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domingo, 18 de maio de 2025

Um outro 14 de Maio...

Há muito não escrevo aqui. Um pouco de falta de tempo, um pouco de preguiça e um pouco de esquecimento me afastaram de algo que eu sempre gostei de fazer: escrever.

Nunca fui um bom escritor, mas sempre tive e por vezes tenho a facilidade de encontrar as palavras corretas. Seria um dom? Seria sorte? Talvez um pouco dos dois.

Por falar em sorte, e aqui relacionando-a com benção, no último catorze de Maio fiz quarenta e cinco anos. Tenho sorte por estar bem. Relativamente saudável e estável. Sou abençoado por estar vivo, me sentir respeitado e querido por amigos e principalmente ser amado por uma mulher tão excepcional como a Regina.

Sou grato a Deus por tudo que tenho e por tudo que pude fazer em minha vida a despeito de minhas muitas falhas e muitos erros cometidos nesse processo contínuo de amadurecimento.

Mudei bastante ao longo dos anos. Essa mudança se reflete num estado que eu chamo de calma inquietante. Calma porque tenho paz e serenidade para avaliar a vida com um olhar mais contemplativo e inquietante porque me tornei mais incomodado com determinadas coisa ao meu redor. Estranho não? Acho que a soma dos dois seria melhor traduzida como indiferença, mas pode ser também traduzida como conformação por entender que não posso mudar as coisas erradas do mundo. Posso apenas mudar as coisas erradas que existem em mim.

Sei que já fui muito empático, mas empatia demais atraiu aproveitadores. Sei que já fui muito paciente, mas paciência demais atraiu exploradores. Sei que já fui muito amoroso, mas amor demais atraiu paixões avassaladoras, destrutivas e passageiras. Sei também que já fui inocente demais e por isso sofri muito e demorei para entender que a vida é dura e que ela não liga muito para o que sentimos.

Enfim, calejado demais cresci. Evoluí para alguém indiferente, mas ainda assim, e curiosamente, preocupado. Preocupado ainda com o futuro, com sonhos mais concretos e com pequenas realizações. Coisas com o pé no chão.

Quarenta e cinco anos se passaram e me sinto mais forte e mais preparado para a vida do que me sentia aos vinte, época em que tudo parecia tão mais intenso e verdadeiro. 

Saí finalmente do verão e entrei no outono da minha vida, mas não me preocupo. Sempre gostei do frio e das folhas amareladas nas árvores brilhando sob a luz amarela de um sol fraco.

O fato é que em todos os momentos da vida, por mais difíceis que sejam, sempre haverá alguma beleza para ser apreciada, experimentada e vivida. Que venham no mínimo mais quarenta e cinco anos. Não acharia ruim não.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Regina


Por todo o tempo em que a eternidade existir...

E entre evoluções e revoluções...

Caminhos e descaminhos...

Alvoradas e crepúsculos...

O estado natural de todas as coisas em mim será sempre você...






quinta-feira, 14 de maio de 2020

Guava Island




Fazia tempo que não assistia a um filme tendo aquela sensação boa de surpresa. Sem ficar fuçando no celular bem no meio da apresentação.
Guava Island (2019) apresenta a história de amor entre Deni e Kofi numa ilha com um sistema totalitário onde todos trabalham para uma única empresa. Existe uma segunda relação de amor entre Deni, a música e a liberdade representada pela forma despretensiosa e relaxada com a qual o protagonista é apresentado.
Childish Gambino, pseudônimo de Donald Glover se investe de seu personagem em This is America mas de maneira mais natural e com mais tempo de tela nos agracia com suas danças peculiares e com uma afinação musical para cantar que eu desconhecia (não acompanho a carreira do ator como músico).
Quanto a Rihanna, bem, o que dizer de uma mulher que sempre está bela nas fotos mas que aqui estava investida numa mulher comum. Bonita ainda, mas comum. Devo admitir que foi uma das coisas que me chamou a atenção. Suas roupas, cabelo. Até a forma de andar não lembrava em nada aquela mulher poderosa criada pela indústria da mídia.
Me surpreendeu também o fato de a trama se passar em uma fictícia ilha chamada Guava tendo como cenário original a ilha de Cuba. Acho que esta foi a primeira vez que eu vi algo filmado lá. Durante todo o filme fiquei me perguntando que lugar era aquele sem obter resposta. As ruas de terra, casas pobres, igreja humilde e predominância de pessoas negras me fez lembrar de muitos locais pobres no Brasil
O filme em si tenta ser um musical e conta uma história de opressão e sobre a importância de se ter um tempo para a diversão. Literalmente ter uma folga para o trabalho chato e repetitivo. Me fez pensar o quanto por vezes entramos no automático e deixamos que as "prioridades" e obrigações da vida se sobreponham sobre o que de fato nos faz faz bem que é viver a vida com quem amamos e com quem nos faz bem.
Final é meio que previsível mas nem de longe tira a leveza e a despretensão com a qual a história segue. Diversão boa para a quarentena.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Lágrimas


Por vezes as lágrimas apenas vêm. Sem pedir licença e tampouco se importando se é o momento e o lugar certo.
Elas transbordam quando não há mais o que se fazer. É o recurso final da alma quando esta se cansa de tanto lutar.
São como palavras tristes que carregam toda uma dor para a qual não se tem solução.
É a forma de se gritar para o mundo o quanto tudo está errado e ainda assim fluído.
Por vezes as lágrimas apenas vêm. Chegam de uma maneira incontrolável, entre soluços e olhos cerrados, pensamentos reincidentes e constantes.
Estragam a maquiagem, avermelham os olhos e enruga todo o rosto.
Geram empatia e pena àqueles que por perto estão, as indiferença a quem por tantas vezes já perdeu em tantas noites de choro.
São o ápice de algo que precisa ser posto para fora mas não sai.
Lágrimas são o que são. Pequenas gotas de grandes sentimentos por vezes sem sentido, por vezes dolorosos mas tão vivos dentro de nós.
Venha e transborde. Derrame e deforme mas acima de tudo faça ir embora a dor.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Mais um 14, mais um maio...


E o mês de maio vai assim passando. Lento, frio e chuvoso. As coisas de maio são assim. Lentas, porém contemplativas. Frias como quem se convida para um carinho quente e chuvosas como aquele período reflexivo necessário a alma.
Para os astrólogos é o mês de touro e de gêmeos. Dizem que touro pertence ao elemento terra. Deve ser verdade. Sempre gostei do cheiro de terra molhada e das coisas belas e cultas, do material e do tangível, da segurança e do conforto, mas quem não gosta de tudo isso não é?
Maio se vai mais uma vez. Para mim pela trigésima nona. Vejo agora um novo ciclo se iniciar lento, frio e chuvoso mas também esperançoso. 
O ano é constituído de um conjunto de doze meses como aprendemos desde de criança, mas maio é aquela parte deste duodécimo que teima em existir e se destacar na diversidade álgida da simplicidade.
E nesta morosidade gélida e pluvial vou seguindo com meu barco.

sábado, 5 de agosto de 2017

Friozinho bom



A noite estava fria naquele dia. Garoava um pouco. Não aquela garoa forte. Muito pelo contrário, aquela garoa fininha que quase não molha mas que é o tormento de quem usa óculos.
Com uma mão sobre a testa em posição de marinheiro a avistar terra firme estava ela a proteger aquelas lentes grossas sem muito sucesso. Ela pulava de poça em poça tentando não molhar a bota nova também. Coisa de mulher, sabe como é. Cada roupa, cada acessório tem um momento de brilhar e uma poça qualquer não tinha o direito de estragar tudo.
Estava a perto de casa. Numa noite de tempo bom já teria chegado, mas o tempo ruim não ajudava muito.
Aliviada abriu o portão com certa pressa. Quase não sentia os dedos. O frio quando quer pode ser muito maldoso. Como pôde querer castigar mãos tão pequenas e delicadas como aquelas?
As pessoas costumam falar sobre o calor humano e ele de fato existe, mas se intensifica apenas dentro de um lar. E foi assim que ela se sentiu quando abriu a porta da sala. O ar quente a envolveu como um abraço amigo.
A chaleira apitava com água ainda em fogo baixo no fogão. Duas xícaras dispostas sobre a mesa. Saquinhos de chá preto com bergamota. Seu preferido. Um sorriso surgiu naquele rosto. São em pequenos gestos se que demonstra o quanto conhecemos alguém e o quanto podemos receber e dar carinho a quem amamos. No caminho para casa ela pensou sobre um monte de coisas do serviço, da faculdade, da vida, mas duas xícaras ainda vazias fizeram-na lembrar que nada mais importava a não ser estar ali naquele momento.
Num estalo ela acordou daquele transe bom, desligou o fogo e correu pela casa a procura do responsável por aquele carinho singelo.
Lá estava ele no sofá. Todo embrulhado em uma manta em frente da TV. Parecia um mendigo de tão empacotado pensou ela, mas evidente que tudo o que ela queria era estar enfurnada ali junto com ele.
Como que uma ladra no meio da noite, caiu de assalto por sobre ele deferindo beijos a queima roupa. Pareciam duas crianças brincando.
Existe amor em todas as coisas e em todos os gestos. Muitas pessoas não veem sentido nos dias frios, mas existe dois motivos pelos quais eles existem. Aquecer a alma e reforçar o amor.


quinta-feira, 9 de março de 2017

E não viveram felizes para sempre



O amor tem dessas coisas...
Precisa ser sentido, precisa ser vivido...
Mas acima de tudo precisa ser confiado.
O amor desconfiado é um meio amor.
É um viver sem calor.
Uma lamentação sem fim,
É estar perturbado pela pior das dúvidas...
E se?

São noites de sono mal dormidas
Embrulhos no estômago
É querer estar dentro do outro
A vasculhar...
A querer encontrar aquele detalhe...
Por vezes avassalador
Devastador, usurpador...
É o torpor de toda uma dor...
Pujante, gritante e mesmo irritante.
Pois é. O amor não é tudo, mas...
A confiança assim o é.

Carente de fé,
Os ânimos se desanimam,
Os dentes se mostram, não num sorriso
E sim no ranger eufórico
Lascas de sentimentos se chocam...
E faíscas por vezes se faz ver
Sim. É ofensa, lambança
Falta de razão...
É um final infeliz...

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ela sempre prevalecerá




Não há mentira que se sustente para sempre. Nunca haverá. Poderão passar anos, eras, mas um dia a verdade surgirá ainda que não para se fazer justiça, mas para se acalmar os ecos dos corações atormentados.
Algumas pessoas mentem bem. Elas realmente são boas nisso, mas sustentar uma mentira por anos a fio dispende grande esforço. Umas se cercam de cuidados e se tornam paranoicas. Passam a acreditar em suas invenções. Outras relaxam. Esquecem e deixam a vida fluir. O castigo da primeira é a loucura, o da segunda, ser exposta. Mas ambos em algum momento estarão nus. Despidos da segurança da história perfeita.
O silêncio é o predecessor da vergonha de ter sido apanhado e a vontade de reconciliar é o golpe baixo destes astutos.
Da mesma forma que existe a mentira e a verdade, o enganador e o enganado, existe o coração mole e o coração duro. Um sofre, perdoa e esquece, já o outro sofre, mas, não perdoa, não esquece e se vinga. Existem aqueles que abraçam a compaixão e outros que veem no ódio um anjo de braços abertos. Jamais se pode julgar ou entender a reação de alguém que foi enganado. Tão pessoal quanto o amor é a ira. Tão intenso quanto a criação é a destruição. São irmãos amarrados pelos pulso, digladiando entre si.
Mas indiferente do desfecho, o fato é que a verdade pode tardar, mas sempre prevalecerá. Ela se imporá ante as trevas da ignorância e da enganação. Ela será a luz para a salvação ou o fogo da danação.


sábado, 17 de setembro de 2016

Abraçar a eternidade...



Hoje eu morri... e renasci
Para depois me atormentar
Sem nexo, sem sentido
Sem gosto, sem gostar...

Cresci. Pouco, mas cresci
Longe dos olhares,
Mas ainda assim preocupado...
Com os olhos

No tempo me perdi...
Como quem perde vida
Como quem perde tudo
Vi perante meus olhos
O bater de asas de um sonho...

Triste e sozinho...
Abracei o amargor
Abracei a eternidade...
Do que poderia ter sido, 
Mas não foi...

Brilhante em outros sóis se foi
Escuro em uma penumbra ficou
Não mais existo e não mais existirá
Não este raio de sol...
Não este momento...

Nunca mais...



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Aqueles olhos azuis



Existe beleza na pequenas coisas e mais ainda nas pequenas coisas que passam pela cabeça de uma criança.
Já passava de seus oitenta anos. As dores no corpo e a memória um tanto falha denunciavam a longa jornada que havia trilhado até então.
Com tanto vivido e tão pouco a viver pela frente passara a apegar-se a lembranças de um passado distante e bom. O nascimento do primeiro filho. O dia de seu casamento. A primeira vez que foi a praia. Todas estas foram sensações únicas e ele sabia que muito do que era hoje havia dependido delas, mas algo o incomodava.
Ele meio que queria algo mais antigo. Algo que o remetesse aos tempos em que o tempo não fizia tanta diferença assim. Lembranças da infância com toda a certeza preencheriam essa lacuna, mas qual?
Sim. A idade havia chegado. E ele triste concluía o inevitável. Era um dos últimos de sua geração a estar vivo. Sua amada esposa se fora anos antes. Assim como seus irmãos mais velhos e seus amigos mais próximos. Refletia sozinho sobre a longevidade. A vida era boa, não tinha do que reclamar. Gozava de relativa boa saúde. Teve filhos ótimos e que te deram muito orgulho e netos encantadores. Todas grandes alegrias, mas aqueles que poderiam ajudá-lo a recordar de sua infância não estavam mais ali e isso o incomodava.
Levantou-se da poltrona com um pouco de custo e caminhou até a janela. A tarde estava bela com um sol não muito quente. Ele sentia aquele calor rejuvenescedor em seu rosto e por um instante lembrou-se dos olhos azuis. Mas o que aquilo significara?
Seus olhos eram negros como a noite. Como poderia ter a lembrança de ter tido olhos azuis? Coisa de velho talvez. A cabeça costuma pregar peças num octagenario e estava ali brincando com ele.
Cismado, viu o dia passar e quando a noite chegou, adormeceu.
Dia seguinte acordou cedo. Estava disposto a descobrir o segredo por trás daquele fragmento de memória. Puxou uma caixinha de dentro de uma gaveta. Ali estavam preciosidades. Um pequeno tesouro ao qual jamais abriria mão. Haviam fotos, uma correntinha de São Bento e muitas cartas das quais uma em especial, escrita por sua mãe. Ele parou por algum tempo. Fitava aquela carta com um carinho especial. Estava naquele pedaço de papel a única lembrança palpável de sua mãe. Ele olhava e dizia a si mesmo como ela tinha uma caligrafia bonita. Refletiu sobre aquele pedaço de papel um pouco e em seguida pensou no celular de nova geração que seu filho mais novo lhe deu e com o qual eles trocavam mensagens. Lhe ocorreu que jamais havia escrito uma carta a qualquer um de seus filhos e que portanto, aquela sensação de ternura e nostalgia morreria com ele.
Beijou a carta como se fosse seu bem mais precioso e começou a lê-la. Era uma carta direcionada a sua avó e que narrava o primeiro passeio a praia que a família havia feito com o carro novo.
Num ponto da leitura ele parou e sorriu. Sua mãe elucidara sua dúvida. Um turbilhão de lembranças passou por sua mente. Lembrou-se então do porquê dos olhos azuis.
Nostálgico e emocionado decidiu por escrever uma carta direcionada a seus filhos. Queria que eles tivessem a mesma sensação que ele ao reler a carta de sua mãe. Ela começava assim:
"Meus filhos. Sei que a ideia de que os anos estão terminando para mim me assombra, porém, nunca fui de lamentar e meu gênio por vezes ruim me impede de dar-me por vencido. Estava lendo uma carta de mamãe e percebi que apesar de ter feito muito por vocês jamais externei em palavras meus sentimentos ou minhas memórias e portanto decidi escrever estas poucas linhas com uma lembrança que tive ontem. Uma lembrança de minha infância. Talvez a primeira de todas. Pode parecer algo singelo, comum talvez, mas algo que sei que vocês não sabem. Algo que por tanto tempo foi somente meu.
Quando criança lia muito e gostava muito das figuras nos livros. Na maioria delas as pessoas tinham olhos azuis e cabelos louros. Nunca achei bonito aqueles cabelos amarelos parecendo palha de milho, mas os olhos azuis, ah os olhos azuis. Talvez tenham sido a primeira coisa na minha vida que achei bonito.
Olhava para meus olhos negros no espelho do banheiro da casa de meus pais e desejava que eles se tornassem azuis. Diante de tal imaginação passei a acreditar que quando crescesse eles mudariam de cor. Devia ter uns cinco ou seis anos. Logo pela manhã, olhava no espelho e corria para peguntar a mamãe se faltava muito para eu crescer. Ela ria me abraçava, beijava e dizia que queria que eu nunca crescesse. Que fosse seu menino para sempre. Eu impaciente me desvencilhava de seus braços contrariado por ela não querer o mesmo que eu. Mal sabia que no futuro sentiria o mesmo por cada um de vocês minhas crianças.
Os anos passaram. Meu desejo, por motivos óbvios não se realizou. Mas o mais importante foi ter acreditado em algo, portanto, deixo um conselho meii piegas a vocês mas muito verdadeiro. Nunca desistam de nada por mais louco e impossível que seja. Olhos azuis existirão para todos...
Que Deus os abençoe. Beijo enorme de seu velho pai."
Colocou a carta sobre o criado mudo tendo a sensação de dever cumprido deitou-se e dormiu feliz como não dormira a muito tempo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Mas ainda assim o amor acontece...


Passava das 18 horas quando ela chegou em casa. Cansada. O dia de trabalho havia sido corrido e o motorista do ônibus pouco se importava se ela queria ou não um banho quente. Aliás, o trânsito daquela segunda feira beirava o caos e também pouco se importava com ela.
Aliviada por abrir a porta de seu apartamento lembrou-se que não recordava se havia tirado o ferro de passar roupas da tomada pela manhã.
Como diz o ditado, cansaço pouco é besteira. E lá se foi ela chutando a mesinha da sala num correr desajeitado rumo a mesa de passar roupa. Um respiro aliviado seguiu-se ao pequeno trote. Mil pensamentos na cabeça: - "Pronto, lá ia eu aparecer no noticiário. A mulher do apê queimado". Sorriu com o pensamento maldoso enquanto amarrava seus cabelos num coque com um lápis que encontrou na cozinha.
Curioso saber que nos dias de hoje as pessoas ainda usam lápis para escrever. Parece cafona, da mesma forma que o elefante com as costas virada para a porta de entrada ou o tapetinho escrito "entre sorrindo", mas era inegável o charme que somado a tantos outros objetos cafonas aquele apartamento tinha.
De coque em riste, lá foi ela pôr roupa na máquina de lavar e comida no microondas para esquentar. A novela passava na tv mas pouca atenção ela conseguia dar. Perdera alguns capítulos e não estava mais a par da história. 
Eis que em um destes lapsos de tempo que temos quando paramos para focar em algo ela se depara com a cena do mocinho abraçando com ternura a mocinha. Pensou ela: - "Bem que eu podia ter um namorado pra me abraçar assim". Mas como um mantra que se invoca em momento de profunda desgraça ela balbucia: - "Homem nenhum presta".
O celular vibra fazendo ela despertar do transe de satã em que se encontrava. Era a amiga solteirona como ela. Ansiosa como criança em crise de asma a amiga mal podia se conter de felicidade. Havia descolado um broto. Tipo assim, não era um namorado mas um ficante estável.
Ela houvia a amiga falando toda feliz e pensava: "Esse negócio de namorado esta me perseguindo".
Feliz a amiga desliga e incomodada ela engole a comida. De súbito levanta e resolve dar uma volta. O de sempre, shopping. No caminho, era casal no ônibus, casal no estacionamento, casal na fila de cinema. Sim o universo conspirava contra o bom humor dela.
Sentada, com mais da metade de um milk shake tomado e se sentindo dez quilos mais gorda lembrou-se do Ricardão. Não aquele das histórias mas um ex namorado seu, meio sacana, meio sem vergonha mas que havia apresentado aquele milk shake que a fazia engordar.
Pensou em ligar, mas demoveu-se da idéia. Antes só do que mal acompanhada e o Ricardão já tinha dado o que tinha que dar. Pensou: "Deus, é o fundo do posso ligar para o Ricardão".
Triste, gorda, sozinha, desamparada e sem amor lá se foi ela para casa quando de repente vê um casal brigando na frente do prédio. Maldade se deliciar com a desgraça dos outros mas ela meio que se sentia vingada. Aquela noite, não seria ela a única pessoa a ir dormir infeliz.
Desesperançada do amor ela entra no elevador e eis que seus olhos se cruzaram com os dele. Não era bonito, mas não era feio também. Ambos tinham a mesma altura e ela logo pensou que de salto ficaria mais alta do que aquele tampinha. Não sabia ao certo o que chamara a atenção naquele rapaz mas de fato algo fazia com que seus olhares se cruzassem. 
Havia chegado o andar dele. E ela na frente da porta. Ele pediu licença e de cabeça baixa saiu. Ela o acompanhou com um olhar de curiosidade. Não lembrava de tê-lo visto por ali antes.
Passaram-se os dias e eles se trombaram mais umas vezes até que uma primeira conversa surgiu.
Ele gostava de ler e curtia rock. Não tinha um elefante com as costas viradas para a porta de entrada mais sim uma estátua de um buda gordo e sorridente. Tantos foram os pontos em comum que logo sorrisos e brincadeiras surgiram. Ao voltar para casa, aquela sensação boa e boba de quem se encanta com alguém surgiu.
Mas não, não podia sentir aquilo afinal de contas homem nenhum prestava. 
Mal humorada, levantou-se pela manhã com cara de quem poderia matar um. Não atendeu as ligações dele durante o dia. 
Estaria fazendo o certo em não atender porque homem nenhum presta, mas na última tentativa dele já no finzinho do dia ela resolveu atender e percebeu o quanto aquele papo a fazia bem. Resolveram. Iam se encontrar num barzinho logo ali próximo. Um rock clássico tocava e o chopp estava na temperatura ideal. Entre sorrisos e olhares o primeiro beijo aconteceu. Ela percebeu que daquele momento em diante não poderia mais ficar sem aquele beijo. Feliz, voltaram para o prédio e no andar dele se despediram. No elevador ela se encolheu num sorriso quase pueril, daqueles de menina sapeca. O amor havia acontecido.

domingo, 14 de junho de 2015

Decepção


Talvez a decepção seja o mais triste dos sentimentos.
A dor de amor dói.
A dor da perda dói.
A dor da saudade dói.
A dor da distância dói...
Mas a decepção não. Ela não dói mas ainda assim pulsa.
Ela lateja e inequivocamente te desarma onde se pensava ser mais forte.
Ante tamanho descontentamento, que fazer? O que pensar?
Frustração que macula a alma e faz o mal surgir nos corações.
Ante tamanha imposturia como agir? A quem recorrer?
De todo o melhor que meus defeitos permitiram existir em mim, a confiança sempre se mostrou ser a mais insensata e ainda assim a melhor de todas as minhas qualidades.
Mas sofre-se assim, sofre-se mais uma vez, mas aprende-se e de dor em dor vão se superando os percalços. Ainda não se inventou uma maneira de evitarmos uma mentira, mas com toda a certeza, para toda mentira haverá uma verdade e esta gritará e aparecerá e por fim prevalecerá...

domingo, 31 de maio de 2015

Amor dos meus olhos



Bastaram nossos olhos se cruzarem pela primeira vez para que minha cabeça não quisesse pensar em nada mais além do seu rosto.

Palavras trocadas, gestos medidos e aquela angústia de poder ter feito algo que não agradasse. 
Um momento, uma vez mais silêncio. Eis que então o telefone toca. E por entre aquele emaranhado de fios, aquela voz que parece me eximir de qualquer erro.
Seria essa uma aprovação? Ou uma provocação? Entre dúvidas e aflições vão os pensamentos com profundidade ocupando cada minuto do meu dia.
Viciante como uma droga e certeiro como um tiro são as memórias daquele beijo quente, que por uma ironia do destino causou frio na barriga e tremor nas pernas.
Todos os meus sentidos são seus. Nenhum cheiro consegue ser tão cheiroso quanto o seu. Inebriante, incessante, quente. Como tudo o que se precisa em uma manhã de frio.
Ah as manhãs, que quando ao seu lado, na cama, são pequenos pedaços da eternidade. Eternidade essa onde existe apenas eu e você e todo o resto, mas o resto, de nada vale e pouco tem cor sem que sejam vividos ao seu lado...
Acaricia meu rosto como a mais suave das sedas e derrame sobre meu corpo o peso do seu. Sem pressa, mas sem calma, com todo o rompante da sua paixão e receba em meus braços todo o meu amor...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Como cão e gato...

Brigue comigo. Me irrite mas não se esqueça de calar-me com teus beijos.
Faça-me, desfaça-me e refaça-me com este teu olhar felino, quase obsceno.
Envolva-me em tuas brincadeiras e me faça menino uma vez mais.
Mas nunca me prive de ter tua intensidade e insanidade. São nelas que te conheço e são nelas que me encontro.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Para sempre serei teu e você minha


Ele olhava para aqueles olhos cinzentos e fundos. Mal podia acreditar que a muito tempo atrás eles foram de um negro profundo como o de uma noite sem luar.
Seus olhos percorriam aquele rosto, outrora jovial e belo. Conseguia encontrar aqui e ali alguns pontos que insistiam em não quererem mudar com a idade. E ela ainda era bela.
A água estava no fogo e ele havia se esquecido. O chá a tarde era quase que um ritual sagrado, mas o olhar contemplativo, quando não se é mais moço pode durar uma eternidade se não mais.
As pressas correu para o fogão, desligou o fogo e com um pano velho pegou a alça da chaleira. Onde estava a camomila? perguntou -se. A memória teimava em pregar-lhe peças como um moleque arteiro colocando tachinhas na cadeira dos outros. 
Ele vira para um lado e para o outro até que seu olhar volta a fitá-la. Lá está ela, deitada, vestida de azul. Sim, o tempo havia passado mas ela ainda era seu anjo. Nunca deixara de vê-la como tal. Ele podia não lembrar onde estava o chá, mas lembrava de suas mão entre aqueles cabelos que já foram negros também. Era seu anjo, tão seu.
Ao virar o rosto para o outro lado, como por milagre ali estava a camomila. Apressou-se, misturou-a a água, e com um coador filtrou-o. Adoçou da maneira que ela gostava e se pôs a beira da cama. Levava a xícara àquela boca que mal se movia. Com pequenos goles ela engolia mas sem expressar sabor ou alegria. Os olhos cinzentos teimavam em olhar para a janela como se esperasse a chegada de alguém.
Triste mas ainda assim relutante em entregar-se a situação, ele teimava em fazer-lhe elogios e em dizer-lhe o quanto ela estava linda naquela tarde.
Terminado o chá e já meio cansado ele deitou-se ao lado dela na cama e abraçou-a com carinho buscando aquele cheirinho bom que apenas ela tinha. Adormeceu.
O sol raiava e mal percebera mas já havia passado uma noite inteira. Apesar do calor que já fazia ela parecia fria, com os olhos fechados continuava parecendo um anjo. Sua boca esboçava um sorriso e ela respirava suavemente. Seu coração acelerado e seu rosto pálido não negavam o susto que tivera. Pensara no pior, mas não era hora ainda.
Levantou-se mais uma vez, beijou-lhe a fronte e foi preparar-lhe café elogiando-a e dizendo que naquela manhã não existia mulher mais linda na face da terra. Ela sorriu e ele percebeu aquele sorriso e seu peito se encheu de alegria e seu dia se encheu de cor.

Moral da história

O amor está nos pequenos gestos. No dia a dia, numa infinidade de rotinas que precisam ser quebradas e ainda assim mantidas. Que nos tornemos velhos, mas ainda assim mantenhamos jovens de coração.

sábado, 26 de outubro de 2013

Os erros que cometemos querendo acertar




As vezes cometemos erros tentando acertar. Existem aqueles que se decepcionam com nossas tentativas e desistem de nós, porém, existem outros, que apesar do resultado desconfortável entendem que tentamos dar o nosso melhor e continuam ao nosso lado, nos tornando pessoas mais fortes e melhores.

Mas nem tudo é motivo de tristeza. As pessoas entram e saem de nossas vidas deixando um pouquinho delas em nós. A grande sacada é sabermos separar um pouquinho de bom aqui, um pouquinho de bom ali e quando menos esperarmos seremos sim melhores.
Que Deus abençoe aqueles que continuam conosco nesta caminhada e aqueles que desistiram de nós também. Que todo perdão seja um aprendizado e que toda a magoa se disperse com o tempo.

domingo, 13 de outubro de 2013

Perder para aprender a dar valor



Somos lentos para estes tempos modernos. Tudo é tão rápido, tão dinâmico que mal conseguimos saborear um momento de felicidade. É trabalho, é estudo, é hora de dormir, de acordar, de tomar banho e nisso se vão anos sem que se perceba o que se deixou de viver.
Deixamos escorrer por entre os dedos o que poderia ser nossa felicidade. Deixamos de lado as pessoas que nos amam para que curiosamente possamos dar o melhor para elas. Um presente, uma viagem, um jantar. Queremos dar tudo a elas e acabamos não dando o fundamental: atenção.
Tanto esforço e ainda assim tanta cobrança. É o que pensamos e por isso perdemos. Perdemos tempo, perdemos vida, e perdemos o amor, e é somente na perda que percebemos que lá se foi o melhor de nós.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Aquela velha casa


Ela limpou a casa da melhor maneira que podia. A visita estava por chegar e tudo precisava estar arrumado. A casa não era bonita. Longe disso. As paredes estavam sujas e a muito não via tinta nova, o piso tinha aparência desgastada pelos passos daqueles muitos que por ali passaram mas ainda assim tratava-se de uma casa grande e imponente.
Feliz por ter terminado e ansiosa por matar a saudade, passou na frente daquele espelho colado na porta do guarda- roupas e por um instante fitou o reflexo de seu rosto. Os cabelos brancos, as rugas e alguns cravos denunciavam sua idade. Abaixou a cabeça, olhou para as pequenas mãos calejadas e percebeu que o tempo havia passado rápido, mas logo se recompôs, não havia lugar para este tipo de pensamento, o importante é que a casa estava limpa e ponto final.
O pouco estudo não a impediu tornar-se uma mulher prendada e como boa anfitriã, lembrou-se daquele bolo de milho que sua visita tanto gostava. Comprou os ingredientes e o fez com gosto. Ela sabia que ele iria ficar muito feliz com a surpresa.
Por ultimo, mas não menos importante, preparou a cama. O lençol recém lavado na véspera estava com aquele cheirinho bom de roupa seca ao sol. Ela puxava, esticava e contente com o resultado concluiu que todos os preparativos haviam sido feitos.
O telefone tocou. Seu coração bateu forte. Era a voz de um homem mas ela a ouvia como se fosse a de um menino. Seu sorriso se abriu quando ouviu duas palavrinhas mágicas, "estou chegando". Rapidamente ela olhou para a sala, correu no quarto e confirmou o estado da cama e já na cozinha viu que o bolo ainda fumegava de quente. Seria um dia feliz.
Ele chegou. Estivera longe por muitos e muitos anos. Era alto e bonito. Bem vestido. Ela olhou e meio que ao mesmo tempo abriu os braços e um sorriso. Ele se aproximou, olhou ao redor como que desconfiado e a abraçou também. O sorriso insistia em não sair do rosto dela, mas o rosto dele parecia não apresentar qualquer tipo de reação a não ser aquele educado risinho sínico de canto de boca.
- Por que demorou tanto para vir, perguntou ela sem desmanchar aquele sorriso.
- Estive ocupado demais com o trabalho e minhas coisas, respondeu ele com um tom de voz polido.
- Sente-se aqui, o sofá é novinho.
O homem sentou e tornou a olhar ao redor. Ela sentiu algo estanho nele pela primeira vez: - O que foi? Perguntou ela.
- Não foi nada, respondeu ele mais uma vez com aquele tom polido.
Ela o chamou para a cozinha e enquanto caminhavam até lá por aquele corredor comprido fez uma série de perguntas e todas prontamente respondidas.
Ao chegarem na cozinha ele olhou diretamente para aquela parede em que dois azulejos haviam caído. Ela percebeu e se envergonhou. Havia tido um trabalho danado para limpar todos os azulejos e torcia para que ele não reparasse aqueles dois faltando, mas ele reparou. Para tirar a atenção dele das paredes disse: - Vamos sentando, fiz aquele almoço com tudo o que você gosta e além disso a sobremesa é bolo de milho.
- Obrigado mas já almocei, respondeu ele rapidamente.
- Coma, está tudo fresquinho, acabei de fazer, respondeu ela ainda sorrindo.
- Não vou comer, estou cheio.
- Mas coma só um pouquinho, ao menos o bolo, pediu ela meio que murchando.
Sensibilizado com aqueles olhos pequenos mais ainda assim tão vivos ele pegou um pedaço pequeno daquela forma de bolo enorme e colocou na boca. Antes de pôr o café na xícara, olhou para o fundo dela. Bebeu e ficou calado.
Aquele sorriso no rosto dela havia sumido. Seu semblante ficou triste.
- O que aconteceu? por que você está tão estranho? Por que não comeu nada? Por que fica olhando para cada canto da casa e não olha para mim? Perguntou ela angustiada.
Pressionado, ele explodiu:
- É esta casa mãe! Está feia, caindo aos pedaços. Parece um barraco. Os móveis ainda são aqueles da época da minha infância, tudo está tão sujo, e a senhora? Olhe para a senhora? Está tão mal tratada. Fiquei tanto tempo longe e quando volto tudo parece ter piorado. Eu não dormiria aqui nunca, deve ter rato e barata.
Ela abaixou a cabeça e olhou para um lado. Trouxe as mãos ao rosto e sentiu uma lágrima se formar no canto de um olho. Ela não queria chorar. Aquele deveria ser um momento de alegria e não de vergonha e tristeza. Ela segurou como pôde mas as lágrimas em momentos assim parecem ter mais força do que podemos imaginar. Ela não aguentou tudo aquilo e chorou. Aquela não era mais a sua criança, era apenas um estranho. Bem vestido e com uma voz familiar mas ainda assim um estranho.
Ele, percebendo a barbaridade que acabara de fazer tentou acalmá-la. A abraçou. Pediu-lhe desculpas mas nada continha aqueles soluços. Tanta cultura, tanto estudo parece tê-lo deixado cego e arrogante. Não havia mais o que fazer. A dor havia sido causada.
Ele levantou-se e despediu-se. Ela andou pela casa. A cama estava lá. O lençol ainda esticado com tanto esmero permanecia intocado. Virou-se, fechou aquela velha porta com a pintura descascada e novas lágrimas preencheram-lhe a face. Na cozinha a comida ainda estava morna mas isso não importava mais. Nem mesmo o pequeno arranjo de flores em cima da mesa a consolava. Ela sentou na cadeira mais próxima e chorando adormeceu.

Moral da história

Uma xícara quebrada, ainda que se cole os pedaços, jamais voltará a ser a mesma e assim são as feridas impostas ao coração de uma mãe.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A difícil arte de ser feliz

Costumamos depositar nos outros a felicidade que desejamos para nós. Deve ser algum tipo de extinto ou de característica do comportamento humano.
Procuramos alguém que nos complete. A tampa da panela. A outra metade da laranja. Mas é interessante buscarmos este complemento se tecnicamente somos autônomos, não atoa, somos chamados de indivíduos.
Idealizamos nossa felicidade baseado em outra pessoa e esquecemos que ser feliz sozinho é possível e primordial.
Sim, primordial. Aquele que não aprende a viver sozinho, não aprende a se amar não tem condições emocionais de amar alguém, tampouco de depositar expectativas em outrem.
Quando não se está bem consigo, nos tornamos inseguros, possessivos e ciumentos. Desconfiamos, criticamos e ainda assim precisamos daquela pessoa, porque depositamos muito de nós nela.
Esta tentativa diária de recuperação dos depósitos desgasta qualquer relacionamento. São filhos que não conseguem atender as expectativas dos pais. Pais que acham que os filhos não se esforçam o suficiente ou que não aceitam as escolhas realizadas por seus rebentos. Maridos que não aceitam uma mulher independente e mulheres que acham que a cada esquina seus maridos têm uma amante lhes esperando.
Todos sofrem, todos perdem. A metáfora da duas metades da laranja é mais que verdadeira. Só é difícil prestar atenção e perceber duas laranjas inteiras duram mais na banca da feira do que uma partida ao meio.
Portanto, sejamos completos antes de desejarmos alguém ao nosso lado, antes de termos filhos e desenvolvermos amizades. Chegar como uma metade em um relacionamento achando que se tornará completo ao encontrar alguém talvez seja o maior erro que uma pessoa pode cometer. Seja feliz.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Aos meus amigos, perdas construtivas


É realmente uma pena não estarmos imunes as mudanças que a vida nos apresenta. Isso inclui perdermos o que nos é precioso. Contudo, há uma lição muito grande a se tirar desta experiência. Deus em sua sabedoria sem fim nunca nos retira algo ou alguém para nos deixar tristes e infelizes, mas sim para nos mostrar onde estávamos cometendo erros, para mostrar-nos onde podemos e devemos melhorar como seres humanos. A cada dor sentida uma nova esperança haverá de surgir, a cada lágrima derramada um novo sorriso haverá de inundar o nosso rosto e para cada porta fechada uma nova haverá de se abrir, pois a vida é isso, um conjunto de ciclos que vão e vem, que nos derruba e nos levanta, que aflora nossos medos e angustias para em seguida nos ver reerguer mais fortes e melhores. Mais humanos. Desejo a todos meus amigos que Deus opere milagres em nossas vidas e que ele provenha o consolo e a vitória a todos que o buscam. Sejam todos sempre felizes.