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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Mais um 14, mais um maio...


E o mês de maio vai assim passando. Lento, frio e chuvoso. As coisas de maio são assim. Lentas, porém contemplativas. Frias como quem se convida para um carinho quente e chuvosas como aquele período reflexivo necessário a alma.
Para os astrólogos é o mês de touro e de gêmeos. Dizem que touro pertence ao elemento terra. Deve ser verdade. Sempre gostei do cheiro de terra molhada e das coisas belas e cultas, do material e do tangível, da segurança e do conforto, mas quem não gosta de tudo isso não é?
Maio se vai mais uma vez. Para mim pela trigésima nona. Vejo agora um novo ciclo se iniciar lento, frio e chuvoso mas também esperançoso. 
O ano é constituído de um conjunto de doze meses como aprendemos desde de criança, mas maio é aquela parte deste duodécimo que teima em existir e se destacar na diversidade álgida da simplicidade.
E nesta morosidade gélida e pluvial vou seguindo com meu barco.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Insomnia Est



Descalço sinto o chão gelado sob meus pés.
Por entre cômodos vazios percorro minha procissão.
Absorto e envolto em pensamento...
Perco as horas em minha rotina perene.

A madrugada é companheira silenciosa.
Como quem já cansou de ouvir lamúrias.
Está ela lá, altiva, mas jamais ingerente...
Onipresente ela apenas vê e mais nada...

As noites por vezes parecem sem fim.
E sem fim são os anseios.
Sem fim são minhas considerações.
Que se derramam por sobre meu pesar.

É estar acordado e ainda sim entorpecido.
É a letargia de viver mais horas que um normal.
É desejar o que se parece inalcançável.
É querer dormir e simplesmente não conseguir...




terça-feira, 2 de maio de 2017

Quando um homem tem um probleminha


Acho que todo garoto em algum momento na vida quis crescer logo. Acredito que todo menino um dia se perguntou como seria ter barba ou como seria falar grosso igual seu pai ou seu avô. Muitos jovenzinhos sonharam estar dirigindo um carro e para aqueles um pouco mais crescidos, ter uma namorada.
O fato é que todo garoto, sem exceção é ansioso. Ansioso por se tornar um homem, afinal de contas o que há de melhor na vida? Poder conquistar tudo. Poder viver a vida. Ser alguém que faz a diferença.
Na maioria das brincadeira, os meninos são soldados, astronautas, atletas e por aí vai. São estimulados a superar limites. E assim vão passando os dias de uma rápida infância.
Eis que então, e finalmente ,chega a vida adulta e como jovem adulto, barba falhada, voz de taquara o mundo se apresenta em toda a sua glória e por vezes decepção.
Não ha mais brincadeiras. Há trabalho. Não há mais tempo livre. Há necessidade de estudar ainda mais. Não há mais férias no meio e no final do ano. Não mais. Mas existem as contas a serem pagas. As cobranças dos outros e até daquela namorada que se queria muito ter.
Não inventaram um manual de como se tornar um homem, mas ali está ele, ansioso, cheio de sonhos mas amarrado pelos pés e pelas mãos.
Ser homem não é fácil. Ninguém nunca disse que seria, mas ninguém nunca definiu direito o que é ser de fato um homem. 
Alguns dizem que homem não chora. Outros que o homem deve honrar suas calças. Alguns dizem também que o homem não deve levar desaforo para casa. Muitos pensam que ser homem é beber até cair ou pegar todas.
O mito criado ao redor do ato de ser homem por vezes confunde aquele garoto que só queria crescer. Tudo isso é ser homem? A resposta é sim... e não ao mesmo tempo. Você não pode chorar e por isso guarda dentro de si aquele sentimento por vezes ruim. Você tem que horar suas calças apesar de não serem sagradas. Este adereço místico do vestuário masculino ganhou um empoderamento tão grande que praticamente define a masculinidade de um ser mesmo sendo apenas um pedaço de tecido com algumas costuras que inclusive as mulheres usam também. O homem jamais deve levar desaforo para casa ainda que isso te custe a dignidade, uns dentes, hematomas e até mesmo a vida. Evoluímos de um estado tribal para uma sociedade avançada tecnologicamente mas o instinto animal de se resolver as coisas deve prevalecer e assim o prevalece quando para mostrarmos aos outros o quanto somos machos, bebemos até cair ou pegamos todas em qualquer lugar e a qualquer momento sem nos importarmos se aquela mulher é um ser humano ou um pedaço de carne a ser possuído.
Com tudo isso não é de se estranhar que a depressão é um dos males modernos e que talvez afete em uma intensidade maior homens do que mulheres, mas elas podem admitir que têm um problema e até chorar. Eles serão frouxos se assim o fizer. Os mais corajosos dizem que tem um probleminha, mas as vezes nem sabem como descrever o que sentem porque ser homem é também não entender direito sentimentos e sensações. É querer ser forte como uma rocha sempre, pouco se importando com a água que bate.

quinta-feira, 9 de março de 2017

E não viveram felizes para sempre



O amor tem dessas coisas...
Precisa ser sentido, precisa ser vivido...
Mas acima de tudo precisa ser confiado.
O amor desconfiado é um meio amor.
É um viver sem calor.
Uma lamentação sem fim,
É estar perturbado pela pior das dúvidas...
E se?

São noites de sono mal dormidas
Embrulhos no estômago
É querer estar dentro do outro
A vasculhar...
A querer encontrar aquele detalhe...
Por vezes avassalador
Devastador, usurpador...
É o torpor de toda uma dor...
Pujante, gritante e mesmo irritante.
Pois é. O amor não é tudo, mas...
A confiança assim o é.

Carente de fé,
Os ânimos se desanimam,
Os dentes se mostram, não num sorriso
E sim no ranger eufórico
Lascas de sentimentos se chocam...
E faíscas por vezes se faz ver
Sim. É ofensa, lambança
Falta de razão...
É um final infeliz...

sábado, 17 de setembro de 2016

Abraçar a eternidade...



Hoje eu morri... e renasci
Para depois me atormentar
Sem nexo, sem sentido
Sem gosto, sem gostar...

Cresci. Pouco, mas cresci
Longe dos olhares,
Mas ainda assim preocupado...
Com os olhos

No tempo me perdi...
Como quem perde vida
Como quem perde tudo
Vi perante meus olhos
O bater de asas de um sonho...

Triste e sozinho...
Abracei o amargor
Abracei a eternidade...
Do que poderia ter sido, 
Mas não foi...

Brilhante em outros sóis se foi
Escuro em uma penumbra ficou
Não mais existo e não mais existirá
Não este raio de sol...
Não este momento...

Nunca mais...



domingo, 14 de junho de 2015

Decepção


Talvez a decepção seja o mais triste dos sentimentos.
A dor de amor dói.
A dor da perda dói.
A dor da saudade dói.
A dor da distância dói...
Mas a decepção não. Ela não dói mas ainda assim pulsa.
Ela lateja e inequivocamente te desarma onde se pensava ser mais forte.
Ante tamanho descontentamento, que fazer? O que pensar?
Frustração que macula a alma e faz o mal surgir nos corações.
Ante tamanha imposturia como agir? A quem recorrer?
De todo o melhor que meus defeitos permitiram existir em mim, a confiança sempre se mostrou ser a mais insensata e ainda assim a melhor de todas as minhas qualidades.
Mas sofre-se assim, sofre-se mais uma vez, mas aprende-se e de dor em dor vão se superando os percalços. Ainda não se inventou uma maneira de evitarmos uma mentira, mas com toda a certeza, para toda mentira haverá uma verdade e esta gritará e aparecerá e por fim prevalecerá...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Tempo de incertezas, violência e tristezas




Estive pensando sobre o momento em que vivemos. Sobre os desafios do dia-a-dia, sobre a insegurança que sentimos todos os dias. Estive pensando sobre o aumento da criminalidade, sobre os bailes funk e sobre aquele vizinho chato que por estar dentro de sua casa acha que pode fazer tudo, inclusive ouvir a música que quiser no volume que entender ser razoável. Pensei na falta de cultura e na cultura do futebol, na inflação e no por quê de pagarmos três vezes mais o valor de qualquer bem. Estive pensando no jeitinho brasileiro, na esperteza dos "espertos" e ainda assim perdedores. Pensei nas mentiras do governo e nas falácias dos políticos, no ranger de dentes dos sindicalistas e nos uivos inquietos das ONG's, vorazes por verbas públicas. Pensei um pouco mais no policial que se corrompe, na enfermeira que fica discutindo com as colegas sobre o capítulo da novela enquanto o paciente agoniza. Estive pensando sobre a menina que tentou matar a própria mãe com chumbinho e aos risos informava que repetiria o ato assim que a oportunidade surgisse. Estive pensando em leis absurdas como a de acabar com a comemoração do dia dos pais e dia das mães na escola em detrimento dos filhos de pais e mães homossexuais. A criança nesta situação não teria dois pais ou duas mães? e este não seria um motivo para esta criança celebrar em dobro? Pensei nas mulheres que querem mostrar seus corpos voluptuosos com saias, shorts e decotes e ainda assim reclamam quando alguém as aborda de maneira mais incisiva assim por dizer. Sou absolutamente contra o estupro, mas aparentemente, a lei da ação e reação parece não se aplicar as esta mulheres. Pensei inclusive nas mães que acham bonito e incentivam suas filhas a andarem seminuas pelas ruas com a desculpa de que elas tem o direito de decidirem sobre seu corpo. Pobre meninas...
Pensei sobre as cadeias lotadas e sobre o poder paralelo que está se tornando o poder de fato e pensei também na perda de esperança das pessoas de bem.
Envolto em tantos pensamentos, como ter esperança de melhoras? A sociedade como conhecemos está ruindo enquanto o governo parece distanciar-se cada vez mais daqueles que deveriam representar. Paro, e penso uma vez mais que tipo de futuro teremos e o que visualizo é simplesmente o imprevisível, mesmo em um horizonte curto de tempo. Aguardemos então os novos tempos, de tristezas talvez...

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Aquela velha casa


Ela limpou a casa da melhor maneira que podia. A visita estava por chegar e tudo precisava estar arrumado. A casa não era bonita. Longe disso. As paredes estavam sujas e a muito não via tinta nova, o piso tinha aparência desgastada pelos passos daqueles muitos que por ali passaram mas ainda assim tratava-se de uma casa grande e imponente.
Feliz por ter terminado e ansiosa por matar a saudade, passou na frente daquele espelho colado na porta do guarda- roupas e por um instante fitou o reflexo de seu rosto. Os cabelos brancos, as rugas e alguns cravos denunciavam sua idade. Abaixou a cabeça, olhou para as pequenas mãos calejadas e percebeu que o tempo havia passado rápido, mas logo se recompôs, não havia lugar para este tipo de pensamento, o importante é que a casa estava limpa e ponto final.
O pouco estudo não a impediu tornar-se uma mulher prendada e como boa anfitriã, lembrou-se daquele bolo de milho que sua visita tanto gostava. Comprou os ingredientes e o fez com gosto. Ela sabia que ele iria ficar muito feliz com a surpresa.
Por ultimo, mas não menos importante, preparou a cama. O lençol recém lavado na véspera estava com aquele cheirinho bom de roupa seca ao sol. Ela puxava, esticava e contente com o resultado concluiu que todos os preparativos haviam sido feitos.
O telefone tocou. Seu coração bateu forte. Era a voz de um homem mas ela a ouvia como se fosse a de um menino. Seu sorriso se abriu quando ouviu duas palavrinhas mágicas, "estou chegando". Rapidamente ela olhou para a sala, correu no quarto e confirmou o estado da cama e já na cozinha viu que o bolo ainda fumegava de quente. Seria um dia feliz.
Ele chegou. Estivera longe por muitos e muitos anos. Era alto e bonito. Bem vestido. Ela olhou e meio que ao mesmo tempo abriu os braços e um sorriso. Ele se aproximou, olhou ao redor como que desconfiado e a abraçou também. O sorriso insistia em não sair do rosto dela, mas o rosto dele parecia não apresentar qualquer tipo de reação a não ser aquele educado risinho sínico de canto de boca.
- Por que demorou tanto para vir, perguntou ela sem desmanchar aquele sorriso.
- Estive ocupado demais com o trabalho e minhas coisas, respondeu ele com um tom de voz polido.
- Sente-se aqui, o sofá é novinho.
O homem sentou e tornou a olhar ao redor. Ela sentiu algo estanho nele pela primeira vez: - O que foi? Perguntou ela.
- Não foi nada, respondeu ele mais uma vez com aquele tom polido.
Ela o chamou para a cozinha e enquanto caminhavam até lá por aquele corredor comprido fez uma série de perguntas e todas prontamente respondidas.
Ao chegarem na cozinha ele olhou diretamente para aquela parede em que dois azulejos haviam caído. Ela percebeu e se envergonhou. Havia tido um trabalho danado para limpar todos os azulejos e torcia para que ele não reparasse aqueles dois faltando, mas ele reparou. Para tirar a atenção dele das paredes disse: - Vamos sentando, fiz aquele almoço com tudo o que você gosta e além disso a sobremesa é bolo de milho.
- Obrigado mas já almocei, respondeu ele rapidamente.
- Coma, está tudo fresquinho, acabei de fazer, respondeu ela ainda sorrindo.
- Não vou comer, estou cheio.
- Mas coma só um pouquinho, ao menos o bolo, pediu ela meio que murchando.
Sensibilizado com aqueles olhos pequenos mais ainda assim tão vivos ele pegou um pedaço pequeno daquela forma de bolo enorme e colocou na boca. Antes de pôr o café na xícara, olhou para o fundo dela. Bebeu e ficou calado.
Aquele sorriso no rosto dela havia sumido. Seu semblante ficou triste.
- O que aconteceu? por que você está tão estranho? Por que não comeu nada? Por que fica olhando para cada canto da casa e não olha para mim? Perguntou ela angustiada.
Pressionado, ele explodiu:
- É esta casa mãe! Está feia, caindo aos pedaços. Parece um barraco. Os móveis ainda são aqueles da época da minha infância, tudo está tão sujo, e a senhora? Olhe para a senhora? Está tão mal tratada. Fiquei tanto tempo longe e quando volto tudo parece ter piorado. Eu não dormiria aqui nunca, deve ter rato e barata.
Ela abaixou a cabeça e olhou para um lado. Trouxe as mãos ao rosto e sentiu uma lágrima se formar no canto de um olho. Ela não queria chorar. Aquele deveria ser um momento de alegria e não de vergonha e tristeza. Ela segurou como pôde mas as lágrimas em momentos assim parecem ter mais força do que podemos imaginar. Ela não aguentou tudo aquilo e chorou. Aquela não era mais a sua criança, era apenas um estranho. Bem vestido e com uma voz familiar mas ainda assim um estranho.
Ele, percebendo a barbaridade que acabara de fazer tentou acalmá-la. A abraçou. Pediu-lhe desculpas mas nada continha aqueles soluços. Tanta cultura, tanto estudo parece tê-lo deixado cego e arrogante. Não havia mais o que fazer. A dor havia sido causada.
Ele levantou-se e despediu-se. Ela andou pela casa. A cama estava lá. O lençol ainda esticado com tanto esmero permanecia intocado. Virou-se, fechou aquela velha porta com a pintura descascada e novas lágrimas preencheram-lhe a face. Na cozinha a comida ainda estava morna mas isso não importava mais. Nem mesmo o pequeno arranjo de flores em cima da mesa a consolava. Ela sentou na cadeira mais próxima e chorando adormeceu.

Moral da história

Uma xícara quebrada, ainda que se cole os pedaços, jamais voltará a ser a mesma e assim são as feridas impostas ao coração de uma mãe.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Aos meus amigos, perdas construtivas


É realmente uma pena não estarmos imunes as mudanças que a vida nos apresenta. Isso inclui perdermos o que nos é precioso. Contudo, há uma lição muito grande a se tirar desta experiência. Deus em sua sabedoria sem fim nunca nos retira algo ou alguém para nos deixar tristes e infelizes, mas sim para nos mostrar onde estávamos cometendo erros, para mostrar-nos onde podemos e devemos melhorar como seres humanos. A cada dor sentida uma nova esperança haverá de surgir, a cada lágrima derramada um novo sorriso haverá de inundar o nosso rosto e para cada porta fechada uma nova haverá de se abrir, pois a vida é isso, um conjunto de ciclos que vão e vem, que nos derruba e nos levanta, que aflora nossos medos e angustias para em seguida nos ver reerguer mais fortes e melhores. Mais humanos. Desejo a todos meus amigos que Deus opere milagres em nossas vidas e que ele provenha o consolo e a vitória a todos que o buscam. Sejam todos sempre felizes.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Solidão

As intermitências da solidão nos persegue com o único intuito de nos entristecer. Hão aqueles que digam que para se viver ao lado de alguém, deve-se primeiramente aprender a estar só, a estar consigo. Ledo engano. Pessoa nenhuma nasceu para cuidar apenas de si e sim para importar-se com mais alguém, sem pretensão, desinteressadamente ainda que todas as atenções sejam para ela. Talvez esta seja a melhor definição do que é amar...