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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O homem deve ou não pagar a conta?

O mundo é feito de polêmicas. Essa talvez seja uma das grandes verdades da vida. Recentemente li uma reportagem sobre um ator famoso que afirmou sempre dividir a conta com a mulher com quem ele estiver no momento.

Achei curiosa a celeuma que se deu em cima desta declaração. Algumas pessoas defendiam, outras atacavam a opinião deste ator. O fato aqui é que tamanha discussão não levou a lugar algum. As pessoas são livres para pensarem e agirem como bem entenderem, correto?

Bom, a coisa aparentemente não é tão bem correta assim. A forma como nós pensamos é moldada por uma serie de fatores. Todos eles externos e que vão desde a educação que recebemos, bem como todas as interações humanas que tivemos com os outros, passando pelo ambiente e pelo período em que vivemos.

Dito isso, a declaração do ator, na minha opinião, nada mais é do que o retrato dos tempos modernos em que vivemos.

Sobre minha opinião? Digamos que não discordo dele, mas devo admitir que em toda minha vida tomei decisões diametralmente divergentes a dele.

Para instigarmos esta discussão gostaria de começar com uma pergunta bem simples mas que pode vir a ter uma difícil resposta: 

O que é ser homem?

Homem Raiz

O conceito de homem foi estático durante muito tempo, mas atualmente tornou-se flexível, maleável, algo menos, com o perdão do trocadilho, "rígido". Este talvez seja o motivo pelo qual encontramos hoje em dia, garotos de quarenta anos de idade que querem curtir apenas sem se envolverem com nada, com relacionamentos superficiais, ligeiros e sem intensidade. Vendo por esta ótica, de fato não faz sentido pagar a totalidade da conta. Melhor rachar.

Contudo, e voltando a questão do que é ser homem, me parece que a melhor maneira de se responder a esta pergunta não é observarmos o comportamento destes novos - ou as vezes nem tanto - garotos, mas sim o comportamento dos considerados velhos machos e principalmente o que as mulheres em geral esperam de um homem.

Muitos talvez estejam pensando neste momento: "Olha aí mais um homem feministo!". O que posso dizer é que estou longe destes neologismos e radicalismos, contudo, acredito que como seres sociais nos moldamos através de conceitos e relacionamentos.

Entendo que é senso comum que uma mulher queira um homem viril e que a deixe sem fôlego, mas este comportamento ela provavelmente espera dentro de quatro paredes. Fora do quarto ela com toda certeza quer se sentir protegida por este homem. Ela quer sentir que dentre os bilhões de mulheres que existem na face da terra aquele homem escolheu cuidar dela e tão somente dela.

Este desejo feminino sempre foi ao encontro de como a sociedade, de uma forma geral, ditou a maneira como um homem deveria ser. O homem deveria ser o provedor da família. Ele deveria ser o protetor. Aquele que resolve os problemas. É exatamente por isso que a ele era atribuído o título de chefe da família. Os entes sentiam-se seguros em saber que sempre haveria alguém para solucionar o não solucionável.

Eu vim desta velha escola. Apesar de não ser de dar flores, sempre paguei a conta. Era algo que de certa forma trazia para mim uma carga de masculinidade, de proteção, de cuidado, e de educação.

Homem Moderno

Na minha concepção, ser homem é ser cordial, polido e cavalheiro, ainda que o encontro não tenha sido lá essas coisas. Ainda que a mulher não tenha proporcionado momentos sublimes e intensos, ou ainda que a conversa e a companhia daquela mulher não tenha sido simplesmente boa. Ser homem, por todas estas coisas é ser o melhor macho, não apenas no sentido sexual da coisa mas em muitos sentidos diversos.

Atualmente - e aqui percebo que estou ficando velho - ocorre um descolamento entre o sexual e prazeroso e as demais qualidades masculinas. A satisfação momentânea e por diversas e diversas vezes - e se possível com diversas e diversas mulheres - dita o que é ser homem. Neste sentido reafirmo aqui. Melhor dividir a conta mesmo.

A luz no fim do túnel é saber que a vida cursa em ciclos e eque estamos vivendo mais um. Longe das discussões acaloradas tudo vai seguindo. Quem sabe num futuro a briga seja para que a mulher pague toda a conta... Vamos tocando o barco. 


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Hi Score Girl e uma saudade boa



Eu devia ter uns doze anos de idade quando tive meu primeiro contato com os jogos de fliperama. Fazia naquela época um curso de mecânica de automóveis em uma escola perto de casa. Não sabia, como qualquer garoto desta idade, o que queria fazer da vida. Ia para este curso mais por conta da vontade do meu pai.
A introdução é nostálgica porque remete a um tempo de minha vida que parece tão distante, mas enfim, o que diabos tem haver o curso de mecânica que eu fiz e o seriado Hi-Score Girl da Netflix? A resposta é simples. Havia um fliperama do lado da escola.
Lembro que prestava pouca atenção as aulas. Ficava a maior parte do tempo vendo os outros garotos jogarem. Muitas das vezes os professores me chamavam para a aula porque lá estava eu no fliperama. 
Essa paixão continuou por anos. Prestei prova para uma escola técnica em outra cidade. Passei, comecei a estudar e logo fui reprovado no primeiro ano. Muito dessa reprovação se deveu a The King of Fighters 95. Deixava de ir a aula para passar a manhã inteira jogando. Claro que haviam outros motivos para minha reprovação mas meu vício em fliperama foi um deles.
Os anos se passaram. Mudei meu gosto por jogos para RPG e consoles caseiros e cá estou vinte e seis anos depois escrevendo estas poucas linhas com um sorriso no canto da boca.
Hi Score Girl conta a história de Haruo. Um garoto com a idade próxima a que eu tinha naquele época. Ruim com os esportes, com a escola e com todo o resto, mas, dedicado aos jogos, principalmente a Street Figher 2. Ele nutre uma relação de ódio no começo mas de amor também por Ono, uma garota misteriosa e que é melhor do que ele nos jogos de luta.
Para quem foi criança e adolescente na década de 90 se reconhecerá em muito com as situações vividas pelo protagonista. Gastar todo seu dinheiro nos jogos, viajar para lugares distantes para conhecer novos fliperamas e games de luta. Fazer amizades sinceras e inimizades também. O caminho trilhado por Haruo é o mesmo que trilhei e o mesmo que muito por aí trilharam também.
Poucas obras hoje em dia me fazem refletir sobre minha vida e minhas lembranças. Talvez esse seja o motivo pelo qual Hi Score Girl tenha ganho um espaço no meu coração. Espero que traga boas lembranças a muito mais pessoas também.

domingo, 31 de maio de 2015

Convergência de Redes de Telecomunicações




1.   Uma breve história das telecomunicações

            De acordo com a sociologia, o homem é um ser que depende um dos outros para produzir algo, se divertir, aprender e até mesmo brigar entre tantas outras coisas.
            As interações sociais, desde os tempos mais remotos, tiveram como motor a comunicação. Eram desenhos em paredes de cavernas, grunhidos, gestos, algo que pudesse estabelecer uma relação, um tipo de conversa assim por dizer.
            Os anos passaram, a linguagem falada evoluiu. Os meios evoluíram e com o advento da escrita surgiram as cartas. A comunicação de voz foi convertida pela primeira vez em um novo formato: o de caracteres escritos em um meio.
            Primeiro foram os mensageiros a transportar as cartas, que quando lidas reproduziam o discurso de quem as elaborou. Mas a necessidade de comunicação tendia a querer alcançar distâncias cada vez maiores e, portanto, se fez necessária a elaboração de um sistema de logística mais complexo. Surgiam então os serviços postais como os correios.
            A distância, antes destes conceitos, podia separar familiares e amigos por uma vida toda, contudo e ainda assim com esses novos recursos mais sofisticados um problema surgiu:  vencer distâncias a cavalo ou por outro meio, podia demorar dias, semanas ou até mesmo meses. A questão era: como tornar a comunicação mais rápida? Como entregar uma mensagem de maneira instantânea?
            Estas eram questões que incomodavam Samuel Finley Breese Morse. Este senhor norte americano desenvolveu um sistema de comunicação que grosso modo convertia pulsos elétricos em informação codificada. Surgia então o código morse, o telégrafo e o conceito de telecomunicações.
            Postes, cabos, eletroímãs, baterias e mensagens chegando instantaneamente de uma localidade remota a outra. As comunicações evoluíram muito, mas com essa evolução, um novo ciclo de problemas surgiu: como tornar a mensagem privada? E principalmente, como podermos ouvir a voz de um ente querido?
            O telégrafo havia dado o pontapé nos estudos da conversão de informações em pulsos elétricos. Por que não se tentar converter a voz em pulsos também? Alexander Graham Bell percebeu esta nova demanda e desenvolveu o sistema que revolucionou as comunicações e a maneira de interagirmos uns com os outros: o telefone.
            Sim, era necessário uma telefonista para completar uma ligação, entretanto, o fato de poder ouvir a outra pessoa, a comunicação instantânea, até certo ponta a privacidade e o fato de não se deixar registros fixos sobre o conteúdo conversado fez o telefone se tornar a invenção do século trazendo benefícios a todos.
            Durante quase cem anos a evolução do telefone foi pouca. Acreditava-se ter-se chegado ao ápice de uma tecnologia, até que surgiram, nas décadas de 60 e 70, os conceitos de dados digitais e mobilidade. Primeiro surgiram os aparelhos de fax. Uma cópia digital de um documento enviado a distância. Depois o conceito de rede de computadores e por fim, na década de 90 a internet como a conhecemos.
Em conjunto com essa evolução dos dados o telefone fixo passou a apresentar um novo problema, da mesma maneira que as tecnologias anteriores. Com as pessoas trabalhando mais, estudando mais, vivendo cada vez mais horas do dia longe de suas residências como manter a relevância de uma tecnologia que obrigatoriamente requeria o usuário em casa? Surgia então a segunda revolução do telefone: a mobilidade das linhas celulares.
Este artigo tem por objetivo avaliar o cenário de convergência das redes fixas e móveis e prever, dadas as informações atuais, um futuro viável para as telecomunicações.

2.   Sobre o perfil do consumidor de telefonia e suas expectativas

Telecomunicações seguem tendências. A afirmação parece um tanto quanto óbvia, mas ainda assim, carece de uma avaliação um pouco mais profunda.
Pode-se afirmar que a evolução dos produtos nesta área ocorreu em duas fases. A primeira no seu surgimento. Havia uma necessidade de comunicação, e tal necessidade foi suprida com o advento do telefone. A tecnologia, da forma como foi concebida não carecia de uma evolução. De certo modo, o objetivo para o qual foi concebida havia sido alcançado.
A segunda pode ser observada após um hiato de décadas a partir do surgimento do telefone. A maioria dos países entendia, e ainda entende que a função primordial do telefone é estabelecer uma comunicação de voz. O usuário de telefone tinha também esta percepção, principalmente em localidades onde o serviço de telecomunicações era fornecido por empresas públicas. Contudo, países com operadores privados, por volta da década de 70, entenderam que aguardar a maturação do cliente quanto a tecnologia e suas possibilidades demandaria muito tempo e, portanto, novos produtos e serviços desenvolver-se-iam de maneira lenta também.
Frente a esta realidade, surgiu então, uma nova demanda para os fabricantes de equipamentos advinda da necessidade não mais dos clientes finais, mas sim dos operadores que tinham o intuito de “orientar” a maneira de o cliente enxergar o telefone. As primeiras centrais telefônicas com processamento armazenado, mais comumente conhecidas como CPA foram desenvolvidas. Tais equipamentos, assim como as centrais eletromecânicas que as antecedeu tinham como função primordial o completamento de chamadas (jargão técnico que remete a quantidade de chamadas completadas), porém, a nova tecnologia foi pensada de modo a gerar serviços (fonte: site Ericsson History). Identificação de chamadas, transferência, conferência, discagem abreviada. O Sistema passou a prover serviços de valor agregado que seriam até certo ponto inimagináveis a um usuário comum de linha fixa.
Os papéis finalmente se inverteram. Antes o cliente trazia uma demanda ao negócio, agora, o negócio gerava produtos que por sua vez induziam o cliente a uma nova demanda.
Os usuários de telefonia aderiram rapidamente a estas facilidades, incorporando-as de maneira indissociável ao telefone e propondo melhorias.
O grande produto gerado neste novo contexto e que exemplifica muito bem esta questão de oferta de serviços e direcionamento do consumidor é a internet. Quando lançada comercialmente, muitas pessoas sequer entendiam do que se tratava. Hoje, este é o principal nicho de mercado de qualquer operadora.
Os clientes atualmente utilizam mais dados que voz (fonte: site TELECO). Esta é uma tendência mundial (fonte: site IDGNOW). Ter nas telas de seus smartphones sites, televisão, mensagens instantâneas vem se mostrando algo muito mais interessante do que falar ao telefone.
As facilidades da internet, somadas a mobilidade da telefonia celular já ditaram qual é o futuro a ser seguido pelas operadoras. Ainda assim, a demanda pelo chamado triple play que consiste no conjunto de telefonia, televisão e internet de alta velocidade manterá a telefonia fixa como um produto com certa atratividade junto ao consumidor, contudo, relegado a um segundo plano. Tal atrativo é somente considerado pelo fato de a fibra ótica utilizada para alcançar as residências dos assinantes ser um meio de transmissão mais estável que as ondas de radiofrequência utilizadas na telefonia celular. Novamente aqui, observa-se, assim como na telefônica móvel, que os clientes não utilizam com frequência os serviços de voz mais sim a internet de alta velocidade.
Os clientes perceberam a facilidade de juntar formas de entretenimento diversas na internet, como TV, música, notícias e etc e esta percepção é o que norteia os investimentos das operadoras em equipamentos para aumento de banda e cobertura.
  
3.   Cenário atual das operadoras de telecomunicações

As operadoras móveis tem uma percepção clara do que os clientes almejam: dados. Entretanto, existe toda uma estrutura já montada voltada para a comutação por circuitos que nada mais é que o sistema de telefonia baseado em voz. Tal passivo de equipamentos se mostra atual e totalmente funcional. Substituí-los por equipamentos de comutação por pacotes e que tratam o tráfego de dados, requereria um investimento considerável.
Diante deste impasse, a maioria das operadoras móveis optou por fornecer planos de voz ilimitados ou com quantidade de minutos elevados por valores irrisórios na casa dos centavos (exemplos: TIM Liberty, VIVO Controle, NEXTEL Fale a Vontade, etc). O intuito aqui é manter a relevância do serviço e, portanto, a ocupação e utilização dos equipamentos existentes na rede bem como uma remuneração planificada.
Em contra partida, o investimento em equipamentos provedores de dados é realizado de maneira gradativa de modo a consumir um CAPEX (do inglês: capital expenditure) definido anualmente para este fim. O CAPEX é a receita reservada geralmente para o investimento na aquisição de ativos em um dado período. No caso em específico, a aquisição de equipamentos (fonte: site tiespecialistas).
Correções nos investimentos são feitas baseadas na percepção de mercado, requisições de clientes e eventos de grande magnitude como, por exemplo, a Copa do Mundo de futebol realizada no Brasil em 2014.
Para que houvesse uma cobertura em 4G nas sedes dos jogos houve um investimento na aquisição e comodato de equipamentos. Passado quase um ano após tal evento observa-se que a cobertura 4G continua restrita as sedes do evento. Esse é o reflexo dos valores cobrados pelos planos com esta tecnologia que na grande maioria excede a capacidade de investimento por parte do cliente em um serviço que no geral é considerado como entretenimento e, portanto não tratado como gasto primordial.
A questão do quanto o cliente quer ou pode gastar com produtos de voz e dados é sensível às operadoras. Nesse sentido a telefonia fixa tem certa vantagem quando oferece o pacote de televisão, internet e telefone. Apesar de estar restrito a uma localidade fixa, no caso a residência ou comercio do cliente, ter as três opções de serviços ofertadas a uma família ou grupo de pessoas é visto como um investimento mais inteligente e agregador.
A telefonia móvel pode prover os mesmos serviços, porém, de modo individual. Sendo assim, tomando uma família com três integrantes, como exemplo, teríamos o investimento em linhas 4G praticamente multiplicado por três.
No que tange investimentos em renovação de rede, as operadoras de telefonia fixa tem certa urgência uma vez que para manterem a relevância têm que entregar fibra ótica e serviços agregados a seus clientes que antes eram atendidos com pares metálicos e internet via tecnologia ADSL (do inglês: Asymmetric Digital Subscriber Line).
Para tanto, a topologia de rede deve ser mudada de modo a diminuir a infraestrutura, otimizando-a. Operadoras fixas detêm grande quantidade de prédios com equipamentos, as chamadas centrais telefônicas. Havia uma necessidade para isso devido a quantidade e volume de equipamentos e insumos. Com o advento das redes de nova geração (NGN) e estágios de assinante remotos do tipo MSAN (do inglês: multi-service access node) que podem ser instalados em postes ou via pública as operadoras fixas passaram a ter a opção de venderem prédios de centrais telefônicas após a substituição de equipamentos antigos por novos. Como geralmente tais centrais ficam em localidades de grande valor imobiliário nas cidades, esta estratégia vem se mostrando financeiramente interessante e reduz de certo modo a necessidade de capitalização externa para a aquisição de novos passivos.
Por ser um setor dinâmico e em constante evolução, as operadoras de um modo geral precisam dosar o volume de investimento frente a necessidade dos clientes. O fato é que não se monta uma rede com novos produtos e serviços de uma hora para a outra e a um baixo custo.
O norte a ser perseguido é a disponibilização de banda para dados indiferente do segmento, se móvel ou fixo.

4.   O que esperar do 5G

Atualmente, a cobertura 4G não tem um alcance abrangente e ainda carece de uma melhor estabilidade de sinal. Deste modo, seu potencial não foi explorado em sua totalidade. Somado a este ponto está a questão dos aplicativos utilizados pelos usuários comuns e que não requerem muito mais banda do que o 3G fornece.
Serviços de streaming ainda são vinculados a rede fixa que é mais estável e proporciona maiores velocidades de download. Se o cliente quer ouvir músicas ou assistir a vídeos no celular, este ainda as baixa via wi-fi ou pelo computador transferindo as mídias para o cartão de memória no dispositivo móvel.
Nesse sentido é correto afirmar que o entretenimento móvel ainda depende de uma rede fixa para poder existir haja visto que o download de mídia consome rapidamente os pacotes de dados existentes na telefonia móvel e demandam mais tempo de download, mesmo nos planos 4G.
Em se tratando de voz, não existe operadora no Brasil que utilize este seguimento sobre 4G. Esta tecnologia está relegada ao uso de dados apesar de poder comportar o serviço de voz. Para que um cliente 4G faça uma chamada ocorre o processo conhecido como CS – Fallback onde o acesso é comutado para uma rede 3G ou 2G dependendo da disponibilidade na localidade (fonte: site TELECO). Resumidamente, o serviço não é utilizado em sua totalidade.
Devido a estas dificuldades e tipos de uso atribuídos, o 4G pode ser considerado uma tecnologia de transição para uma geração mais estável, veloz e com mais banda e tipos de serviços: o 5G.
A quinta geração de telefonia móvel, já em estudo no Brasil pelos grandes fabricantes de equipamentos de telecomunicações (fonte: site IDGNOW), terá velocidades de até 10 Gbs em frequências mais baixas que as atuais (em torno dos 800 Mhz) o que proporcionará um alcance geográfico maior do sinal se comparado ao 4G.
Com tamanha banda, não será mais necessário baixar um filme em alta definição por exemplo. Este poderá ser assistido via streaming (técnica que armazena informações em unidades chamadas buffer sem a necessidade de baixa-las no dispositivo. Um exemplo desta técnica é o site YOUTUBE) e em tempo real sem a necessidade de se aguardar o armazenamento da informação.
O 5G será a primeira tecnologia móvel a rivalizar efetivamente com a fibra ótica da telefonia fixa. Do ponto de vista técnico existe uma solução fixa, que pode funcionar no 4G inclusive, que são as linhas do tipo FWT (do inglês: fixed wireless terminal).
O FWT é um terminal fixo fornecido por meio de uma rede móvel que poderá prover além do serviço de voz internet em alta velocidade. Existe ainda a comodidade da eliminação do cabeamento dentro do ambiente do cliente.
Com o 5G, não haverá distinção dos serviços providos por linhas fixas e móveis. A exceção ficará por conta da mobilidade dos dispositivos como celulares, tablets e notebooks.


5.      Para onde vamos e o que queremos

O entretenimento e a comunicação por multimídia (redes sociais, sites de relacionamento, compartilhamento de fotos, vídeos, músicas e etc) é uma realidade hoje e se manterá como a demanda primordial das operadoras de telecomunicações. Somado a isso, haverá ainda uma demanda considerável pelo serviço de voz, entretanto, este tenderá a se tornar dados trafegáveis por meio de pacotes numa rede IP assim como uma música ou um vídeo.
A comutação por circuitos tenderá lentamente a migrar para a comutação por pacotes devido a necessidade de otimização das redes das operadoras de telecomunicações, além disso, o conceito de telefone passara por uma transformação muito grande. Chamadas em vídeo conferência tornar-se-ão comuns e de fácil utilização por usuários totalmente alheios a tecnologia por trás desta.
Este é um ponto interessante quando se pensa na evolução tecnológica. As telecomunicações passarão a ser algo transparente ao usuário. Analogamente a energia elétrica, pouco importa ao cliente final a grande quantidade de equipamentos, estudos ou tecnologia embarcada no momento em que se aperta um interruptor e uma lâmpada acende.
Este estudo conclui que no que tange a evolução das redes é mais que correto afirmar que o futuro é móvel, mesmo para a telefonia fixa que passará a utilizar cada vez mais a infraestrutura de rede da telefonia móvel. O 5G se encarregará de fazer a convergência das redes de telecomunicações com as redes de computadores tornando a resultante em um produto de comunicações multimídia e multinível com abrangência global, mas, ainda assim, considerando as características regionais.
A convergência de redes abrangerá também a questão governamental. Se hoje já utilizamos os dispositivos móveis como forma de pagamento ou vale transporte (via tecnologia NFC) passaremos a utilizar o serviço de comunicação como meio de identificação associado a biometria e consultas a banco de dados on-line. Pode parecer algo extremamente futurista, mas muitas das tecnologias pensadas no último século são uma realidade nos dias de hoje.
As telecomunicações manter-se-ão como objeto de evolução da cultura humana podendo vir a tornar-se um compendio de conhecimento e meio de estabelecimento e manutenção das relações.

Referência Bibliográfica

WU, Tim. Impérios da Comunicação: Do Telefone a Internet, da AT&T ao Goglee. 1ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. 432 p.

domingo, 24 de agosto de 2014

Essa não é a vida real



Twitter, Facebook, Instagram, Blogspot. Talvez nunca tenha sido tão fácil viver uma vida paralela quanto hoje em dia.
Fotos de viagens, roupas novas, carros bonitos. Homens e mulheres querendo ser mais, querendo ter mais. O que antes vivíamos apenas nas páginas de um livro ou num filme de cinema passou a ser externado de uma maneira mais dinâmica. Nossos sonhos e desejos passaram a se misturar com a realidade e essa mistura passou a nortear nossas vidas.
Não se trata de uma aversão a tecnologia, mas sim o uso que é dado a esta. E esse uso sim vem ditando tendências e comportamentos. Quem nunca viu aquela criança de outrora, agora adolescente "sensualizando" como gostam de dizer por aí, em fotos com a língua de fora. Parece uma enxurrada, uma verdadeira legião de pessoas com a língua de fora e por quê? Porque todos fazem, simples assim.
O ser humano, de acordo com a antropologia, se desenvolveu para viver em grupos e esses grupos de humanos se desenvolveu para relacionar-se uns com os outros, trocando experiências uns com os outros. Era assim com o homem das cavernas, é assim com o homem moderno. Esse comportamento inerente ao ser humano está no cerne do que veio a se popularizar como redes sociais.
Interação rápida, quase instantânea, somada a possibilidade da associação de fotos e geo-localização disseminou a ideia de que qualquer um poderia ser mais popular, mais atraente. A ideia de nos mostrarmos cada vez mais tornou-se algo popular de modo que o importante passou a ser a questão de termos ou não conteúdo para mostrarmos.
Até mesmo a mais reclusa das pessoas tem algo a dizer, algo a mostrar. Mas e aqueles tímidos? Aqueles excluídos? Muitos destes viram uma revolução acontecer em suas vidas. De cativos de uma sociedade excludente passaram a uma liberdade jamais pensada, mas a questão não é sobre os populares e não populares e sim sobre quem consegue gerar conteúdo para ser publicado o tempo todo?
Está aí a mãe de todas as questões nesta era de conteúdo digital. Se um jornal, uma revista ou grande portal carecem de uma equipe inteira para tocar a máquina e muita das vezes apenas conseguem replicar conteúdo gerado por terceiros, como uma única pessoa conseguiria manter-se com algo relevante? Como seria possível uma única pessoa manter o nível de "like" necessário?
A resposta é simples, com mentiras, meias verdades e manipulação da realidade. É a foto de uma garrafa de vodka, energéticos e narguile em cima de uma mesa com frases como "hoje a noite promete" ou "amigos e baladas" ainda que a noite tenha terminado com uma pessoa bêbada e sozinha. É a foto daquela garota com a língua de fora tentando mostrar que já tem seios ao estufar o peito e dizer num português incrivelmente ruim "eu sei qui tu goooosta". Ainda que seja tímida e que como muitos adolescentes sofra de um amor platônico, precisa a todo custo mostrar que é descolada e que pouco se importa com sentimentos. O importante é ser "rodada e vivida", ainda que não seja.
Não se pode ser sincero o tempo todo. Os psicólogos e psiquiatras estão aí para confirmarem isso. O problema é viver uma vida que não se tem. É se logar em um site e passar a ser uma pessoa que não é. Estamos cada vez mais cultuado o mito, a imagem, e nesse caminho estamos nos perdendo. Estamos nos tornando uma sociedade de faz de conta, tão artificial quanto os bits e bytes que passamos a cultuar.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Halo Primordium

O texto abaixo possui informações sobre o enredo do livro e personagens da série de jogos Halo. Sendo assim prossiga com a leitura apenas se de fato tiver curiosidade sobre os eventos desta história.


Halo Primordium é o segundo livro da trilogia "Saga dos Forerruners" e sucede a narrativa iniciada em Halo Cryptum.
A história é focada nas lembranças de um monitor encontrado quase destruído em um Halo por pesquisadores humanos após os eventos narrados no jogo Halo Combat Evolved. Tal monitor diz ter sido humano no passado e que seu nome era Chakas. 
Na trama, Chakas se vê perdido em um Halo após a queda da nave que o transportava. Para aqueles que leram o primeiro livro, sabem que o desfecho deste é o aprisionamento de Chakas, Elevação, Bornstellar e o Didata pelo Mestre Construtor.
O Mestre Construtor foi o responsável pela construção dos Halos. Estruturas gigantescas que serviam como arma contra o Flood e que se disparada eliminaria toda a vida senciente no universo.
O mestre Construtor também foi responsável por liberar o "Cativo", chamado pelos Forerruners de "Primordial" de sua prisão em Charum Hakkor (última cidadela humana) e de transportá-lo para o Halo em que a história se passa.
Salvo da queda por Vinnevra, uma humana nascida no Halo, Chakas inicia sua busca por seu amigo Elevação e pelo Forerruner Bornstellar. Ele acredita que seus amigos devam ter sobrevivido a queda de suas respectivas naves.
Vinnevra o apresenta a seu avô Gamelpar - no livro é descrito que tanto ela quanto seu avô possuem pele escura e se assemelham com os aborígenes australianos - que nasceu em Erde Tyrene (Terra), mas ainda criança foi levado ao Halo.
O trio de protagonistas começam a ter manifestações de antigos guerreiros que lutaram contra os Forerruners na guerra dez mil anos antes. Chakas vem a descobrir que o geas implantado nele pela Bibliotecária era a do comandante Forthencho, o Lorde dos Almirantes, grande inimigo do Didata no passado.
Após uma série de aventuras e de uma tensão amorosa com Vinnevra nunca desenvolvida, finalmente Chakas encontra Elevação e descobre o que aconteceu com o Halo em que estão. A Bibliotecária havia coletado vários humanos e os colocado na instalação 07 (nome dado a este Halo em que a história se desenvolve). Sabendo que os humanos haviam descoberto uma maneira de se tornarem imunes ao Flood, o Mestre construtor decidiu realizar experimentos neles na tentativa de descobrir uma maneira de se defenderem. Os experimentos geraram atritos entre os construtores e os modeladores de vida. Uma guerra se instaurou entre estas castas e o Flood, contido nos laboratórios chamados Palácios da Dor foram liberados contaminando a todos, menos aos humanos imunes. Durante as batalhas, várias partes do Halo foram sabotadas e ele está para colidir com um planeta próximo que Chakas descreve como tendo a cara de um lobo devido ao formato de sua superfície e das sombras projetadas.
Ocorre uma reviravolta na história e o grupo é encaminhado a sala do Cartógrafo Silencioso pela geas de Vinnevra. Lá eles encontram um monitor muito poderoso que foi corrompido pelo poder do Primordial. Este monitor quer agora a destruição de seus criadores, os Forerruners, mas ele sabe que para que seu plano se realize é necessário salvar a si, ao Halo e aos humanos que agora são considerados os novos mestres da estrutura.
Chakas é conectado ao Cartógrafo Silencioso que possui todo o conhecimento sobre o Halo. Sua mente se abre e ele passa a ter todo o conhecimento necessário para salvar a todos. Enquanto conectado a esta máquina, uma frota de naves se aproxima da instalação e descobre-se que se trata do Didata que tenta a todo custo salvar o Halo. Aqui surge um dos últimos mistérios do livro: Por que o Didata que em Cryptum era contrário a construção dos Halos queria a todo custo salvar aquele da destruição?
Descobre-se que este Forerruner, apesar de se parecer por demais com o Didata é Bornstellar que se desenvolveu como um guerreiro servidor e que praticamente não possui mais traços de sua casta original, a dos contrutores. Bornstellar está seguindo ordens da Bibliotecária que quer salvar os humanos dentro do Halo.
Bornstellar pede a Chakas que o ajude a manejar o Halo de modo a ele não colidir com o planeta. De posse de novos poderes assim por dizer, Chaka realiza o pedido mas vê seu corpo definhar e sua mente ser transferida aos poucos, através do Compositor para um monitor. Ele mais adiante passará a se o monitor 343 Guilty Spark visto nos jogos Halo 2 e Halo 3.
Após a destruição do grande monitor que controlava a instalação, Bornstellar, agora Didata e Chakas, ainda no corpo humano deteriorado vão ao encontro do Primordial que solta de seu corpo o pó que infecta a todos com o Flood. Eles descobrem que o Primordial é de fato o último dos Precursores e que este deseja a aniquilação dos Forerruners. O Primordial diz que o Flood não é uma praga mas algo que trará o consenso a galáxia pois fundirá todas as formas de vida. Ele diz que os Forerruners não são dignos de carregarem o manto e que este deverá ser passado aos humanos.
Para a surpresa de todos, o Primordial diz que os humanos não são realmente imunes e que o Flood decide quem quer contaminar. Ele diz que os humanos se desenvolverão, acumularão conhecimento para no futuro serem assimilados pelo Flood também.
O livro termina com o Cativo morrendo, Chakas se tornando um monitor e vendo Vinnevra e Elevação pela última vez.
Chakas, agora Guilty Spark se apodera da nave humana em que estava sendo estudado suprimindo sua inteligência artificial e inicia uma busca pela Bibliotecária que ele acredita ainda estar viva.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Tempo de incertezas, violência e tristezas




Estive pensando sobre o momento em que vivemos. Sobre os desafios do dia-a-dia, sobre a insegurança que sentimos todos os dias. Estive pensando sobre o aumento da criminalidade, sobre os bailes funk e sobre aquele vizinho chato que por estar dentro de sua casa acha que pode fazer tudo, inclusive ouvir a música que quiser no volume que entender ser razoável. Pensei na falta de cultura e na cultura do futebol, na inflação e no por quê de pagarmos três vezes mais o valor de qualquer bem. Estive pensando no jeitinho brasileiro, na esperteza dos "espertos" e ainda assim perdedores. Pensei nas mentiras do governo e nas falácias dos políticos, no ranger de dentes dos sindicalistas e nos uivos inquietos das ONG's, vorazes por verbas públicas. Pensei um pouco mais no policial que se corrompe, na enfermeira que fica discutindo com as colegas sobre o capítulo da novela enquanto o paciente agoniza. Estive pensando sobre a menina que tentou matar a própria mãe com chumbinho e aos risos informava que repetiria o ato assim que a oportunidade surgisse. Estive pensando em leis absurdas como a de acabar com a comemoração do dia dos pais e dia das mães na escola em detrimento dos filhos de pais e mães homossexuais. A criança nesta situação não teria dois pais ou duas mães? e este não seria um motivo para esta criança celebrar em dobro? Pensei nas mulheres que querem mostrar seus corpos voluptuosos com saias, shorts e decotes e ainda assim reclamam quando alguém as aborda de maneira mais incisiva assim por dizer. Sou absolutamente contra o estupro, mas aparentemente, a lei da ação e reação parece não se aplicar as esta mulheres. Pensei inclusive nas mães que acham bonito e incentivam suas filhas a andarem seminuas pelas ruas com a desculpa de que elas tem o direito de decidirem sobre seu corpo. Pobre meninas...
Pensei sobre as cadeias lotadas e sobre o poder paralelo que está se tornando o poder de fato e pensei também na perda de esperança das pessoas de bem.
Envolto em tantos pensamentos, como ter esperança de melhoras? A sociedade como conhecemos está ruindo enquanto o governo parece distanciar-se cada vez mais daqueles que deveriam representar. Paro, e penso uma vez mais que tipo de futuro teremos e o que visualizo é simplesmente o imprevisível, mesmo em um horizonte curto de tempo. Aguardemos então os novos tempos, de tristezas talvez...

segunda-feira, 3 de março de 2014

Robocop



O texto abaixo possui descrição sobre o enredo do filme bem como personagens e traça um paralelo com o filme original. Sendo assim, prossiga com a leitura apenas se de fato tiver curiosidade sobre a história.

Assisti ontem o remake do filme Robocop e posso dizer que pessoalmente gostei muito. A história se desenrola bem. O filme tem começo, meio e fim. E uma das coisas que me deixam em paz quando assisto a um filme: não tem ganchos para uma continuação.
Para analisarmos este filme, temos que simplesmente esquecer do Robocop original. Ocorre que o contexto é diferente e os temas abordados também. Outro ponto que conta e muito é o público que cada um quis alcançar. O primeiro teve censura alta devido as cenas de violência, mutilação e muito sangue. O segundo por sua vez teve censura 14 anos. Este talvez seja um dos pontos que poucas pessoas levarão em conta ao assistir a nova versão. José Padilha ficou obrigado a trabalhar o filme para uma faixa etária ao qual não é acostumado, mas isso não desabona o seu filme.
O filme da década de oitenta usava de muito sarcasmo e ironia para criticar o governo dos Estados Unidos. é necessário ressaltar que internet, câmeras de monitoramento, bancos de dados integrados e inteligência artificial naquela época beirava a ficção cientifica. Não desmerecendo o filme original, mas ele baseia-se quase que unicamente na violência insana e na crítica social.
O novo Robocop por sua vez também é um fruto da época atual em que vivemos. Nessas três décadas houve uma revolução com a internet e tudo e todos podem ser monitorados. Desta vez a crítica não é exatamente contra o governo americano, se bem que esta ainda existe e é mostrada nos primeiros minutos do filme, mas sim sobre até onde o ser humano pode brincar e lidar com sua humanidade. Alex Murphy é um detetive da polícia de Detroit que sofre um atentado devido a investigação de um criminoso que corrompe funcionários da própria polícia em troca de armas apreendidas.
Ele tem boa parte do corpo queimado e é na cena que aparece seu corpo todo mutilado que você percebe que a violência do original está ali implícita. O cientista responsável pela transformação de Murphy numa máquina detalha para sua esposa como será a vida de seu marido. Ele ficará cego de um olho, surdo, preso em uma cadeira de rodas. A imagem do corpo na tela e o rosto da esposa chocado mostra um certo terror psicológico que realmente incomoda.
Outra passagem do filme que causa muito impacto é quando Murphy pede para ver o que sobrou do seu corpo humano. Ele mesmo espantado solta um "não sobrou nada". De fato não sobrou quase nada, apenas cérebro, pulmões, coração e uma mão, nada mais. A cena é crua, mostra que sem o corpo robótico ele se resume a apenas restos de um corpo humano. O interessante aqui é que uma pessoa que queira refletir sobre existência encontra um prato cheio. De certo modo o filme discute a questão do que nos faz ser quem somos. Não é nosso corpo ou nossa beleza, mas sim nosso intelecto e apesar de ser apenas pedaços de um corpo, seu intelecto foi mantido. Ele tem lembranças, sensações, vontades e isso o mantém humano.
Outro ponto interessante que que assisti em uma entrevista do José Padilha foi a questão de uma das mãos ter sido mantida. No final das contas, a Ominicorp, empresa por trás do projeto do Robocop precisava passar a mensagem a população de que quem puxava o gatilho no final era um humano. Achei consciente esta atitude do diretor. Passaria como um detalhe estético apenas sem esta explicação.
O personagem de Samuel L, Jackson é fantástico. Me fez lembrar o Datena ou o Marcelo Rezende com esse programas "mundo cão" que temos aqui na televisão brasileira. Totalmente tendencioso e armamentista o programa e seu apresentador manipulam os dados de modo a poderem derrubar uma lei no senado americano que proíbe o uso de robôs em território americano. Ele faz um lob tremendo em favor da Omnicorp e seus produtos.
A trama política do filme se dá em torno dele e é fantástico ver como a mídia tem de fato o poder. Robocop é uma obra fictícia mas seria muito crível em qualquer lugar as situações ali apresentadas.
Por falar nas diversas tramas que o filme tem, a principal, ao meu ver, se desenvolve justamente em torno do personagem de Gary Oldman. Ele é apresentado com um doutor preocupado em devolver uma vida próxima do normal a pessoas deficiente, amputadas e etc. Apesar de demonstrar nobreza, como homem, ele também é corruptível. O presidente da Ominicorp (papel do sempre excelente Michael Keaton) o convence de desenvolver uma arma. De pôr um homem dentro da máquina. Os dilemas do doutor são cruéis. Ele não sabe ao certo o que criou e principalmente, não sabe do que sua criação é capaz. 
Em determinada situação ele é obrigado a desenvolver um software que se sobressai ao cérebro de Murphy o fazendo pensar que está no controle. Aqui cabe mais um dilema: quando o software está atuando (toda vez que Robocop entra em modo de batalha e o visor cobre sues olhos) o ser humano dentro da armadura pode ser responsabilizado por suas atitudes?
O filme todo é muito bem contextualizado e tem dilemas por demais pertinentes aos tempos em que vivemos. Não fosse um ramake, Robocop faria muito mais sucesso, o problema do filme é ser comparado com o original sendo que ambos são mais que diferentes.
Eu recomendo o filme não pela ação ou pela violência mas por ser um filme de ficção científica que nos faz pensar e de uma maneira muito suave e fluída. Bom entretenimento.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Halo Cryptum

O texto abaixo possui informações sobre o enredo do livro e personagens da série de jogos Halo. Sendo assim prossiga com a leitura apenas se de fato tiver curiosidade sobre os eventos desta história.


Halo Cryptum é um livro escrito por Greg Bear autor de romances de ficção cientifica tendo sido ganhador de diversos prêmios entre eles o Hugo e o Nebula.
A história do livro se passa em um universo fictício a cerca de cem mil anos no passado. Época esta em que os Forerunner ainda viviam e eram responsáveis por proteger o conhecimento, as outras espécies e manter a ordem a qual eles davam o nome de Manto.
O livro segue os passos do personagem principal. Um jovem forerunner chamado Bornstellar Nascido das Estrela de Duração Eterna. Ele pertence a casta dos construtores, a mais altas em sua raça. Bornstellar está em sua fase inicial de vida, tem aproximadamente mil e duzentos anos e ainda é um Manipular. Este nome é dado aqueles que ainda não sofreram mutações para alcançar a vida adulta. Os forerunners se desenvolvem através destas mutações.
O jovem manipular é apresentado como um indivíduo contrário as regras de sua família e de sua sociedade recusando-se a fazer sua primeira mutação. Se interessa pouco por política e seu maior desejo é desvendar o passado, procurar tesouros perdidos dos Precursores, raça esta já extinta e que acredita-se ter dado origem aos forerunners.

Didata
Por conta deste comportamento indomável e teimoso, seu pai o enviou a uma família de uma casta inferior, a dos mineiros no planeta Edom, na esperança de que lá ele aprendesse um pouco de disciplina.
Todo forerunner utiliza uma armadura que os protege, os cura de doenças e fornecem qualquer tipo de informação requerida através de uma inteligência artificial chamada Ancila. Estas ancilas conseguem entrar nos pensamentos do portador da armadura e saber tudo o que ele sabe, inclusive saber seu estado de humor bem como o que ele está pensando, porém, e apesar de parecer perigoso, cada ancila é fiel a seu portador.
Ao conhecer sua nova família de mineiros ele recebe uma nova ancila compatível com a doutrina e conhecimentos desta casta. Esta ancila ao ter contato com a consciência de Bornstellar descobre seu desejo por desvendar os mistérios do passado e o conduz a um planeta próximo chamado Erde-Tyrene (planeta Terra) informando que lá ele encontrará o que procura.
Fugindo de sua família adotiva ele inicia uma aventura que mal poderia imaginar como terminaria. Erde-Tyrene é o lar de uma raça de guerreiros antigos que foram derrotados pelos forerunners dez mil anos antes em uma guerra feroz. Estes guerreiros são os humanos. Seguindo os preceitos do manto, os forerunners não exterminaram a raça mas confinaram os sobreviventes neste planeta. Sem tecnologia ou meios de adquirir cultura e novos conhecimentos, os humanos involuíram ao ponto de se tornarem caçadores e coletores.
Chegando no planeta a ancila, o conduz a um tipo de pousada onde ele conhece dois humanos, porém, de raças diferente: Elevação um chamamune (homo florensis) e Chakas um hamamune (o livro dá a entender que se trata de um homo sapiens ou uma variação inferior, porém superior ao homo florensis) que serão seus guias até o que se acredita ser ruínas de um templo antigo. O primeiro mede um metro e meio tem um humor simples e demonstra grande inteligencia mas pela forma como se comunica através da fala, pelas proporções do corpo e por sua aparência, percebe-se que se trata de uma raça de humano inferior, já o segundo é mais alto e forte. Demonstra mais inteligência e tem as formas e feições parecidas com as de um forerunner.
Bibliotecária
Ocorrem diversos contratempos no caminho até a ilha onde está tais ruínas. Um destes obriga Bornstellar a retirar sua armadura. Descobre-se então que por conta dela os forerunner não precisam dormir. Sem elas eles voltam a necessitar deste tipo de descanso.
Ao alcançarem seu objetivo encontra-se uma estrutura forerunner conhecida como Cryptum. Um mausoléu onde descansa o corpo de um forerunner morto ou que retirou-se para meditação. Violar tal lugar é um grande desrespeito entre os forerunners.
A Cryptum é protegida por doze esfinges de guerra muito antigas e que ainda possuem marcas de batalhas. Quando todo o local parece querer atacar os invasores no intuito de se proteger, Chakas e Elevação entoam um canto antigo que desativa as armas e dá acesso ao local. Bornstellar fica impressionado pois em uma das situações de risco ocorridas anteriormente ambos conheciam cantos que os salvaram. O manipular começou a acreditar que os humanos possuíam geas que são informações implantadas em seu DNA por manipuladores de vida, uma casta dos forerunner responsável, por toda a medicina e tudo o que envolve a vida em si.
Eventos ocorrem e Bornstellar abre a Cryptum descobrindo um forerunner antigo mas ainda vivo confinado em seu interior. Este forerunner era ninguém menos que o Didata o maior de todos os Prometeus, o guerreiro servidor que lutou conta os humanos e os venceu.
O Didata acorda amaldiçoando aquele que o acordou. Ele esperava despertar de sua meditação por si só tendo alcançado uma certa iluminação. Seu corpo frágil demorou dias para se recuperar. Terminada a recuperação ele interroga Bornstellar que explicou seu anseio por aventuras o que culminou no encontro da Cryptum. O Didata encara Chakas e o reconhece como um ser perigoso, descendente da raça derrotada. Ele estranha estar em Erde-Tyrene e diz que sua Cryptum foi movida de seu planeta original para aquele. O Didata acreditava que o fato de Bornstellar tê-lo encontrado e de aparentemente os humanos possuírem geas só poderia se tratar de um plano oculto de sua esposa, a Bibliotecária.
A Bibliotecária é uma forerunner muita antiga, a manipuladora de vidas mais experiente. Ela detém o maior cargo assim por dizer, dentro de sua casta. É a líder de todos manipuladores de vidas.
Chakas e Elevação perceberam que uma cratera próxima chamada Djamonkin havia mudado seu formato após a abertura da Cryptum. O grupo segue para lá e descorem que a Bibliotecária havia preparado uma nave para que saíssem do planeta.
Esfinges de guerra do Didata
Eles embarcam nesta nave. O Didata tem um destino em mente. O planeta Charum Hakkor. Este foi o local que os humanos escolheram para ser a sede de seu grande império com os San'Shyuum, raça esta vista na série de jogos como os Profetas do Covenant sentados em suas cadeiras que levitam. Charum Hakkor é também o local onde o Didata conheceu a Bibliotecária ainda nos tempos de guerra. A razão do didata ter ido a este planeta é o receio de que uma arma que ele considera vergonhosa e uma ofensa ao Manto poder ter sido usada.
Bornstellar pouco descobriu, ao contrário, todo o ocorrido havia colocado mais dúvidas em sua cabeça. Ele pede mais informações ao Didata e ele tenta dá-las a ele através das ancilas de suas armaduras, mas ocorreu um problema. O Didata é um forerunner antigo com muito conhecimento e com muitas mutações sofridas enquanto que Bornstellar é um manipular sem nenhuma mutação. Este fato impossibilita o jovem de adquirir mais conhecimento. É necessário que ele sofra uma primeira mutação para poder assimilar estas informações. Tal processo requer um forerunner de sua casta mais velho para ceder-lhe parte de suas experiências e aparentemente orientar a evolução de seu corpo e mente, o problema é que ele está longe de sua família ou de qualquer forerunner da casta dos construtores.
O Didata então propõe uma mutação de patente muito comum entre a casta dos guerreiros protetores, porém, a mutação teria que ser realizada utilizando como modelo o único forerunner adulto por perto, ou seja, ele mesmo.
Bornstellar aceita. É explicado pelo Didata que erros como deformidades podem acontecer no processo e que o fato de ele estar realizando a mutação para uma casta inferior, pode dar um resultado imprevisível, porém, tal mutação pode ser revertida se assim o jovem desejar quando voltar a sua família.
O processo ocorre com o auxílio da nave que os transporta e Bornstellar agora é uma primeira forma. Ele mantém a aparência de um construtor em um primeiro momento mas percebe aumento de força física e de mental. Pouco a pouco seu corpo começa a se transformar tornando-se um meio termo entre um construtor e um guerreiro servidor.
Mestre Construtor Faber
Bornstellar e os humanos recebem armaduras com ancilas. O geas nos humanos fazem eles terem memórias de guerreiros humanos derrotados no passado o que aumenta a raiva contra o Didata. As memórias inseridas em seu DNA os fazem sofrer muito.
Ao chegarem em Charum Hakkor, o grupo encontra um mundo totalmente destruído. Aquele lugar que abrigou o auge de uma civilização não passava de um monte de ruínas. A atmosfera do planeta apesar de ainda existir não podia abrigar a vida o planeta morreria em breve. As armaduras protegeram a todos. O Didata parecia procurar uma grande construção onde havia algo que o interessava. Eles encontraram o local e lá dentro viram algo que se parecia com uma cela, a porta estava aberta. O que quer que houvesse lá dentro, ou teria morrido com a destruição do planeta, ou teria fugido. O Didata temia pela segunda hipótese.
Intrigado com o que havia acontecido com o planeta e sem ter encontrado qualquer tipo de resposta o Didata resolve procurar os dois planetas em quarentena onde os San'Shyuum foram confinados. Ao perceberem que perderiam a guerra, os San'Shyuum resolveram fazer um acordo com os forerunners e se renderam deixando os humanos sozinhos na batalha. Sua punição foi amena se comparada a dos humanos. A eles foi permitida o mantenimento de algumas tecnologias e viagens entre os dois planetas em quarentena, porém, eles não poderiam evoluir mais e não poderiam desenvolver tecnologia capaz de tirá-los daqueles planetas.
Durante o percurso, Bornstellar inquire o Didata sobre o que havia na cela em Charum Hakkor. O Didata explica que no planeta haviam ruínas antigas dos Precursores quando os humanos chegaram e que eles encontraram o ser que estava preso naquela cela criada pelos Precursores. Muitos cientistas humanos estudaram aqueles ser e ao descobrirem a verdade, alguns se mataram. Por entenderem se tratar de um ser perigoso, os humanos desenvolveram mais um dispositivo para reforçar a cela e não permitir qualquer contato que fosse com o cativo. Quando em Charum Hakkor, o Didata teve contato com este ser. Bornstellar sabia disso, aliás, devido a mutação orientada pelo Didata, Bornstellar passou a ter flashes de suas memórias e a ter acesso ao Domínio, um tipo de banco de dados que os forerunner alimentavam com todo o seu conhecimento. Porém, este acesso estava se mostrando falho tanto para Bornstellar quanto para o Didata.
Chegando a área de quarentena onde encontravam-se os planetas destinados aos San'Shyuum, Bornstellar começa a ter lembranças de como eram os San'Shyuum. Seres belos, sensuais e envolventes, com um poder de seduzir qualquer raça, menos os forerunners e os humanos.
Cryptum visto em Halo 4
O Didata verificou que os escudos de quarentena estvam em alerta. Bornstellar fica impressionado ao ver pela primeira um cruzador de guerra forerunner. O Didata explica que aquele é o Deep Reverence e ele espera que seu comandante ainda seja o seu velho amigo de batalhas, o Confirmador.
Deep Reverence é uma nave realmente imponente com seus cinquenta quilômetros de comprimento e dez quilômetros de largura. Um colosso alí, parado, vigiando e guardando os inimigos derrotados.
Um sinal de rádio é enviado a Deep Reverence e a imagem que aparece no visor é de um velho guerreiro servidor, meio deformado e com muitas cicatrizes, o Didata o reconhece, é o confirmador. Ocorre uma conversa breve onde descobre-se que o confirmador foi deixado sozinho na fortaleza.
Ao desembarcarem na Deep Reverence todos ficam impressionados com o nível de degradação da nave. O Confirmador, explica que os escudos de quarentena estão em alerta devido a algumas visitas feitas pela Bibliotecária recentemente ao planeta. Aparentemente estas visitas causaram um alvoroço entre os San'Shyuum.
Ao ser questionado pelo Confirmador o motivo desta visita o Didata responde que o Mestre construtor havia terminado sua arma e a usou contra Charum Hakkor. O Confirmador esboçou um semblante de inconformação, mas retornou ao seu estado de letargia e indiferença.
O Didata resolve descer a um dos planetas em quarentena. Faziam mil anos que ele não via sua esposa e ele queria saber o que estava acontecendo lá embaixo e quais eram os planos de sua amada.
Durante a descida o Didata falou da vitória sobre os humanos. Ele explicou que a Deep Reverence foi deixada ali por vergonha. Os humanos fugiam de um flagelo que os atacava e por conta disso foram obrigados a adentrar nos domínios dos forerunners invadindo mundos. Os humanos conseguiram vencer este inimigo que os afligia mas esta vitória lhes custou muitas vidas e muitos recursos o que tornou a vitória dos forerunners mais fácil apesar da resistência formidável. O Didata se sentia envergonhado pela vitória desonrosa e este foi um dentre vários motivos que o fez entrar na Cryptum para meditar.
Bornstellar teve uma das lembranças do Didata naquele momento. Ele sabia que este inimigo eram os Flood. Os forerunners souberam contra o que os humanos lutaram mas não tiveram contato com tal ameaça, sequer viram ou presenciaram a forma deste flagelo. Tudo o que eles sabiam eram as informações deixadas pelos humanos.
Presumivelmente Chakas e Elevação na arte da capa
Após atravessarem o escudo, na órbita do planeta, uma frota de naves os esperava. O Confirmador, após anos de serviço parece ter afrouxado na segurança e parece ter perdido parte de sua lucidez também. Não eram naves de modeladores de vida pois possuíam armas. Os seguranças dos construtores estavam lá.
Ainda que a nave deixada pela Bibliotecária fosse formidável, ela não seria capaz de enfrentar um frota inteira. A ancila recebeu ordem para se renderem. Supressores de inteligência artificial foram impostos a nave, suas armaduras travaram, suas ancilas pessoais silenciaram.
Algumas esfinges de guerras mais modernas que aquelas da Cryptum entraram na nave e destruíram as esfinges antigas. Estas esfinges não eram apenas protetoras do Didata. Elas possuíam as impressões dos filhos que ele havia tido com a Bibliotecária e que morreram durante a guerra com os humanos, eram as últimas lembranças deles.
A esfinges que atacaram em seguida rebocaram os corpos inertes da tripulação para a superfície do planeta. Durante esta queda Bornstellar teve acesso ao Domínio que lhe informou estar chegando ao fim a história dos forerunners. Em um surto de memórias uma palavra veio a sua mente: Halo. Ele então desmaia.
Bornstellar acorda. Uma voz o pergunta o que fizeram a ele e o chama de manipular. A voz era educada e calma. A supressão de sua armadura é então diminuída e a voz novamente pergunta o que o Didata fez a ele e mais uma vez o chama de manipular.
Ofendido Bornstellar diz que não é mais um manipular e sim uma primeira forma. A voz o analisa e diz que ele tem cheiro de um guerreiro servidor mas se parece com um construtor disforme.
A voz pergunta se ele sabe onde está. Ele responde o que viu durante a queda, então a voz informa que ele está em Janjur Qon, o maior dos planetas San'Shyuum em quarentena e que os antigos inimigos voltaram a se rebelar após as visitas da Bibliotecária.
A voz fez mais uma pergunta, se ele sabia o motivo das visitas da modeladora de vidas ao planeta, mas Bornstellar respondeu não saber. Seus sentidos estavam se recuperando ele pode ver mais nitidamente quem estava falando. Era o Mestre Construtor, o maior dentre todos em sua casta e líder do conselho. Ele tinha o visto antes mas na época ele ainda não tinha este título, ele era chamado por seu nome original: Faber.
Mestre Construtor informou que o pai de Bornstellar foi informado de seu paradeiro e que ele ficaria aos seus cuidados até que fosse devolvido a sua família. Os supressores da armadura foram ativados novamente e Bornstellar desmaiou mais uma vez.
Ao acordar novamente ele estava em uma planície no planeta, os San'Shyuum estavam lá mais eram velhos, decrépitos e aleijados em cima de cadeiras com rodas, nada pareciam com as lembranças do Didata, em seguida chegaram três bolhas de confinamento estavam nelas Chakas, Elevação e o Didata, mas a bolha do Didata tinha um dispositivo que o fazia sentir muita dor, por fim chegaram uma nova leva de San'Shyuum, estes, apesar de feridos e mutilados, se pareciam com aqueles seres extremamente sensuais. Ocorria alí um golpe, mas os insurgentes não eram os jovens San'Shyuum e sim os velhos. Uma série de questionamentos ocorrem e o Mestre Construtor queria basicamente saber como os humanos haviam destruído a ameaça dos Flood, mas os San'Shyuum não sabiam. Enfurecido, Mestre construtor se voltou para o Didata que informou que um dos profetas San'Shyuum mais antigos sabia o segredo, mas para a infelicidade do Mestre Construtor, ao invadir o planeta, sua frota destruiu a torre onde o profeta morava matando-o. O segredo havia se perdido para sempre.



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mais médico e o império do Brasil



Li agora a pouco na Folha de São Paulo uma matéria sobre o rompimento da federação dos médicos com o governo. O motivo seria o tão falado Ato médico e principalmente o programa Mais médico que a grosso modo importará médicos de outros países para trabalharem em localidades distantes e com carência de profissionais da área da saúde.

Tenho uma opinião ambígua nesta questão. Sou contra a importação de médicos porque em se tratando de Brasil eles com certeza virão sem falar português, não terão tempo adequado para se adaptarem às práticas médicas brasileiras (existem procedimentos não adotados aqui no Brasil que são utilizados lá fora e vice e versa) e ainda não se sabe em quais condições tais profissionais virão trabalhar aqui (infra estrutura, salário, benefícios, etc).
Por outro lado, ainda que se trate de um remendo é fato que o povo precisa de saúde e precisa agora. A politicagem fez passar muito tempo e o povo não suporta mais esta espera. O fato é que algo deveria ser feito, só não escolheram a melhor solução.
Agora interessante foi a reação da federação dos médicos rompendo com o governo. Mais elitista que a casta dos médicos acredito que seja apenas a dos juízes. Me lembro de anos atrás quando a prefeitura de São Paulo inaugurou o hospital de Cidade Tiradentes. Nenhum médico quis trabalhar lá. O hospital teve sua inauguração protelada. Acho interessante os médicos querendo um plano de carreira igual ao dos juízes em uma época que tais benefícios para "classes especiais" estão sendo questionados nas ruas. O correto seria que tais mimos não existissem para qualquer classe que fosse.
Ao escolherem ser médicos, a priori, os indivíduos optaram por lidar com a dor. Entendo sim que um médico tem que ganhar muito, mas muito dinheiro porque estudam, porque se dedicam, porque dão o melhor de si (alguns), mas remuneração é diferente de um plano de carreira igual ao do judiciário ou do legislativo. Aliás, se já é vergonhoso o auxílio paletó que um deputado recebe o que se diria de um auxílio jaleco? Mais um agrado pago pelo dinheiro público.
Isso abriria precedente para os engenheiros, advogados, administradores, contadores, policiais, bombeiros, motoristas de ônibus, pedreiros e uma infinidade de profissionais pedirem um plano de carreira estilo judiciário.
Em termos acadêmicos é injusto comparar um médico a um pedreiro mas em termos de cidadania os dois são iguais e se o primeiro quer ter benefícios o segundo merece ter também.
Essa picuinha me faz lembrar do Brasil império é como se os médicos fossem os grandes barões querendo mais ouro e prestígio e dona Dilma fosse a imperatriz sem saber o que fazer com a plebe batendo aos portões de seu castelo.
No meu ponto de vista a solução para a saúde no Brasil está infelizmente no longo prazo. Não adianta o governo abrir uma universidade na zona leste de São Paulo, colocar o nome de USP e fornecer o curso de Ciências da natureza (apesar de ser necessário também) ao invés de um curso de medicina. Não adianta colocar uma universidade federal em Guarulhos oferecendo cursos diversos na área de humanas sem o curso de medicina. Antes que os esquerdistas de plantão digam que menosprezo os graduações citadas acima em detrimento do curso de medicina gostaria de dizer que sou formado em Letras e entendo da importância das ciências humanas. O fato é que se há deficiência na quantidade de médicos formados para atender a população, que se criem mais salas de aula de medicina. Que se isente de impostos as universidades pagas para que os cursos de medicina e os demais tenham seus preços reduzidos, afinal de contas se dá para isentar de impostos igreja que compra canal de televisão porque não as universidades que formam profissionais ao invés de religiosos fundamentalistas que dão até as cuecas nos cultos?
Porque não remunerar melhor o profissional médico que trabalha mais distante e em condições menos favoráveis? E por fim, por que abrir um monte de postos de saúde que não tem equipamentos suficientes nem infra para os profissionais de saúde trabalharem.
O problema do Brasil não é saúde, tampouco segurança, mas sim educação. Com ela, os outros dois problemas se não forem sanados ao menos serão reduzidos a níveis inexpressivos.
Não basta lordes brigarem com o sobreano por prestígio enquanto a população literalmente sofre na carne.