrever estas poucas linhas com uma lembrança que tive ontem. Uma lembrança de minha infância. Talvez a primeira de todas. Pode parecer algo singelo, comum talvez, mas algo que sei que vocês não sabem. Algo que por tanto tempo foi somente meu.
Quando criança lia muito e gostava muito das figuras nos livros. Na maioria delas as pessoas tinham olhos azuis e cabelos louros. Nunca achei bonito aqueles cabelos amarelos parecendo palha de milho, mas os olhos azuis, ah os olhos azuis. Talvez tenham sido a primeira coisa na minha vida que achei bonito.
Olhava para meus olhos negros no espelho do banheiro da casa de meus pais e desejava que eles se tornassem azuis. Diante de tal imaginação passei a acreditar que quando crescesse eles mudariam de cor. Devia ter uns cinco ou seis anos. Logo pela manhã, olhava no espelho e corria para peguntar a mamãe se faltava muito para eu crescer. Ela ria me abraçava, beijava e dizia que queria que eu nunca crescesse. Que fosse seu menino para sempre. Eu impaciente me desvencilhava de seus braços contrariado por ela não querer o mesmo que eu. Mal sabia que no futuro sentiria o mesmo por cada um de vocês minhas crianças.
Os anos passaram. Meu desejo, por motivos óbvios não se realizou. Mas o mais importante foi ter acreditado em algo, portanto, deixo um conselho meii piegas a vocês mas muito verdadeiro. Nunca desistam de nada por mais louco e impossível que seja. Olhos azuis existirão para todos...
Que Deus os abençoe. Beijo enorme de seu velho pai."
Colocou a carta sobre o criado mudo tendo a sensação de dever cumprido deitou-se e dormiu feliz como não dormira a muito tempo.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Para sempre serei teu e você minha


Ele olhava para aqueles olhos cinzentos e fundos. Mal podia acreditar que a muito tempo atrás eles foram de um negro profundo como o de uma noite sem luar.
Seus olhos percorriam aquele rosto, outrora jovial e belo. Conseguia encontrar aqui e ali alguns pontos que insistiam em não quererem mudar com a idade. E ela ainda era bela.
A água estava no fogo e ele havia se esquecido. O chá a tarde era quase que um ritual sagrado, mas o olhar contemplativo, quando não se é mais moço pode durar uma eternidade se não mais.
As pressas correu para o fogão, desligou o fogo e com um pano velho pegou a alça da chaleira. Onde estava a camomila? perguntou -se. A memória teimava em pregar-lhe peças como um moleque arteiro colocando tachinhas na cadeira dos outros. 
Ele vira para um lado e para o outro até que seu olhar volta a fitá-la. Lá está ela, deitada, vestida de azul. Sim, o tempo havia passado mas ela ainda era seu anjo. Nunca deixara de vê-la como tal. Ele podia não lembrar onde estava o chá, mas lembrava de suas mão entre aqueles cabelos que já foram negros também. Era seu anjo, tão seu.
Ao virar o rosto para o outro lado, como por milagre ali estava a camomila. Apressou-se, misturou-a a água, e com um coador filtrou-o. Adoçou da maneira que ela gostava e se pôs a beira da cama. Levava a xícara àquela boca que mal se movia. Com pequenos goles ela engolia mas sem expressar sabor ou alegria. Os olhos cinzentos teimavam em olhar para a janela como se esperasse a chegada de alguém.
Triste mas ainda assim relutante em entregar-se a situação, ele teimava em fazer-lhe elogios e em dizer-lhe o quanto ela estava linda naquela tarde.
Terminado o chá e já meio cansado ele deitou-se ao lado dela na cama e abraçou-a com carinho buscando aquele cheirinho bom que apenas ela tinha. Adormeceu.
O sol raiava e mal percebera mas já havia passado uma noite inteira. Apesar do calor que já fazia ela parecia fria, com os olhos fechados continuava parecendo um anjo. Sua boca esboçava um sorriso e ela respirava suavemente. Seu coração acelerado e seu rosto pálido não negavam o susto que tivera. Pensara no pior, mas não era hora ainda.
Levantou-se mais uma vez, beijou-lhe a fronte e foi preparar-lhe café elogiando-a e dizendo que naquela manhã não existia mulher mais linda na face da terra. Ela sorriu e ele percebeu aquele sorriso e seu peito se encheu de alegria e seu dia se encheu de cor.

Moral da história

O amor está nos pequenos gestos. No dia a dia, numa infinidade de rotinas que precisam ser quebradas e ainda assim mantidas. Que nos tornemos velhos, mas ainda assim mantenhamos jovens de coração.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Aquela velha casa


Ela limpou a casa da melhor maneira que podia. A visita estava por chegar e tudo precisava estar arrumado. A casa não era bonita. Longe disso. As paredes estavam sujas e a muito não via tinta nova, o piso tinha aparência desgastada pelos passos daqueles muitos que por ali passaram mas ainda assim tratava-se de uma casa grande e imponente.
Feliz por ter terminado e ansiosa por matar a saudade, passou na frente daquele espelho colado na porta do guarda- roupas e por um instante fitou o reflexo de seu rosto. Os cabelos brancos, as rugas e alguns cravos denunciavam sua idade. Abaixou a cabeça, olhou para as pequenas mãos calejadas e percebeu que o tempo havia passado rápido, mas logo se recompôs, não havia lugar para este tipo de pensamento, o importante é que a casa estava limpa e ponto final.
O pouco estudo não a impediu tornar-se uma mulher prendada e como boa anfitriã, lembrou-se daquele bolo de milho que sua visita tanto gostava. Comprou os ingredientes e o fez com gosto. Ela sabia que ele iria ficar muito feliz com a surpresa.
Por ultimo, mas não menos importante, preparou a cama. O lençol recém lavado na véspera estava com aquele cheirinho bom de roupa seca ao sol. Ela puxava, esticava e contente com o resultado concluiu que todos os preparativos haviam sido feitos.
O telefone tocou. Seu coração bateu forte. Era a voz de um homem mas ela a ouvia como se fosse a de um menino. Seu sorriso se abriu quando ouviu duas palavrinhas mágicas, "estou chegando". Rapidamente ela olhou para a sala, correu no quarto e confirmou o estado da cama e já na cozinha viu que o bolo ainda fumegava de quente. Seria um dia feliz.
Ele chegou. Estivera longe por muitos e muitos anos. Era alto e bonito. Bem vestido. Ela olhou e meio que ao mesmo tempo abriu os braços e um sorriso. Ele se aproximou, olhou ao redor como que desconfiado e a abraçou também. O sorriso insistia em não sair do rosto dela, mas o rosto dele parecia não apresentar qualquer tipo de reação a não ser aquele educado risinho sínico de canto de boca.
- Por que demorou tanto para vir, perguntou ela sem desmanchar aquele sorriso.
- Estive ocupado demais com o trabalho e minhas coisas, respondeu ele com um tom de voz polido.
- Sente-se aqui, o sofá é novinho.
O homem sentou e tornou a olhar ao redor. Ela sentiu algo estanho nele pela primeira vez: - O que foi? Perguntou ela.
- Não foi nada, respondeu ele mais uma vez com aquele tom polido.
Ela o chamou para a cozinha e enquanto caminhavam até lá por aquele corredor comprido fez uma série de perguntas e todas prontamente respondidas.
Ao chegarem na cozinha ele olhou diretamente para aquela parede em que dois azulejos haviam caído. Ela percebeu e se envergonhou. Havia tido um trabalho danado para limpar todos os azulejos e torcia para que ele não reparasse aqueles dois faltando, mas ele reparou. Para tirar a atenção dele das paredes disse: - Vamos sentando, fiz aquele almoço com tudo o que você gosta e além disso a sobremesa é bolo de milho.
- Obrigado mas já almocei, respondeu ele rapidamente.
- Coma, está tudo fresquinho, acabei de fazer, respondeu ela ainda sorrindo.
- Não vou comer, estou cheio.
- Mas coma só um pouquinho, ao menos o bolo, pediu ela meio que murchando.
Sensibilizado com aqueles olhos pequenos mais ainda assim tão vivos ele pegou um pedaço pequeno daquela forma de bolo enorme e colocou na boca. Antes de pôr o café na xícara, olhou para o fundo dela. Bebeu e ficou calado.
Aquele sorriso no rosto dela havia sumido. Seu semblante ficou triste.
- O que aconteceu? por que você está tão estranho? Por que não comeu nada? Por que fica olhando para cada canto da casa e não olha para mim? Perguntou ela angustiada.
Pressionado, ele explodiu:
- É esta casa mãe! Está feia, caindo aos pedaços. Parece um barraco. Os móveis ainda são aqueles da época da minha infância, tudo está tão sujo, e a senhora? Olhe para a senhora? Está tão mal tratada. Fiquei tanto tempo longe e quando volto tudo parece ter piorado. Eu não dormiria aqui nunca, deve ter rato e barata.
Ela abaixou a cabeça e olhou para um lado. Trouxe as mãos ao rosto e sentiu uma lágrima se formar no canto de um olho. Ela não queria chorar. Aquele deveria ser um momento de alegria e não de vergonha e tristeza. Ela segurou como pôde mas as lágrimas em momentos assim parecem ter mais força do que podemos imaginar. Ela não aguentou tudo aquilo e chorou. Aquela não era mais a sua criança, era apenas um estranho. Bem vestido e com uma voz familiar mas ainda assim um estranho.
Ele, percebendo a barbaridade que acabara de fazer tentou acalmá-la. A abraçou. Pediu-lhe desculpas mas nada continha aqueles soluços. Tanta cultura, tanto estudo parece tê-lo deixado cego e arrogante. Não havia mais o que fazer. A dor havia sido causada.
Ele levantou-se e despediu-se. Ela andou pela casa. A cama estava lá. O lençol ainda esticado com tanto esmero permanecia intocado. Virou-se, fechou aquela velha porta com a pintura descascada e novas lágrimas preencheram-lhe a face. Na cozinha a comida ainda estava morna mas isso não importava mais. Nem mesmo o pequeno arranjo de flores em cima da mesa a consolava. Ela sentou na cadeira mais próxima e chorando adormeceu.

Moral da história

Uma xícara quebrada, ainda que se cole os pedaços, jamais voltará a ser a mesma e assim são as feridas impostas ao coração de uma mãe.

sábado, 18 de maio de 2013

Mais um 14 de maio




Envelhecer tem seu lado bom. Desperta em nós um olhar mais analítico, questionador e ainda assim contemplativo.
Olho para trás e vejo de maneira serena uma vida cheia de mudanças, de altos e baixos e de momentos que jamais quereria que fossem diferentes do que foram.
De fato a idade trás consigo a maturidade para podermos olhar o futuro e simplesmente dizermos que venha, que simplesmente aconteça.
Ainda me pego lembrando de minha infância e dos planos mirabolantes que tinha para o futuro. Vejo que muitos não realizei, não por falta de oportunidade, mas por ter percebido que novos horizontes me foram apresentados e para minha felicidade ainda me são.
Sim, envelheci mais um pouco, mas este pouco não me impediu de sonhar como uma criança, ansiosa, inquieta, desejosa de mais e mais vida.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Não se trata de ser consumidor e sim humano

Nos últimos dias a imprensa noticiou a lamentável morte do adolescente Kevin Spada por um sinalizador disparado pela torcida do Corinthians.
Como medida punitiva, se é que existe punição a altura da dor dos pais deste rapaz morto, a Conmebol proibiu a entrada da torcida do Corinthians no jogo de hoje a noite no Pacaembu.
Até aí, a sociedade criticou as torcidas organizadas. As torcidas adversárias fizeram chacota com a prisão de alguns torcedores na Bolívia, mas os sinais da perda de moral e de uma certa perda de humanidade começaram quando um outro adolescente, torcedor do Corinthians deu entrevista assumindo o disparo do sinalizador.
A aparente manobra de por a culpa no "dimenor", costumeiramente utilizada por criminosos aqui no Brasil está se provando no mínimo constrangedora se observarmos que não se trata de um evento caseiro e sim internacional. Tal atitude desta torcida organizada apareceu em jornais dos países vizinhos e como aqui, foi vista com desconfiança.
Lastimável tudo isso, mas a vida segue e o jogo ocorreria de qualquer forma sem a torcida do time brasileiro, contudo, eis que leio no jornal a notícia de que um grupo de seis torcedores do Corinthians, baseados no código do consumidor e no estatuto do torcedor, entraram na justiça e conseguiram uma liminar para assistir ao jogo.
É fato que tal manobra é tecnicamente legal, mas moralmente questionável. Não se trata de uma questão comercial. A instituição Conmebol ao proibir a torcida de assistir ao jogo não o fez no intuito de prejudicar ao time, uma vez que o jogo não foi cancelado e tampouco o time fora eliminado. Também não houve o intuito de prejudicar a transação comercial da compra do ingresso, uma vez que o dinheiro gasto seria devolvido. A medida teve sim como intuito mostrar em primeiro lugar respeito a uma vida que foi perdida e em segundo, disciplinar uma torcida que levou para o estádio um objeto com poder de causar dano letal como foi comprovado.
Costumo dizer que não entendo nada do direito, o que de fato é uma verdade, mas me questiono baseado em quê o juiz deu um parecer favorável a estas seis pessoas. O campeonato da Libertadores é um evento internacional que segue as regras instituídas pela organização Conmebol. Apesar de ser no Brasil, tal jogo segue as regras estipuladas e portanto, sansões aplicadas pelo organizador. Me causa estranheza o juiz ter aplicado o estatuto do torcedor, que a priori, regulamenta jogos de campeonatos nacionais. Me causa estranheza a aplicação do código do consumidor, uma vez que a devolução do dinheiro pago fora garantida.
Este fato serve de mote para refletirmos sobre o que é ser humano. Esta liminar, de certo modo, evidencia a perda da sensibilidade e de respeito pela vida e pela dor alheia. Apenas a relação comercial e a suposta paixão pelo time foram consideradas. Entendo que uma punição de nada adianta se não se entende o cerne desta. Estes seis torcedores não entenderam e possivelmente, por mais que se tente explicar, não entenderão que não se trata de ser consumidor e sim humano.

sábado, 22 de dezembro de 2012

O espírito de Natal...ou não...

Até algum tempo atrás não costumava enviar mensagens de Feliz Natal a quase ninguém. Ponderava, pensava nos fatos ocorridos no ano e inevitavelmente me lembrava das raivas passadas, das frustrações e mágoas. De pessoas que mal falavam comigo e que nesta época se abriam em sorrisos para mim.
Sempre passava pela minha cabeça: Quanta falsidade. Foi aí então que passei a refletir sobre o espírito de Natal e o que de fato ele significa e concluí que esta data tão especial serve para que possamos reiniciar uma fase nova em nossa vida. Conclui que esta sensação de fraternidade deve existir todos os dias e não apenas em um único feriado. Portanto, desejo sim um Feliz Natal a todos e que indiferente do seu credo ou religião, que cada dia de 2013 seja um motivo para reconciliação, amizade e realizações. Que Deus derrame um pouquinho do seu amor sobre nós e nos torne pessoas sempre melhores.






* Imagem retirada do excelente blog Enquanto não sou rica

sábado, 3 de novembro de 2012

O beijo só é bom se for da sua boca

Ah estes teus beijos que me enchem e me fazem sonhar. Beijos gulosos, molhados e desejosos que despertam em mim pensamentos impronunciáveis a outros ouvidos que não sejam os teus.
Beijos de uma intensidade brutal e ainda assim suaves como um sonho bom. Me pego a lembrar dos teus lábios quentes encontrando os meus. Sua língua caçando a minha e a minha deixando-se ser pega, sem resistência, sem fuga e este sim é o momento em que encontro paz. Paz ao estar entre teus braços que me apertam dizendo- me sou tua.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A sensação de ser pai


Existem muitas diferenças entre um pai e uma mãe, a começar por exemplo, pelo fato de nossas mães nos sentir dentro de seu ventre enquanto aguarda nossa chegada... nossos pais, por motivos óbvios, não podem nos sentir da mesma maneira mas com certeza já nos tem em seus corações e ali nos mantém por toda uma vida.
Os pais costumam ser mais contidos e a demonstrar menos seus sentimentos que as mães 
mas são sempre os primeiros a se preocuparem com o bem estar da família e se angustiam ao ver um filho doente ou infeliz.
Torcem junto conosco, sofrem junto. Ficam orgulhosos com nossa primeira namorada e nervosos com o primeiro namorado de nossas irmãs. Talvez, o relacionamento dos filhos seja o ponto mais engraçado e conturbado da vida de um pai.
Bons pais nos motivam, nos faz ir além e por mais que a cobrança se pareça com uma bronca no fundo não passa do reflexo de querer nos ver bem.
São em pequenas coisas que vemos o quanto um pai se sente feliz. Feliz ao nos ver dar os primeiros passos, feliz ao nos ver dirigir um carro sozinhos, feliz ao nos ver trabalhando e realizando coisas, feliz ao ver ser repassada a boa educação que recebemos aos nossos filhos.
Para todos aqueles bons pais um mais que feliz dia dos pais e para aqueles não tão bons que busquem melhorar não apenas por seus filhos mas por que sendo bons pais com toda certeza entenderão o significado da palavra amor...











Nota 1: O texto acima escrevi diretamente no facebook para o dia dos pais e só agora resolvi transcrevê-lo para cá, por isso que está atrasado em relação a data comemorativa.


Nota 2: Não sou pai ainda mas reconheço qualidades necessárias e que gostaria de ter assim um filho tiver.


Nota 3: A imagem que ilustra o texto foi retirada do site www.odiario.com onde há uma matéria excelente com o título: "Pai presente é garantia de filho contente ".

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ciclos

O tempo não para. Ele não volta atrás e por isso, não podemos mudar coisas que fizemos, pessoas que conhecemos e situações que vivemos; podemos apenas nos lembrar. As lembranças servem para coisas importantes como por exemplo para não cometermos o mesmo erro duas vezes, mas tem situações em que ironicamente elas não servem para nada.
As vezes me pego relembrando coisas do meu passado que foram importantes em um determinado momento mas que hoje não passam de pequenos resquícios de uma outra época. Me lembro de pessoas e de situações sem saudades, sem tristezas, sem qualquer tipo de sentimento. São coisas que simplesmente passaram. O curioso é que isso acontece com todos nós e é totalmente normal por vivermos dentro de ciclos de amizades que se alteram com o tempo. Para alguns ciclos retornamos com frequência, para outros nem tanto e para alguns jamais retornaremos.
A vida nada mais é que isto, um conjunto de ciclos, de idas e vindas que se alteram com nossas escolhas.

sábado, 1 de setembro de 2012

Da perda de confiança a perda de respeito

Todo tipo de relacionamento se desgasta. Isso é um fato que infelizmente fazemos questão de não discutir ou pensar sobre.
Relacionamentos amorosos, familiares, profissionais, por melhores que sejam, um dia haverão de gerar discordâncias e por fim a discórdia.
Todo relacionamento tem por base um determinado sentimento, mas todos tem como essência a confiança. Se você ama alguém mas não confia nesta pessoa, sentirá ciumes. Se você trabalha com alguém, mas não confia em sua capacidade de terminar tarefas inevitavelmente você questionará sua chefia do por que de pô-lo para trabalhar junto com você e por aí vai. Absolutamente todos os relacionamentos precisam ser baseados na confiança mútua.
Quando a confiança é perdida, por mais que se ame alguém, que se admire um colega de trabalho ou um familiar, o relacionamento jamais será o mesmo. Ainda que se ame e que se perdoe, como confiar novamente em alguém que traiu? Como confiar em um ente que promete parar de beber mas vive dentro de um bar? Como confiar em um colega de trabalho que por mais que trabalhe bem, vive chegando atrasado e dando uma desculpa nova a cada vez?
A perda de confiança gera situações depreciativas e pejorativas que inevitavelmente culminam na perda de respeito. É um apelido maldoso aqui, uma piada ali e a qualquer discussão que ocorra sempre lembrarão do erro cometido e da confiança perdida: Tá vendo, quem disse que fulano chegaria no horário? parece que não conhece; ou então: Não disse que não poderia confiar em teltrano, quem trai uma vez, trai sempre.
A perda da credibilidade e do respeito criam uma cicatriz grande na pessoa, ainda que esta não cometa mais erros ela sempre será o exemplo do que não se deve ser, o exemplo de como não se deve agir. Portanto, antes de se tomar qualquer tipo de atitude reflitam sobre como é sua vida hoje, como são seus relacionamentos indiferente do tipo porque por uma escolha errada pode-se pagar um preço muito alto por toda uma vida.


* Imagem retirada do site: http://fotosdefatos.blogspot.com.br

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Oh diaxo de dor que dói viu...

Dada a minha situação atual resolvi procurar o significado da palavra dor e encontrei no dicionário Michaelis um que consegue descrever perfeitamente o que estou sentindo: "sensação desagradável ou penosa... grande sentimento pelas desgraças próprias ou alheias...".
O sentimento do amor é sempre exaltado em filmes livros e canções mas o da dor é posto de lado. Ninguém gosta de falar sobre isso e há aqueles que dizem que se ficarmos falando muito sobre ela, é aí que ela vem mesmo.
Existe a dor física e a dor da alma. A física nos afeta direta e intensamente. Nos aleija, nos faz incapazes de nos movimentarmos e realizarmos coisas. Para esta, em muitos casos a cura passa por um tratamento indicado por um médico e dentro de poucos dias, dependendo da enfermidade, se está curado. Mas a dor da alma, esta é complicada primeiro porque você precisa entender onde dói. Ao contrário da dor de cabeça que obviamente sabe-se que é a cabeça que dói, a dor da alma dói em silencio. Se for procurar um médico tem de ser um psicólogo ou um psiquiatra. Senta-se, conversa-se, dá-se exemplos, mostra-se soluções que sempre são: a resposta está dentro de você; só você pode se ajudar; isso é um processo chore bastante que passa e por aí vai.
A dor da alma de fato não dói, mas lhe tira o sono, a fome, a vontade de trabalhar de produzir e em casos extremos a de viver. Ouve-se aquela musica e não tem jeito, as lágrimas rolam por sobre o rosto. Causa medo de frequentar lugares que outrora trouxeram tanta felicidade e quanto mais se pensa em se reerguer aí é que ela te derruba.
Quanto aos amigos, estes, coitados, ficam divididos entre versões da mesma história. Tentam ajudar no princípio e depois se cansam e se irritam com tanta lamentação. Aliás, a lamentação junto com o choro são os sintomas clássicos da dor da alma.
Todos já sentiram esta dor, uns de uma maneira mais suave, outros mais intensa, mas verdade seja dita para aqueles que ainda não tiveram contato com ela: vocês com certeza sentirão. Sentirão por sermos seres ambíguos, lógicos porém passionais. A ambiguidade está nesta paixão que aflora o que há de melhor em nós e nos põe de joelhos quando lateja. Somos capazes de grandezas inimagináveis por amor e de besteiras homéricas também. A dor de amor geralmente é reflexo de um amor não correspondido ou de um amor que existiu mas acabou.

O amor é uma droga, vicia, sua vida depende daquela pessoa. O cheiro dela é o melhor do mundo, seus olhos os mais lindos. Um eu te amo que saia da sua boca vale mais do que tudo no mundo. Cria-se uma dependência tão grande de alguém que não necessariamente sente o mesmo ou ao menos não na mesma intensidade. Cria-se expectativas, sonhos e daí parte-se para o desejo de melhorar a pessoa amada. Esquecemos que o que enxergamos como sendo o melhor para ela não é ou talvez nem chegue perto de ser parecido com a visão de melhor que ela tem para si.
Então, aparecem as frustrações, as brigas, os desgastes, os ataques e as mágoas. Inevitavelmente aí estará surgindo aquela dorzinha, fraquinha, levezinha, quase nada mas que haverá de inflamar e se tornar um câncer.
Minha dor como a de muitos surgiu assim, e assim permanece doendo. Apertando meu peito extraindo o que há de melhor em mim e jogando ao léu. Não há mais aquele alguém especial para receber este amor.
O dor infeliz que não dói mas que está tentando me deixar frágil e que está obtendo um êxito fora do comum.
Falo demais sobre a dor porque quero que ela venha logo me enfrentar tão intensa e destruidora quanto possível. Cansei de me remediar com palavras e ombros amigos. Venha infeliz, devaste esta alma e vá embora. deixe cicatrizes, mas me deixe levantar novamente, mais forte e disposto a não enfrentá-la novamente...