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quinta-feira, 9 de março de 2017

E não viveram felizes para sempre



O amor tem dessas coisas...
Precisa ser sentido, precisa ser vivido...
Mas acima de tudo precisa ser confiado.
O amor desconfiado é um meio amor.
É um viver sem calor.
Uma lamentação sem fim,
É estar perturbado pela pior das dúvidas...
E se?

São noites de sono mal dormidas
Embrulhos no estômago
É querer estar dentro do outro
A vasculhar...
A querer encontrar aquele detalhe...
Por vezes avassalador
Devastador, usurpador...
É o torpor de toda uma dor...
Pujante, gritante e mesmo irritante.
Pois é. O amor não é tudo, mas...
A confiança assim o é.

Carente de fé,
Os ânimos se desanimam,
Os dentes se mostram, não num sorriso
E sim no ranger eufórico
Lascas de sentimentos se chocam...
E faíscas por vezes se faz ver
Sim. É ofensa, lambança
Falta de razão...
É um final infeliz...

terça-feira, 7 de março de 2017

Os anjos também caem



Ele era jovem. Devia ter o quê? Uns quinze? Talvez dezesseis anos. E ele sonhava. Era um ingenuo num mundo de espertos.
Sonhava sim. Com grandes feitos. Com uma vida melhor. Ele sabia que era capaz. Capaz de tudo. Capaz de transformar o mundo, mas ainda assim era um. Tão somente um.
Tinha boas intenções e um coração bom, mas ainda assim riam dele. Era sempre a aparência, o jeito tímido de não saber lidar com as brincadeiras de mal gosto. A dificuldade em saber lidar com um lugar novo e hostil.
Ele via as pessoas curtindo. Eram shows, viagens, paqueras. Tudo muito próximo dele mas ainda assim distante. Era um lugar impossível de entrar. Ser descolado para ele era complicado. Ser popular, algo inimaginável.
Sofria calado. Era motivo de chacota sempre. A noite na cama chorava em silêncio para que os pais e os irmãos não ouvissem. Em momentos assim, perguntava a Deus por que era tão diferente? E por que sofria tanto? Mas as respostas nunca vinham. O que vinha era um novo dia. Não um dia cheio de possibilidades mas um novo dia cheio de mais tristezas.
Era um rapaz simples. Sonhador, mas que de tristeza em tristeza, de trotes em trotes, de chacotas em chacotas passou a se tornar uma pessoa rancorosa, vingativa. Aquele mundo não o queria, ele também não o quereria mais.
Cresceu. Tornou-se um jovem homem. Passou a ter certa liberdade, contudo, os longos anos de tristezas e decepções haviam deixado suas marcas. A imaginação fértil se voltou para a mentira. Mentia para tudo e para todos. Fantasiava situações e em instantes havia uma história perfeita para corroborar viagens nunca feitas, amores nunca vividos, sensações nunca vividas.
O mundo era assim para ele. Tudo havia se tornado falso e para fazer parte daquilo ele tinha que ser o senhor da falsidade.
Ele de fato cresceu. Tudo que ele havia aprendido era desrespeito e o que ele retribuiu foi mais desrespeito ainda. Arranjava namoradas para logo em seguida as trair sem remorso algum. Uma pessoa outrora amorosa agora não passava de alguém para quem um sentimento pouco significado tinha. O mundo era assim e ele era o mundo agora.
Os anos se passaram e a vida desregrada cobrou seu preço. Lá estava ele. Vazio. Nem sequer lembrava de longe aquele garoto tão bom. Sozinho, viu todos ao seu redor prosperarem, mas ele continuou ali. Remoendo recordações ruins e culpando os outros pelo mal que fez a si e aos outros.
Criamos monstros o tempo todo. As vezes sem querer mas as vezes por diversão. Para não perder a piada. Fazemos anjos caírem com nossos atos errados e sequer damos conta.
Negamos a responsabilidade que temos e seguimos em frente. Até quando?

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ela sempre prevalecerá




Não há mentira que se sustente para sempre. Nunca haverá. Poderão passar anos, eras, mas um dia a verdade surgirá ainda que não para se fazer justiça, mas para se acalmar os ecos dos corações atormentados.
Algumas pessoas mentem bem. Elas realmente são boas nisso, mas sustentar uma mentira por anos a fio dispende grande esforço. Umas se cercam de cuidados e se tornam paranoicas. Passam a acreditar em suas invenções. Outras relaxam. Esquecem e deixam a vida fluir. O castigo da primeira é a loucura, o da segunda, ser exposta. Mas ambos em algum momento estarão nus. Despidos da segurança da história perfeita.
O silêncio é o predecessor da vergonha de ter sido apanhado e a vontade de reconciliar é o golpe baixo destes astutos.
Da mesma forma que existe a mentira e a verdade, o enganador e o enganado, existe o coração mole e o coração duro. Um sofre, perdoa e esquece, já o outro sofre, mas, não perdoa, não esquece e se vinga. Existem aqueles que abraçam a compaixão e outros que veem no ódio um anjo de braços abertos. Jamais se pode julgar ou entender a reação de alguém que foi enganado. Tão pessoal quanto o amor é a ira. Tão intenso quanto a criação é a destruição. São irmãos amarrados pelos pulso, digladiando entre si.
Mas indiferente do desfecho, o fato é que a verdade pode tardar, mas sempre prevalecerá. Ela se imporá ante as trevas da ignorância e da enganação. Ela será a luz para a salvação ou o fogo da danação.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Tempo de incertezas, violência e tristezas




Estive pensando sobre o momento em que vivemos. Sobre os desafios do dia-a-dia, sobre a insegurança que sentimos todos os dias. Estive pensando sobre o aumento da criminalidade, sobre os bailes funk e sobre aquele vizinho chato que por estar dentro de sua casa acha que pode fazer tudo, inclusive ouvir a música que quiser no volume que entender ser razoável. Pensei na falta de cultura e na cultura do futebol, na inflação e no por quê de pagarmos três vezes mais o valor de qualquer bem. Estive pensando no jeitinho brasileiro, na esperteza dos "espertos" e ainda assim perdedores. Pensei nas mentiras do governo e nas falácias dos políticos, no ranger de dentes dos sindicalistas e nos uivos inquietos das ONG's, vorazes por verbas públicas. Pensei um pouco mais no policial que se corrompe, na enfermeira que fica discutindo com as colegas sobre o capítulo da novela enquanto o paciente agoniza. Estive pensando sobre a menina que tentou matar a própria mãe com chumbinho e aos risos informava que repetiria o ato assim que a oportunidade surgisse. Estive pensando em leis absurdas como a de acabar com a comemoração do dia dos pais e dia das mães na escola em detrimento dos filhos de pais e mães homossexuais. A criança nesta situação não teria dois pais ou duas mães? e este não seria um motivo para esta criança celebrar em dobro? Pensei nas mulheres que querem mostrar seus corpos voluptuosos com saias, shorts e decotes e ainda assim reclamam quando alguém as aborda de maneira mais incisiva assim por dizer. Sou absolutamente contra o estupro, mas aparentemente, a lei da ação e reação parece não se aplicar as esta mulheres. Pensei inclusive nas mães que acham bonito e incentivam suas filhas a andarem seminuas pelas ruas com a desculpa de que elas tem o direito de decidirem sobre seu corpo. Pobre meninas...
Pensei sobre as cadeias lotadas e sobre o poder paralelo que está se tornando o poder de fato e pensei também na perda de esperança das pessoas de bem.
Envolto em tantos pensamentos, como ter esperança de melhoras? A sociedade como conhecemos está ruindo enquanto o governo parece distanciar-se cada vez mais daqueles que deveriam representar. Paro, e penso uma vez mais que tipo de futuro teremos e o que visualizo é simplesmente o imprevisível, mesmo em um horizonte curto de tempo. Aguardemos então os novos tempos, de tristezas talvez...