Mostrando postagens com marcador Sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sociedade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Quinze para a meia noite


 O céu estava estranho. Ele estava definitivamente muito estranho. Ninguém diria que tudo começou com aquilo que chamaram erroneamente de aurora boreal. O Brasil fica no hemisfério sul, portanto, o termo que chegaria mais perto de algo correto seria aurora austral, mas isso pouco importa. O que importa é que naquela noite de 2 de março de 2023 próximo da meia noite o céu noturno estava estranhamente belo. Até onde se podia ver no horizonte haviam luzes nas mais variadas cores. Tons de verde e de azul encantadores misturados com muito mais cores.

As pessoas saiam na rua. Os mais tímidos, ou mais desconfiados viam pela janela um céu jamais visto antes por estas bandas. Alguns estavam maravilhados. Outros achavam que era o fim dos tempos mas ambos concordavam que era muito estranho.

Quando o relógio marcou quinze para meia noite houve um estrondo. Um barulho muito alto. As pessoas distraídas foram pegas de surpresa. Muitos desmaiaram com o susto e aqueles que conseguiram ficar em pé sentiram muita tontura. As pessoas não entendiam direito o que estava acontecendo e isso só piorava com a temperatura que parecia aumentar ainda mais. Noite quente, luzes estranhas no céu um barulho estrondoso. Esta seria uma receita perfeita para o início de uma lenda urbana se tivesse ocorrido em uma cidadezinha do interior, mas não, descobriu-se tempos depois que estes eventos haviam ocorrido em todo o pais. Delírio coletivo? Poderia até ser, não fosse as mas as diversas fotos e vídeos deste começo de cataclisma trocados num ritmo alucinante pelas redes.

A internet surtava e no noticiário da TV não havia outro assunto até que de repente tudo parou. Os telefones não funcionavam mais e as televisões ficaram sem imagem.

Era mais ou menos meia noite e 20 quando o céu de súbito voltou ao normal. Bem, não tão normal assim. Era noite e as estrelas estavam lá brilhando, mas elas estavam todas lá. Era um céu estrelado como nenhum outro. Muito belo.

As pessoas até tiravam fotos mas ainda não conseguiam postar nas redes sociais ou enviar para os outros. Nada funcionava naquela noite tão diferente.

Muitos ficaram acordados para ver se algo mais aconteceria, mas a maioria foi dormir afinal de contas era madrugada de 3 de março. Uma sexta-feira. Muitos tinham que acordar cedo para trabalhar.


                                                                                ***


A manhã de 3 de março se mostrou ainda mais estranha que a noite anterior. Nada tecnológico funcionava. Aparelhos eletrônicos até funcionavam mas não se conectavam na rede. Os semáforos das granes capitais piscavam praticamente todos no amarelo. O GPS não funcionava, a internet não funcionada, o sistema bancário não funcionava. As pessoas se viram novamente na década de oitenta do século XX.

Ir trabalhar estava difícil. Muito atraso nos ônibus e no metrô. Muita aglomeração nos pontos de ônibus e nas estações e nessas aglomerações haviam basicamente dois assuntos. O apagão da internet e a aurora no céu noturno na noite passada.

Assim passou o dia todos. Muita confusão e muita desinformação. A noite as televisões voltaram a funcionar Havia uma mensagem do governo passando em todos os canais. A mensagem era falada pelo presidente da república e dizia o seguinte: "Povo brasileiro. Na noite passada tivemos um evento meteorológico incomum seguido da quedas das redes de informação. Este evento, até onde pôde ser avaliado ocorreu em todo o país. Estamos tentando contato de diversas maneiras com outras nações mas não estamos obtendo sucesso. Acreditamos que o mesmo que ocorreu conosco aqui no Brasil tenha ocorrido com nossos vizinhos. Estamos ainda levantando impactos. Assim que tivermos maiores dados sobre o ocorrido voltamos a informar a população'.

A mensagem em si era pouco esclarecedora e para falar a verdade serviu apenas para causar mais pânico na população que naquele momento passou a acreditar num cataclismo a nível mundial.

Muitas pessoas preocupadas mantiveram as televisões ligadas aguardando novas mensagens mas isso não ocorreu. Não naquela noite.


                                                                            ***


Passava das 10 horas da manhã de 4 de março. As televisões ligadas voltaram a apresentar a programação das emissoras, mas o assunto era um só, o apagão que permanecia no Brasil. Muitos repórteres tentavam explicar o ocorrido. Hipóteses cientificas eram levantadas, mas o fato é que ninguém sabia de nada.

Em um desses canais de notícias estava passando uma reportagem que parecia ter saído de um filme de ficção científica. Em cima da ponte da amizade em Foz do Iguaçu uma repórter com voz trêmula apenas repetia: "Não tem nada do outro lado. Não tem nada do outro lado da ponte". O operador da câmera filmava um floresta sem fim do outro lado da ponte. Era algo surreal o que se via. O Paraguai simplesmente havia deixado de existir.


                                                                            ***


A tarde, os telefones voltaram a funcionar apenas para ligações. Nada de internet. As ligações falhavam muito. Talvez por um congestionamento das redes devido ao alto volume de chamadas que passou a ocorrer. Natural que isso acontecesse. As pessoas queriam afinal de contas ter notícias de seus familiares e amigos e as redes sociais bem como aplicativos de mensagem ainda não estavam disponíveis. Curioso ver como uma sociedade tão dependente da conectividade desmoronou literalmente da noite para o dia. Curioso também foi ver como a televisão voltou a ser o centro da atenção. Nela, ocorria um verdadeiro show de horrores. Diversas reportagens pipocavam em todos os canas. Equipes de repórteres nas cidades que faziam divisa entre o Brasil e outros países mostravam a mesma coisa. O nada.

Eram quilômetros e mais quilômetros de mata do outro lado da fronteira. Nenhum vestígio de civilização. 

A população olhava pela tv incrédula. Não conseguiam encontrar uma explicação plausível para aquilo que estava acontecendo.


                                                                            ***


Uma onda de revolta começou a ocorrer. Aqueles mais conspiracionistas acreditavam que era um golpe do governo alterando as imagens na televisão de modo a poderem controlar o povo. Outros entendiam que algo de muito errado e de muito misterioso estava acontecendo. O fato é que já era 05 de março. Três dias depois daquela noite estranha e Brasília estava um caos. Depredação, saques, e suicídios. A situação não era muito diferente no restante do país. O ser humano frente ao desconhecido costuma ter reações das mais variadas e por vezes as mais perversas.

Havia um mundo de gente na praça dos três poderes. Tudo era muito novo e estranho e perturbador mas o pior ainda era o silêncio do governo. A turba gritava palavras de ordem, levantavam cartazes, entoavam pai nossos e ave marias. Nada parecia sensibilizar aqueles que deveriam saber de algo.

A esta altura muitos aviões já aviam sobrevoado o que era a Argentina, Bolívia, Uruguai. O cenário era sempre o mesmo. Estávamos sozinhos nossos vizinhos haviam sumido.

Meio dia em ponto todos os canais voltaram a mostrar um novo vídeo do governo. A imagem do presidente com olheiras e abatido denotava noites de sono mal dormidas e estresse excessivo. Ele começou a falar num tom fúnebre: "Povo brasileiro, venho até vocês sem um roteiro escrito, sem um script. Nós estamos vivendo uma verdade que até mesmo eu, com toda a informação que tenho, custo a acreditar que seja verdade. Todos os países no continente americano desapareceram. Sobramos apenas nós. Nossos peritos da aeronáutica conseguiram imagens de satélite que comprovam isso. Imagens da Europa e da Ásia mostram evidências de civilizações feudais com povoados existindo onde antes haviam países desenvolvidos. Não sabemos como explicar isso mas é certo que voltamos no tempo. Isso é comprovado através da cartografia. O posicionamento das estrelas estão diferentes da de alguns dias atrás. É como se tivéssemos voltado cerca de seiscentos anos no passado.

Sei que algo chocante e difícil de de aceitar mas estou aqui apenas falando a verdade sobre o que sabemos até agora. Aparentemente a aurora austral que aconteceu na noite de 2sde março seguida do estrondo tem relação com este ocorrido.

Não sei como chegamos aqui ou como sairemos dessa, se é que há uma saída. O que sei é que como nação precisaremos mais do que nunca estarmos unidos para vencermos isso.

Deus costuma agir de maneiras misteriosas. Prefiro neste momento me agarrar a minha fé e pensar que ele tem um plano para nosso povo. Voltaremos a informar todos vocês assim que tivermos novos dados."

E com essa mensagem o governo implodiu toda a sociedade.



terça-feira, 2 de maio de 2017

Quando um homem tem um probleminha


Acho que todo garoto em algum momento na vida quis crescer logo. Acredito que todo menino um dia se perguntou como seria ter barba ou como seria falar grosso igual seu pai ou seu avô. Muitos jovenzinhos sonharam estar dirigindo um carro e para aqueles um pouco mais crescidos, ter uma namorada.
O fato é que todo garoto, sem exceção é ansioso. Ansioso por se tornar um homem, afinal de contas o que há de melhor na vida? Poder conquistar tudo. Poder viver a vida. Ser alguém que faz a diferença.
Na maioria das brincadeira, os meninos são soldados, astronautas, atletas e por aí vai. São estimulados a superar limites. E assim vão passando os dias de uma rápida infância.
Eis que então, e finalmente ,chega a vida adulta e como jovem adulto, barba falhada, voz de taquara o mundo se apresenta em toda a sua glória e por vezes decepção.
Não ha mais brincadeiras. Há trabalho. Não há mais tempo livre. Há necessidade de estudar ainda mais. Não há mais férias no meio e no final do ano. Não mais. Mas existem as contas a serem pagas. As cobranças dos outros e até daquela namorada que se queria muito ter.
Não inventaram um manual de como se tornar um homem, mas ali está ele, ansioso, cheio de sonhos mas amarrado pelos pés e pelas mãos.
Ser homem não é fácil. Ninguém nunca disse que seria, mas ninguém nunca definiu direito o que é ser de fato um homem. 
Alguns dizem que homem não chora. Outros que o homem deve honrar suas calças. Alguns dizem também que o homem não deve levar desaforo para casa. Muitos pensam que ser homem é beber até cair ou pegar todas.
O mito criado ao redor do ato de ser homem por vezes confunde aquele garoto que só queria crescer. Tudo isso é ser homem? A resposta é sim... e não ao mesmo tempo. Você não pode chorar e por isso guarda dentro de si aquele sentimento por vezes ruim. Você tem que horar suas calças apesar de não serem sagradas. Este adereço místico do vestuário masculino ganhou um empoderamento tão grande que praticamente define a masculinidade de um ser mesmo sendo apenas um pedaço de tecido com algumas costuras que inclusive as mulheres usam também. O homem jamais deve levar desaforo para casa ainda que isso te custe a dignidade, uns dentes, hematomas e até mesmo a vida. Evoluímos de um estado tribal para uma sociedade avançada tecnologicamente mas o instinto animal de se resolver as coisas deve prevalecer e assim o prevalece quando para mostrarmos aos outros o quanto somos machos, bebemos até cair ou pegamos todas em qualquer lugar e a qualquer momento sem nos importarmos se aquela mulher é um ser humano ou um pedaço de carne a ser possuído.
Com tudo isso não é de se estranhar que a depressão é um dos males modernos e que talvez afete em uma intensidade maior homens do que mulheres, mas elas podem admitir que têm um problema e até chorar. Eles serão frouxos se assim o fizer. Os mais corajosos dizem que tem um probleminha, mas as vezes nem sabem como descrever o que sentem porque ser homem é também não entender direito sentimentos e sensações. É querer ser forte como uma rocha sempre, pouco se importando com a água que bate.

domingo, 28 de setembro de 2014

Os homens envelhecem melhor



Não usamos protetor solar, tampouco hidratante. Adstringente? Só Deus sabe o que é isso. Para estarmos bem, basta-nos um corte de cabelo e um desodorante. Cuidamos pouco de nossa aparência, mas curiosamente muitas mulheres invejam a qualidade de nossa pele e cabelo. Vai entender?
Nos irritamos com uma série de coisas assim como as mulheres, mas ao contrário delas, não guardamos para nos vingar depois. Falamos na cara. Brigamos. Arrancamos dentes uns dos outros com socos e pontapés, mas no final, tudo estará resolvido,
Sim, jogamos videogame, e empinamos pipa, e jogamos bola. Se a coluna permitisse jogaríamos bolinha de gude também. Isso tudo molda a personalidade de um homem já na infância e por isso que mesmo velhos e barbados continuamos a fazer. 
Não temos problemas e não nos sentimos mal quando vocês mulheres dizem coisas do tipo: fulano nunca vai crescer. Pelo contrário, isso chega a ser um elogio.
Somos mimados. Nossas mães nos estragaram desde cedo. Talvez seja por isso que não ligamos muito para a toalha molhada no banheiro igual a vocês mulheres, aliás, por mais que as amemos, mulher nenhuma será como nossa mãe. Nem tentem competir, mesmo porque são amores diferentes e vocês, com toda a certeza entenderão quando forem mães de meninos. Nenhuma mulher será boa o suficiente para o seu menino e ponto final.
Gostamos de mulher. Olhamos para mulher. Cantamos mulher. Cheiramos mulher. Beijamos mulher. Queremos mulher. Desejamos mulher. Passamos raiva com mulher. Nos divertimos com mulher. Temos filhos com mulher. Acertamos com mulher. Erramos com mulher. Passeamos com mulher. Compramos com mulher. Vendemos com mulher. Viajamos com mulher. Casamos com mulher. Divorciamos de uma mulher. Insistimos em casar com uma mulher depois do divórcio. O que mais falta para vocês mulheres entenderem que o que nós queremos mesmo são vocês?
Nossos risos e amizades são mais sinceros e verdadeiros. Nós não temos o melhor amigo do mundo por dois anos ou menos e depois de vencido o período de validade passamos a odiá-lo. Não elogiamos o corte de cabelo de nosso amigo e pelas costas dizemos que ficou horrível. Simplesmente falamos na cara: seu viadinho. E vamos todos dar risada depois.
Vivemos menos que vocês mulheres. Isso é um fato. Mas vivemos melhor e envelhecemos melhor. Sem concorrências, nem mágoas, nem amigos de temporada. Essa é a graça de ser homem. Continuar sendo um menino barbudo e de cabelo branco para sempre.


domingo, 24 de agosto de 2014

Essa não é a vida real



Twitter, Facebook, Instagram, Blogspot. Talvez nunca tenha sido tão fácil viver uma vida paralela quanto hoje em dia.
Fotos de viagens, roupas novas, carros bonitos. Homens e mulheres querendo ser mais, querendo ter mais. O que antes vivíamos apenas nas páginas de um livro ou num filme de cinema passou a ser externado de uma maneira mais dinâmica. Nossos sonhos e desejos passaram a se misturar com a realidade e essa mistura passou a nortear nossas vidas.
Não se trata de uma aversão a tecnologia, mas sim o uso que é dado a esta. E esse uso sim vem ditando tendências e comportamentos. Quem nunca viu aquela criança de outrora, agora adolescente "sensualizando" como gostam de dizer por aí, em fotos com a língua de fora. Parece uma enxurrada, uma verdadeira legião de pessoas com a língua de fora e por quê? Porque todos fazem, simples assim.
O ser humano, de acordo com a antropologia, se desenvolveu para viver em grupos e esses grupos de humanos se desenvolveu para relacionar-se uns com os outros, trocando experiências uns com os outros. Era assim com o homem das cavernas, é assim com o homem moderno. Esse comportamento inerente ao ser humano está no cerne do que veio a se popularizar como redes sociais.
Interação rápida, quase instantânea, somada a possibilidade da associação de fotos e geo-localização disseminou a ideia de que qualquer um poderia ser mais popular, mais atraente. A ideia de nos mostrarmos cada vez mais tornou-se algo popular de modo que o importante passou a ser a questão de termos ou não conteúdo para mostrarmos.
Até mesmo a mais reclusa das pessoas tem algo a dizer, algo a mostrar. Mas e aqueles tímidos? Aqueles excluídos? Muitos destes viram uma revolução acontecer em suas vidas. De cativos de uma sociedade excludente passaram a uma liberdade jamais pensada, mas a questão não é sobre os populares e não populares e sim sobre quem consegue gerar conteúdo para ser publicado o tempo todo?
Está aí a mãe de todas as questões nesta era de conteúdo digital. Se um jornal, uma revista ou grande portal carecem de uma equipe inteira para tocar a máquina e muita das vezes apenas conseguem replicar conteúdo gerado por terceiros, como uma única pessoa conseguiria manter-se com algo relevante? Como seria possível uma única pessoa manter o nível de "like" necessário?
A resposta é simples, com mentiras, meias verdades e manipulação da realidade. É a foto de uma garrafa de vodka, energéticos e narguile em cima de uma mesa com frases como "hoje a noite promete" ou "amigos e baladas" ainda que a noite tenha terminado com uma pessoa bêbada e sozinha. É a foto daquela garota com a língua de fora tentando mostrar que já tem seios ao estufar o peito e dizer num português incrivelmente ruim "eu sei qui tu goooosta". Ainda que seja tímida e que como muitos adolescentes sofra de um amor platônico, precisa a todo custo mostrar que é descolada e que pouco se importa com sentimentos. O importante é ser "rodada e vivida", ainda que não seja.
Não se pode ser sincero o tempo todo. Os psicólogos e psiquiatras estão aí para confirmarem isso. O problema é viver uma vida que não se tem. É se logar em um site e passar a ser uma pessoa que não é. Estamos cada vez mais cultuado o mito, a imagem, e nesse caminho estamos nos perdendo. Estamos nos tornando uma sociedade de faz de conta, tão artificial quanto os bits e bytes que passamos a cultuar.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Uma surpresa...



Li na coluna de Ricardo Setti, na revista Veja as explicações de Jair Bolsonaro, deputado do estado do Rio de Janeiro, acerca de sua possível candidatura a presidência da república.
Devo admitir que toda notícia que vi sobre este senhor até o momento era depreciativa. Entendo que pessoas radicais demais tendem a tomar medidas extremas e isso pode ser nocivo. Contudo, ao ler os pontos expostos por ele como motivos para sua candidatura, tive uma surpresa: me reconheci em todos os itens.
Não costumo ser uma pessoa radical, tampouco extremista, mas sempre acreditei no mérito e no direito a propriedade por exemplo. Em contrapartida, sempre vi com certa desconfiança projetos como bolsa família e cotas em faculdades.
Não tenho a mínima ideia do que ele pretende fazer para alavancar a economia ou melhorar o SUS, mas existe uma sintonia entre o que o deputado pensa e o que as pessoas de classe média, que em geral bancam as mordomias dos políticos e seu eleitorado, pensam. Tenho que admitir que vejo com outros olhos este possível candidato. Abaixo reproduzo o texto lido:

*** O texto relacionado abaixo foi retirado do blog do jornalista Ricardo Setti na revista Veja. O intuito de reproduzi-lo aqui é meramente o de demonstrar o que pessoalmente me causou grande surpresa. Àqueles que acaso tenham interesse neste assunto poderão ler a matéria completa diretamente no site da revista clicando aqui.***


* o PT e demais partidos de esquerda;
* a desvalorização das Forças Armadas;
* o “politicamente correto”;
* a altíssima carga tributária;
* a política externa aliada com ditaduras;
* o ativismo gay nas escolas;
* o desarmamento dos cidadãos de bem;
* a falta de política de planejamento familiar;
* as invasões do MST;
* a “indústria” de demarcações de terras indígenas;
* a não redução da maioridade penal;
* o não reconhecimento da vital importância dos ruralistas e do agronegócio no desenvolvimento do País;
* a política de destruição de valores morais e familiares nas escolas;
* a ausência da pena de morte, prisão perpétua e trabalhos forçados para presos (ainda que consideradas cláusulas pétreas na Constituição);
* a manutenção do exame de ordem da OAB, nas condições atuais;
* as cotas raciais, que estimulam o ódio entre brasileiros e que, em muitos casos, são injustas entre os próprios cotistas;
* a Comissão Nacional da (in)Verdade, que glorifica terroristas, sequestradores e marginais que tentaram implantar, pelas armas, a ditadura do proletariado em nosso país;
* o Marco Civil da Internet, cuja regulamentação por decreto, inicia a censura virtual;
* o “Foro de São Paulo” onde ditadores e simpatizantes se acoitam por uma hegemonia marxista na América Latina;
* a liberação de recursos pelo BNDES para construir Porto em Cuba e metrô na Venezuela, assim como perdões de dívidas de ditadores africanos;
* as escolas com professores desprovidos de meios para exercerem sua autoridade;
* a ajuda financeira de mais de R$ 1 bilhão por ano à ditadura cubana via contratação de mão de obra escrava pelo programa “mais médicos”;
* os programas “Bolsa Família” como curral eleitoral e “Brasil Carinhoso” que estimula a paternidade irresponsável;
* o Ministério da Defesa chefiado por incompetente civil como se não houvesse um oficial-general de quatro estrelas qualificado e confiável para o cargo;
* o Código Penal que não garante punições justas para os criminosos;
* a invasão e ocupação de terras e prédios públicos e privados por movimentos ditos sociais, sem legislação eficaz que puna tais práticas;
* a obstrução de vias públicas e queima de ônibus por qualquer motivação;
* a priorização na política de direitos humanos para criminosos em detrimento das vítimas, dos policiais e dos cidadãos de bem;
* as indicações políticas para cargos da administração pública.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Não existem cordeirinhos, todos são lobos

Li em diversos sites dias atrás a notícia de um jovem que foi preso nu a um poste no Rio de Janeiro. A história dele era triste. Proibido de voltar para sua casa por ter roubado uma furadeira na comunidade em que morava o jovem foi alvo de uma gangue de justiceiros enquanto perambulava pelas ruas da cidade.
Esta foi mais uma notícia triste de uma sociedade que pouco se preocupa com o futuro de seus jovens. Minha surpresa foi ter visto ontem uma nova notícia sobre este jovem, a de que ele, dias antes, havia juntamente com outros, espancado um outro adolescente em um abrigo. O motivo? Este jovem teria passado informações de uma milícia para a polícia.
Em uma semana algoz, noutra a caça. Irônico de fato mas a verdade é que a sociedade em que vivemos está desmoronando. O povo em geral, aqueles que trabalham e pagam impostos, diante de tanta falta do estado passou a fazer justiça com as próprias mãos. O rapaz citado foi atado a um poste por uma trava de bicicleta por um grupo que aparentemente o identificou como um dos assaltantes que assolavam a região. Chamaram a polícia? Não, claro que não. Pela lógica distorcida a qual somos obrigados a engolir o menor seria logo liberto ou encaminhado a uma instituição da qual ele fugiria ou novamente seria liberto.
O governo compeliu o cidadão comum ao estado de barbárie. Longe de ser uma situação regional, a violência se espalhou como um mal endêmico. Todas as cidades sofrem com roubos, tráfico, assassinatos. A população passou a fazer justiça com as próprias mãos.
A policia, desacreditada e desmotivada não vê o resultado de seu trabalho. Réu primário, com residência fixa e trabalho jamais fica preso. Reincidentes são presos mas por bom comportamento mal cumprem um terço da pena, isso quando não fogem nos diversos indultos que a lei permite. Novamente o governo estimula o crime ao não punir com rigor, a abrandar aquilo que deveria ser considerado hediondo e depois não sabe explicar o por quê do caos em que vivemos.
Justiça com as próprias mãos, ônibus e metrôs depredados, rolezinhos em shopping, facções criminosas se tornando um poder paralelo. Tudo isso é reflexo do desgoverno e da falta de cultura.
Por muito tempo fomos vistos mundo a fora como povo receptivo. Estamos as vésperas da copa do mundo e seremos vitrine de como um país pode se acabar quando aqueles que deveriam nos representar e cuidar de nossas necessidades nos viram as costas. Passaremos ainda mais vergonha.
Obras super faturadas, conchavos, conluios, jeitinhos e nada de infra estrutura, saúde, segurança e educação. São cabeças separadas de seus corpos em presídios enquanto a preocupação é o caviar e a lagosta do banquete.
São pessoas regozijando-se ao ver bandido morto ou humilhado preocupando-se pouco se isso é de fato justiça ou não.
Neste retalho de pais não existem mais cordeirinhos nem inocência, apenas lobos sedentos de sangue.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Números



Números... lógicos, certeiros, exatos e frios. É número de identidade, de CPF. Número de celular, número da casa, do CEP, da placa do carro. Existem números para tudo... até para mim e para você...
Apenas mais um número é a que nossa existência se resume nos dias de hoje... lógico, certeiro, exato e frio que por sinal é medido em graus que por sua vez sobe e desce de acordo com os calores, de acordo com os humores... chato... mas ainda assim lógico, certeiro, exato e... triste como um dia frio.
1, 2, 3, 4...... primeiro contamos em anos e depois em décadas. O tempo, carrasco de todos não poderia ser expressado de outra maneira que não em números. É estar em um ciclo que gira 1, 2, 3, n vezes sem sair do lugar. O tempo é a moeda que se paga quando se é apenas mais um número... mas números não fazem a diferença ainda que de fato façam....
3, 2, 1 ........................... fim da linha.................... tão lógico, tão certeiro, tão exato e ainda assim tão frio.......que pena....

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Embargos infringentes e o distânciamento entre o governo e o povo que deveria representar


Sempre esperamos algo de alguém. Esperamos que os pais sejam homens e assumam os sustento de suas crianças. Esperamos que os motoristas de ônibus não atrasem a viagem. Esperamos que os pescadores consigam nos trazer peixes. Esperamos que aquela garota dos nossos sonhos nos diga sim e esperamos que o pai dela não seja bravo.
Vivemos esperando que aconteça sempre o melhor porque a despeito de alguns querer coisas boas é a ordem natural da vida.
Dito isso, esperamos até a pouco que a justiça vencesse. Esperávamos não de um simples juíz, mas de um ministro que por motivos midiáticos protelou sua decisão por uma semana, que não acatasse os tais embargos infringentes que, grosso modo, reiniciaria todo o processo de coleta de dados, avaliações, discussões ad infinitum.
Constrangedora a decisão do senhor Celso de Mello, tido como o mais "douto" de todos os ministros do supremo tribunal. O mais antigo a atuar dentro daquela casa, o mais experiente.
A estátua da justiça, aquela da dama cega com a balança na mão que por sinal se chama Dice aqui no Brasil aparenta não ser apenas cega, mas surda também.
Clamamos para que este magistrado ouvisse a ância de um povo que simplesmente queria ver a justiça acontecer. Um povo que queria deixar de ver tanto ladrão de galinha na cadeia e sim os figurões políticos e corruptos.
Mas ele não ouviu. Toda a sua experiência o afastou daquilo que ele deveria defender: a justiça para o povo.
A derrocada da república começa assim. Ao som de aplausos. Não daqueles que deveriam e mereciam receber a justiça, mas sim daqueles que deveriam estar condenados e encarcerados.
Rumamos lenta e calmamente para a bolivarização de nossas instituições públicas. Que o senado já era vendido, não era novidade para ninguém, mas matar a esperança daqueles que esperavam justiça foi triste, vergonhoso e desumano.

sábado, 7 de setembro de 2013

Prenúncio de novos tempos


E o novo bate a nossa porta todos os dias. Vejo lutas com causas dignas e sem motivações algumas. Tempos atribulados de lágrimas e dúvidas, mas de esperança e confiança.
Olhares para o horizonte a tentar vislumbrar o melhor. O questionamento sobre o por quê de tudo isso corrobora a ideia de existência que por si só nada mais é que a pura e simples essência da filosofia.
Enxergo mudanças. Se boas ou ruins apenas os resultados dirão em um breve futuro, mas vejo o homem comum questionando este estado de letargia ruminante a que foi subjugado e aí sim vejo esperanças se renovarem e surgirem do caos.
A ordem natural das coisas sempre foi morrer para dar lugar ao novo. Novos tempos clamam por aparecer a luz da história e a presença de olhares espantados e ávidos pelo desconhecido. Que venham e que se provem válidos.

domingo, 28 de julho de 2013

A diferença entre obras públicas e obras privadas

É interessante quando nos damos conta do quanto o governo brasileiro é mau gestor de obras. Li a pouco na Folha de São Paulo duas matérias que exemplificam exatamente este problema: A construção do terminal 3 no aeroporto de Cumbica e as mães que dão a luz no Uruguai por falta de estrutura nas cidades de fronteira no Rio Grande do Sul.
Recentemente privatizado (em 2012) a GRU Airport pagou para gestionar o maior aeroporto do Brasil. Grande em tamanho e grande em problemas, o aeroporto opera atualmente sobrecarregado e isso ocorre a muito tempo. Me recordo, a época da privatização, o quanto os sindicatos e a INFRAERO foram contrários a esta concessão. Hoje vejo os benefícios práticos. A matéria do jornal foca apenas na expansão do aeroporto mas em um ano de gestão, a empresa privada já entregou um novo bloco de estacionamento muito moderno, que tem entre outras coisas, uma tecnologia simples mas útil de luzes que mostram onde há vagas livres, ou seja, nada de ficar andando nos corredores procurando um lugar para estacionar. Ao entrar no piso basta olhar para cima e ver onde tem vaga.
Vale lembrar que uma das metas estipuladas no edital de concessão é que a empresa que ganhasse entregaria o terminal 3 antes da copa do munto. Pelo que foi apurado, ele será entregue no prazo e com tecnologias de check-in, iluminação e logística inéditas no país. Tudo isso será entregue em dois anos. Quando a INFRAERO faria isso e ainda mais neste prazo? Nunca.
Deixar de fazer o que a população precisa parece ser a prerrogativa do governo. Se a locomoção é um problema sério a saúde é outro ainda mais grave. Em cidades fronteiriças no Rio Grande do Sul, mães dão a luz seus filhos no país vizinho, o Uruguai. O motivo é a falta de médicos e no caso de uma das cidades apontadas, a falta de maternidade. Se quiserem ter seus filhos nascidos em território brasileiro, as gestantes tem que ir para a maternidade mais próxima, distante setenta e cinco quilômetros dali.
Discute-se e muito o projeto mais médico que o governo federal quer implantar, mas de que adianta colocar um médico nesta cidadezinha se com ele não vier uma maternidade junto, com toda a sua infra estrutura e profissionais. Aliás, aqui está um ponto importante, sem enfermeiros os médicos não conseguirão tratar plenamente os pacientes. Estes profissionais serão importados também? De que adianta colocar um médico em condições quase que insalubres para trabalha. Voltaremos a época dos partos em casa? e no caso de alguma complicação, o que este médico fará sem a infra estrutura de uma maternidade? Medidas eleitoreiras desesperadas são identificadas desta forma. Pobre Brasil, tão rico e tão mal administrado.

* Imagem retirada do site do jornal Folha de São Paulo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mais médico e o império do Brasil



Li agora a pouco na Folha de São Paulo uma matéria sobre o rompimento da federação dos médicos com o governo. O motivo seria o tão falado Ato médico e principalmente o programa Mais médico que a grosso modo importará médicos de outros países para trabalharem em localidades distantes e com carência de profissionais da área da saúde.

Tenho uma opinião ambígua nesta questão. Sou contra a importação de médicos porque em se tratando de Brasil eles com certeza virão sem falar português, não terão tempo adequado para se adaptarem às práticas médicas brasileiras (existem procedimentos não adotados aqui no Brasil que são utilizados lá fora e vice e versa) e ainda não se sabe em quais condições tais profissionais virão trabalhar aqui (infra estrutura, salário, benefícios, etc).
Por outro lado, ainda que se trate de um remendo é fato que o povo precisa de saúde e precisa agora. A politicagem fez passar muito tempo e o povo não suporta mais esta espera. O fato é que algo deveria ser feito, só não escolheram a melhor solução.
Agora interessante foi a reação da federação dos médicos rompendo com o governo. Mais elitista que a casta dos médicos acredito que seja apenas a dos juízes. Me lembro de anos atrás quando a prefeitura de São Paulo inaugurou o hospital de Cidade Tiradentes. Nenhum médico quis trabalhar lá. O hospital teve sua inauguração protelada. Acho interessante os médicos querendo um plano de carreira igual ao dos juízes em uma época que tais benefícios para "classes especiais" estão sendo questionados nas ruas. O correto seria que tais mimos não existissem para qualquer classe que fosse.
Ao escolherem ser médicos, a priori, os indivíduos optaram por lidar com a dor. Entendo sim que um médico tem que ganhar muito, mas muito dinheiro porque estudam, porque se dedicam, porque dão o melhor de si (alguns), mas remuneração é diferente de um plano de carreira igual ao do judiciário ou do legislativo. Aliás, se já é vergonhoso o auxílio paletó que um deputado recebe o que se diria de um auxílio jaleco? Mais um agrado pago pelo dinheiro público.
Isso abriria precedente para os engenheiros, advogados, administradores, contadores, policiais, bombeiros, motoristas de ônibus, pedreiros e uma infinidade de profissionais pedirem um plano de carreira estilo judiciário.
Em termos acadêmicos é injusto comparar um médico a um pedreiro mas em termos de cidadania os dois são iguais e se o primeiro quer ter benefícios o segundo merece ter também.
Essa picuinha me faz lembrar do Brasil império é como se os médicos fossem os grandes barões querendo mais ouro e prestígio e dona Dilma fosse a imperatriz sem saber o que fazer com a plebe batendo aos portões de seu castelo.
No meu ponto de vista a solução para a saúde no Brasil está infelizmente no longo prazo. Não adianta o governo abrir uma universidade na zona leste de São Paulo, colocar o nome de USP e fornecer o curso de Ciências da natureza (apesar de ser necessário também) ao invés de um curso de medicina. Não adianta colocar uma universidade federal em Guarulhos oferecendo cursos diversos na área de humanas sem o curso de medicina. Antes que os esquerdistas de plantão digam que menosprezo os graduações citadas acima em detrimento do curso de medicina gostaria de dizer que sou formado em Letras e entendo da importância das ciências humanas. O fato é que se há deficiência na quantidade de médicos formados para atender a população, que se criem mais salas de aula de medicina. Que se isente de impostos as universidades pagas para que os cursos de medicina e os demais tenham seus preços reduzidos, afinal de contas se dá para isentar de impostos igreja que compra canal de televisão porque não as universidades que formam profissionais ao invés de religiosos fundamentalistas que dão até as cuecas nos cultos?
Porque não remunerar melhor o profissional médico que trabalha mais distante e em condições menos favoráveis? E por fim, por que abrir um monte de postos de saúde que não tem equipamentos suficientes nem infra para os profissionais de saúde trabalharem.
O problema do Brasil não é saúde, tampouco segurança, mas sim educação. Com ela, os outros dois problemas se não forem sanados ao menos serão reduzidos a níveis inexpressivos.
Não basta lordes brigarem com o sobreano por prestígio enquanto a população literalmente sofre na carne.

sábado, 4 de maio de 2013

Maioridade penal, degradação da sociedade e o estilo vidaloka de ser

Não é de hoje que a sociedade valoriza a discussão política apenas pela discussão em detrimento de ações reais e que de fato mudem a vida das pessoas. Observamos, meio que incrédulos, a banalização da cultura e a aceitação bovina por parte de todos. Estes todos que deveriam questionar e exigir mais do estado mas não o fazem, simplesmente aceitam. Discute-se sobre a maioridade penal, mas de que adianta tornar adulto indivíduos que não tem meios para melhorar como ser humano. 
Nos dias de hoje não é difícil encontrarmos  pessoas com 40 anos de idade ainda imaturas e passíveis de cometerem atrocidades, quem dirá um pseudo adulto de 16 anos? Entendo que colocar um indivíduo com esta idade atrás das grades sem dar a opção para ele melhorar é o mesmo que condenar toda uma sociedade. Tratamos os enjeitados como animais e depois reclamamos da reação deles para conosco. Reclamamos de sua animalidade e bestialidade quando cometem um crime.


Há de fato aqueles que gostam do estilo "vidaloka" de ser mas muitos são compelidos a ele. Advém daí a falta do estado. Pagamos muito e pagamos caro em todos os âmbitos por conta do desgoverno que temos neste país.

domingo, 24 de março de 2013

As mulheres abraçaram o machismo

Vi a alguns dias atrás um vídeo no facebook de uma menina com uns dez anos no máximo dançando funk. Ela rebolava, se requebrava e se contorcia com certa destreza assim por dizer. Tudo feito de maneira muito erotizada é claro.
Lamentável aquilo. Infelizmente existem pais, familiares e amigos por aí que acham bonito. Bonito ao ponto de expor a pobre menina, que ainda não sabe o que está fazendo.
Não sou moralista e muito menos efeminado, mas me causa certo constrangimento quando vejo uma garota dançando aquilo que chamam de funk.
Antigamente a mulher era instruída a se preservar. Seu corpo era seu maior patrimônio. Infelizmente, com esta questão dos tais direitos iguais, parece que muitas entenderam que tinham que se assemelhar a nós homens no que temos de pior.
Vejo mulheres quase nuas rebolando, colocando o dedinho na boca e se mostrando para os outros, como se isso fosse motivo de orgulho. E o que eu considero pior, gostando de fazer isso.
Ser "cachorrona" é status. Andar no meio da rua mostrando a bunda é status, usar maquiagem pesada como uma meretriz é status.
Um povo se torna melhor não quando os homens trabalham demais, mas sim quando suas mulheres se preservam e se instruem.
Começo a perceber que estou ficando velho quando penso em como estes adolescente e jovens adultos estão se destruindo sem perceber. Me sinto velho ao olhar para uma sociedade onde tudo é permitido.
O machismo finalmente venceu, e venceu por meio de uma pseudo música. Temos tudo o que sempre quisemos. Mulheres quase nuas, insinuantes e desejosas aos nossos pés. Mulheres que se sentem felizes e almejam mostrar seus atributos físicos assim



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Não se trata de ser consumidor e sim humano

Nos últimos dias a imprensa noticiou a lamentável morte do adolescente Kevin Spada por um sinalizador disparado pela torcida do Corinthians.
Como medida punitiva, se é que existe punição a altura da dor dos pais deste rapaz morto, a Conmebol proibiu a entrada da torcida do Corinthians no jogo de hoje a noite no Pacaembu.
Até aí, a sociedade criticou as torcidas organizadas. As torcidas adversárias fizeram chacota com a prisão de alguns torcedores na Bolívia, mas os sinais da perda de moral e de uma certa perda de humanidade começaram quando um outro adolescente, torcedor do Corinthians deu entrevista assumindo o disparo do sinalizador.
A aparente manobra de por a culpa no "dimenor", costumeiramente utilizada por criminosos aqui no Brasil está se provando no mínimo constrangedora se observarmos que não se trata de um evento caseiro e sim internacional. Tal atitude desta torcida organizada apareceu em jornais dos países vizinhos e como aqui, foi vista com desconfiança.
Lastimável tudo isso, mas a vida segue e o jogo ocorreria de qualquer forma sem a torcida do time brasileiro, contudo, eis que leio no jornal a notícia de que um grupo de seis torcedores do Corinthians, baseados no código do consumidor e no estatuto do torcedor, entraram na justiça e conseguiram uma liminar para assistir ao jogo.
É fato que tal manobra é tecnicamente legal, mas moralmente questionável. Não se trata de uma questão comercial. A instituição Conmebol ao proibir a torcida de assistir ao jogo não o fez no intuito de prejudicar ao time, uma vez que o jogo não foi cancelado e tampouco o time fora eliminado. Também não houve o intuito de prejudicar a transação comercial da compra do ingresso, uma vez que o dinheiro gasto seria devolvido. A medida teve sim como intuito mostrar em primeiro lugar respeito a uma vida que foi perdida e em segundo, disciplinar uma torcida que levou para o estádio um objeto com poder de causar dano letal como foi comprovado.
Costumo dizer que não entendo nada do direito, o que de fato é uma verdade, mas me questiono baseado em quê o juiz deu um parecer favorável a estas seis pessoas. O campeonato da Libertadores é um evento internacional que segue as regras instituídas pela organização Conmebol. Apesar de ser no Brasil, tal jogo segue as regras estipuladas e portanto, sansões aplicadas pelo organizador. Me causa estranheza o juiz ter aplicado o estatuto do torcedor, que a priori, regulamenta jogos de campeonatos nacionais. Me causa estranheza a aplicação do código do consumidor, uma vez que a devolução do dinheiro pago fora garantida.
Este fato serve de mote para refletirmos sobre o que é ser humano. Esta liminar, de certo modo, evidencia a perda da sensibilidade e de respeito pela vida e pela dor alheia. Apenas a relação comercial e a suposta paixão pelo time foram consideradas. Entendo que uma punição de nada adianta se não se entende o cerne desta. Estes seis torcedores não entenderam e possivelmente, por mais que se tente explicar, não entenderão que não se trata de ser consumidor e sim humano.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

E mais uma vez a politicagem venceu

Impressionante como os políticos trabalham duro ás vésperas de feriados. Esse esforço "pro labore" se intensifica ainda mais quando o alvo é melhorar seus benefícios ou ajudar a um "companheiro".

Não bastasse o fato do Genuíno ter tomado posse já condenado agora é vez de Renan Calheiros mostrar a que veio. Presidente do senado, este cidadão assumiu ao som de aplausos. A elite política brasileira parece cada vez mais distanciar-se da noção do que é certo ou errado.

Aplausos aquele que teve de renunciar para não perder o mandato. Aplausos para aquele que não se constrange de maneira alguma em candidatar-se ao maior cargo que um senador pode almejar.
O interessante é que a grande população, que vive nos currais eleitorais Brasil afora, não entenderam o que aconteceu. A preocupação com a cerveja e praia no carnaval inebriam seus sentidos e os tornam cegos e surdos para as coisas sérias ao seu redor.
Não há reclamações, passeatas e líderes. Não há mobilizações nem greves gerais, há apenas aplausos e a expectativa que o carnaval seja mágico. Povinho torpe e iludido.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Adoradores e perpetuadores da cultura doentia

Eventos catastróficos servem de motivo para analisarmos peculiaridades do comportamento humano. Recentemente ficamos alarmados com o incêndio na boate Kiss que lamentavelmente ceifou mais de duzentas vidas.
É algo triste demais. Se por um lado, ver a comoção das pessoas nos faz renovar nossa fé no ser humano, por outro, percebemos o quanto ainda nos falta para evoluirmos e nos tornarmos melhores.
Em tempos de "Jogos mortais", alguns ditos humanos, parecem não se preocupar em preservar familiares de uma dor ainda maior. Municiado de celulares, fotos e mais fotos desta tragédia foram tiradas e postadas no Facebook. Muitas fotos, morbidamente, foram editadas e possuíam dizeres como: "pêsames", "o Brasil está de luto", "estamos com vocês familiares" e por aí vai.
Como pode uma mente doentia pensar que colocando uma mensagem bonitinha nas fotos de entes queridos amontoados e mortos é sinal de solidarização com os parentes e amigos?
Nossa sociedade caminha para uma cultura de bizarrices sem fim. As pessoas não só se acostumaram com o bizarro como passaram a se interessar por isso e a gerar conteúdo neste sentido. O referido Facebook está impossível esta semana.
Mas esta peculiaridade não se restringe apenas a alguns. A mídia como um todo percebeu o que o povo quer e não se fizeram de rogados. As coberturas pseudo jornalisticas e focadas em altos índices de audiência, apenas atentavam aos momentos de dor. O importante é focar a câmera na lágrima que escorre do rosto da mãe. O povo quer isso.
Lamentável um povo com uma cultura assim e lamentável saber que o governo é um reflexo desta sociedade. Li ontem em um jornal que a prefeitura da cidade paulista de Americana interditou todas as boates da cidade. O título sensacionalista dava a entender que a prefeitura estava trabalhando preocupada com o bem estar dos munícipes. Balela. O fato é que tal interdição para fiscalização surgiu em decorrência da desgraça que aconteceu em Santa Maria. É vergonhoso. Pior é que em seis meses, todos esquecerão e não haverão mais interdições e vistorias. |Tudo voltará aquele estado natural de inércia e ineficiência.
Não sei o que pensar mais sobre estes brasileiros adoradores e perpetuadores da cultura doentia. Sinto cada vez mais que estamos caminhando para nossa destruição.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A carrasca da felicidade

As pessoas transformaram a felicidade em uma meta a ser alcançada. Aquilo que deveria ser algo natural, um estado de espírito tornou-se um verdadeiro gerador de depressão.
Você tem que sorrir porque isso é sinal de felicidade, você tem que estudar, para poder conseguir um trabalho melhor, para comprar uma casa bonita porque a felicidade do homem tem que ser prover o melhor para sua família. Você tem que exceder o tempo todo para aos olhos dos outros parecer feliz e mecanicamente acabamos por fazer isso mesmo.
Estabeleceu-se uma relação tão forte de felicidade com o consumo que até o ditado foi mudado. Hoje, o dinheiro manda buscar felicidade. Ironicamente, os abastados são os que mais costumam cometer suicídio, talvez porque tenham tudo, mas este tudo, que aparentemente poderiam fazê- los felizes não era o caminho correto.
Neste nosso admirável mundo novo perdeu-se o real significado do que é ser feliz. Nos tornamos uma sociedade em estado de depressão constante porque buscamos algo que tornou-se quase inalcançável.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Presepada genuinamente brasileira

A sociedade brasileira deveria ser alvo de estudo de antropologistas e psiquiatras ao mesmo tempo. Digo isso porque vejo atitudes distintas em um povo que realmente não consigo explicar.
Tentarei traçar um paralelo entre os argumentos que me vieram a cabeça de modo que possa fazer uma analogia a algo que só acontece aqui.
Se um sujeito tem tatuagem, a sociedade o critica e o repele: Olha lá o cadeieiro! Empresas avaliam sua capacidade de realizar trabalhos? De jeito nenhum. Ele é tatuado. E o que dizer do ex presidiário que cumpriu toda a pena? Contratá-lo? De jeito nenhum. Não quero bandido trabalhando comigo.
Com um senso de moral tão focado em "prever e evitar problemas", me espanta o fato de uma pessoa condenada poder assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados e não haver nenhuma movimentação para retirá-lo de lá.
O que chama mais a atenção não é o fato que eu, você e tantos outros pagarão o salário e verbas de gabinete ad infinitum deste cidadão, mas sim o fato de uma instituição governamental permitir a posse de uma pessoa condenada por corrupção ao cargo de legislador. A uma discrepância aqui. Aquele condenado por infringir a lei passará a elabora-la ou modificá-la, se assim ele achar que deve. Me pergunto, como isso é possível?
Não entendo nada da área do direito, mas até onde acompanhei e pude entender, este cidadão em questão foi condenado e teve estipulada até a quantidade de anos que ele deverá ficar detido. Como pode então ser dado o direito a ele de exercer a função de deputado?
Em Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda desconstrói a sociedade brasileira até a época da colônia. Sua tese, grosso modo, diz que somos em suma uma sociedade patriarcal. Um certo partido da estrela provou que na verdade somos uma sociedade dos "cumpanheinheiros" e que como em um jogo de futebol o que importa é quem está ganhando e neste caso não é a totalidade do povo mas sim aqueles que tem a posse da bola.
Não sei o que pensar. Me sinto de certo modo constrangido. Houve um estardalhaço com o julgamento do "mensalão", mas no final das contas Sérgio Buarque estava certo. Torcemos por quem está perdendo ainda que ele mereça perder mesmo.

sábado, 22 de dezembro de 2012

O espírito de Natal...ou não...

Até algum tempo atrás não costumava enviar mensagens de Feliz Natal a quase ninguém. Ponderava, pensava nos fatos ocorridos no ano e inevitavelmente me lembrava das raivas passadas, das frustrações e mágoas. De pessoas que mal falavam comigo e que nesta época se abriam em sorrisos para mim.
Sempre passava pela minha cabeça: Quanta falsidade. Foi aí então que passei a refletir sobre o espírito de Natal e o que de fato ele significa e concluí que esta data tão especial serve para que possamos reiniciar uma fase nova em nossa vida. Conclui que esta sensação de fraternidade deve existir todos os dias e não apenas em um único feriado. Portanto, desejo sim um Feliz Natal a todos e que indiferente do seu credo ou religião, que cada dia de 2013 seja um motivo para reconciliação, amizade e realizações. Que Deus derrame um pouquinho do seu amor sobre nós e nos torne pessoas sempre melhores.






* Imagem retirada do excelente blog Enquanto não sou rica

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O crescimento e a dor


Infelizmente não se pode acertar sempre e quando se comete um erro lamentavelmente ferimos aqueles que de maneira alguma mereciam.
Viver é um ato de escolhas. Escolhas estas que nos forma, que nos forja e nos lapida. Ironicamente não há como se tornar um ser humano melhor sem que se sofra e sem que se faça sofrer...