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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Regina


Por todo o tempo em que a eternidade existir...

E entre evoluções e revoluções...

Caminhos e descaminhos...

Alvoradas e crepúsculos...

O estado natural de todas as coisas em mim será sempre você...






segunda-feira, 15 de abril de 2019

Hi Score Girl e uma saudade boa



Eu devia ter uns doze anos de idade quando tive meu primeiro contato com os jogos de fliperama. Fazia naquela época um curso de mecânica de automóveis em uma escola perto de casa. Não sabia, como qualquer garoto desta idade, o que queria fazer da vida. Ia para este curso mais por conta da vontade do meu pai.
A introdução é nostálgica porque remete a um tempo de minha vida que parece tão distante, mas enfim, o que diabos tem haver o curso de mecânica que eu fiz e o seriado Hi-Score Girl da Netflix? A resposta é simples. Havia um fliperama do lado da escola.
Lembro que prestava pouca atenção as aulas. Ficava a maior parte do tempo vendo os outros garotos jogarem. Muitas das vezes os professores me chamavam para a aula porque lá estava eu no fliperama. 
Essa paixão continuou por anos. Prestei prova para uma escola técnica em outra cidade. Passei, comecei a estudar e logo fui reprovado no primeiro ano. Muito dessa reprovação se deveu a The King of Fighters 95. Deixava de ir a aula para passar a manhã inteira jogando. Claro que haviam outros motivos para minha reprovação mas meu vício em fliperama foi um deles.
Os anos se passaram. Mudei meu gosto por jogos para RPG e consoles caseiros e cá estou vinte e seis anos depois escrevendo estas poucas linhas com um sorriso no canto da boca.
Hi Score Girl conta a história de Haruo. Um garoto com a idade próxima a que eu tinha naquele época. Ruim com os esportes, com a escola e com todo o resto, mas, dedicado aos jogos, principalmente a Street Figher 2. Ele nutre uma relação de ódio no começo mas de amor também por Ono, uma garota misteriosa e que é melhor do que ele nos jogos de luta.
Para quem foi criança e adolescente na década de 90 se reconhecerá em muito com as situações vividas pelo protagonista. Gastar todo seu dinheiro nos jogos, viajar para lugares distantes para conhecer novos fliperamas e games de luta. Fazer amizades sinceras e inimizades também. O caminho trilhado por Haruo é o mesmo que trilhei e o mesmo que muito por aí trilharam também.
Poucas obras hoje em dia me fazem refletir sobre minha vida e minhas lembranças. Talvez esse seja o motivo pelo qual Hi Score Girl tenha ganho um espaço no meu coração. Espero que traga boas lembranças a muito mais pessoas também.

sábado, 5 de agosto de 2017

Friozinho bom



A noite estava fria naquele dia. Garoava um pouco. Não aquela garoa forte. Muito pelo contrário, aquela garoa fininha que quase não molha mas que é o tormento de quem usa óculos.
Com uma mão sobre a testa em posição de marinheiro a avistar terra firme estava ela a proteger aquelas lentes grossas sem muito sucesso. Ela pulava de poça em poça tentando não molhar a bota nova também. Coisa de mulher, sabe como é. Cada roupa, cada acessório tem um momento de brilhar e uma poça qualquer não tinha o direito de estragar tudo.
Estava a perto de casa. Numa noite de tempo bom já teria chegado, mas o tempo ruim não ajudava muito.
Aliviada abriu o portão com certa pressa. Quase não sentia os dedos. O frio quando quer pode ser muito maldoso. Como pôde querer castigar mãos tão pequenas e delicadas como aquelas?
As pessoas costumam falar sobre o calor humano e ele de fato existe, mas se intensifica apenas dentro de um lar. E foi assim que ela se sentiu quando abriu a porta da sala. O ar quente a envolveu como um abraço amigo.
A chaleira apitava com água ainda em fogo baixo no fogão. Duas xícaras dispostas sobre a mesa. Saquinhos de chá preto com bergamota. Seu preferido. Um sorriso surgiu naquele rosto. São em pequenos gestos se que demonstra o quanto conhecemos alguém e o quanto podemos receber e dar carinho a quem amamos. No caminho para casa ela pensou sobre um monte de coisas do serviço, da faculdade, da vida, mas duas xícaras ainda vazias fizeram-na lembrar que nada mais importava a não ser estar ali naquele momento.
Num estalo ela acordou daquele transe bom, desligou o fogo e correu pela casa a procura do responsável por aquele carinho singelo.
Lá estava ele no sofá. Todo embrulhado em uma manta em frente da TV. Parecia um mendigo de tão empacotado pensou ela, mas evidente que tudo o que ela queria era estar enfurnada ali junto com ele.
Como que uma ladra no meio da noite, caiu de assalto por sobre ele deferindo beijos a queima roupa. Pareciam duas crianças brincando.
Existe amor em todas as coisas e em todos os gestos. Muitas pessoas não veem sentido nos dias frios, mas existe dois motivos pelos quais eles existem. Aquecer a alma e reforçar o amor.