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domingo, 18 de maio de 2025

Um outro 14 de Maio...

Há muito não escrevo aqui. Um pouco de falta de tempo, um pouco de preguiça e um pouco de esquecimento me afastaram de algo que eu sempre gostei de fazer: escrever.

Nunca fui um bom escritor, mas sempre tive e por vezes tenho a facilidade de encontrar as palavras corretas. Seria um dom? Seria sorte? Talvez um pouco dos dois.

Por falar em sorte, e aqui relacionando-a com benção, no último catorze de Maio fiz quarenta e cinco anos. Tenho sorte por estar bem. Relativamente saudável e estável. Sou abençoado por estar vivo, me sentir respeitado e querido por amigos e principalmente ser amado por uma mulher tão excepcional como a Regina.

Sou grato a Deus por tudo que tenho e por tudo que pude fazer em minha vida a despeito de minhas muitas falhas e muitos erros cometidos nesse processo contínuo de amadurecimento.

Mudei bastante ao longo dos anos. Essa mudança se reflete num estado que eu chamo de calma inquietante. Calma porque tenho paz e serenidade para avaliar a vida com um olhar mais contemplativo e inquietante porque me tornei mais incomodado com determinadas coisa ao meu redor. Estranho não? Acho que a soma dos dois seria melhor traduzida como indiferença, mas pode ser também traduzida como conformação por entender que não posso mudar as coisas erradas do mundo. Posso apenas mudar as coisas erradas que existem em mim.

Sei que já fui muito empático, mas empatia demais atraiu aproveitadores. Sei que já fui muito paciente, mas paciência demais atraiu exploradores. Sei que já fui muito amoroso, mas amor demais atraiu paixões avassaladoras, destrutivas e passageiras. Sei também que já fui inocente demais e por isso sofri muito e demorei para entender que a vida é dura e que ela não liga muito para o que sentimos.

Enfim, calejado demais cresci. Evoluí para alguém indiferente, mas ainda assim, e curiosamente, preocupado. Preocupado ainda com o futuro, com sonhos mais concretos e com pequenas realizações. Coisas com o pé no chão.

Quarenta e cinco anos se passaram e me sinto mais forte e mais preparado para a vida do que me sentia aos vinte, época em que tudo parecia tão mais intenso e verdadeiro. 

Saí finalmente do verão e entrei no outono da minha vida, mas não me preocupo. Sempre gostei do frio e das folhas amareladas nas árvores brilhando sob a luz amarela de um sol fraco.

O fato é que em todos os momentos da vida, por mais difíceis que sejam, sempre haverá alguma beleza para ser apreciada, experimentada e vivida. Que venham no mínimo mais quarenta e cinco anos. Não acharia ruim não.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O homem deve ou não pagar a conta?

O mundo é feito de polêmicas. Essa talvez seja uma das grandes verdades da vida. Recentemente li uma reportagem sobre um ator famoso que afirmou sempre dividir a conta com a mulher com quem ele estiver no momento.

Achei curiosa a celeuma que se deu em cima desta declaração. Algumas pessoas defendiam, outras atacavam a opinião deste ator. O fato aqui é que tamanha discussão não levou a lugar algum. As pessoas são livres para pensarem e agirem como bem entenderem, correto?

Bom, a coisa aparentemente não é tão bem correta assim. A forma como nós pensamos é moldada por uma serie de fatores. Todos eles externos e que vão desde a educação que recebemos, bem como todas as interações humanas que tivemos com os outros, passando pelo ambiente e pelo período em que vivemos.

Dito isso, a declaração do ator, na minha opinião, nada mais é do que o retrato dos tempos modernos em que vivemos.

Sobre minha opinião? Digamos que não discordo dele, mas devo admitir que em toda minha vida tomei decisões diametralmente divergentes a dele.

Para instigarmos esta discussão gostaria de começar com uma pergunta bem simples mas que pode vir a ter uma difícil resposta: 

O que é ser homem?

Homem Raiz

O conceito de homem foi estático durante muito tempo, mas atualmente tornou-se flexível, maleável, algo menos, com o perdão do trocadilho, "rígido". Este talvez seja o motivo pelo qual encontramos hoje em dia, garotos de quarenta anos de idade que querem curtir apenas sem se envolverem com nada, com relacionamentos superficiais, ligeiros e sem intensidade. Vendo por esta ótica, de fato não faz sentido pagar a totalidade da conta. Melhor rachar.

Contudo, e voltando a questão do que é ser homem, me parece que a melhor maneira de se responder a esta pergunta não é observarmos o comportamento destes novos - ou as vezes nem tanto - garotos, mas sim o comportamento dos considerados velhos machos e principalmente o que as mulheres em geral esperam de um homem.

Muitos talvez estejam pensando neste momento: "Olha aí mais um homem feministo!". O que posso dizer é que estou longe destes neologismos e radicalismos, contudo, acredito que como seres sociais nos moldamos através de conceitos e relacionamentos.

Entendo que é senso comum que uma mulher queira um homem viril e que a deixe sem fôlego, mas este comportamento ela provavelmente espera dentro de quatro paredes. Fora do quarto ela com toda certeza quer se sentir protegida por este homem. Ela quer sentir que dentre os bilhões de mulheres que existem na face da terra aquele homem escolheu cuidar dela e tão somente dela.

Este desejo feminino sempre foi ao encontro de como a sociedade, de uma forma geral, ditou a maneira como um homem deveria ser. O homem deveria ser o provedor da família. Ele deveria ser o protetor. Aquele que resolve os problemas. É exatamente por isso que a ele era atribuído o título de chefe da família. Os entes sentiam-se seguros em saber que sempre haveria alguém para solucionar o não solucionável.

Eu vim desta velha escola. Apesar de não ser de dar flores, sempre paguei a conta. Era algo que de certa forma trazia para mim uma carga de masculinidade, de proteção, de cuidado, e de educação.

Homem Moderno

Na minha concepção, ser homem é ser cordial, polido e cavalheiro, ainda que o encontro não tenha sido lá essas coisas. Ainda que a mulher não tenha proporcionado momentos sublimes e intensos, ou ainda que a conversa e a companhia daquela mulher não tenha sido simplesmente boa. Ser homem, por todas estas coisas é ser o melhor macho, não apenas no sentido sexual da coisa mas em muitos sentidos diversos.

Atualmente - e aqui percebo que estou ficando velho - ocorre um descolamento entre o sexual e prazeroso e as demais qualidades masculinas. A satisfação momentânea e por diversas e diversas vezes - e se possível com diversas e diversas mulheres - dita o que é ser homem. Neste sentido reafirmo aqui. Melhor dividir a conta mesmo.

A luz no fim do túnel é saber que a vida cursa em ciclos e eque estamos vivendo mais um. Longe das discussões acaloradas tudo vai seguindo. Quem sabe num futuro a briga seja para que a mulher pague toda a conta... Vamos tocando o barco. 


terça-feira, 4 de agosto de 2020

Sobre profissionais, sobre amadores e sobre aproveitadores



A um pouco mais de dois anos minha vida mudou um bocado. Comprei um apartamento e passei a morar sozinho. Queria estar mais perto do trabalho e mudar um pouco a vida que estava assim meio mais ou menos, apesar disso não ser algo necessariamente ruim.
O fato é que o ato de querer ter e manter um lar vem se mostrando um caminho tortuoso e espinhoso ao menos para mim, não pela escolha que fiz em si, mas pelas pessoas que dependemos para realizar esse querer.
Tais pessoas classifico em três tipos: os profissionais, que são poucos e raros, os amadores e os aproveitadores.
A história toda começa pela pesquisa para a compra do apartamento. Existem corretores que só conversam pelo whatsapp com você. Existem corretores que tem um texto pronto referente ao imóvel. Existem corretores que se você não tiver o dinheiro da entrada, ainda que tenha um fundo de garantia considerável (meu caso) simplesmente encerram a negociação ali mesmo.
De todos os corretores que conversei, e foram muitos, apenas um de fato conhecia o imóvel que estava vendendo e sentou comigo para explicar taxas, documentos e formas de financiamento. Uma pena não ter gostado do imóvel. Hoje sei que teria sido melhor atendido por ele do que fui pelo corretor com quem fechei o negócio. Este último me apresentou o imóvel que moro hoje. Foi amor a primeira vista. Gostei do acabamento e do lugar, mas queria o andar mais alto. O corretor havia me dito que já estavam todos vendidos. Resolvi fechar o negócio e pedi para ele me avisar acaso alguém desistisse do apartamento mais alto. As obras estavam aceleradas e o prédio seria entregue em cinco meses. Ligava constantemente peguntando se havia surgido uma oportunidade de eu mudar minha compra mas a resposta era sempre a mesma. Não.
Eis que chegou o dia de assinar a papelada do financiamento e receber as chaves. fui avisado com uma semana de antecedência. Resolvi tentar mais uma vez mas a resposta foi outra negativa. Assinei o contrato. Estava feliz com a aquisição até o momento que o construtor me informou que tinhas quatro unidades nos andares superiores a venda ainda. Em resumo, por preguiça ou sabe-se lá o por quê o corretor não correu atrás para fazer uma venda melhor para mim.
Resolvi então mobiliar. Queria tudo planejado. Encontrei uma marcenaria perto de casa. Os materiais que eles usavam pareciam ter uma boa qualidade e o preço era bom. Fiz o projeto e para mim estava tudo perfeito, porém, a marcenaria tinha pego serviço demais. A montagem dos meus móveis atrasou. Discuti várias vezes com o dono da marcenaria que sempre dava novos prazos e não os cumpria. Ele resolveu então contratar marceneiros freelancers. A equipe que veio fazer a montagem chegou com as madeiras todas cortadas nas medidas do projeto, contudo, o projeto havia sido feito todo errado. A cozinha estava errada, o quarto de casal estava errado e o rack da sala também estava errado. O pessoal que veio montar conseguiu fazer ajustes no quarto e na sala, mas na cozinha não teve jeito. Fui brigar de novo com o dono da marcenaria, que foi brigar com o projetista que descobri se recém contratado e que na verdade sequer projetista era. Tratava-se de um ajudante de marceneiro que ganhou um notebook com o software de projeto do trabalho anterior e fuçando aprendeu a desenhar um pouco. Foi o bastante para se vender como projetista no mercado de trabalho. Moral da história, os móveis demoraram demais para ficarem prontos e eu passei muita raiva.
A pedra da pia foi encomendada em uma marmoraria indicada pelo suposto projetista da marcenaria. O instalador da pedra veio com um ajudante. Ambos de bermuda e chinelo nos pés. Sei que um livro não se deve julgar pela capa, mas aqueles dois se mostraram ser a exceção da regra. A pedra da pia foi instalada mas eu pedi para não instalarem o rodapé porque o senhor que viria instalar a tubulação de gás do cooktop e do forno usaria a parte de baixo dos móveis. Assim que ele instalasse, agendaria um novo dia para virem instalar o rodapé. O instalador começou a reclamar que ganhava pouco e que se fosse para vir em outra data eu teria que pagar a parte para ele. Tive que ligar para o dono da marmoraria para resolver esse assunto. A instalação ocorreu como eu pedi em outra data. Até hoje não entendi o que esse instalador quis com esse assunto de pedir dinheiro para retornar. Eu não o contratei, eu contratei a empresa para a qual ele trabalhava.
Comprei as torneiras da pia da cozinha e do banheiro bem como os sifões e metais do banheiro. Minha vizinha do apartamento da frente indicou um encanador. Liguei para ele e pedi para vir instalar. Ele não me passou preço porque disse que precisaria avaliar no local o serviço que teria que ser feito.
Ele chegou de bicicleta. De novo, repito que um livro não deve ser julgado pela capa, mas mais uma vez consegui encontrar uma exceção a regra. Ele olhou os materiais e de pronto disse: "seiscentos reais". O encanador argumentou que seiscentos reais era o seu dia de trabalho. Achei um absurdo aquilo. Disse que achei muito caro e que procuraria outro. Ele então fez uma contraproposta no valor de quinhentos reais. Achei um absurdo de novo, peguei a calculadora do celular e fiz uma conta básica. Seiscentos reais vezes vinte e dois dias trabalhados em um mês daria um salário de treze mil e duzentos reais. Eu com duas graduações na universidade e trabalhando em uma multinacional não ganhava nem metade disso. Com um salário desses era para ele vir instalar torneiras de Ferrari e não de bicicleta. O encanador aparentemente entendeu o absurdo do preço que ele pediu e instalou tudo por cento e vinte reais. Não sei em que mundo ele estava ao pedir esse valor.
Recentemente, pedi para instalar internet aqui em casa. A operadora enviou três equipes para tentar passar o cabo mas não conseguiram, os conduítes estavam entupidos. Estou a mais de vinte dias aguardando o técnico que a construtora vai mandar e até agora nada. Ligo, cobro, passo mensagem e simplesmente não vem ninguém aqui. Nesse ínterim, resolvi ligar para uma outra construtora que faz reformas. De repente mandavam alguém aqui mais rápido. Pegaria a nota fiscal e faria a construtora daqui me ressarcir. Agendei a visita de um engenheiro para hoje a tarde, mas como azar para mim é besteira, esse engenheiro não veio e não ligou para dizer o motivo.
Para finalizar esse breve relato, vi que há uma outra marcenaria ainda mais perto da minha casa. Como estou trabalhando de casa e uso a mesa da cozinha como escritório, resolvi fazer no quarto de solteiro uma mesa para computador. Fui nesta marcenaria. O atendimento foi bom. O dono anotou meu contato e informou que mandaria mensagem para agendar a visita e medição do local para o projeto da mesa. Faz cinco dias isso e até agora nenhum contato.
Pelo relato parece que sou azarado ou que não sei escolher profissionais para fazer serviços para mim, mas não se trata de nem uma, nem outra coisa. Trata-se de pessoas que inventam de serem empreendedoras sem terem compromisso nenhum com cliente, com qualidade, com prazo ou com expectativa. São no melhor dos casos amadores e no pior aproveitadores. O mais triste é que os bons profissionais são minoria. Trabalhar com prazo, ter satisfação com o que se faz, zelar pelo próprio nome da sua empresa ou ter funcionários que zelam por ele é cada vez mais raro. Minha experiência nesses últimos dois anos vem me mostrando o quanto o jeitinho brasileiro estragou a sociedade como um todo. O reflexo está aí, maus profissionais descomprometidos, enganadores, oportunistas e sem respeito. Aqui é a selva onde o cliente não tem razão. Somente paga e passa raiva. 


sexta-feira, 24 de maio de 2019

Mais um 14, mais um maio...


E o mês de maio vai assim passando. Lento, frio e chuvoso. As coisas de maio são assim. Lentas, porém contemplativas. Frias como quem se convida para um carinho quente e chuvosas como aquele período reflexivo necessário a alma.
Para os astrólogos é o mês de touro e de gêmeos. Dizem que touro pertence ao elemento terra. Deve ser verdade. Sempre gostei do cheiro de terra molhada e das coisas belas e cultas, do material e do tangível, da segurança e do conforto, mas quem não gosta de tudo isso não é?
Maio se vai mais uma vez. Para mim pela trigésima nona. Vejo agora um novo ciclo se iniciar lento, frio e chuvoso mas também esperançoso. 
O ano é constituído de um conjunto de doze meses como aprendemos desde de criança, mas maio é aquela parte deste duodécimo que teima em existir e se destacar na diversidade álgida da simplicidade.
E nesta morosidade gélida e pluvial vou seguindo com meu barco.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Já faz um ano

Dia 5 passado fez um ano que escrevi algo por aqui. Um bom tempo eu diria, mas não significa que a vida parou. Talvez seja o caso de falta de inspiração mas com toda a certeza não é o caso de falta de coisas para fazer.
Neste intervalo de um ano muitas mudanças ocorreram. Passei a morar sozinho o que inevitavelmente me levou a ter que cozinhar minha própria comida. Parece cômico e aqueles que me conhecem sabe a negação que eu era na cozinha.
O fato é que após um ano vejo um saldo positivo de mudanças. Protelei demais e hoje tento recuperar o tempo com novas experiências diárias, mas todas enriquecedoras.
Nova vida, novos ares e um melhor ânimo. Tenho me percebido mais solto e comunicativo. Acredito que aqui o pouco mais de idade tenha me permitido olhar as coisas ao meu redor de uma maneira mais suave.
Por fim, continuo acreditando sem ressalvas que mudar ainda é a única certeza imutável e que o novo abre se apresenta em diversas oportunidades. Tudo é uma questão de observar e agarrar aquela que melhor se apresenta.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Insomnia Est



Descalço sinto o chão gelado sob meus pés.
Por entre cômodos vazios percorro minha procissão.
Absorto e envolto em pensamento...
Perco as horas em minha rotina perene.

A madrugada é companheira silenciosa.
Como quem já cansou de ouvir lamúrias.
Está ela lá, altiva, mas jamais ingerente...
Onipresente ela apenas vê e mais nada...

As noites por vezes parecem sem fim.
E sem fim são os anseios.
Sem fim são minhas considerações.
Que se derramam por sobre meu pesar.

É estar acordado e ainda sim entorpecido.
É a letargia de viver mais horas que um normal.
É desejar o que se parece inalcançável.
É querer dormir e simplesmente não conseguir...




terça-feira, 2 de maio de 2017

Quando um homem tem um probleminha


Acho que todo garoto em algum momento na vida quis crescer logo. Acredito que todo menino um dia se perguntou como seria ter barba ou como seria falar grosso igual seu pai ou seu avô. Muitos jovenzinhos sonharam estar dirigindo um carro e para aqueles um pouco mais crescidos, ter uma namorada.
O fato é que todo garoto, sem exceção é ansioso. Ansioso por se tornar um homem, afinal de contas o que há de melhor na vida? Poder conquistar tudo. Poder viver a vida. Ser alguém que faz a diferença.
Na maioria das brincadeira, os meninos são soldados, astronautas, atletas e por aí vai. São estimulados a superar limites. E assim vão passando os dias de uma rápida infância.
Eis que então, e finalmente ,chega a vida adulta e como jovem adulto, barba falhada, voz de taquara o mundo se apresenta em toda a sua glória e por vezes decepção.
Não ha mais brincadeiras. Há trabalho. Não há mais tempo livre. Há necessidade de estudar ainda mais. Não há mais férias no meio e no final do ano. Não mais. Mas existem as contas a serem pagas. As cobranças dos outros e até daquela namorada que se queria muito ter.
Não inventaram um manual de como se tornar um homem, mas ali está ele, ansioso, cheio de sonhos mas amarrado pelos pés e pelas mãos.
Ser homem não é fácil. Ninguém nunca disse que seria, mas ninguém nunca definiu direito o que é ser de fato um homem. 
Alguns dizem que homem não chora. Outros que o homem deve honrar suas calças. Alguns dizem também que o homem não deve levar desaforo para casa. Muitos pensam que ser homem é beber até cair ou pegar todas.
O mito criado ao redor do ato de ser homem por vezes confunde aquele garoto que só queria crescer. Tudo isso é ser homem? A resposta é sim... e não ao mesmo tempo. Você não pode chorar e por isso guarda dentro de si aquele sentimento por vezes ruim. Você tem que horar suas calças apesar de não serem sagradas. Este adereço místico do vestuário masculino ganhou um empoderamento tão grande que praticamente define a masculinidade de um ser mesmo sendo apenas um pedaço de tecido com algumas costuras que inclusive as mulheres usam também. O homem jamais deve levar desaforo para casa ainda que isso te custe a dignidade, uns dentes, hematomas e até mesmo a vida. Evoluímos de um estado tribal para uma sociedade avançada tecnologicamente mas o instinto animal de se resolver as coisas deve prevalecer e assim o prevalece quando para mostrarmos aos outros o quanto somos machos, bebemos até cair ou pegamos todas em qualquer lugar e a qualquer momento sem nos importarmos se aquela mulher é um ser humano ou um pedaço de carne a ser possuído.
Com tudo isso não é de se estranhar que a depressão é um dos males modernos e que talvez afete em uma intensidade maior homens do que mulheres, mas elas podem admitir que têm um problema e até chorar. Eles serão frouxos se assim o fizer. Os mais corajosos dizem que tem um probleminha, mas as vezes nem sabem como descrever o que sentem porque ser homem é também não entender direito sentimentos e sensações. É querer ser forte como uma rocha sempre, pouco se importando com a água que bate.

quinta-feira, 9 de março de 2017

E não viveram felizes para sempre



O amor tem dessas coisas...
Precisa ser sentido, precisa ser vivido...
Mas acima de tudo precisa ser confiado.
O amor desconfiado é um meio amor.
É um viver sem calor.
Uma lamentação sem fim,
É estar perturbado pela pior das dúvidas...
E se?

São noites de sono mal dormidas
Embrulhos no estômago
É querer estar dentro do outro
A vasculhar...
A querer encontrar aquele detalhe...
Por vezes avassalador
Devastador, usurpador...
É o torpor de toda uma dor...
Pujante, gritante e mesmo irritante.
Pois é. O amor não é tudo, mas...
A confiança assim o é.

Carente de fé,
Os ânimos se desanimam,
Os dentes se mostram, não num sorriso
E sim no ranger eufórico
Lascas de sentimentos se chocam...
E faíscas por vezes se faz ver
Sim. É ofensa, lambança
Falta de razão...
É um final infeliz...

terça-feira, 7 de março de 2017

Os anjos também caem



Ele era jovem. Devia ter o quê? Uns quinze? Talvez dezesseis anos. E ele sonhava. Era um ingenuo num mundo de espertos.
Sonhava sim. Com grandes feitos. Com uma vida melhor. Ele sabia que era capaz. Capaz de tudo. Capaz de transformar o mundo, mas ainda assim era um. Tão somente um.
Tinha boas intenções e um coração bom, mas ainda assim riam dele. Era sempre a aparência, o jeito tímido de não saber lidar com as brincadeiras de mal gosto. A dificuldade em saber lidar com um lugar novo e hostil.
Ele via as pessoas curtindo. Eram shows, viagens, paqueras. Tudo muito próximo dele mas ainda assim distante. Era um lugar impossível de entrar. Ser descolado para ele era complicado. Ser popular, algo inimaginável.
Sofria calado. Era motivo de chacota sempre. A noite na cama chorava em silêncio para que os pais e os irmãos não ouvissem. Em momentos assim, perguntava a Deus por que era tão diferente? E por que sofria tanto? Mas as respostas nunca vinham. O que vinha era um novo dia. Não um dia cheio de possibilidades mas um novo dia cheio de mais tristezas.
Era um rapaz simples. Sonhador, mas que de tristeza em tristeza, de trotes em trotes, de chacotas em chacotas passou a se tornar uma pessoa rancorosa, vingativa. Aquele mundo não o queria, ele também não o quereria mais.
Cresceu. Tornou-se um jovem homem. Passou a ter certa liberdade, contudo, os longos anos de tristezas e decepções haviam deixado suas marcas. A imaginação fértil se voltou para a mentira. Mentia para tudo e para todos. Fantasiava situações e em instantes havia uma história perfeita para corroborar viagens nunca feitas, amores nunca vividos, sensações nunca vividas.
O mundo era assim para ele. Tudo havia se tornado falso e para fazer parte daquilo ele tinha que ser o senhor da falsidade.
Ele de fato cresceu. Tudo que ele havia aprendido era desrespeito e o que ele retribuiu foi mais desrespeito ainda. Arranjava namoradas para logo em seguida as trair sem remorso algum. Uma pessoa outrora amorosa agora não passava de alguém para quem um sentimento pouco significado tinha. O mundo era assim e ele era o mundo agora.
Os anos se passaram e a vida desregrada cobrou seu preço. Lá estava ele. Vazio. Nem sequer lembrava de longe aquele garoto tão bom. Sozinho, viu todos ao seu redor prosperarem, mas ele continuou ali. Remoendo recordações ruins e culpando os outros pelo mal que fez a si e aos outros.
Criamos monstros o tempo todo. As vezes sem querer mas as vezes por diversão. Para não perder a piada. Fazemos anjos caírem com nossos atos errados e sequer damos conta.
Negamos a responsabilidade que temos e seguimos em frente. Até quando?

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ela sempre prevalecerá




Não há mentira que se sustente para sempre. Nunca haverá. Poderão passar anos, eras, mas um dia a verdade surgirá ainda que não para se fazer justiça, mas para se acalmar os ecos dos corações atormentados.
Algumas pessoas mentem bem. Elas realmente são boas nisso, mas sustentar uma mentira por anos a fio dispende grande esforço. Umas se cercam de cuidados e se tornam paranoicas. Passam a acreditar em suas invenções. Outras relaxam. Esquecem e deixam a vida fluir. O castigo da primeira é a loucura, o da segunda, ser exposta. Mas ambos em algum momento estarão nus. Despidos da segurança da história perfeita.
O silêncio é o predecessor da vergonha de ter sido apanhado e a vontade de reconciliar é o golpe baixo destes astutos.
Da mesma forma que existe a mentira e a verdade, o enganador e o enganado, existe o coração mole e o coração duro. Um sofre, perdoa e esquece, já o outro sofre, mas, não perdoa, não esquece e se vinga. Existem aqueles que abraçam a compaixão e outros que veem no ódio um anjo de braços abertos. Jamais se pode julgar ou entender a reação de alguém que foi enganado. Tão pessoal quanto o amor é a ira. Tão intenso quanto a criação é a destruição. São irmãos amarrados pelos pulso, digladiando entre si.
Mas indiferente do desfecho, o fato é que a verdade pode tardar, mas sempre prevalecerá. Ela se imporá ante as trevas da ignorância e da enganação. Ela será a luz para a salvação ou o fogo da danação.


sábado, 17 de setembro de 2016

Abraçar a eternidade...



Hoje eu morri... e renasci
Para depois me atormentar
Sem nexo, sem sentido
Sem gosto, sem gostar...

Cresci. Pouco, mas cresci
Longe dos olhares,
Mas ainda assim preocupado...
Com os olhos

No tempo me perdi...
Como quem perde vida
Como quem perde tudo
Vi perante meus olhos
O bater de asas de um sonho...

Triste e sozinho...
Abracei o amargor
Abracei a eternidade...
Do que poderia ter sido, 
Mas não foi...

Brilhante em outros sóis se foi
Escuro em uma penumbra ficou
Não mais existo e não mais existirá
Não este raio de sol...
Não este momento...

Nunca mais...



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Mas ainda assim o amor acontece...


Passava das 18 horas quando ela chegou em casa. Cansada. O dia de trabalho havia sido corrido e o motorista do ônibus pouco se importava se ela queria ou não um banho quente. Aliás, o trânsito daquela segunda feira beirava o caos e também pouco se importava com ela.
Aliviada por abrir a porta de seu apartamento lembrou-se que não recordava se havia tirado o ferro de passar roupas da tomada pela manhã.
Como diz o ditado, cansaço pouco é besteira. E lá se foi ela chutando a mesinha da sala num correr desajeitado rumo a mesa de passar roupa. Um respiro aliviado seguiu-se ao pequeno trote. Mil pensamentos na cabeça: - "Pronto, lá ia eu aparecer no noticiário. A mulher do apê queimado". Sorriu com o pensamento maldoso enquanto amarrava seus cabelos num coque com um lápis que encontrou na cozinha.
Curioso saber que nos dias de hoje as pessoas ainda usam lápis para escrever. Parece cafona, da mesma forma que o elefante com as costas virada para a porta de entrada ou o tapetinho escrito "entre sorrindo", mas era inegável o charme que somado a tantos outros objetos cafonas aquele apartamento tinha.
De coque em riste, lá foi ela pôr roupa na máquina de lavar e comida no microondas para esquentar. A novela passava na tv mas pouca atenção ela conseguia dar. Perdera alguns capítulos e não estava mais a par da história. 
Eis que em um destes lapsos de tempo que temos quando paramos para focar em algo ela se depara com a cena do mocinho abraçando com ternura a mocinha. Pensou ela: - "Bem que eu podia ter um namorado pra me abraçar assim". Mas como um mantra que se invoca em momento de profunda desgraça ela balbucia: - "Homem nenhum presta".
O celular vibra fazendo ela despertar do transe de satã em que se encontrava. Era a amiga solteirona como ela. Ansiosa como criança em crise de asma a amiga mal podia se conter de felicidade. Havia descolado um broto. Tipo assim, não era um namorado mas um ficante estável.
Ela houvia a amiga falando toda feliz e pensava: "Esse negócio de namorado esta me perseguindo".
Feliz a amiga desliga e incomodada ela engole a comida. De súbito levanta e resolve dar uma volta. O de sempre, shopping. No caminho, era casal no ônibus, casal no estacionamento, casal na fila de cinema. Sim o universo conspirava contra o bom humor dela.
Sentada, com mais da metade de um milk shake tomado e se sentindo dez quilos mais gorda lembrou-se do Ricardão. Não aquele das histórias mas um ex namorado seu, meio sacana, meio sem vergonha mas que havia apresentado aquele milk shake que a fazia engordar.
Pensou em ligar, mas demoveu-se da idéia. Antes só do que mal acompanhada e o Ricardão já tinha dado o que tinha que dar. Pensou: "Deus, é o fundo do posso ligar para o Ricardão".
Triste, gorda, sozinha, desamparada e sem amor lá se foi ela para casa quando de repente vê um casal brigando na frente do prédio. Maldade se deliciar com a desgraça dos outros mas ela meio que se sentia vingada. Aquela noite, não seria ela a única pessoa a ir dormir infeliz.
Desesperançada do amor ela entra no elevador e eis que seus olhos se cruzaram com os dele. Não era bonito, mas não era feio também. Ambos tinham a mesma altura e ela logo pensou que de salto ficaria mais alta do que aquele tampinha. Não sabia ao certo o que chamara a atenção naquele rapaz mas de fato algo fazia com que seus olhares se cruzassem. 
Havia chegado o andar dele. E ela na frente da porta. Ele pediu licença e de cabeça baixa saiu. Ela o acompanhou com um olhar de curiosidade. Não lembrava de tê-lo visto por ali antes.
Passaram-se os dias e eles se trombaram mais umas vezes até que uma primeira conversa surgiu.
Ele gostava de ler e curtia rock. Não tinha um elefante com as costas viradas para a porta de entrada mais sim uma estátua de um buda gordo e sorridente. Tantos foram os pontos em comum que logo sorrisos e brincadeiras surgiram. Ao voltar para casa, aquela sensação boa e boba de quem se encanta com alguém surgiu.
Mas não, não podia sentir aquilo afinal de contas homem nenhum prestava. 
Mal humorada, levantou-se pela manhã com cara de quem poderia matar um. Não atendeu as ligações dele durante o dia. 
Estaria fazendo o certo em não atender porque homem nenhum presta, mas na última tentativa dele já no finzinho do dia ela resolveu atender e percebeu o quanto aquele papo a fazia bem. Resolveram. Iam se encontrar num barzinho logo ali próximo. Um rock clássico tocava e o chopp estava na temperatura ideal. Entre sorrisos e olhares o primeiro beijo aconteceu. Ela percebeu que daquele momento em diante não poderia mais ficar sem aquele beijo. Feliz, voltaram para o prédio e no andar dele se despediram. No elevador ela se encolheu num sorriso quase pueril, daqueles de menina sapeca. O amor havia acontecido.

domingo, 14 de junho de 2015

Decepção


Talvez a decepção seja o mais triste dos sentimentos.
A dor de amor dói.
A dor da perda dói.
A dor da saudade dói.
A dor da distância dói...
Mas a decepção não. Ela não dói mas ainda assim pulsa.
Ela lateja e inequivocamente te desarma onde se pensava ser mais forte.
Ante tamanho descontentamento, que fazer? O que pensar?
Frustração que macula a alma e faz o mal surgir nos corações.
Ante tamanha imposturia como agir? A quem recorrer?
De todo o melhor que meus defeitos permitiram existir em mim, a confiança sempre se mostrou ser a mais insensata e ainda assim a melhor de todas as minhas qualidades.
Mas sofre-se assim, sofre-se mais uma vez, mas aprende-se e de dor em dor vão se superando os percalços. Ainda não se inventou uma maneira de evitarmos uma mentira, mas com toda a certeza, para toda mentira haverá uma verdade e esta gritará e aparecerá e por fim prevalecerá...

domingo, 31 de maio de 2015

Amor dos meus olhos



Bastaram nossos olhos se cruzarem pela primeira vez para que minha cabeça não quisesse pensar em nada mais além do seu rosto.

Palavras trocadas, gestos medidos e aquela angústia de poder ter feito algo que não agradasse. 
Um momento, uma vez mais silêncio. Eis que então o telefone toca. E por entre aquele emaranhado de fios, aquela voz que parece me eximir de qualquer erro.
Seria essa uma aprovação? Ou uma provocação? Entre dúvidas e aflições vão os pensamentos com profundidade ocupando cada minuto do meu dia.
Viciante como uma droga e certeiro como um tiro são as memórias daquele beijo quente, que por uma ironia do destino causou frio na barriga e tremor nas pernas.
Todos os meus sentidos são seus. Nenhum cheiro consegue ser tão cheiroso quanto o seu. Inebriante, incessante, quente. Como tudo o que se precisa em uma manhã de frio.
Ah as manhãs, que quando ao seu lado, na cama, são pequenos pedaços da eternidade. Eternidade essa onde existe apenas eu e você e todo o resto, mas o resto, de nada vale e pouco tem cor sem que sejam vividos ao seu lado...
Acaricia meu rosto como a mais suave das sedas e derrame sobre meu corpo o peso do seu. Sem pressa, mas sem calma, com todo o rompante da sua paixão e receba em meus braços todo o meu amor...

domingo, 28 de setembro de 2014

Os homens envelhecem melhor



Não usamos protetor solar, tampouco hidratante. Adstringente? Só Deus sabe o que é isso. Para estarmos bem, basta-nos um corte de cabelo e um desodorante. Cuidamos pouco de nossa aparência, mas curiosamente muitas mulheres invejam a qualidade de nossa pele e cabelo. Vai entender?
Nos irritamos com uma série de coisas assim como as mulheres, mas ao contrário delas, não guardamos para nos vingar depois. Falamos na cara. Brigamos. Arrancamos dentes uns dos outros com socos e pontapés, mas no final, tudo estará resolvido,
Sim, jogamos videogame, e empinamos pipa, e jogamos bola. Se a coluna permitisse jogaríamos bolinha de gude também. Isso tudo molda a personalidade de um homem já na infância e por isso que mesmo velhos e barbados continuamos a fazer. 
Não temos problemas e não nos sentimos mal quando vocês mulheres dizem coisas do tipo: fulano nunca vai crescer. Pelo contrário, isso chega a ser um elogio.
Somos mimados. Nossas mães nos estragaram desde cedo. Talvez seja por isso que não ligamos muito para a toalha molhada no banheiro igual a vocês mulheres, aliás, por mais que as amemos, mulher nenhuma será como nossa mãe. Nem tentem competir, mesmo porque são amores diferentes e vocês, com toda a certeza entenderão quando forem mães de meninos. Nenhuma mulher será boa o suficiente para o seu menino e ponto final.
Gostamos de mulher. Olhamos para mulher. Cantamos mulher. Cheiramos mulher. Beijamos mulher. Queremos mulher. Desejamos mulher. Passamos raiva com mulher. Nos divertimos com mulher. Temos filhos com mulher. Acertamos com mulher. Erramos com mulher. Passeamos com mulher. Compramos com mulher. Vendemos com mulher. Viajamos com mulher. Casamos com mulher. Divorciamos de uma mulher. Insistimos em casar com uma mulher depois do divórcio. O que mais falta para vocês mulheres entenderem que o que nós queremos mesmo são vocês?
Nossos risos e amizades são mais sinceros e verdadeiros. Nós não temos o melhor amigo do mundo por dois anos ou menos e depois de vencido o período de validade passamos a odiá-lo. Não elogiamos o corte de cabelo de nosso amigo e pelas costas dizemos que ficou horrível. Simplesmente falamos na cara: seu viadinho. E vamos todos dar risada depois.
Vivemos menos que vocês mulheres. Isso é um fato. Mas vivemos melhor e envelhecemos melhor. Sem concorrências, nem mágoas, nem amigos de temporada. Essa é a graça de ser homem. Continuar sendo um menino barbudo e de cabelo branco para sempre.


domingo, 24 de agosto de 2014

Essa não é a vida real



Twitter, Facebook, Instagram, Blogspot. Talvez nunca tenha sido tão fácil viver uma vida paralela quanto hoje em dia.
Fotos de viagens, roupas novas, carros bonitos. Homens e mulheres querendo ser mais, querendo ter mais. O que antes vivíamos apenas nas páginas de um livro ou num filme de cinema passou a ser externado de uma maneira mais dinâmica. Nossos sonhos e desejos passaram a se misturar com a realidade e essa mistura passou a nortear nossas vidas.
Não se trata de uma aversão a tecnologia, mas sim o uso que é dado a esta. E esse uso sim vem ditando tendências e comportamentos. Quem nunca viu aquela criança de outrora, agora adolescente "sensualizando" como gostam de dizer por aí, em fotos com a língua de fora. Parece uma enxurrada, uma verdadeira legião de pessoas com a língua de fora e por quê? Porque todos fazem, simples assim.
O ser humano, de acordo com a antropologia, se desenvolveu para viver em grupos e esses grupos de humanos se desenvolveu para relacionar-se uns com os outros, trocando experiências uns com os outros. Era assim com o homem das cavernas, é assim com o homem moderno. Esse comportamento inerente ao ser humano está no cerne do que veio a se popularizar como redes sociais.
Interação rápida, quase instantânea, somada a possibilidade da associação de fotos e geo-localização disseminou a ideia de que qualquer um poderia ser mais popular, mais atraente. A ideia de nos mostrarmos cada vez mais tornou-se algo popular de modo que o importante passou a ser a questão de termos ou não conteúdo para mostrarmos.
Até mesmo a mais reclusa das pessoas tem algo a dizer, algo a mostrar. Mas e aqueles tímidos? Aqueles excluídos? Muitos destes viram uma revolução acontecer em suas vidas. De cativos de uma sociedade excludente passaram a uma liberdade jamais pensada, mas a questão não é sobre os populares e não populares e sim sobre quem consegue gerar conteúdo para ser publicado o tempo todo?
Está aí a mãe de todas as questões nesta era de conteúdo digital. Se um jornal, uma revista ou grande portal carecem de uma equipe inteira para tocar a máquina e muita das vezes apenas conseguem replicar conteúdo gerado por terceiros, como uma única pessoa conseguiria manter-se com algo relevante? Como seria possível uma única pessoa manter o nível de "like" necessário?
A resposta é simples, com mentiras, meias verdades e manipulação da realidade. É a foto de uma garrafa de vodka, energéticos e narguile em cima de uma mesa com frases como "hoje a noite promete" ou "amigos e baladas" ainda que a noite tenha terminado com uma pessoa bêbada e sozinha. É a foto daquela garota com a língua de fora tentando mostrar que já tem seios ao estufar o peito e dizer num português incrivelmente ruim "eu sei qui tu goooosta". Ainda que seja tímida e que como muitos adolescentes sofra de um amor platônico, precisa a todo custo mostrar que é descolada e que pouco se importa com sentimentos. O importante é ser "rodada e vivida", ainda que não seja.
Não se pode ser sincero o tempo todo. Os psicólogos e psiquiatras estão aí para confirmarem isso. O problema é viver uma vida que não se tem. É se logar em um site e passar a ser uma pessoa que não é. Estamos cada vez mais cultuado o mito, a imagem, e nesse caminho estamos nos perdendo. Estamos nos tornando uma sociedade de faz de conta, tão artificial quanto os bits e bytes que passamos a cultuar.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Tempo de incertezas, violência e tristezas




Estive pensando sobre o momento em que vivemos. Sobre os desafios do dia-a-dia, sobre a insegurança que sentimos todos os dias. Estive pensando sobre o aumento da criminalidade, sobre os bailes funk e sobre aquele vizinho chato que por estar dentro de sua casa acha que pode fazer tudo, inclusive ouvir a música que quiser no volume que entender ser razoável. Pensei na falta de cultura e na cultura do futebol, na inflação e no por quê de pagarmos três vezes mais o valor de qualquer bem. Estive pensando no jeitinho brasileiro, na esperteza dos "espertos" e ainda assim perdedores. Pensei nas mentiras do governo e nas falácias dos políticos, no ranger de dentes dos sindicalistas e nos uivos inquietos das ONG's, vorazes por verbas públicas. Pensei um pouco mais no policial que se corrompe, na enfermeira que fica discutindo com as colegas sobre o capítulo da novela enquanto o paciente agoniza. Estive pensando sobre a menina que tentou matar a própria mãe com chumbinho e aos risos informava que repetiria o ato assim que a oportunidade surgisse. Estive pensando em leis absurdas como a de acabar com a comemoração do dia dos pais e dia das mães na escola em detrimento dos filhos de pais e mães homossexuais. A criança nesta situação não teria dois pais ou duas mães? e este não seria um motivo para esta criança celebrar em dobro? Pensei nas mulheres que querem mostrar seus corpos voluptuosos com saias, shorts e decotes e ainda assim reclamam quando alguém as aborda de maneira mais incisiva assim por dizer. Sou absolutamente contra o estupro, mas aparentemente, a lei da ação e reação parece não se aplicar as esta mulheres. Pensei inclusive nas mães que acham bonito e incentivam suas filhas a andarem seminuas pelas ruas com a desculpa de que elas tem o direito de decidirem sobre seu corpo. Pobre meninas...
Pensei sobre as cadeias lotadas e sobre o poder paralelo que está se tornando o poder de fato e pensei também na perda de esperança das pessoas de bem.
Envolto em tantos pensamentos, como ter esperança de melhoras? A sociedade como conhecemos está ruindo enquanto o governo parece distanciar-se cada vez mais daqueles que deveriam representar. Paro, e penso uma vez mais que tipo de futuro teremos e o que visualizo é simplesmente o imprevisível, mesmo em um horizonte curto de tempo. Aguardemos então os novos tempos, de tristezas talvez...

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Não existem cordeirinhos, todos são lobos

Li em diversos sites dias atrás a notícia de um jovem que foi preso nu a um poste no Rio de Janeiro. A história dele era triste. Proibido de voltar para sua casa por ter roubado uma furadeira na comunidade em que morava o jovem foi alvo de uma gangue de justiceiros enquanto perambulava pelas ruas da cidade.
Esta foi mais uma notícia triste de uma sociedade que pouco se preocupa com o futuro de seus jovens. Minha surpresa foi ter visto ontem uma nova notícia sobre este jovem, a de que ele, dias antes, havia juntamente com outros, espancado um outro adolescente em um abrigo. O motivo? Este jovem teria passado informações de uma milícia para a polícia.
Em uma semana algoz, noutra a caça. Irônico de fato mas a verdade é que a sociedade em que vivemos está desmoronando. O povo em geral, aqueles que trabalham e pagam impostos, diante de tanta falta do estado passou a fazer justiça com as próprias mãos. O rapaz citado foi atado a um poste por uma trava de bicicleta por um grupo que aparentemente o identificou como um dos assaltantes que assolavam a região. Chamaram a polícia? Não, claro que não. Pela lógica distorcida a qual somos obrigados a engolir o menor seria logo liberto ou encaminhado a uma instituição da qual ele fugiria ou novamente seria liberto.
O governo compeliu o cidadão comum ao estado de barbárie. Longe de ser uma situação regional, a violência se espalhou como um mal endêmico. Todas as cidades sofrem com roubos, tráfico, assassinatos. A população passou a fazer justiça com as próprias mãos.
A policia, desacreditada e desmotivada não vê o resultado de seu trabalho. Réu primário, com residência fixa e trabalho jamais fica preso. Reincidentes são presos mas por bom comportamento mal cumprem um terço da pena, isso quando não fogem nos diversos indultos que a lei permite. Novamente o governo estimula o crime ao não punir com rigor, a abrandar aquilo que deveria ser considerado hediondo e depois não sabe explicar o por quê do caos em que vivemos.
Justiça com as próprias mãos, ônibus e metrôs depredados, rolezinhos em shopping, facções criminosas se tornando um poder paralelo. Tudo isso é reflexo do desgoverno e da falta de cultura.
Por muito tempo fomos vistos mundo a fora como povo receptivo. Estamos as vésperas da copa do mundo e seremos vitrine de como um país pode se acabar quando aqueles que deveriam nos representar e cuidar de nossas necessidades nos viram as costas. Passaremos ainda mais vergonha.
Obras super faturadas, conchavos, conluios, jeitinhos e nada de infra estrutura, saúde, segurança e educação. São cabeças separadas de seus corpos em presídios enquanto a preocupação é o caviar e a lagosta do banquete.
São pessoas regozijando-se ao ver bandido morto ou humilhado preocupando-se pouco se isso é de fato justiça ou não.
Neste retalho de pais não existem mais cordeirinhos nem inocência, apenas lobos sedentos de sangue.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Bullets - Archive

I was listening this song: Bullets from Archive a britsh trip rock band and a frase made me think about our condition as human. As people say the human behavior: "breaking my feelings with you violence". Sometime, the violence of our friends and family hurts like the bullets that gave name to the song. Lamentably only people that we love can make this damage.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano novo, vida na mesma


Eis que começa 2014 e com ele novas esperanças se renovam. Novos planos são feitos, metas são traçadas e prometemos a nós mesmos que faremos tudo diferente.
Na teoria é tudo bonito, mas há que se lembrar que um ano sucede o outro e sendo assim, olhando friamente para a questão, o ano não é novo e sim uma sequência do anterior. Talvez este seja o motivo pelo quanto não tenhamos tanta facilidade para fazermos o novo e sim facilidade para darmos continuidade a exatamente o que fazíamos no ultimo dia do ano passado.
Renovar não requer exatamente uma data, nem um momento, nem um período, nem um acontecimento, apesar de todos serem geradores de mudança.
Desejo a todos que tenham a percepção do que é necessário mudar e que tenham a coragem e as condições para fazê-lo e sim, que seja em 2014 porque afinal de contas ainda não se inventou uma maneira de voltar no tempo. Feliz 2014.