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domingo, 18 de maio de 2025

Um outro 14 de Maio...

Há muito não escrevo aqui. Um pouco de falta de tempo, um pouco de preguiça e um pouco de esquecimento me afastaram de algo que eu sempre gostei de fazer: escrever.

Nunca fui um bom escritor, mas sempre tive e por vezes tenho a facilidade de encontrar as palavras corretas. Seria um dom? Seria sorte? Talvez um pouco dos dois.

Por falar em sorte, e aqui relacionando-a com benção, no último catorze de Maio fiz quarenta e cinco anos. Tenho sorte por estar bem. Relativamente saudável e estável. Sou abençoado por estar vivo, me sentir respeitado e querido por amigos e principalmente ser amado por uma mulher tão excepcional como a Regina.

Sou grato a Deus por tudo que tenho e por tudo que pude fazer em minha vida a despeito de minhas muitas falhas e muitos erros cometidos nesse processo contínuo de amadurecimento.

Mudei bastante ao longo dos anos. Essa mudança se reflete num estado que eu chamo de calma inquietante. Calma porque tenho paz e serenidade para avaliar a vida com um olhar mais contemplativo e inquietante porque me tornei mais incomodado com determinadas coisa ao meu redor. Estranho não? Acho que a soma dos dois seria melhor traduzida como indiferença, mas pode ser também traduzida como conformação por entender que não posso mudar as coisas erradas do mundo. Posso apenas mudar as coisas erradas que existem em mim.

Sei que já fui muito empático, mas empatia demais atraiu aproveitadores. Sei que já fui muito paciente, mas paciência demais atraiu exploradores. Sei que já fui muito amoroso, mas amor demais atraiu paixões avassaladoras, destrutivas e passageiras. Sei também que já fui inocente demais e por isso sofri muito e demorei para entender que a vida é dura e que ela não liga muito para o que sentimos.

Enfim, calejado demais cresci. Evoluí para alguém indiferente, mas ainda assim, e curiosamente, preocupado. Preocupado ainda com o futuro, com sonhos mais concretos e com pequenas realizações. Coisas com o pé no chão.

Quarenta e cinco anos se passaram e me sinto mais forte e mais preparado para a vida do que me sentia aos vinte, época em que tudo parecia tão mais intenso e verdadeiro. 

Saí finalmente do verão e entrei no outono da minha vida, mas não me preocupo. Sempre gostei do frio e das folhas amareladas nas árvores brilhando sob a luz amarela de um sol fraco.

O fato é que em todos os momentos da vida, por mais difíceis que sejam, sempre haverá alguma beleza para ser apreciada, experimentada e vivida. Que venham no mínimo mais quarenta e cinco anos. Não acharia ruim não.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Guava Island




Fazia tempo que não assistia a um filme tendo aquela sensação boa de surpresa. Sem ficar fuçando no celular bem no meio da apresentação.
Guava Island (2019) apresenta a história de amor entre Deni e Kofi numa ilha com um sistema totalitário onde todos trabalham para uma única empresa. Existe uma segunda relação de amor entre Deni, a música e a liberdade representada pela forma despretensiosa e relaxada com a qual o protagonista é apresentado.
Childish Gambino, pseudônimo de Donald Glover se investe de seu personagem em This is America mas de maneira mais natural e com mais tempo de tela nos agracia com suas danças peculiares e com uma afinação musical para cantar que eu desconhecia (não acompanho a carreira do ator como músico).
Quanto a Rihanna, bem, o que dizer de uma mulher que sempre está bela nas fotos mas que aqui estava investida numa mulher comum. Bonita ainda, mas comum. Devo admitir que foi uma das coisas que me chamou a atenção. Suas roupas, cabelo. Até a forma de andar não lembrava em nada aquela mulher poderosa criada pela indústria da mídia.
Me surpreendeu também o fato de a trama se passar em uma fictícia ilha chamada Guava tendo como cenário original a ilha de Cuba. Acho que esta foi a primeira vez que eu vi algo filmado lá. Durante todo o filme fiquei me perguntando que lugar era aquele sem obter resposta. As ruas de terra, casas pobres, igreja humilde e predominância de pessoas negras me fez lembrar de muitos locais pobres no Brasil
O filme em si tenta ser um musical e conta uma história de opressão e sobre a importância de se ter um tempo para a diversão. Literalmente ter uma folga para o trabalho chato e repetitivo. Me fez pensar o quanto por vezes entramos no automático e deixamos que as "prioridades" e obrigações da vida se sobreponham sobre o que de fato nos faz faz bem que é viver a vida com quem amamos e com quem nos faz bem.
Final é meio que previsível mas nem de longe tira a leveza e a despretensão com a qual a história segue. Diversão boa para a quarentena.

quinta-feira, 9 de março de 2017

A folha e a flor




Ao longe a folha de uma árvore via uma roseira. Dentre todas as rosas havia uma que parecia mais vermelha que as demais.
Encantada com tal beleza a folha passava a maior parte do tempo olhando para aquela rosa. Era hipnotizante e ainda assim curiosa. Por mais que se olhasse uma nova beleza parecia surgir.
O vento soprava e com raiva a pequena folha ficava. Como poderia os alísios serem tão ruins assim ao ponto de desviar seu olhar daquela direção.
Passavam dias e a atenção da folha era para uma única coisa. Sua fixação era tão grande que mal reparava nos espinhos que furavam as pessoas que se aproximavam.
Numa bela manhã de um dia frio notou que as pessoas passavam e encaravam a sua árvore e suas irmãs folhinhas. Curiosa, desviou seu olhar para um lado e viu uma de suas irmãs meio amarelada. A do outro lado, avermelhada.
Mais pessoas passavam e olhavam, apontavam e fotografavam. Podia algumas folhas desbotadas serem mais bonitas que uma flor?
Ciente da novidade a pequena folha se encantou. De tanto se achar feia esqueceu-se do que realmente importava. Todos tinham seu lugar ao sol e o dela havia chegado.
A beleza está oculta nas pequenas coisas. Ser folha pode ser uma experiência mais intensa do que ser flor

terça-feira, 7 de março de 2017

Os anjos também caem



Ele era jovem. Devia ter o quê? Uns quinze? Talvez dezesseis anos. E ele sonhava. Era um ingenuo num mundo de espertos.
Sonhava sim. Com grandes feitos. Com uma vida melhor. Ele sabia que era capaz. Capaz de tudo. Capaz de transformar o mundo, mas ainda assim era um. Tão somente um.
Tinha boas intenções e um coração bom, mas ainda assim riam dele. Era sempre a aparência, o jeito tímido de não saber lidar com as brincadeiras de mal gosto. A dificuldade em saber lidar com um lugar novo e hostil.
Ele via as pessoas curtindo. Eram shows, viagens, paqueras. Tudo muito próximo dele mas ainda assim distante. Era um lugar impossível de entrar. Ser descolado para ele era complicado. Ser popular, algo inimaginável.
Sofria calado. Era motivo de chacota sempre. A noite na cama chorava em silêncio para que os pais e os irmãos não ouvissem. Em momentos assim, perguntava a Deus por que era tão diferente? E por que sofria tanto? Mas as respostas nunca vinham. O que vinha era um novo dia. Não um dia cheio de possibilidades mas um novo dia cheio de mais tristezas.
Era um rapaz simples. Sonhador, mas que de tristeza em tristeza, de trotes em trotes, de chacotas em chacotas passou a se tornar uma pessoa rancorosa, vingativa. Aquele mundo não o queria, ele também não o quereria mais.
Cresceu. Tornou-se um jovem homem. Passou a ter certa liberdade, contudo, os longos anos de tristezas e decepções haviam deixado suas marcas. A imaginação fértil se voltou para a mentira. Mentia para tudo e para todos. Fantasiava situações e em instantes havia uma história perfeita para corroborar viagens nunca feitas, amores nunca vividos, sensações nunca vividas.
O mundo era assim para ele. Tudo havia se tornado falso e para fazer parte daquilo ele tinha que ser o senhor da falsidade.
Ele de fato cresceu. Tudo que ele havia aprendido era desrespeito e o que ele retribuiu foi mais desrespeito ainda. Arranjava namoradas para logo em seguida as trair sem remorso algum. Uma pessoa outrora amorosa agora não passava de alguém para quem um sentimento pouco significado tinha. O mundo era assim e ele era o mundo agora.
Os anos se passaram e a vida desregrada cobrou seu preço. Lá estava ele. Vazio. Nem sequer lembrava de longe aquele garoto tão bom. Sozinho, viu todos ao seu redor prosperarem, mas ele continuou ali. Remoendo recordações ruins e culpando os outros pelo mal que fez a si e aos outros.
Criamos monstros o tempo todo. As vezes sem querer mas as vezes por diversão. Para não perder a piada. Fazemos anjos caírem com nossos atos errados e sequer damos conta.
Negamos a responsabilidade que temos e seguimos em frente. Até quando?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Aqueles olhos azuis



Existe beleza na pequenas coisas e mais ainda nas pequenas coisas que passam pela cabeça de uma criança.
Já passava de seus oitenta anos. As dores no corpo e a memória um tanto falha denunciavam a longa jornada que havia trilhado até então.
Com tanto vivido e tão pouco a viver pela frente passara a apegar-se a lembranças de um passado distante e bom. O nascimento do primeiro filho. O dia de seu casamento. A primeira vez que foi a praia. Todas estas foram sensações únicas e ele sabia que muito do que era hoje havia dependido delas, mas algo o incomodava.
Ele meio que queria algo mais antigo. Algo que o remetesse aos tempos em que o tempo não fizia tanta diferença assim. Lembranças da infância com toda a certeza preencheriam essa lacuna, mas qual?
Sim. A idade havia chegado. E ele triste concluía o inevitável. Era um dos últimos de sua geração a estar vivo. Sua amada esposa se fora anos antes. Assim como seus irmãos mais velhos e seus amigos mais próximos. Refletia sozinho sobre a longevidade. A vida era boa, não tinha do que reclamar. Gozava de relativa boa saúde. Teve filhos ótimos e que te deram muito orgulho e netos encantadores. Todas grandes alegrias, mas aqueles que poderiam ajudá-lo a recordar de sua infância não estavam mais ali e isso o incomodava.
Levantou-se da poltrona com um pouco de custo e caminhou até a janela. A tarde estava bela com um sol não muito quente. Ele sentia aquele calor rejuvenescedor em seu rosto e por um instante lembrou-se dos olhos azuis. Mas o que aquilo significara?
Seus olhos eram negros como a noite. Como poderia ter a lembrança de ter tido olhos azuis? Coisa de velho talvez. A cabeça costuma pregar peças num octagenario e estava ali brincando com ele.
Cismado, viu o dia passar e quando a noite chegou, adormeceu.
Dia seguinte acordou cedo. Estava disposto a descobrir o segredo por trás daquele fragmento de memória. Puxou uma caixinha de dentro de uma gaveta. Ali estavam preciosidades. Um pequeno tesouro ao qual jamais abriria mão. Haviam fotos, uma correntinha de São Bento e muitas cartas das quais uma em especial, escrita por sua mãe. Ele parou por algum tempo. Fitava aquela carta com um carinho especial. Estava naquele pedaço de papel a única lembrança palpável de sua mãe. Ele olhava e dizia a si mesmo como ela tinha uma caligrafia bonita. Refletiu sobre aquele pedaço de papel um pouco e em seguida pensou no celular de nova geração que seu filho mais novo lhe deu e com o qual eles trocavam mensagens. Lhe ocorreu que jamais havia escrito uma carta a qualquer um de seus filhos e que portanto, aquela sensação de ternura e nostalgia morreria com ele.
Beijou a carta como se fosse seu bem mais precioso e começou a lê-la. Era uma carta direcionada a sua avó e que narrava o primeiro passeio a praia que a família havia feito com o carro novo.
Num ponto da leitura ele parou e sorriu. Sua mãe elucidara sua dúvida. Um turbilhão de lembranças passou por sua mente. Lembrou-se então do porquê dos olhos azuis.
Nostálgico e emocionado decidiu por escrever uma carta direcionada a seus filhos. Queria que eles tivessem a mesma sensação que ele ao reler a carta de sua mãe. Ela começava assim:
"Meus filhos. Sei que a ideia de que os anos estão terminando para mim me assombra, porém, nunca fui de lamentar e meu gênio por vezes ruim me impede de dar-me por vencido. Estava lendo uma carta de mamãe e percebi que apesar de ter feito muito por vocês jamais externei em palavras meus sentimentos ou minhas memórias e portanto decidi escrever estas poucas linhas com uma lembrança que tive ontem. Uma lembrança de minha infância. Talvez a primeira de todas. Pode parecer algo singelo, comum talvez, mas algo que sei que vocês não sabem. Algo que por tanto tempo foi somente meu.
Quando criança lia muito e gostava muito das figuras nos livros. Na maioria delas as pessoas tinham olhos azuis e cabelos louros. Nunca achei bonito aqueles cabelos amarelos parecendo palha de milho, mas os olhos azuis, ah os olhos azuis. Talvez tenham sido a primeira coisa na minha vida que achei bonito.
Olhava para meus olhos negros no espelho do banheiro da casa de meus pais e desejava que eles se tornassem azuis. Diante de tal imaginação passei a acreditar que quando crescesse eles mudariam de cor. Devia ter uns cinco ou seis anos. Logo pela manhã, olhava no espelho e corria para peguntar a mamãe se faltava muito para eu crescer. Ela ria me abraçava, beijava e dizia que queria que eu nunca crescesse. Que fosse seu menino para sempre. Eu impaciente me desvencilhava de seus braços contrariado por ela não querer o mesmo que eu. Mal sabia que no futuro sentiria o mesmo por cada um de vocês minhas crianças.
Os anos passaram. Meu desejo, por motivos óbvios não se realizou. Mas o mais importante foi ter acreditado em algo, portanto, deixo um conselho meii piegas a vocês mas muito verdadeiro. Nunca desistam de nada por mais louco e impossível que seja. Olhos azuis existirão para todos...
Que Deus os abençoe. Beijo enorme de seu velho pai."
Colocou a carta sobre o criado mudo tendo a sensação de dever cumprido deitou-se e dormiu feliz como não dormira a muito tempo.

domingo, 31 de maio de 2015

Amor dos meus olhos



Bastaram nossos olhos se cruzarem pela primeira vez para que minha cabeça não quisesse pensar em nada mais além do seu rosto.

Palavras trocadas, gestos medidos e aquela angústia de poder ter feito algo que não agradasse. 
Um momento, uma vez mais silêncio. Eis que então o telefone toca. E por entre aquele emaranhado de fios, aquela voz que parece me eximir de qualquer erro.
Seria essa uma aprovação? Ou uma provocação? Entre dúvidas e aflições vão os pensamentos com profundidade ocupando cada minuto do meu dia.
Viciante como uma droga e certeiro como um tiro são as memórias daquele beijo quente, que por uma ironia do destino causou frio na barriga e tremor nas pernas.
Todos os meus sentidos são seus. Nenhum cheiro consegue ser tão cheiroso quanto o seu. Inebriante, incessante, quente. Como tudo o que se precisa em uma manhã de frio.
Ah as manhãs, que quando ao seu lado, na cama, são pequenos pedaços da eternidade. Eternidade essa onde existe apenas eu e você e todo o resto, mas o resto, de nada vale e pouco tem cor sem que sejam vividos ao seu lado...
Acaricia meu rosto como a mais suave das sedas e derrame sobre meu corpo o peso do seu. Sem pressa, mas sem calma, com todo o rompante da sua paixão e receba em meus braços todo o meu amor...

domingo, 28 de setembro de 2014

Os homens envelhecem melhor



Não usamos protetor solar, tampouco hidratante. Adstringente? Só Deus sabe o que é isso. Para estarmos bem, basta-nos um corte de cabelo e um desodorante. Cuidamos pouco de nossa aparência, mas curiosamente muitas mulheres invejam a qualidade de nossa pele e cabelo. Vai entender?
Nos irritamos com uma série de coisas assim como as mulheres, mas ao contrário delas, não guardamos para nos vingar depois. Falamos na cara. Brigamos. Arrancamos dentes uns dos outros com socos e pontapés, mas no final, tudo estará resolvido,
Sim, jogamos videogame, e empinamos pipa, e jogamos bola. Se a coluna permitisse jogaríamos bolinha de gude também. Isso tudo molda a personalidade de um homem já na infância e por isso que mesmo velhos e barbados continuamos a fazer. 
Não temos problemas e não nos sentimos mal quando vocês mulheres dizem coisas do tipo: fulano nunca vai crescer. Pelo contrário, isso chega a ser um elogio.
Somos mimados. Nossas mães nos estragaram desde cedo. Talvez seja por isso que não ligamos muito para a toalha molhada no banheiro igual a vocês mulheres, aliás, por mais que as amemos, mulher nenhuma será como nossa mãe. Nem tentem competir, mesmo porque são amores diferentes e vocês, com toda a certeza entenderão quando forem mães de meninos. Nenhuma mulher será boa o suficiente para o seu menino e ponto final.
Gostamos de mulher. Olhamos para mulher. Cantamos mulher. Cheiramos mulher. Beijamos mulher. Queremos mulher. Desejamos mulher. Passamos raiva com mulher. Nos divertimos com mulher. Temos filhos com mulher. Acertamos com mulher. Erramos com mulher. Passeamos com mulher. Compramos com mulher. Vendemos com mulher. Viajamos com mulher. Casamos com mulher. Divorciamos de uma mulher. Insistimos em casar com uma mulher depois do divórcio. O que mais falta para vocês mulheres entenderem que o que nós queremos mesmo são vocês?
Nossos risos e amizades são mais sinceros e verdadeiros. Nós não temos o melhor amigo do mundo por dois anos ou menos e depois de vencido o período de validade passamos a odiá-lo. Não elogiamos o corte de cabelo de nosso amigo e pelas costas dizemos que ficou horrível. Simplesmente falamos na cara: seu viadinho. E vamos todos dar risada depois.
Vivemos menos que vocês mulheres. Isso é um fato. Mas vivemos melhor e envelhecemos melhor. Sem concorrências, nem mágoas, nem amigos de temporada. Essa é a graça de ser homem. Continuar sendo um menino barbudo e de cabelo branco para sempre.


sábado, 26 de outubro de 2013

Os erros que cometemos querendo acertar




As vezes cometemos erros tentando acertar. Existem aqueles que se decepcionam com nossas tentativas e desistem de nós, porém, existem outros, que apesar do resultado desconfortável entendem que tentamos dar o nosso melhor e continuam ao nosso lado, nos tornando pessoas mais fortes e melhores.

Mas nem tudo é motivo de tristeza. As pessoas entram e saem de nossas vidas deixando um pouquinho delas em nós. A grande sacada é sabermos separar um pouquinho de bom aqui, um pouquinho de bom ali e quando menos esperarmos seremos sim melhores.
Que Deus abençoe aqueles que continuam conosco nesta caminhada e aqueles que desistiram de nós também. Que todo perdão seja um aprendizado e que toda a magoa se disperse com o tempo.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A difícil arte de ser feliz

Costumamos depositar nos outros a felicidade que desejamos para nós. Deve ser algum tipo de extinto ou de característica do comportamento humano.
Procuramos alguém que nos complete. A tampa da panela. A outra metade da laranja. Mas é interessante buscarmos este complemento se tecnicamente somos autônomos, não atoa, somos chamados de indivíduos.
Idealizamos nossa felicidade baseado em outra pessoa e esquecemos que ser feliz sozinho é possível e primordial.
Sim, primordial. Aquele que não aprende a viver sozinho, não aprende a se amar não tem condições emocionais de amar alguém, tampouco de depositar expectativas em outrem.
Quando não se está bem consigo, nos tornamos inseguros, possessivos e ciumentos. Desconfiamos, criticamos e ainda assim precisamos daquela pessoa, porque depositamos muito de nós nela.
Esta tentativa diária de recuperação dos depósitos desgasta qualquer relacionamento. São filhos que não conseguem atender as expectativas dos pais. Pais que acham que os filhos não se esforçam o suficiente ou que não aceitam as escolhas realizadas por seus rebentos. Maridos que não aceitam uma mulher independente e mulheres que acham que a cada esquina seus maridos têm uma amante lhes esperando.
Todos sofrem, todos perdem. A metáfora da duas metades da laranja é mais que verdadeira. Só é difícil prestar atenção e perceber duas laranjas inteiras duram mais na banca da feira do que uma partida ao meio.
Portanto, sejamos completos antes de desejarmos alguém ao nosso lado, antes de termos filhos e desenvolvermos amizades. Chegar como uma metade em um relacionamento achando que se tornará completo ao encontrar alguém talvez seja o maior erro que uma pessoa pode cometer. Seja feliz.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Aos meus amigos, perdas construtivas


É realmente uma pena não estarmos imunes as mudanças que a vida nos apresenta. Isso inclui perdermos o que nos é precioso. Contudo, há uma lição muito grande a se tirar desta experiência. Deus em sua sabedoria sem fim nunca nos retira algo ou alguém para nos deixar tristes e infelizes, mas sim para nos mostrar onde estávamos cometendo erros, para mostrar-nos onde podemos e devemos melhorar como seres humanos. A cada dor sentida uma nova esperança haverá de surgir, a cada lágrima derramada um novo sorriso haverá de inundar o nosso rosto e para cada porta fechada uma nova haverá de se abrir, pois a vida é isso, um conjunto de ciclos que vão e vem, que nos derruba e nos levanta, que aflora nossos medos e angustias para em seguida nos ver reerguer mais fortes e melhores. Mais humanos. Desejo a todos meus amigos que Deus opere milagres em nossas vidas e que ele provenha o consolo e a vitória a todos que o buscam. Sejam todos sempre felizes.


sábado, 22 de dezembro de 2012

O espírito de Natal...ou não...

Até algum tempo atrás não costumava enviar mensagens de Feliz Natal a quase ninguém. Ponderava, pensava nos fatos ocorridos no ano e inevitavelmente me lembrava das raivas passadas, das frustrações e mágoas. De pessoas que mal falavam comigo e que nesta época se abriam em sorrisos para mim.
Sempre passava pela minha cabeça: Quanta falsidade. Foi aí então que passei a refletir sobre o espírito de Natal e o que de fato ele significa e concluí que esta data tão especial serve para que possamos reiniciar uma fase nova em nossa vida. Conclui que esta sensação de fraternidade deve existir todos os dias e não apenas em um único feriado. Portanto, desejo sim um Feliz Natal a todos e que indiferente do seu credo ou religião, que cada dia de 2013 seja um motivo para reconciliação, amizade e realizações. Que Deus derrame um pouquinho do seu amor sobre nós e nos torne pessoas sempre melhores.






* Imagem retirada do excelente blog Enquanto não sou rica

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ciclos

O tempo não para. Ele não volta atrás e por isso, não podemos mudar coisas que fizemos, pessoas que conhecemos e situações que vivemos; podemos apenas nos lembrar. As lembranças servem para coisas importantes como por exemplo para não cometermos o mesmo erro duas vezes, mas tem situações em que ironicamente elas não servem para nada.
As vezes me pego relembrando coisas do meu passado que foram importantes em um determinado momento mas que hoje não passam de pequenos resquícios de uma outra época. Me lembro de pessoas e de situações sem saudades, sem tristezas, sem qualquer tipo de sentimento. São coisas que simplesmente passaram. O curioso é que isso acontece com todos nós e é totalmente normal por vivermos dentro de ciclos de amizades que se alteram com o tempo. Para alguns ciclos retornamos com frequência, para outros nem tanto e para alguns jamais retornaremos.
A vida nada mais é que isto, um conjunto de ciclos, de idas e vindas que se alteram com nossas escolhas.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Oh diaxo de dor que dói viu...

Dada a minha situação atual resolvi procurar o significado da palavra dor e encontrei no dicionário Michaelis um que consegue descrever perfeitamente o que estou sentindo: "sensação desagradável ou penosa... grande sentimento pelas desgraças próprias ou alheias...".
O sentimento do amor é sempre exaltado em filmes livros e canções mas o da dor é posto de lado. Ninguém gosta de falar sobre isso e há aqueles que dizem que se ficarmos falando muito sobre ela, é aí que ela vem mesmo.
Existe a dor física e a dor da alma. A física nos afeta direta e intensamente. Nos aleija, nos faz incapazes de nos movimentarmos e realizarmos coisas. Para esta, em muitos casos a cura passa por um tratamento indicado por um médico e dentro de poucos dias, dependendo da enfermidade, se está curado. Mas a dor da alma, esta é complicada primeiro porque você precisa entender onde dói. Ao contrário da dor de cabeça que obviamente sabe-se que é a cabeça que dói, a dor da alma dói em silencio. Se for procurar um médico tem de ser um psicólogo ou um psiquiatra. Senta-se, conversa-se, dá-se exemplos, mostra-se soluções que sempre são: a resposta está dentro de você; só você pode se ajudar; isso é um processo chore bastante que passa e por aí vai.
A dor da alma de fato não dói, mas lhe tira o sono, a fome, a vontade de trabalhar de produzir e em casos extremos a de viver. Ouve-se aquela musica e não tem jeito, as lágrimas rolam por sobre o rosto. Causa medo de frequentar lugares que outrora trouxeram tanta felicidade e quanto mais se pensa em se reerguer aí é que ela te derruba.
Quanto aos amigos, estes, coitados, ficam divididos entre versões da mesma história. Tentam ajudar no princípio e depois se cansam e se irritam com tanta lamentação. Aliás, a lamentação junto com o choro são os sintomas clássicos da dor da alma.
Todos já sentiram esta dor, uns de uma maneira mais suave, outros mais intensa, mas verdade seja dita para aqueles que ainda não tiveram contato com ela: vocês com certeza sentirão. Sentirão por sermos seres ambíguos, lógicos porém passionais. A ambiguidade está nesta paixão que aflora o que há de melhor em nós e nos põe de joelhos quando lateja. Somos capazes de grandezas inimagináveis por amor e de besteiras homéricas também. A dor de amor geralmente é reflexo de um amor não correspondido ou de um amor que existiu mas acabou.

O amor é uma droga, vicia, sua vida depende daquela pessoa. O cheiro dela é o melhor do mundo, seus olhos os mais lindos. Um eu te amo que saia da sua boca vale mais do que tudo no mundo. Cria-se uma dependência tão grande de alguém que não necessariamente sente o mesmo ou ao menos não na mesma intensidade. Cria-se expectativas, sonhos e daí parte-se para o desejo de melhorar a pessoa amada. Esquecemos que o que enxergamos como sendo o melhor para ela não é ou talvez nem chegue perto de ser parecido com a visão de melhor que ela tem para si.
Então, aparecem as frustrações, as brigas, os desgastes, os ataques e as mágoas. Inevitavelmente aí estará surgindo aquela dorzinha, fraquinha, levezinha, quase nada mas que haverá de inflamar e se tornar um câncer.
Minha dor como a de muitos surgiu assim, e assim permanece doendo. Apertando meu peito extraindo o que há de melhor em mim e jogando ao léu. Não há mais aquele alguém especial para receber este amor.
O dor infeliz que não dói mas que está tentando me deixar frágil e que está obtendo um êxito fora do comum.
Falo demais sobre a dor porque quero que ela venha logo me enfrentar tão intensa e destruidora quanto possível. Cansei de me remediar com palavras e ombros amigos. Venha infeliz, devaste esta alma e vá embora. deixe cicatrizes, mas me deixe levantar novamente, mais forte e disposto a não enfrentá-la novamente...