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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Mais um 14, mais um maio...


E o mês de maio vai assim passando. Lento, frio e chuvoso. As coisas de maio são assim. Lentas, porém contemplativas. Frias como quem se convida para um carinho quente e chuvosas como aquele período reflexivo necessário a alma.
Para os astrólogos é o mês de touro e de gêmeos. Dizem que touro pertence ao elemento terra. Deve ser verdade. Sempre gostei do cheiro de terra molhada e das coisas belas e cultas, do material e do tangível, da segurança e do conforto, mas quem não gosta de tudo isso não é?
Maio se vai mais uma vez. Para mim pela trigésima nona. Vejo agora um novo ciclo se iniciar lento, frio e chuvoso mas também esperançoso. 
O ano é constituído de um conjunto de doze meses como aprendemos desde de criança, mas maio é aquela parte deste duodécimo que teima em existir e se destacar na diversidade álgida da simplicidade.
E nesta morosidade gélida e pluvial vou seguindo com meu barco.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Já faz um ano

Dia 5 passado fez um ano que escrevi algo por aqui. Um bom tempo eu diria, mas não significa que a vida parou. Talvez seja o caso de falta de inspiração mas com toda a certeza não é o caso de falta de coisas para fazer.
Neste intervalo de um ano muitas mudanças ocorreram. Passei a morar sozinho o que inevitavelmente me levou a ter que cozinhar minha própria comida. Parece cômico e aqueles que me conhecem sabe a negação que eu era na cozinha.
O fato é que após um ano vejo um saldo positivo de mudanças. Protelei demais e hoje tento recuperar o tempo com novas experiências diárias, mas todas enriquecedoras.
Nova vida, novos ares e um melhor ânimo. Tenho me percebido mais solto e comunicativo. Acredito que aqui o pouco mais de idade tenha me permitido olhar as coisas ao meu redor de uma maneira mais suave.
Por fim, continuo acreditando sem ressalvas que mudar ainda é a única certeza imutável e que o novo abre se apresenta em diversas oportunidades. Tudo é uma questão de observar e agarrar aquela que melhor se apresenta.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Insomnia Est



Descalço sinto o chão gelado sob meus pés.
Por entre cômodos vazios percorro minha procissão.
Absorto e envolto em pensamento...
Perco as horas em minha rotina perene.

A madrugada é companheira silenciosa.
Como quem já cansou de ouvir lamúrias.
Está ela lá, altiva, mas jamais ingerente...
Onipresente ela apenas vê e mais nada...

As noites por vezes parecem sem fim.
E sem fim são os anseios.
Sem fim são minhas considerações.
Que se derramam por sobre meu pesar.

É estar acordado e ainda sim entorpecido.
É a letargia de viver mais horas que um normal.
É desejar o que se parece inalcançável.
É querer dormir e simplesmente não conseguir...




sábado, 17 de setembro de 2016

Abraçar a eternidade...



Hoje eu morri... e renasci
Para depois me atormentar
Sem nexo, sem sentido
Sem gosto, sem gostar...

Cresci. Pouco, mas cresci
Longe dos olhares,
Mas ainda assim preocupado...
Com os olhos

No tempo me perdi...
Como quem perde vida
Como quem perde tudo
Vi perante meus olhos
O bater de asas de um sonho...

Triste e sozinho...
Abracei o amargor
Abracei a eternidade...
Do que poderia ter sido, 
Mas não foi...

Brilhante em outros sóis se foi
Escuro em uma penumbra ficou
Não mais existo e não mais existirá
Não este raio de sol...
Não este momento...

Nunca mais...



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Aqueles olhos azuis



Existe beleza na pequenas coisas e mais ainda nas pequenas coisas que passam pela cabeça de uma criança.
Já passava de seus oitenta anos. As dores no corpo e a memória um tanto falha denunciavam a longa jornada que havia trilhado até então.
Com tanto vivido e tão pouco a viver pela frente passara a apegar-se a lembranças de um passado distante e bom. O nascimento do primeiro filho. O dia de seu casamento. A primeira vez que foi a praia. Todas estas foram sensações únicas e ele sabia que muito do que era hoje havia dependido delas, mas algo o incomodava.
Ele meio que queria algo mais antigo. Algo que o remetesse aos tempos em que o tempo não fizia tanta diferença assim. Lembranças da infância com toda a certeza preencheriam essa lacuna, mas qual?
Sim. A idade havia chegado. E ele triste concluía o inevitável. Era um dos últimos de sua geração a estar vivo. Sua amada esposa se fora anos antes. Assim como seus irmãos mais velhos e seus amigos mais próximos. Refletia sozinho sobre a longevidade. A vida era boa, não tinha do que reclamar. Gozava de relativa boa saúde. Teve filhos ótimos e que te deram muito orgulho e netos encantadores. Todas grandes alegrias, mas aqueles que poderiam ajudá-lo a recordar de sua infância não estavam mais ali e isso o incomodava.
Levantou-se da poltrona com um pouco de custo e caminhou até a janela. A tarde estava bela com um sol não muito quente. Ele sentia aquele calor rejuvenescedor em seu rosto e por um instante lembrou-se dos olhos azuis. Mas o que aquilo significara?
Seus olhos eram negros como a noite. Como poderia ter a lembrança de ter tido olhos azuis? Coisa de velho talvez. A cabeça costuma pregar peças num octagenario e estava ali brincando com ele.
Cismado, viu o dia passar e quando a noite chegou, adormeceu.
Dia seguinte acordou cedo. Estava disposto a descobrir o segredo por trás daquele fragmento de memória. Puxou uma caixinha de dentro de uma gaveta. Ali estavam preciosidades. Um pequeno tesouro ao qual jamais abriria mão. Haviam fotos, uma correntinha de São Bento e muitas cartas das quais uma em especial, escrita por sua mãe. Ele parou por algum tempo. Fitava aquela carta com um carinho especial. Estava naquele pedaço de papel a única lembrança palpável de sua mãe. Ele olhava e dizia a si mesmo como ela tinha uma caligrafia bonita. Refletiu sobre aquele pedaço de papel um pouco e em seguida pensou no celular de nova geração que seu filho mais novo lhe deu e com o qual eles trocavam mensagens. Lhe ocorreu que jamais havia escrito uma carta a qualquer um de seus filhos e que portanto, aquela sensação de ternura e nostalgia morreria com ele.
Beijou a carta como se fosse seu bem mais precioso e começou a lê-la. Era uma carta direcionada a sua avó e que narrava o primeiro passeio a praia que a família havia feito com o carro novo.
Num ponto da leitura ele parou e sorriu. Sua mãe elucidara sua dúvida. Um turbilhão de lembranças passou por sua mente. Lembrou-se então do porquê dos olhos azuis.
Nostálgico e emocionado decidiu por escrever uma carta direcionada a seus filhos. Queria que eles tivessem a mesma sensação que ele ao reler a carta de sua mãe. Ela começava assim:
"Meus filhos. Sei que a ideia de que os anos estão terminando para mim me assombra, porém, nunca fui de lamentar e meu gênio por vezes ruim me impede de dar-me por vencido. Estava lendo uma carta de mamãe e percebi que apesar de ter feito muito por vocês jamais externei em palavras meus sentimentos ou minhas memórias e portanto decidi escrever estas poucas linhas com uma lembrança que tive ontem. Uma lembrança de minha infância. Talvez a primeira de todas. Pode parecer algo singelo, comum talvez, mas algo que sei que vocês não sabem. Algo que por tanto tempo foi somente meu.
Quando criança lia muito e gostava muito das figuras nos livros. Na maioria delas as pessoas tinham olhos azuis e cabelos louros. Nunca achei bonito aqueles cabelos amarelos parecendo palha de milho, mas os olhos azuis, ah os olhos azuis. Talvez tenham sido a primeira coisa na minha vida que achei bonito.
Olhava para meus olhos negros no espelho do banheiro da casa de meus pais e desejava que eles se tornassem azuis. Diante de tal imaginação passei a acreditar que quando crescesse eles mudariam de cor. Devia ter uns cinco ou seis anos. Logo pela manhã, olhava no espelho e corria para peguntar a mamãe se faltava muito para eu crescer. Ela ria me abraçava, beijava e dizia que queria que eu nunca crescesse. Que fosse seu menino para sempre. Eu impaciente me desvencilhava de seus braços contrariado por ela não querer o mesmo que eu. Mal sabia que no futuro sentiria o mesmo por cada um de vocês minhas crianças.
Os anos passaram. Meu desejo, por motivos óbvios não se realizou. Mas o mais importante foi ter acreditado em algo, portanto, deixo um conselho meii piegas a vocês mas muito verdadeiro. Nunca desistam de nada por mais louco e impossível que seja. Olhos azuis existirão para todos...
Que Deus os abençoe. Beijo enorme de seu velho pai."
Colocou a carta sobre o criado mudo tendo a sensação de dever cumprido deitou-se e dormiu feliz como não dormira a muito tempo.

domingo, 14 de junho de 2015

Decepção


Talvez a decepção seja o mais triste dos sentimentos.
A dor de amor dói.
A dor da perda dói.
A dor da saudade dói.
A dor da distância dói...
Mas a decepção não. Ela não dói mas ainda assim pulsa.
Ela lateja e inequivocamente te desarma onde se pensava ser mais forte.
Ante tamanho descontentamento, que fazer? O que pensar?
Frustração que macula a alma e faz o mal surgir nos corações.
Ante tamanha imposturia como agir? A quem recorrer?
De todo o melhor que meus defeitos permitiram existir em mim, a confiança sempre se mostrou ser a mais insensata e ainda assim a melhor de todas as minhas qualidades.
Mas sofre-se assim, sofre-se mais uma vez, mas aprende-se e de dor em dor vão se superando os percalços. Ainda não se inventou uma maneira de evitarmos uma mentira, mas com toda a certeza, para toda mentira haverá uma verdade e esta gritará e aparecerá e por fim prevalecerá...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Êxodo - Deuses e Reis

O texto abaixo possui informações sobre o enredo do filme. Sendo assim prossiga com a leitura apenas se de fato tiver curiosidade sobre os eventos desta história.




Eu tinha uma escolha: Ou assistia ao Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos ou Êxodo - Deuses e Reis.
Por um motivo que não sei explicar direito escolhi o segundo filme. E que decepção. Ridley Scott anda errando a mão em seus filmes. Prometheus juntamente com Êxodo estão aí para provar isso.
Tinha em mente os trailers que havia visto. Pensei que ocorreriam batalhas épicas e reviravoltas no enredo mas nada disso.
Sim, é uma história batida. Sim, já refilmaram trocentas vezes. Sim, é baseado em uma história que todos conhecem, mas para uma produção que pregava inovação o resultado ficou muito aquém.
Eu resolvi listar pontos que achei ruins no filme, a começar com os egípcios. Por que são retratados como efeminados? Sei que vivemos tempos de inclusão e do politicamente correto, mas por que levar isso para um filme que pregava a guerra? Os mesmos egípcios eram calcasianos. Tive a impressão de ter visto uns dois com olhos azuis. Tudo isso no continente africano.
O filme começa num ritmo empolgante. O futuro sendo visto nas vísceras de um pássaro, uma profecia, uma batalha insana sobre bigas. Tudo muito legal, porém, o clima vai esfriando, esfriando, a ponto de no final do filme, quando as luzes se acenderam no cinema as pessoas estarem com a cara inchada de quem deu uma boa cochilada.
O Ramsés é um personagem bem construído até. Ele não é o mais apto a suceder seu pai. Ele sabe disso, o pai dele sabe disso. Essa sensação causa um clima de disputa com Moisés que foi criado por sua tia e até então não sabe que é hebreu. 
O interessante é que Ramsés é inseguro o tempo todo e Joel Edgerton soube dar o tom certo a essa insegurança. Tanto na fala quanto nos momentos em que o personagem explode. A cena em que ele pretende cortar o braço de Míria é o ponto alto desta característica. Sem dúvidas o melhor personagem do filme. Em contra partida o filme possui um coadjuvante de luxo: Ben Kingsley. Nas sinopses que li, ele era apontado como o mentor de Moisés. Teoricamente seria uma pessoa fundamental na trama. Bom, o que posso dizer? Ele aparece em umas duas cenas. Conta a verdade sobre o passado do protagonista e só. Nada de orientá-lo. Nada de mostrar-lhe um caminho. Fiz minha farte...fui. Outra coadjuvante de luxo é Sigourne Weaver no papel de mãe de Ramsés. Quanto disperdício. Seu mote é matar Moisés de qualquer forma pois ela teme que este se torne faraó no lugar do filme. mais uma personagem que tem duas ou três cenas pouco exploradas.
Apesar de ter o arbusto em chamas, surgiu o papel do menino deus falando com Moisés. Este está longe de ser deus de fato. É mimado. Usa Moisés o tempo todo e joga na cara dele que ele não serve para nada. Que é um mero enfeite.
Christian Bale como Moisés saiu um belo Batman. Aliás, depois do filem do homem morcego ele parece não conseguir fazer algo diferente do estilo homem revoltado e fodão. Infelizmente. Em psicopata americano e provou ser um grande ator. Pois bem, Moisés é diferente do bíblico. Fala bem, tem o carisma dos egípcios e é o preferido do faraó a sua sucessão, apesar ne não ser possível o sobrinho do faraó assumir o poder. Ele é banido. Vive por nove anos no deserto, se casa e volta ao Egito a pedido do menino deus. Ele usa de uma técnica terrorista de sabotagem e ataques furtivos. Na hora me lembre dos grupos terroristas islâmicos. Acho que aí houve uma crítica do diretor sobre a situação na faixa de Gaza, mas enfim, o fato é que algo que parecia querer seguir num sentido fantástico acaba por terminar sem uma conclusão quando o menino deus resolve, como dito antes jogar na casa ro protagonista que ele não serve para nada.
A história em si, difere da bíblia em muitos pontos. Até aí é aceitável afinal de contas a idéia era ser original. O problema é que o filme começa com um ar de guerra com um Moisés terrorista para no meio do filme voltar para o formato original das pragas e do arrependimento do faraó.
Para quem foi ao cinema buscando o novo houve uma frustração e para quem foi ao cinema buscando o tradicional a frustração foi grande também. O fato é que o filme não se decide por seguir o novo ou se manter no tradicional e este é o motivo pelo qual a frustração abrange todos os públicos possíveis do filme.
Fiz a escolha errada. deveria ter assistido ao Hobbit. Fica aí a lição. In Ridley Scott we don't trust anymore.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mais médico e o império do Brasil



Li agora a pouco na Folha de São Paulo uma matéria sobre o rompimento da federação dos médicos com o governo. O motivo seria o tão falado Ato médico e principalmente o programa Mais médico que a grosso modo importará médicos de outros países para trabalharem em localidades distantes e com carência de profissionais da área da saúde.

Tenho uma opinião ambígua nesta questão. Sou contra a importação de médicos porque em se tratando de Brasil eles com certeza virão sem falar português, não terão tempo adequado para se adaptarem às práticas médicas brasileiras (existem procedimentos não adotados aqui no Brasil que são utilizados lá fora e vice e versa) e ainda não se sabe em quais condições tais profissionais virão trabalhar aqui (infra estrutura, salário, benefícios, etc).
Por outro lado, ainda que se trate de um remendo é fato que o povo precisa de saúde e precisa agora. A politicagem fez passar muito tempo e o povo não suporta mais esta espera. O fato é que algo deveria ser feito, só não escolheram a melhor solução.
Agora interessante foi a reação da federação dos médicos rompendo com o governo. Mais elitista que a casta dos médicos acredito que seja apenas a dos juízes. Me lembro de anos atrás quando a prefeitura de São Paulo inaugurou o hospital de Cidade Tiradentes. Nenhum médico quis trabalhar lá. O hospital teve sua inauguração protelada. Acho interessante os médicos querendo um plano de carreira igual ao dos juízes em uma época que tais benefícios para "classes especiais" estão sendo questionados nas ruas. O correto seria que tais mimos não existissem para qualquer classe que fosse.
Ao escolherem ser médicos, a priori, os indivíduos optaram por lidar com a dor. Entendo sim que um médico tem que ganhar muito, mas muito dinheiro porque estudam, porque se dedicam, porque dão o melhor de si (alguns), mas remuneração é diferente de um plano de carreira igual ao do judiciário ou do legislativo. Aliás, se já é vergonhoso o auxílio paletó que um deputado recebe o que se diria de um auxílio jaleco? Mais um agrado pago pelo dinheiro público.
Isso abriria precedente para os engenheiros, advogados, administradores, contadores, policiais, bombeiros, motoristas de ônibus, pedreiros e uma infinidade de profissionais pedirem um plano de carreira estilo judiciário.
Em termos acadêmicos é injusto comparar um médico a um pedreiro mas em termos de cidadania os dois são iguais e se o primeiro quer ter benefícios o segundo merece ter também.
Essa picuinha me faz lembrar do Brasil império é como se os médicos fossem os grandes barões querendo mais ouro e prestígio e dona Dilma fosse a imperatriz sem saber o que fazer com a plebe batendo aos portões de seu castelo.
No meu ponto de vista a solução para a saúde no Brasil está infelizmente no longo prazo. Não adianta o governo abrir uma universidade na zona leste de São Paulo, colocar o nome de USP e fornecer o curso de Ciências da natureza (apesar de ser necessário também) ao invés de um curso de medicina. Não adianta colocar uma universidade federal em Guarulhos oferecendo cursos diversos na área de humanas sem o curso de medicina. Antes que os esquerdistas de plantão digam que menosprezo os graduações citadas acima em detrimento do curso de medicina gostaria de dizer que sou formado em Letras e entendo da importância das ciências humanas. O fato é que se há deficiência na quantidade de médicos formados para atender a população, que se criem mais salas de aula de medicina. Que se isente de impostos as universidades pagas para que os cursos de medicina e os demais tenham seus preços reduzidos, afinal de contas se dá para isentar de impostos igreja que compra canal de televisão porque não as universidades que formam profissionais ao invés de religiosos fundamentalistas que dão até as cuecas nos cultos?
Porque não remunerar melhor o profissional médico que trabalha mais distante e em condições menos favoráveis? E por fim, por que abrir um monte de postos de saúde que não tem equipamentos suficientes nem infra para os profissionais de saúde trabalharem.
O problema do Brasil não é saúde, tampouco segurança, mas sim educação. Com ela, os outros dois problemas se não forem sanados ao menos serão reduzidos a níveis inexpressivos.
Não basta lordes brigarem com o sobreano por prestígio enquanto a população literalmente sofre na carne.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Aquela velha casa


Ela limpou a casa da melhor maneira que podia. A visita estava por chegar e tudo precisava estar arrumado. A casa não era bonita. Longe disso. As paredes estavam sujas e a muito não via tinta nova, o piso tinha aparência desgastada pelos passos daqueles muitos que por ali passaram mas ainda assim tratava-se de uma casa grande e imponente.
Feliz por ter terminado e ansiosa por matar a saudade, passou na frente daquele espelho colado na porta do guarda- roupas e por um instante fitou o reflexo de seu rosto. Os cabelos brancos, as rugas e alguns cravos denunciavam sua idade. Abaixou a cabeça, olhou para as pequenas mãos calejadas e percebeu que o tempo havia passado rápido, mas logo se recompôs, não havia lugar para este tipo de pensamento, o importante é que a casa estava limpa e ponto final.
O pouco estudo não a impediu tornar-se uma mulher prendada e como boa anfitriã, lembrou-se daquele bolo de milho que sua visita tanto gostava. Comprou os ingredientes e o fez com gosto. Ela sabia que ele iria ficar muito feliz com a surpresa.
Por ultimo, mas não menos importante, preparou a cama. O lençol recém lavado na véspera estava com aquele cheirinho bom de roupa seca ao sol. Ela puxava, esticava e contente com o resultado concluiu que todos os preparativos haviam sido feitos.
O telefone tocou. Seu coração bateu forte. Era a voz de um homem mas ela a ouvia como se fosse a de um menino. Seu sorriso se abriu quando ouviu duas palavrinhas mágicas, "estou chegando". Rapidamente ela olhou para a sala, correu no quarto e confirmou o estado da cama e já na cozinha viu que o bolo ainda fumegava de quente. Seria um dia feliz.
Ele chegou. Estivera longe por muitos e muitos anos. Era alto e bonito. Bem vestido. Ela olhou e meio que ao mesmo tempo abriu os braços e um sorriso. Ele se aproximou, olhou ao redor como que desconfiado e a abraçou também. O sorriso insistia em não sair do rosto dela, mas o rosto dele parecia não apresentar qualquer tipo de reação a não ser aquele educado risinho sínico de canto de boca.
- Por que demorou tanto para vir, perguntou ela sem desmanchar aquele sorriso.
- Estive ocupado demais com o trabalho e minhas coisas, respondeu ele com um tom de voz polido.
- Sente-se aqui, o sofá é novinho.
O homem sentou e tornou a olhar ao redor. Ela sentiu algo estanho nele pela primeira vez: - O que foi? Perguntou ela.
- Não foi nada, respondeu ele mais uma vez com aquele tom polido.
Ela o chamou para a cozinha e enquanto caminhavam até lá por aquele corredor comprido fez uma série de perguntas e todas prontamente respondidas.
Ao chegarem na cozinha ele olhou diretamente para aquela parede em que dois azulejos haviam caído. Ela percebeu e se envergonhou. Havia tido um trabalho danado para limpar todos os azulejos e torcia para que ele não reparasse aqueles dois faltando, mas ele reparou. Para tirar a atenção dele das paredes disse: - Vamos sentando, fiz aquele almoço com tudo o que você gosta e além disso a sobremesa é bolo de milho.
- Obrigado mas já almocei, respondeu ele rapidamente.
- Coma, está tudo fresquinho, acabei de fazer, respondeu ela ainda sorrindo.
- Não vou comer, estou cheio.
- Mas coma só um pouquinho, ao menos o bolo, pediu ela meio que murchando.
Sensibilizado com aqueles olhos pequenos mais ainda assim tão vivos ele pegou um pedaço pequeno daquela forma de bolo enorme e colocou na boca. Antes de pôr o café na xícara, olhou para o fundo dela. Bebeu e ficou calado.
Aquele sorriso no rosto dela havia sumido. Seu semblante ficou triste.
- O que aconteceu? por que você está tão estranho? Por que não comeu nada? Por que fica olhando para cada canto da casa e não olha para mim? Perguntou ela angustiada.
Pressionado, ele explodiu:
- É esta casa mãe! Está feia, caindo aos pedaços. Parece um barraco. Os móveis ainda são aqueles da época da minha infância, tudo está tão sujo, e a senhora? Olhe para a senhora? Está tão mal tratada. Fiquei tanto tempo longe e quando volto tudo parece ter piorado. Eu não dormiria aqui nunca, deve ter rato e barata.
Ela abaixou a cabeça e olhou para um lado. Trouxe as mãos ao rosto e sentiu uma lágrima se formar no canto de um olho. Ela não queria chorar. Aquele deveria ser um momento de alegria e não de vergonha e tristeza. Ela segurou como pôde mas as lágrimas em momentos assim parecem ter mais força do que podemos imaginar. Ela não aguentou tudo aquilo e chorou. Aquela não era mais a sua criança, era apenas um estranho. Bem vestido e com uma voz familiar mas ainda assim um estranho.
Ele, percebendo a barbaridade que acabara de fazer tentou acalmá-la. A abraçou. Pediu-lhe desculpas mas nada continha aqueles soluços. Tanta cultura, tanto estudo parece tê-lo deixado cego e arrogante. Não havia mais o que fazer. A dor havia sido causada.
Ele levantou-se e despediu-se. Ela andou pela casa. A cama estava lá. O lençol ainda esticado com tanto esmero permanecia intocado. Virou-se, fechou aquela velha porta com a pintura descascada e novas lágrimas preencheram-lhe a face. Na cozinha a comida ainda estava morna mas isso não importava mais. Nem mesmo o pequeno arranjo de flores em cima da mesa a consolava. Ela sentou na cadeira mais próxima e chorando adormeceu.

Moral da história

Uma xícara quebrada, ainda que se cole os pedaços, jamais voltará a ser a mesma e assim são as feridas impostas ao coração de uma mãe.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A difícil arte de ser feliz

Costumamos depositar nos outros a felicidade que desejamos para nós. Deve ser algum tipo de extinto ou de característica do comportamento humano.
Procuramos alguém que nos complete. A tampa da panela. A outra metade da laranja. Mas é interessante buscarmos este complemento se tecnicamente somos autônomos, não atoa, somos chamados de indivíduos.
Idealizamos nossa felicidade baseado em outra pessoa e esquecemos que ser feliz sozinho é possível e primordial.
Sim, primordial. Aquele que não aprende a viver sozinho, não aprende a se amar não tem condições emocionais de amar alguém, tampouco de depositar expectativas em outrem.
Quando não se está bem consigo, nos tornamos inseguros, possessivos e ciumentos. Desconfiamos, criticamos e ainda assim precisamos daquela pessoa, porque depositamos muito de nós nela.
Esta tentativa diária de recuperação dos depósitos desgasta qualquer relacionamento. São filhos que não conseguem atender as expectativas dos pais. Pais que acham que os filhos não se esforçam o suficiente ou que não aceitam as escolhas realizadas por seus rebentos. Maridos que não aceitam uma mulher independente e mulheres que acham que a cada esquina seus maridos têm uma amante lhes esperando.
Todos sofrem, todos perdem. A metáfora da duas metades da laranja é mais que verdadeira. Só é difícil prestar atenção e perceber duas laranjas inteiras duram mais na banca da feira do que uma partida ao meio.
Portanto, sejamos completos antes de desejarmos alguém ao nosso lado, antes de termos filhos e desenvolvermos amizades. Chegar como uma metade em um relacionamento achando que se tornará completo ao encontrar alguém talvez seja o maior erro que uma pessoa pode cometer. Seja feliz.


sábado, 20 de abril de 2013

Man of Steel - Estou na expectativa

Acho que nada consegue fazer eu lembrar da minha infância com tanta nostalgia como um gibi. A vontade que tinha de ler e viver naqueles mundos fantásticos. As brincadeiras, as toalhas de banho amarradas nas costas como se fosse a super capa. Tenho saudades.
Particularmente nunca gostei muito do Batman e mais agora nesta fase dark onde o nível de insanidade e brutalidade do personagem parece ter vencido a disputa pelo lado detetive e investigador que fez com que o personagem surgisse.
O Superman, por outro lado, sempre foi o bastião da justiça. Pode parecer piegas, mas ele era um bom exemplo para crianças e acho que esta era a essência dele. Ninguém é totalmente bom, mas para efetivamente nos tornamos algo próximo disso, precisamos que um norte, precisamos de exemplos, precisamos de heróis.
Dito isso, assisti ao trailer do filme Man of Steel que estreará em 12 de Julho. E apesar de seguir os novos padrões de ação, sinto que este será o melhor filme de super heróis feito recentemente.


Torço para que a surpresa seja boa e que possa me empolgar e muito com o Superman novamente.




* O trailer foi retirado do site do Omelete. Lá eles têm um canal bem legal com um monte de informação sobre este filme e muitos outros.