Desde de criança fui ensinado a não tripudiar sobre a dor dos outros. Mesmo que não concordasse com essa outra pessoa ou ainda, mesmo que não gostasse dela.
Fui ensinado a consolar, até mesmo um inimigo e se por acaso não conseguisse fazê-lo, o respeitaria com meu silêncio.
Desejamos tanto o esperado que por vezes nos esquecemos que o inesperado existe e acontece. O resultado não poderia ser outro que não a tristeza. Tristeza pelo que foi imaginado e não se realizou, tristeza por ver uma esperança se esvair. Tristeza por pensar que algo deveria ter sido melhor, mas enfim, não foi.
O triste da tristeza, com o perdão da redundância, é saber que ela foi desejada. Não por você e para você mas por outrem. Mais triste que a tristeza é saber que pessoas se deleitam com a melancolia e com desalento dos outros.
São gargalhadas. É uma chacota sem fiz. Um desejo mórbido de ver o mal do outro, de suplantar a fé dos outros.
Sempre pensei que ser pobre não era um defeito para ninguém, mas hoje percebo que não há apenas a pobreza no sentido de se estar despido de bens. Há a pobreza de espírito e esta sem sombra de dúvidas é a pior de todas porque ela se sobrepõe a empatia e ao entendimento de que do outro lado há um ser humano. Um igual.
A maldade aparenta ser o estado natural de determinadas pessoas. Curioso é que elas não se sentem como vilãs. Muitas delas acreditam que são pessoas corretas e que deixar alguém triste é justiça.
Não sei em que ponto o ser humano se perdeu. O fato é que a humanidade caminha a passos largos para a bestialidade da desunião, do escárnio e da dor. Lamento por isso e infelizmente prevejo tempos difíceis pela frente. Não por escolhas minhas, mas por escolha daqueles que anseiam pelo mal.

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