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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Quinze para a meia noite


 O céu estava estranho. Ele estava definitivamente muito estranho. Ninguém diria que tudo começou com aquilo que chamaram erroneamente de aurora boreal. O Brasil fica no hemisfério sul, portanto, o termo que chegaria mais perto de algo correto seria aurora austral, mas isso pouco importa. O que importa é que naquela noite de 2 de março de 2023 próximo da meia noite o céu noturno estava estranhamente belo. Até onde se podia ver no horizonte haviam luzes nas mais variadas cores. Tons de verde e de azul encantadores misturados com muito mais cores.

As pessoas saiam na rua. Os mais tímidos, ou mais desconfiados viam pela janela um céu jamais visto antes por estas bandas. Alguns estavam maravilhados. Outros achavam que era o fim dos tempos mas ambos concordavam que era muito estranho.

Quando o relógio marcou quinze para meia noite houve um estrondo. Um barulho muito alto. As pessoas distraídas foram pegas de surpresa. Muitos desmaiaram com o susto e aqueles que conseguiram ficar em pé sentiram muita tontura. As pessoas não entendiam direito o que estava acontecendo e isso só piorava com a temperatura que parecia aumentar ainda mais. Noite quente, luzes estranhas no céu um barulho estrondoso. Esta seria uma receita perfeita para o início de uma lenda urbana se tivesse ocorrido em uma cidadezinha do interior, mas não, descobriu-se tempos depois que estes eventos haviam ocorrido em todo o pais. Delírio coletivo? Poderia até ser, não fosse as mas as diversas fotos e vídeos deste começo de cataclisma trocados num ritmo alucinante pelas redes.

A internet surtava e no noticiário da TV não havia outro assunto até que de repente tudo parou. Os telefones não funcionavam mais e as televisões ficaram sem imagem.

Era mais ou menos meia noite e 20 quando o céu de súbito voltou ao normal. Bem, não tão normal assim. Era noite e as estrelas estavam lá brilhando, mas elas estavam todas lá. Era um céu estrelado como nenhum outro. Muito belo.

As pessoas até tiravam fotos mas ainda não conseguiam postar nas redes sociais ou enviar para os outros. Nada funcionava naquela noite tão diferente.

Muitos ficaram acordados para ver se algo mais aconteceria, mas a maioria foi dormir afinal de contas era madrugada de 3 de março. Uma sexta-feira. Muitos tinham que acordar cedo para trabalhar.


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A manhã de 3 de março se mostrou ainda mais estranha que a noite anterior. Nada tecnológico funcionava. Aparelhos eletrônicos até funcionavam mas não se conectavam na rede. Os semáforos das granes capitais piscavam praticamente todos no amarelo. O GPS não funcionava, a internet não funcionada, o sistema bancário não funcionava. As pessoas se viram novamente na década de oitenta do século XX.

Ir trabalhar estava difícil. Muito atraso nos ônibus e no metrô. Muita aglomeração nos pontos de ônibus e nas estações e nessas aglomerações haviam basicamente dois assuntos. O apagão da internet e a aurora no céu noturno na noite passada.

Assim passou o dia todos. Muita confusão e muita desinformação. A noite as televisões voltaram a funcionar Havia uma mensagem do governo passando em todos os canais. A mensagem era falada pelo presidente da república e dizia o seguinte: "Povo brasileiro. Na noite passada tivemos um evento meteorológico incomum seguido da quedas das redes de informação. Este evento, até onde pôde ser avaliado ocorreu em todo o país. Estamos tentando contato de diversas maneiras com outras nações mas não estamos obtendo sucesso. Acreditamos que o mesmo que ocorreu conosco aqui no Brasil tenha ocorrido com nossos vizinhos. Estamos ainda levantando impactos. Assim que tivermos maiores dados sobre o ocorrido voltamos a informar a população'.

A mensagem em si era pouco esclarecedora e para falar a verdade serviu apenas para causar mais pânico na população que naquele momento passou a acreditar num cataclismo a nível mundial.

Muitas pessoas preocupadas mantiveram as televisões ligadas aguardando novas mensagens mas isso não ocorreu. Não naquela noite.


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Passava das 10 horas da manhã de 4 de março. As televisões ligadas voltaram a apresentar a programação das emissoras, mas o assunto era um só, o apagão que permanecia no Brasil. Muitos repórteres tentavam explicar o ocorrido. Hipóteses cientificas eram levantadas, mas o fato é que ninguém sabia de nada.

Em um desses canais de notícias estava passando uma reportagem que parecia ter saído de um filme de ficção científica. Em cima da ponte da amizade em Foz do Iguaçu uma repórter com voz trêmula apenas repetia: "Não tem nada do outro lado. Não tem nada do outro lado da ponte". O operador da câmera filmava um floresta sem fim do outro lado da ponte. Era algo surreal o que se via. O Paraguai simplesmente havia deixado de existir.


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A tarde, os telefones voltaram a funcionar apenas para ligações. Nada de internet. As ligações falhavam muito. Talvez por um congestionamento das redes devido ao alto volume de chamadas que passou a ocorrer. Natural que isso acontecesse. As pessoas queriam afinal de contas ter notícias de seus familiares e amigos e as redes sociais bem como aplicativos de mensagem ainda não estavam disponíveis. Curioso ver como uma sociedade tão dependente da conectividade desmoronou literalmente da noite para o dia. Curioso também foi ver como a televisão voltou a ser o centro da atenção. Nela, ocorria um verdadeiro show de horrores. Diversas reportagens pipocavam em todos os canas. Equipes de repórteres nas cidades que faziam divisa entre o Brasil e outros países mostravam a mesma coisa. O nada.

Eram quilômetros e mais quilômetros de mata do outro lado da fronteira. Nenhum vestígio de civilização. 

A população olhava pela tv incrédula. Não conseguiam encontrar uma explicação plausível para aquilo que estava acontecendo.


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Uma onda de revolta começou a ocorrer. Aqueles mais conspiracionistas acreditavam que era um golpe do governo alterando as imagens na televisão de modo a poderem controlar o povo. Outros entendiam que algo de muito errado e de muito misterioso estava acontecendo. O fato é que já era 05 de março. Três dias depois daquela noite estranha e Brasília estava um caos. Depredação, saques, e suicídios. A situação não era muito diferente no restante do país. O ser humano frente ao desconhecido costuma ter reações das mais variadas e por vezes as mais perversas.

Havia um mundo de gente na praça dos três poderes. Tudo era muito novo e estranho e perturbador mas o pior ainda era o silêncio do governo. A turba gritava palavras de ordem, levantavam cartazes, entoavam pai nossos e ave marias. Nada parecia sensibilizar aqueles que deveriam saber de algo.

A esta altura muitos aviões já aviam sobrevoado o que era a Argentina, Bolívia, Uruguai. O cenário era sempre o mesmo. Estávamos sozinhos nossos vizinhos haviam sumido.

Meio dia em ponto todos os canais voltaram a mostrar um novo vídeo do governo. A imagem do presidente com olheiras e abatido denotava noites de sono mal dormidas e estresse excessivo. Ele começou a falar num tom fúnebre: "Povo brasileiro, venho até vocês sem um roteiro escrito, sem um script. Nós estamos vivendo uma verdade que até mesmo eu, com toda a informação que tenho, custo a acreditar que seja verdade. Todos os países no continente americano desapareceram. Sobramos apenas nós. Nossos peritos da aeronáutica conseguiram imagens de satélite que comprovam isso. Imagens da Europa e da Ásia mostram evidências de civilizações feudais com povoados existindo onde antes haviam países desenvolvidos. Não sabemos como explicar isso mas é certo que voltamos no tempo. Isso é comprovado através da cartografia. O posicionamento das estrelas estão diferentes da de alguns dias atrás. É como se tivéssemos voltado cerca de seiscentos anos no passado.

Sei que algo chocante e difícil de de aceitar mas estou aqui apenas falando a verdade sobre o que sabemos até agora. Aparentemente a aurora austral que aconteceu na noite de 2sde março seguida do estrondo tem relação com este ocorrido.

Não sei como chegamos aqui ou como sairemos dessa, se é que há uma saída. O que sei é que como nação precisaremos mais do que nunca estarmos unidos para vencermos isso.

Deus costuma agir de maneiras misteriosas. Prefiro neste momento me agarrar a minha fé e pensar que ele tem um plano para nosso povo. Voltaremos a informar todos vocês assim que tivermos novos dados."

E com essa mensagem o governo implodiu toda a sociedade.



quinta-feira, 9 de março de 2017

A folha e a flor




Ao longe a folha de uma árvore via uma roseira. Dentre todas as rosas havia uma que parecia mais vermelha que as demais.
Encantada com tal beleza a folha passava a maior parte do tempo olhando para aquela rosa. Era hipnotizante e ainda assim curiosa. Por mais que se olhasse uma nova beleza parecia surgir.
O vento soprava e com raiva a pequena folha ficava. Como poderia os alísios serem tão ruins assim ao ponto de desviar seu olhar daquela direção.
Passavam dias e a atenção da folha era para uma única coisa. Sua fixação era tão grande que mal reparava nos espinhos que furavam as pessoas que se aproximavam.
Numa bela manhã de um dia frio notou que as pessoas passavam e encaravam a sua árvore e suas irmãs folhinhas. Curiosa, desviou seu olhar para um lado e viu uma de suas irmãs meio amarelada. A do outro lado, avermelhada.
Mais pessoas passavam e olhavam, apontavam e fotografavam. Podia algumas folhas desbotadas serem mais bonitas que uma flor?
Ciente da novidade a pequena folha se encantou. De tanto se achar feia esqueceu-se do que realmente importava. Todos tinham seu lugar ao sol e o dela havia chegado.
A beleza está oculta nas pequenas coisas. Ser folha pode ser uma experiência mais intensa do que ser flor

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Aqueles olhos azuis



Existe beleza na pequenas coisas e mais ainda nas pequenas coisas que passam pela cabeça de uma criança.
Já passava de seus oitenta anos. As dores no corpo e a memória um tanto falha denunciavam a longa jornada que havia trilhado até então.
Com tanto vivido e tão pouco a viver pela frente passara a apegar-se a lembranças de um passado distante e bom. O nascimento do primeiro filho. O dia de seu casamento. A primeira vez que foi a praia. Todas estas foram sensações únicas e ele sabia que muito do que era hoje havia dependido delas, mas algo o incomodava.
Ele meio que queria algo mais antigo. Algo que o remetesse aos tempos em que o tempo não fizia tanta diferença assim. Lembranças da infância com toda a certeza preencheriam essa lacuna, mas qual?
Sim. A idade havia chegado. E ele triste concluía o inevitável. Era um dos últimos de sua geração a estar vivo. Sua amada esposa se fora anos antes. Assim como seus irmãos mais velhos e seus amigos mais próximos. Refletia sozinho sobre a longevidade. A vida era boa, não tinha do que reclamar. Gozava de relativa boa saúde. Teve filhos ótimos e que te deram muito orgulho e netos encantadores. Todas grandes alegrias, mas aqueles que poderiam ajudá-lo a recordar de sua infância não estavam mais ali e isso o incomodava.
Levantou-se da poltrona com um pouco de custo e caminhou até a janela. A tarde estava bela com um sol não muito quente. Ele sentia aquele calor rejuvenescedor em seu rosto e por um instante lembrou-se dos olhos azuis. Mas o que aquilo significara?
Seus olhos eram negros como a noite. Como poderia ter a lembrança de ter tido olhos azuis? Coisa de velho talvez. A cabeça costuma pregar peças num octagenario e estava ali brincando com ele.
Cismado, viu o dia passar e quando a noite chegou, adormeceu.
Dia seguinte acordou cedo. Estava disposto a descobrir o segredo por trás daquele fragmento de memória. Puxou uma caixinha de dentro de uma gaveta. Ali estavam preciosidades. Um pequeno tesouro ao qual jamais abriria mão. Haviam fotos, uma correntinha de São Bento e muitas cartas das quais uma em especial, escrita por sua mãe. Ele parou por algum tempo. Fitava aquela carta com um carinho especial. Estava naquele pedaço de papel a única lembrança palpável de sua mãe. Ele olhava e dizia a si mesmo como ela tinha uma caligrafia bonita. Refletiu sobre aquele pedaço de papel um pouco e em seguida pensou no celular de nova geração que seu filho mais novo lhe deu e com o qual eles trocavam mensagens. Lhe ocorreu que jamais havia escrito uma carta a qualquer um de seus filhos e que portanto, aquela sensação de ternura e nostalgia morreria com ele.
Beijou a carta como se fosse seu bem mais precioso e começou a lê-la. Era uma carta direcionada a sua avó e que narrava o primeiro passeio a praia que a família havia feito com o carro novo.
Num ponto da leitura ele parou e sorriu. Sua mãe elucidara sua dúvida. Um turbilhão de lembranças passou por sua mente. Lembrou-se então do porquê dos olhos azuis.
Nostálgico e emocionado decidiu por escrever uma carta direcionada a seus filhos. Queria que eles tivessem a mesma sensação que ele ao reler a carta de sua mãe. Ela começava assim:
"Meus filhos. Sei que a ideia de que os anos estão terminando para mim me assombra, porém, nunca fui de lamentar e meu gênio por vezes ruim me impede de dar-me por vencido. Estava lendo uma carta de mamãe e percebi que apesar de ter feito muito por vocês jamais externei em palavras meus sentimentos ou minhas memórias e portanto decidi escrever estas poucas linhas com uma lembrança que tive ontem. Uma lembrança de minha infância. Talvez a primeira de todas. Pode parecer algo singelo, comum talvez, mas algo que sei que vocês não sabem. Algo que por tanto tempo foi somente meu.
Quando criança lia muito e gostava muito das figuras nos livros. Na maioria delas as pessoas tinham olhos azuis e cabelos louros. Nunca achei bonito aqueles cabelos amarelos parecendo palha de milho, mas os olhos azuis, ah os olhos azuis. Talvez tenham sido a primeira coisa na minha vida que achei bonito.
Olhava para meus olhos negros no espelho do banheiro da casa de meus pais e desejava que eles se tornassem azuis. Diante de tal imaginação passei a acreditar que quando crescesse eles mudariam de cor. Devia ter uns cinco ou seis anos. Logo pela manhã, olhava no espelho e corria para peguntar a mamãe se faltava muito para eu crescer. Ela ria me abraçava, beijava e dizia que queria que eu nunca crescesse. Que fosse seu menino para sempre. Eu impaciente me desvencilhava de seus braços contrariado por ela não querer o mesmo que eu. Mal sabia que no futuro sentiria o mesmo por cada um de vocês minhas crianças.
Os anos passaram. Meu desejo, por motivos óbvios não se realizou. Mas o mais importante foi ter acreditado em algo, portanto, deixo um conselho meii piegas a vocês mas muito verdadeiro. Nunca desistam de nada por mais louco e impossível que seja. Olhos azuis existirão para todos...
Que Deus os abençoe. Beijo enorme de seu velho pai."
Colocou a carta sobre o criado mudo tendo a sensação de dever cumprido deitou-se e dormiu feliz como não dormira a muito tempo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Mas ainda assim o amor acontece...


Passava das 18 horas quando ela chegou em casa. Cansada. O dia de trabalho havia sido corrido e o motorista do ônibus pouco se importava se ela queria ou não um banho quente. Aliás, o trânsito daquela segunda feira beirava o caos e também pouco se importava com ela.
Aliviada por abrir a porta de seu apartamento lembrou-se que não recordava se havia tirado o ferro de passar roupas da tomada pela manhã.
Como diz o ditado, cansaço pouco é besteira. E lá se foi ela chutando a mesinha da sala num correr desajeitado rumo a mesa de passar roupa. Um respiro aliviado seguiu-se ao pequeno trote. Mil pensamentos na cabeça: - "Pronto, lá ia eu aparecer no noticiário. A mulher do apê queimado". Sorriu com o pensamento maldoso enquanto amarrava seus cabelos num coque com um lápis que encontrou na cozinha.
Curioso saber que nos dias de hoje as pessoas ainda usam lápis para escrever. Parece cafona, da mesma forma que o elefante com as costas virada para a porta de entrada ou o tapetinho escrito "entre sorrindo", mas era inegável o charme que somado a tantos outros objetos cafonas aquele apartamento tinha.
De coque em riste, lá foi ela pôr roupa na máquina de lavar e comida no microondas para esquentar. A novela passava na tv mas pouca atenção ela conseguia dar. Perdera alguns capítulos e não estava mais a par da história. 
Eis que em um destes lapsos de tempo que temos quando paramos para focar em algo ela se depara com a cena do mocinho abraçando com ternura a mocinha. Pensou ela: - "Bem que eu podia ter um namorado pra me abraçar assim". Mas como um mantra que se invoca em momento de profunda desgraça ela balbucia: - "Homem nenhum presta".
O celular vibra fazendo ela despertar do transe de satã em que se encontrava. Era a amiga solteirona como ela. Ansiosa como criança em crise de asma a amiga mal podia se conter de felicidade. Havia descolado um broto. Tipo assim, não era um namorado mas um ficante estável.
Ela houvia a amiga falando toda feliz e pensava: "Esse negócio de namorado esta me perseguindo".
Feliz a amiga desliga e incomodada ela engole a comida. De súbito levanta e resolve dar uma volta. O de sempre, shopping. No caminho, era casal no ônibus, casal no estacionamento, casal na fila de cinema. Sim o universo conspirava contra o bom humor dela.
Sentada, com mais da metade de um milk shake tomado e se sentindo dez quilos mais gorda lembrou-se do Ricardão. Não aquele das histórias mas um ex namorado seu, meio sacana, meio sem vergonha mas que havia apresentado aquele milk shake que a fazia engordar.
Pensou em ligar, mas demoveu-se da idéia. Antes só do que mal acompanhada e o Ricardão já tinha dado o que tinha que dar. Pensou: "Deus, é o fundo do posso ligar para o Ricardão".
Triste, gorda, sozinha, desamparada e sem amor lá se foi ela para casa quando de repente vê um casal brigando na frente do prédio. Maldade se deliciar com a desgraça dos outros mas ela meio que se sentia vingada. Aquela noite, não seria ela a única pessoa a ir dormir infeliz.
Desesperançada do amor ela entra no elevador e eis que seus olhos se cruzaram com os dele. Não era bonito, mas não era feio também. Ambos tinham a mesma altura e ela logo pensou que de salto ficaria mais alta do que aquele tampinha. Não sabia ao certo o que chamara a atenção naquele rapaz mas de fato algo fazia com que seus olhares se cruzassem. 
Havia chegado o andar dele. E ela na frente da porta. Ele pediu licença e de cabeça baixa saiu. Ela o acompanhou com um olhar de curiosidade. Não lembrava de tê-lo visto por ali antes.
Passaram-se os dias e eles se trombaram mais umas vezes até que uma primeira conversa surgiu.
Ele gostava de ler e curtia rock. Não tinha um elefante com as costas viradas para a porta de entrada mais sim uma estátua de um buda gordo e sorridente. Tantos foram os pontos em comum que logo sorrisos e brincadeiras surgiram. Ao voltar para casa, aquela sensação boa e boba de quem se encanta com alguém surgiu.
Mas não, não podia sentir aquilo afinal de contas homem nenhum prestava. 
Mal humorada, levantou-se pela manhã com cara de quem poderia matar um. Não atendeu as ligações dele durante o dia. 
Estaria fazendo o certo em não atender porque homem nenhum presta, mas na última tentativa dele já no finzinho do dia ela resolveu atender e percebeu o quanto aquele papo a fazia bem. Resolveram. Iam se encontrar num barzinho logo ali próximo. Um rock clássico tocava e o chopp estava na temperatura ideal. Entre sorrisos e olhares o primeiro beijo aconteceu. Ela percebeu que daquele momento em diante não poderia mais ficar sem aquele beijo. Feliz, voltaram para o prédio e no andar dele se despediram. No elevador ela se encolheu num sorriso quase pueril, daqueles de menina sapeca. O amor havia acontecido.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Nada não



Nada tem gosto
Nada tem cheiro
Nada é um enrosco
Nada  é encrenqueiro

Nada é chiado
Nada magoado
Nada irritado
Nada é chapado

Nada desanda
Nada é turvo
Nada encanta
Nada tão curvo

Nada em mim
Nada em você
Nada é não
Nunca é nada
E por nada não
Perdi a parada



quarta-feira, 9 de julho de 2014

Halo Primordium

O texto abaixo possui informações sobre o enredo do livro e personagens da série de jogos Halo. Sendo assim prossiga com a leitura apenas se de fato tiver curiosidade sobre os eventos desta história.


Halo Primordium é o segundo livro da trilogia "Saga dos Forerruners" e sucede a narrativa iniciada em Halo Cryptum.
A história é focada nas lembranças de um monitor encontrado quase destruído em um Halo por pesquisadores humanos após os eventos narrados no jogo Halo Combat Evolved. Tal monitor diz ter sido humano no passado e que seu nome era Chakas. 
Na trama, Chakas se vê perdido em um Halo após a queda da nave que o transportava. Para aqueles que leram o primeiro livro, sabem que o desfecho deste é o aprisionamento de Chakas, Elevação, Bornstellar e o Didata pelo Mestre Construtor.
O Mestre Construtor foi o responsável pela construção dos Halos. Estruturas gigantescas que serviam como arma contra o Flood e que se disparada eliminaria toda a vida senciente no universo.
O mestre Construtor também foi responsável por liberar o "Cativo", chamado pelos Forerruners de "Primordial" de sua prisão em Charum Hakkor (última cidadela humana) e de transportá-lo para o Halo em que a história se passa.
Salvo da queda por Vinnevra, uma humana nascida no Halo, Chakas inicia sua busca por seu amigo Elevação e pelo Forerruner Bornstellar. Ele acredita que seus amigos devam ter sobrevivido a queda de suas respectivas naves.
Vinnevra o apresenta a seu avô Gamelpar - no livro é descrito que tanto ela quanto seu avô possuem pele escura e se assemelham com os aborígenes australianos - que nasceu em Erde Tyrene (Terra), mas ainda criança foi levado ao Halo.
O trio de protagonistas começam a ter manifestações de antigos guerreiros que lutaram contra os Forerruners na guerra dez mil anos antes. Chakas vem a descobrir que o geas implantado nele pela Bibliotecária era a do comandante Forthencho, o Lorde dos Almirantes, grande inimigo do Didata no passado.
Após uma série de aventuras e de uma tensão amorosa com Vinnevra nunca desenvolvida, finalmente Chakas encontra Elevação e descobre o que aconteceu com o Halo em que estão. A Bibliotecária havia coletado vários humanos e os colocado na instalação 07 (nome dado a este Halo em que a história se desenvolve). Sabendo que os humanos haviam descoberto uma maneira de se tornarem imunes ao Flood, o Mestre construtor decidiu realizar experimentos neles na tentativa de descobrir uma maneira de se defenderem. Os experimentos geraram atritos entre os construtores e os modeladores de vida. Uma guerra se instaurou entre estas castas e o Flood, contido nos laboratórios chamados Palácios da Dor foram liberados contaminando a todos, menos aos humanos imunes. Durante as batalhas, várias partes do Halo foram sabotadas e ele está para colidir com um planeta próximo que Chakas descreve como tendo a cara de um lobo devido ao formato de sua superfície e das sombras projetadas.
Ocorre uma reviravolta na história e o grupo é encaminhado a sala do Cartógrafo Silencioso pela geas de Vinnevra. Lá eles encontram um monitor muito poderoso que foi corrompido pelo poder do Primordial. Este monitor quer agora a destruição de seus criadores, os Forerruners, mas ele sabe que para que seu plano se realize é necessário salvar a si, ao Halo e aos humanos que agora são considerados os novos mestres da estrutura.
Chakas é conectado ao Cartógrafo Silencioso que possui todo o conhecimento sobre o Halo. Sua mente se abre e ele passa a ter todo o conhecimento necessário para salvar a todos. Enquanto conectado a esta máquina, uma frota de naves se aproxima da instalação e descobre-se que se trata do Didata que tenta a todo custo salvar o Halo. Aqui surge um dos últimos mistérios do livro: Por que o Didata que em Cryptum era contrário a construção dos Halos queria a todo custo salvar aquele da destruição?
Descobre-se que este Forerruner, apesar de se parecer por demais com o Didata é Bornstellar que se desenvolveu como um guerreiro servidor e que praticamente não possui mais traços de sua casta original, a dos contrutores. Bornstellar está seguindo ordens da Bibliotecária que quer salvar os humanos dentro do Halo.
Bornstellar pede a Chakas que o ajude a manejar o Halo de modo a ele não colidir com o planeta. De posse de novos poderes assim por dizer, Chaka realiza o pedido mas vê seu corpo definhar e sua mente ser transferida aos poucos, através do Compositor para um monitor. Ele mais adiante passará a se o monitor 343 Guilty Spark visto nos jogos Halo 2 e Halo 3.
Após a destruição do grande monitor que controlava a instalação, Bornstellar, agora Didata e Chakas, ainda no corpo humano deteriorado vão ao encontro do Primordial que solta de seu corpo o pó que infecta a todos com o Flood. Eles descobrem que o Primordial é de fato o último dos Precursores e que este deseja a aniquilação dos Forerruners. O Primordial diz que o Flood não é uma praga mas algo que trará o consenso a galáxia pois fundirá todas as formas de vida. Ele diz que os Forerruners não são dignos de carregarem o manto e que este deverá ser passado aos humanos.
Para a surpresa de todos, o Primordial diz que os humanos não são realmente imunes e que o Flood decide quem quer contaminar. Ele diz que os humanos se desenvolverão, acumularão conhecimento para no futuro serem assimilados pelo Flood também.
O livro termina com o Cativo morrendo, Chakas se tornando um monitor e vendo Vinnevra e Elevação pela última vez.
Chakas, agora Guilty Spark se apodera da nave humana em que estava sendo estudado suprimindo sua inteligência artificial e inicia uma busca pela Bibliotecária que ele acredita ainda estar viva.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Para sempre serei teu e você minha


Ele olhava para aqueles olhos cinzentos e fundos. Mal podia acreditar que a muito tempo atrás eles foram de um negro profundo como o de uma noite sem luar.
Seus olhos percorriam aquele rosto, outrora jovial e belo. Conseguia encontrar aqui e ali alguns pontos que insistiam em não quererem mudar com a idade. E ela ainda era bela.
A água estava no fogo e ele havia se esquecido. O chá a tarde era quase que um ritual sagrado, mas o olhar contemplativo, quando não se é mais moço pode durar uma eternidade se não mais.
As pressas correu para o fogão, desligou o fogo e com um pano velho pegou a alça da chaleira. Onde estava a camomila? perguntou -se. A memória teimava em pregar-lhe peças como um moleque arteiro colocando tachinhas na cadeira dos outros. 
Ele vira para um lado e para o outro até que seu olhar volta a fitá-la. Lá está ela, deitada, vestida de azul. Sim, o tempo havia passado mas ela ainda era seu anjo. Nunca deixara de vê-la como tal. Ele podia não lembrar onde estava o chá, mas lembrava de suas mão entre aqueles cabelos que já foram negros também. Era seu anjo, tão seu.
Ao virar o rosto para o outro lado, como por milagre ali estava a camomila. Apressou-se, misturou-a a água, e com um coador filtrou-o. Adoçou da maneira que ela gostava e se pôs a beira da cama. Levava a xícara àquela boca que mal se movia. Com pequenos goles ela engolia mas sem expressar sabor ou alegria. Os olhos cinzentos teimavam em olhar para a janela como se esperasse a chegada de alguém.
Triste mas ainda assim relutante em entregar-se a situação, ele teimava em fazer-lhe elogios e em dizer-lhe o quanto ela estava linda naquela tarde.
Terminado o chá e já meio cansado ele deitou-se ao lado dela na cama e abraçou-a com carinho buscando aquele cheirinho bom que apenas ela tinha. Adormeceu.
O sol raiava e mal percebera mas já havia passado uma noite inteira. Apesar do calor que já fazia ela parecia fria, com os olhos fechados continuava parecendo um anjo. Sua boca esboçava um sorriso e ela respirava suavemente. Seu coração acelerado e seu rosto pálido não negavam o susto que tivera. Pensara no pior, mas não era hora ainda.
Levantou-se mais uma vez, beijou-lhe a fronte e foi preparar-lhe café elogiando-a e dizendo que naquela manhã não existia mulher mais linda na face da terra. Ela sorriu e ele percebeu aquele sorriso e seu peito se encheu de alegria e seu dia se encheu de cor.

Moral da história

O amor está nos pequenos gestos. No dia a dia, numa infinidade de rotinas que precisam ser quebradas e ainda assim mantidas. Que nos tornemos velhos, mas ainda assim mantenhamos jovens de coração.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Halo Cryptum

O texto abaixo possui informações sobre o enredo do livro e personagens da série de jogos Halo. Sendo assim prossiga com a leitura apenas se de fato tiver curiosidade sobre os eventos desta história.


Halo Cryptum é um livro escrito por Greg Bear autor de romances de ficção cientifica tendo sido ganhador de diversos prêmios entre eles o Hugo e o Nebula.
A história do livro se passa em um universo fictício a cerca de cem mil anos no passado. Época esta em que os Forerunner ainda viviam e eram responsáveis por proteger o conhecimento, as outras espécies e manter a ordem a qual eles davam o nome de Manto.
O livro segue os passos do personagem principal. Um jovem forerunner chamado Bornstellar Nascido das Estrela de Duração Eterna. Ele pertence a casta dos construtores, a mais altas em sua raça. Bornstellar está em sua fase inicial de vida, tem aproximadamente mil e duzentos anos e ainda é um Manipular. Este nome é dado aqueles que ainda não sofreram mutações para alcançar a vida adulta. Os forerunners se desenvolvem através destas mutações.
O jovem manipular é apresentado como um indivíduo contrário as regras de sua família e de sua sociedade recusando-se a fazer sua primeira mutação. Se interessa pouco por política e seu maior desejo é desvendar o passado, procurar tesouros perdidos dos Precursores, raça esta já extinta e que acredita-se ter dado origem aos forerunners.

Didata
Por conta deste comportamento indomável e teimoso, seu pai o enviou a uma família de uma casta inferior, a dos mineiros no planeta Edom, na esperança de que lá ele aprendesse um pouco de disciplina.
Todo forerunner utiliza uma armadura que os protege, os cura de doenças e fornecem qualquer tipo de informação requerida através de uma inteligência artificial chamada Ancila. Estas ancilas conseguem entrar nos pensamentos do portador da armadura e saber tudo o que ele sabe, inclusive saber seu estado de humor bem como o que ele está pensando, porém, e apesar de parecer perigoso, cada ancila é fiel a seu portador.
Ao conhecer sua nova família de mineiros ele recebe uma nova ancila compatível com a doutrina e conhecimentos desta casta. Esta ancila ao ter contato com a consciência de Bornstellar descobre seu desejo por desvendar os mistérios do passado e o conduz a um planeta próximo chamado Erde-Tyrene (planeta Terra) informando que lá ele encontrará o que procura.
Fugindo de sua família adotiva ele inicia uma aventura que mal poderia imaginar como terminaria. Erde-Tyrene é o lar de uma raça de guerreiros antigos que foram derrotados pelos forerunners dez mil anos antes em uma guerra feroz. Estes guerreiros são os humanos. Seguindo os preceitos do manto, os forerunners não exterminaram a raça mas confinaram os sobreviventes neste planeta. Sem tecnologia ou meios de adquirir cultura e novos conhecimentos, os humanos involuíram ao ponto de se tornarem caçadores e coletores.
Chegando no planeta a ancila, o conduz a um tipo de pousada onde ele conhece dois humanos, porém, de raças diferente: Elevação um chamamune (homo florensis) e Chakas um hamamune (o livro dá a entender que se trata de um homo sapiens ou uma variação inferior, porém superior ao homo florensis) que serão seus guias até o que se acredita ser ruínas de um templo antigo. O primeiro mede um metro e meio tem um humor simples e demonstra grande inteligencia mas pela forma como se comunica através da fala, pelas proporções do corpo e por sua aparência, percebe-se que se trata de uma raça de humano inferior, já o segundo é mais alto e forte. Demonstra mais inteligência e tem as formas e feições parecidas com as de um forerunner.
Bibliotecária
Ocorrem diversos contratempos no caminho até a ilha onde está tais ruínas. Um destes obriga Bornstellar a retirar sua armadura. Descobre-se então que por conta dela os forerunner não precisam dormir. Sem elas eles voltam a necessitar deste tipo de descanso.
Ao alcançarem seu objetivo encontra-se uma estrutura forerunner conhecida como Cryptum. Um mausoléu onde descansa o corpo de um forerunner morto ou que retirou-se para meditação. Violar tal lugar é um grande desrespeito entre os forerunners.
A Cryptum é protegida por doze esfinges de guerra muito antigas e que ainda possuem marcas de batalhas. Quando todo o local parece querer atacar os invasores no intuito de se proteger, Chakas e Elevação entoam um canto antigo que desativa as armas e dá acesso ao local. Bornstellar fica impressionado pois em uma das situações de risco ocorridas anteriormente ambos conheciam cantos que os salvaram. O manipular começou a acreditar que os humanos possuíam geas que são informações implantadas em seu DNA por manipuladores de vida, uma casta dos forerunner responsável, por toda a medicina e tudo o que envolve a vida em si.
Eventos ocorrem e Bornstellar abre a Cryptum descobrindo um forerunner antigo mas ainda vivo confinado em seu interior. Este forerunner era ninguém menos que o Didata o maior de todos os Prometeus, o guerreiro servidor que lutou conta os humanos e os venceu.
O Didata acorda amaldiçoando aquele que o acordou. Ele esperava despertar de sua meditação por si só tendo alcançado uma certa iluminação. Seu corpo frágil demorou dias para se recuperar. Terminada a recuperação ele interroga Bornstellar que explicou seu anseio por aventuras o que culminou no encontro da Cryptum. O Didata encara Chakas e o reconhece como um ser perigoso, descendente da raça derrotada. Ele estranha estar em Erde-Tyrene e diz que sua Cryptum foi movida de seu planeta original para aquele. O Didata acreditava que o fato de Bornstellar tê-lo encontrado e de aparentemente os humanos possuírem geas só poderia se tratar de um plano oculto de sua esposa, a Bibliotecária.
A Bibliotecária é uma forerunner muita antiga, a manipuladora de vidas mais experiente. Ela detém o maior cargo assim por dizer, dentro de sua casta. É a líder de todos manipuladores de vidas.
Chakas e Elevação perceberam que uma cratera próxima chamada Djamonkin havia mudado seu formato após a abertura da Cryptum. O grupo segue para lá e descorem que a Bibliotecária havia preparado uma nave para que saíssem do planeta.
Esfinges de guerra do Didata
Eles embarcam nesta nave. O Didata tem um destino em mente. O planeta Charum Hakkor. Este foi o local que os humanos escolheram para ser a sede de seu grande império com os San'Shyuum, raça esta vista na série de jogos como os Profetas do Covenant sentados em suas cadeiras que levitam. Charum Hakkor é também o local onde o Didata conheceu a Bibliotecária ainda nos tempos de guerra. A razão do didata ter ido a este planeta é o receio de que uma arma que ele considera vergonhosa e uma ofensa ao Manto poder ter sido usada.
Bornstellar pouco descobriu, ao contrário, todo o ocorrido havia colocado mais dúvidas em sua cabeça. Ele pede mais informações ao Didata e ele tenta dá-las a ele através das ancilas de suas armaduras, mas ocorreu um problema. O Didata é um forerunner antigo com muito conhecimento e com muitas mutações sofridas enquanto que Bornstellar é um manipular sem nenhuma mutação. Este fato impossibilita o jovem de adquirir mais conhecimento. É necessário que ele sofra uma primeira mutação para poder assimilar estas informações. Tal processo requer um forerunner de sua casta mais velho para ceder-lhe parte de suas experiências e aparentemente orientar a evolução de seu corpo e mente, o problema é que ele está longe de sua família ou de qualquer forerunner da casta dos construtores.
O Didata então propõe uma mutação de patente muito comum entre a casta dos guerreiros protetores, porém, a mutação teria que ser realizada utilizando como modelo o único forerunner adulto por perto, ou seja, ele mesmo.
Bornstellar aceita. É explicado pelo Didata que erros como deformidades podem acontecer no processo e que o fato de ele estar realizando a mutação para uma casta inferior, pode dar um resultado imprevisível, porém, tal mutação pode ser revertida se assim o jovem desejar quando voltar a sua família.
O processo ocorre com o auxílio da nave que os transporta e Bornstellar agora é uma primeira forma. Ele mantém a aparência de um construtor em um primeiro momento mas percebe aumento de força física e de mental. Pouco a pouco seu corpo começa a se transformar tornando-se um meio termo entre um construtor e um guerreiro servidor.
Mestre Construtor Faber
Bornstellar e os humanos recebem armaduras com ancilas. O geas nos humanos fazem eles terem memórias de guerreiros humanos derrotados no passado o que aumenta a raiva contra o Didata. As memórias inseridas em seu DNA os fazem sofrer muito.
Ao chegarem em Charum Hakkor, o grupo encontra um mundo totalmente destruído. Aquele lugar que abrigou o auge de uma civilização não passava de um monte de ruínas. A atmosfera do planeta apesar de ainda existir não podia abrigar a vida o planeta morreria em breve. As armaduras protegeram a todos. O Didata parecia procurar uma grande construção onde havia algo que o interessava. Eles encontraram o local e lá dentro viram algo que se parecia com uma cela, a porta estava aberta. O que quer que houvesse lá dentro, ou teria morrido com a destruição do planeta, ou teria fugido. O Didata temia pela segunda hipótese.
Intrigado com o que havia acontecido com o planeta e sem ter encontrado qualquer tipo de resposta o Didata resolve procurar os dois planetas em quarentena onde os San'Shyuum foram confinados. Ao perceberem que perderiam a guerra, os San'Shyuum resolveram fazer um acordo com os forerunners e se renderam deixando os humanos sozinhos na batalha. Sua punição foi amena se comparada a dos humanos. A eles foi permitida o mantenimento de algumas tecnologias e viagens entre os dois planetas em quarentena, porém, eles não poderiam evoluir mais e não poderiam desenvolver tecnologia capaz de tirá-los daqueles planetas.
Durante o percurso, Bornstellar inquire o Didata sobre o que havia na cela em Charum Hakkor. O Didata explica que no planeta haviam ruínas antigas dos Precursores quando os humanos chegaram e que eles encontraram o ser que estava preso naquela cela criada pelos Precursores. Muitos cientistas humanos estudaram aqueles ser e ao descobrirem a verdade, alguns se mataram. Por entenderem se tratar de um ser perigoso, os humanos desenvolveram mais um dispositivo para reforçar a cela e não permitir qualquer contato que fosse com o cativo. Quando em Charum Hakkor, o Didata teve contato com este ser. Bornstellar sabia disso, aliás, devido a mutação orientada pelo Didata, Bornstellar passou a ter flashes de suas memórias e a ter acesso ao Domínio, um tipo de banco de dados que os forerunner alimentavam com todo o seu conhecimento. Porém, este acesso estava se mostrando falho tanto para Bornstellar quanto para o Didata.
Chegando a área de quarentena onde encontravam-se os planetas destinados aos San'Shyuum, Bornstellar começa a ter lembranças de como eram os San'Shyuum. Seres belos, sensuais e envolventes, com um poder de seduzir qualquer raça, menos os forerunners e os humanos.
Cryptum visto em Halo 4
O Didata verificou que os escudos de quarentena estvam em alerta. Bornstellar fica impressionado ao ver pela primeira um cruzador de guerra forerunner. O Didata explica que aquele é o Deep Reverence e ele espera que seu comandante ainda seja o seu velho amigo de batalhas, o Confirmador.
Deep Reverence é uma nave realmente imponente com seus cinquenta quilômetros de comprimento e dez quilômetros de largura. Um colosso alí, parado, vigiando e guardando os inimigos derrotados.
Um sinal de rádio é enviado a Deep Reverence e a imagem que aparece no visor é de um velho guerreiro servidor, meio deformado e com muitas cicatrizes, o Didata o reconhece, é o confirmador. Ocorre uma conversa breve onde descobre-se que o confirmador foi deixado sozinho na fortaleza.
Ao desembarcarem na Deep Reverence todos ficam impressionados com o nível de degradação da nave. O Confirmador, explica que os escudos de quarentena estão em alerta devido a algumas visitas feitas pela Bibliotecária recentemente ao planeta. Aparentemente estas visitas causaram um alvoroço entre os San'Shyuum.
Ao ser questionado pelo Confirmador o motivo desta visita o Didata responde que o Mestre construtor havia terminado sua arma e a usou contra Charum Hakkor. O Confirmador esboçou um semblante de inconformação, mas retornou ao seu estado de letargia e indiferença.
O Didata resolve descer a um dos planetas em quarentena. Faziam mil anos que ele não via sua esposa e ele queria saber o que estava acontecendo lá embaixo e quais eram os planos de sua amada.
Durante a descida o Didata falou da vitória sobre os humanos. Ele explicou que a Deep Reverence foi deixada ali por vergonha. Os humanos fugiam de um flagelo que os atacava e por conta disso foram obrigados a adentrar nos domínios dos forerunners invadindo mundos. Os humanos conseguiram vencer este inimigo que os afligia mas esta vitória lhes custou muitas vidas e muitos recursos o que tornou a vitória dos forerunners mais fácil apesar da resistência formidável. O Didata se sentia envergonhado pela vitória desonrosa e este foi um dentre vários motivos que o fez entrar na Cryptum para meditar.
Bornstellar teve uma das lembranças do Didata naquele momento. Ele sabia que este inimigo eram os Flood. Os forerunners souberam contra o que os humanos lutaram mas não tiveram contato com tal ameaça, sequer viram ou presenciaram a forma deste flagelo. Tudo o que eles sabiam eram as informações deixadas pelos humanos.
Presumivelmente Chakas e Elevação na arte da capa
Após atravessarem o escudo, na órbita do planeta, uma frota de naves os esperava. O Confirmador, após anos de serviço parece ter afrouxado na segurança e parece ter perdido parte de sua lucidez também. Não eram naves de modeladores de vida pois possuíam armas. Os seguranças dos construtores estavam lá.
Ainda que a nave deixada pela Bibliotecária fosse formidável, ela não seria capaz de enfrentar um frota inteira. A ancila recebeu ordem para se renderem. Supressores de inteligência artificial foram impostos a nave, suas armaduras travaram, suas ancilas pessoais silenciaram.
Algumas esfinges de guerras mais modernas que aquelas da Cryptum entraram na nave e destruíram as esfinges antigas. Estas esfinges não eram apenas protetoras do Didata. Elas possuíam as impressões dos filhos que ele havia tido com a Bibliotecária e que morreram durante a guerra com os humanos, eram as últimas lembranças deles.
A esfinges que atacaram em seguida rebocaram os corpos inertes da tripulação para a superfície do planeta. Durante esta queda Bornstellar teve acesso ao Domínio que lhe informou estar chegando ao fim a história dos forerunners. Em um surto de memórias uma palavra veio a sua mente: Halo. Ele então desmaia.
Bornstellar acorda. Uma voz o pergunta o que fizeram a ele e o chama de manipular. A voz era educada e calma. A supressão de sua armadura é então diminuída e a voz novamente pergunta o que o Didata fez a ele e mais uma vez o chama de manipular.
Ofendido Bornstellar diz que não é mais um manipular e sim uma primeira forma. A voz o analisa e diz que ele tem cheiro de um guerreiro servidor mas se parece com um construtor disforme.
A voz pergunta se ele sabe onde está. Ele responde o que viu durante a queda, então a voz informa que ele está em Janjur Qon, o maior dos planetas San'Shyuum em quarentena e que os antigos inimigos voltaram a se rebelar após as visitas da Bibliotecária.
A voz fez mais uma pergunta, se ele sabia o motivo das visitas da modeladora de vidas ao planeta, mas Bornstellar respondeu não saber. Seus sentidos estavam se recuperando ele pode ver mais nitidamente quem estava falando. Era o Mestre Construtor, o maior dentre todos em sua casta e líder do conselho. Ele tinha o visto antes mas na época ele ainda não tinha este título, ele era chamado por seu nome original: Faber.
Mestre Construtor informou que o pai de Bornstellar foi informado de seu paradeiro e que ele ficaria aos seus cuidados até que fosse devolvido a sua família. Os supressores da armadura foram ativados novamente e Bornstellar desmaiou mais uma vez.
Ao acordar novamente ele estava em uma planície no planeta, os San'Shyuum estavam lá mais eram velhos, decrépitos e aleijados em cima de cadeiras com rodas, nada pareciam com as lembranças do Didata, em seguida chegaram três bolhas de confinamento estavam nelas Chakas, Elevação e o Didata, mas a bolha do Didata tinha um dispositivo que o fazia sentir muita dor, por fim chegaram uma nova leva de San'Shyuum, estes, apesar de feridos e mutilados, se pareciam com aqueles seres extremamente sensuais. Ocorria alí um golpe, mas os insurgentes não eram os jovens San'Shyuum e sim os velhos. Uma série de questionamentos ocorrem e o Mestre Construtor queria basicamente saber como os humanos haviam destruído a ameaça dos Flood, mas os San'Shyuum não sabiam. Enfurecido, Mestre construtor se voltou para o Didata que informou que um dos profetas San'Shyuum mais antigos sabia o segredo, mas para a infelicidade do Mestre Construtor, ao invadir o planeta, sua frota destruiu a torre onde o profeta morava matando-o. O segredo havia se perdido para sempre.