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domingo, 18 de maio de 2025

Um outro 14 de Maio...

Há muito não escrevo aqui. Um pouco de falta de tempo, um pouco de preguiça e um pouco de esquecimento me afastaram de algo que eu sempre gostei de fazer: escrever.

Nunca fui um bom escritor, mas sempre tive e por vezes tenho a facilidade de encontrar as palavras corretas. Seria um dom? Seria sorte? Talvez um pouco dos dois.

Por falar em sorte, e aqui relacionando-a com benção, no último catorze de Maio fiz quarenta e cinco anos. Tenho sorte por estar bem. Relativamente saudável e estável. Sou abençoado por estar vivo, me sentir respeitado e querido por amigos e principalmente ser amado por uma mulher tão excepcional como a Regina.

Sou grato a Deus por tudo que tenho e por tudo que pude fazer em minha vida a despeito de minhas muitas falhas e muitos erros cometidos nesse processo contínuo de amadurecimento.

Mudei bastante ao longo dos anos. Essa mudança se reflete num estado que eu chamo de calma inquietante. Calma porque tenho paz e serenidade para avaliar a vida com um olhar mais contemplativo e inquietante porque me tornei mais incomodado com determinadas coisa ao meu redor. Estranho não? Acho que a soma dos dois seria melhor traduzida como indiferença, mas pode ser também traduzida como conformação por entender que não posso mudar as coisas erradas do mundo. Posso apenas mudar as coisas erradas que existem em mim.

Sei que já fui muito empático, mas empatia demais atraiu aproveitadores. Sei que já fui muito paciente, mas paciência demais atraiu exploradores. Sei que já fui muito amoroso, mas amor demais atraiu paixões avassaladoras, destrutivas e passageiras. Sei também que já fui inocente demais e por isso sofri muito e demorei para entender que a vida é dura e que ela não liga muito para o que sentimos.

Enfim, calejado demais cresci. Evoluí para alguém indiferente, mas ainda assim, e curiosamente, preocupado. Preocupado ainda com o futuro, com sonhos mais concretos e com pequenas realizações. Coisas com o pé no chão.

Quarenta e cinco anos se passaram e me sinto mais forte e mais preparado para a vida do que me sentia aos vinte, época em que tudo parecia tão mais intenso e verdadeiro. 

Saí finalmente do verão e entrei no outono da minha vida, mas não me preocupo. Sempre gostei do frio e das folhas amareladas nas árvores brilhando sob a luz amarela de um sol fraco.

O fato é que em todos os momentos da vida, por mais difíceis que sejam, sempre haverá alguma beleza para ser apreciada, experimentada e vivida. Que venham no mínimo mais quarenta e cinco anos. Não acharia ruim não.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Guava Island




Fazia tempo que não assistia a um filme tendo aquela sensação boa de surpresa. Sem ficar fuçando no celular bem no meio da apresentação.
Guava Island (2019) apresenta a história de amor entre Deni e Kofi numa ilha com um sistema totalitário onde todos trabalham para uma única empresa. Existe uma segunda relação de amor entre Deni, a música e a liberdade representada pela forma despretensiosa e relaxada com a qual o protagonista é apresentado.
Childish Gambino, pseudônimo de Donald Glover se investe de seu personagem em This is America mas de maneira mais natural e com mais tempo de tela nos agracia com suas danças peculiares e com uma afinação musical para cantar que eu desconhecia (não acompanho a carreira do ator como músico).
Quanto a Rihanna, bem, o que dizer de uma mulher que sempre está bela nas fotos mas que aqui estava investida numa mulher comum. Bonita ainda, mas comum. Devo admitir que foi uma das coisas que me chamou a atenção. Suas roupas, cabelo. Até a forma de andar não lembrava em nada aquela mulher poderosa criada pela indústria da mídia.
Me surpreendeu também o fato de a trama se passar em uma fictícia ilha chamada Guava tendo como cenário original a ilha de Cuba. Acho que esta foi a primeira vez que eu vi algo filmado lá. Durante todo o filme fiquei me perguntando que lugar era aquele sem obter resposta. As ruas de terra, casas pobres, igreja humilde e predominância de pessoas negras me fez lembrar de muitos locais pobres no Brasil
O filme em si tenta ser um musical e conta uma história de opressão e sobre a importância de se ter um tempo para a diversão. Literalmente ter uma folga para o trabalho chato e repetitivo. Me fez pensar o quanto por vezes entramos no automático e deixamos que as "prioridades" e obrigações da vida se sobreponham sobre o que de fato nos faz faz bem que é viver a vida com quem amamos e com quem nos faz bem.
Final é meio que previsível mas nem de longe tira a leveza e a despretensão com a qual a história segue. Diversão boa para a quarentena.